Manchete 'Poluição, um drama das lavadeiras da Maraponga', com uma lavadeira trabalhando na beira da lagoa, crianças e um cavalo dentro d'água, e o retrato de u

Foto · Correio do Ceará · 1982-09-14 (terça-feira)

As lavadeiras da lagoa da Maraponga em 1982

Cerca de 50 mulheres viviam de lavar roupa numa lagoa que dividiam com cavalos, carros e lama.

Em 14 de setembro de 1982, o Correio do Ceará dedicou uma página às lavadeiras da lagoa da Maraponga, em Fortaleza, que o jornal chamou de 'a mais movimentada da cidade'. Segundo a reportagem, cerca de 50 mulheres trabalhavam ali. Tinham mais de 40 anos, algumas beirando os 60; muitas eram viúvas, aposentadas ou solteiras e não recebiam nenhum benefício. Em inverno bom, conseguiam até 700 cruzeiros por dia, e o pagamento das peças era calculado pela trouxa, de 100 a 150 unidades.

As lavadeiras reclamavam da água cada vez mais baixa e da lama. Contavam que empresas construtoras haviam retirado 'carradas e mais carradas d'água' da lagoa, até que ecologistas e autoridades conseguiram proibir a retirada. O problema, naquele momento, era outro: animais, sobretudo cavalos, eram levados diariamente para o banho na lagoa, e veículos também eram lavados ali. Uma das lavadeiras trabalhava no local havia mais de 30 anos e dizia nunca ter visto um ano tão difícil.

O jornal abriu o texto chamando essas mulheres de 'heroínas totalmente abandonadas'.

Ver a página original no acervo
Fonte
Correio do Ceará
Data
1982-09-14 (terça-feira)
Temas
costumes fortaleza mulheres trabalho
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