Nasceu em Fortaleza, 3 de maio de 1881, filho de João Torres Câmara e Maria Torres Câmara, mais conhecida como Maria Sussuarana. Primeiros estudos com o Padre Liberato Dionísio da Costa. Depois, freqüentou o Partenon Cearense e o Liceu do Ceará. Revelou desde jovem paixão pelo teatro; aos 16 anos filiou-se ao Clube de Diversões Artísticas que Pápi Júnior dirigia no Clube Iracema e, logo em seguida, ao Grêmio Taliense de Amadores, cuja presidência assumiu. Viveu dois anos em Manaus e,. ao retomar, foi nomeado oficial da Secretaria Estadual da Fazenda. Diretor-Secretário da Junta Comercial. Deputado Estadual no período 1909/1912. Trabalhou na Estrada de Ferro Baturité e foi Diretor da Escola de Aprendizes Artífices do Ceará. Jornalista, fundou e dirigiu “O Aprendiz de Artífice” .e “Revista Pedagógica”. Em 1918 fundou o Grêmio Dramático Familiar, em tomo do qual reuniu, com o seu mesmo idealismo, gente interessada em plantar as raízes do que sintetizaria o movimento teatral cearense durante cerca de 20 anos; à falta de textos para repertório, elaborou-os ele próprio, escrevendo e fazendo representar as burletas A Bailarina, Casamento da Peraldiana, Zé Fidélis, O Caiu, Alvorada, Os Piratas, Pecados da Mocidade; O Paraíso e Os Coriscos. Deixou inacabada Alma de Artista, com elenco já totalmente definido, pois ia escrevendo o texto concomitantemente com os ensaios.
Em 1921, filiou-se à recém-criada Sociedade Brasileira de Autores Teatrais, com sede no Rio de Janeiro, da qual foi representante no Ceará durante muitos anos. Na reorganização da Academia Cearense de Letras levada a efeito em 1922 foi chamado a assumir a cadeira n° 37 (patrono: Tomás Lopes); por seu desinteresse das lides acadêmicas, teve seu nome excluído na fase seguinte da entidade (1930). Em 1924 foi dirigir a Escola de Aprendizes Artífices de Sergipe, demorando-se três anos em Aracaju, onde aceitou o encargo de redatoriar o “Diário da Manhã”. Morreu em 11 de maio de 1939 e, 40 anos depois, a Academia Cearense de Letras fez publicar volume contendo sua obra completa, com pesquisa, introdução e notas de Ricardo Guilherme e Marcelo Costa e apresentação de Otacílio Colares. Suas peças, todas em estilo regional, são representadas até hoje com muito sucesso.