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Biografia

Eduardo Francisco Nogueira Angelim

1814–1882

Há outro cearense de mesmo nome no acervo Eduardo Francisco Nogueira ANGELIM 1814–1882
3 min de leitura 580 palavras

Descendente da antiguissima família Nogueira, nasceu no Aracaty a 6 de Julho de 1814.

Emigrando para o Pará por occasião da secca de 1825, foi alli figura saliente nos motins de 1835 chegando a occupar a presidência da Província. Sendo preso, foi deportado para o Rio de Janeiro e dahi mandado para Fernando Noronha onde jazeu por annos.

Escreveu Memorias históricas, segando affirma Gonçalves Dias, seu grande enthusiasta, e que o tinha em conta do Garibaldi Brasileiro.

Falleceu no Pará a 20 de Julho de 1882, sendo seu cadáver levado para o engenho Madre de Deus e sepultado na respectiva capella junto ao tumulo da esposa.

João Brigido, que o conheceu pessoalmente, descreve-o como “homem de estatura que dava na craveira cearense, branco com laivos de caboclo, a tez de jambo tostada do sol, a cabeça chata, pescoço grosso e curto, cabellos corridos e negros, os pés pequenos, o peito largo, a musculatura e pose de um gladiador. Faltava com timbre agudo e sonoro, inflexões rápidas, mi mi ca mui expressiva, os pequenos olhos scintillando. Movimentava-se, agil como um gamo. Fallava com correcção, o vernáculo do Ceará, abundando em imagens e cortesias”.

A Revista do Instituto do Pará, vol. I n. I, insere em artigo firmado por Bento Aranha a Acta da reunião em que o povo de Teffé acclamou presidente legal da Província ao Chefe dos Cabanos, Eduardo Angelim (19 de Maio de 1836) de accordo com seus partidários de Mauáos, Óbidos (Pauxis), Iquipiranga e Santarém (Tapajós).

Tratando desse cearense escreveu um jornal de Belém:

Falleceu hontem nesta cidade Eduardo Francisco Nogueira Angelim, a figura mais notável da revolução de 1835 denominada a cabanagem.

Moço ainda, viera do Ceará, sua província natal, e tinha 23 annos apenas, quando os azares da revolta collocaram-no no posto de Commandante do Corpo de policia.

Governava a anarchia, sob a sanguinária pressão de Francisco Pedro Vinagre, apossado da administração a 31 de Fevereiro de 1835 após o fuzilamento do presidente, também rebelde, Felix Antonio Clemente Malcher.

Com a prisão desse homem terrível a bordo da fragata Conquista”, e o abandono da cidade pelo presidente Marechal Manoel Jorge Rodrigues a 21 de Agosto Angelim empunhou o bastão da governança.

O que foi o seu governo não são os contemporâneos que o dirão — é fácil de comprehender a energia de um rapaz pouco instruído, cioso de sua autoridade, lutando contra o desenfreamento das paixões dos seus próprios a quem tivera de conter muitas vezes, fazendo-os passar pelas armas.

O que, porém, ninguém contestará é que Eduardo Angelim, dócil a paternal intercessão do prelado D. Romualdo de Souza Coelho, protegeu a um grande numero de infelizes condemnados ao roubo a morte e á deshonra.

Um facto releva não esquecer: Eduardo, ao deixar a cidade a 13 de Maio de 1836, quando entrava o General Andréa, entregou a aquelle prelado todo o dinheiro que achou nos cofres públicos.

Foi um funccionario honradíssimo. Em um livro inédito que deixou denuncia um outro facto, que não o honrará menos—recusou recursos militares do governo Americano para proclamar a independência do Amazonas.

Preso posteriormente, esteve dez annos na Ilha de Fernando, onde a instancias de Thephilo Ottoni foi buscal-o a annistia Imperial.

Ha muitos annos quebrado de forças, ralado de desgostos, vivia em seu engenho Madre de Deus onde, foi sua ultima vontade, ordenou que fosse o seu jazigo. Foi o 13 administrador da província e falleceu com 68 annos”.

Sobre Eduardo Angelim léam-se os Motins Políticos do Dr. Rayol.

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