JB

Biografia

José de Barcellos

nasceu em 1843

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Nasceu a 7 de Julho de 1843 em Baturité e é filho de João Thomaz de Barcellos e D.a Francisca Alexandrina de Carvalho, que se mudaram para Fortaleza em 1845.

Concluídos os estudos primários, foi nomeado professor adjuncto das escolas publicas de Fortaleza, por provisão de 22 de Abril de 1856, vencendo o ordenado de 5$000 mensaes, depois 7$000 e finalmente 10$000 no 3.o armo de exercício. Foi exonerado a seu pedido a 17 de Fevereiro de 1862.

Nesse intervallo fez o curso completo de preparatórios no Lyceu Cearense.

Em 1859 ainda estudante do Lyceu, fundou a Estrella, com a collaboração de Antonio Bezerra na parte poética. Este semanário durou mais de um anno. Em 1862 partiu para a Europa com destino a seguir o curso da Escola Agrícola de Grignon. Motivos de moléstia fizeram-o regressar ao Ceará no mesmo anno.

Escreveu para o Cearense longa serie de artigos sobre o estado do ensino publico em 1864, além de vários trabalhos literários e na União Artística publicou diversos artigos sobre instrucção publica e outros assumptos.

Em 1866 foi incumbido de estudar a organisação da Escola Normal da Bahia, pelo presidente Dr. Ignacio Marcondes Homem de Mello. De volta ao Ceará apresentou ao governo extenso e minucioso relatório, expondo o que mais conveniente julgava para ser proficuamente reaizado o pensamento da lei de 5 de Dezembro de 1864, que mandou crear em Fortaleza escolas de 2.o gráu.

Por provisão de 3 de Janeiro de 1867 foi nomeado Bibliothecario Publico assumiu o respectivo exertício a 16 do mesmo mez.

Em Julho de 1869 pediu a exoneração e embarcou para o Rio de Janeiro, e ahi até 1879 dedicou-se ao ensino particular, especialmente o da Geographia e da Língua Portuguesa.

Nesse tempo sob o titulo Geographia physica—pontos para exame publicou um opúsculo, sendo o producto da edição (que foi esgotada) applicado ao auxilio dos cearenses flagellados pela secca.

Os immediatos successores de José de Barcellos na Bibliotheca foram: João Severiano Ribeiro, nomeado por acto de 24 de Julho de 1869, Revd. Dr. Justino Domingues da Silva, nomeado por acto de 28 de Novembro de 1870 e B.d Herculano de Araujo Salles, nomeado por acto de 27 de Janeiro de 1873.

Regressando ao Ceará, foi José de Barcellos nomeado Director da Secretaria da Assembléa Legislativa a 2 de Agosto de 1879, cargo de que pediu exoneração a 28 de Setembro de 1881.

Como se houve no exercício do logar de Director da Secretaria da Assembléa dil-o o seguinte trecho do relatório apresentado á Assembléa pelo respectivo l.o secretario, João Lopes Ferreira Filho:

Cumpro um dever de stricta justiça recommendando á alta consideração de V. Exc.a os serviços relevantíssimos que tem prestado o Director da Secretaria José de Barcellos a cuja intelligencia, inexcedivel zelo e incançavel dedicação deve-se a bôa ordem e regularidade dos trabalhos”.

Em sessão de 24 de Julho de 1880 a Assembléa Legislativa nomeara uma commissão de seu seio para estudar os meios de melhorar a instrucção publica da Província.

Essa commissão, que funccionava sob a presidência do l.o secretario da Assembléa, por officio de 26 do referido mez convidou a José de Barcellos para auxilial-a em seus trabalhos.

Por esse tempo na Gazeta do Norte José de Barcellos publicou traducções de romances de Octave Feuillet, Zola, Delpit e outros, e por occasião da festa do Centenario de Camões, uma biographia do immortal poeta, do artigo: Ave, Camões !

Por acto de 27 de Setembro de 1881, foi nomeado professor de Pedagogia e Methodologia da Escola Normal cujo exercício assumiu no dia 15 de Outubro e a 27 do mesmo mez seguiu para a Europa em commissão do governo afim de estudar os methodos e processos do ensino primário applicaveis á Província.

Regressou dessa commissão a 16 de Outubro de 1882-

Uma carta muito honrosa do director da Escola Normal de Bruxellas, Mr. Sluys, publicada na imprensa de Fortaleza, dá uma idéa da consideração com que foi tratado pelo corpo docente no estrangeiro.

Como pelo art. 79 do Regulamento de 26 de Junho de 1885, a Escola Normal, que se achava sob a direcção immediata do inspector geral de instrucção publica, devesse ser dirigida por um dos professores do curso, nomeado pelo governo, por titulo de 17 de Julho de 1885 foi nomeado director o professor de Pedagogia José de Barcellos, que a 18 do mesmo mez entrou em exercício.

Esse cargo foi exercido sem remuneração alguma até que a lei provincial n. 2176 de 1889 arbitrou a gratificação de 1:200$000.

Em virtude da disposição constitucional, que vedava a accumulação de empregos, José de Barcellos deixou o cargo de director da Escola Normal a 4 de julho de 1891 (Officio do Governador José Clarindo, de 2 do referido mez).

O Libertador em sua edição de 6 de Junho de 1891 diz que no dia 5 as alumnas da Escola Normal em n. de 84 foram encorporadas á presença do governador do Estado pedindo-lhe a reintegração do illustre professor José de Barcellos no cargo de director daquella Escola, cargo de que fora destituído em virtude da Constituição que prohibe as accumulações.

O Estado do Ceará da mesma data diz que—S. Exc.ia (o governador do Estado) respondeu que sentia não poder satisfazer ás moças por ser escravo da lei; —que era o primeiro a reconhecer o quanto perderia a Escola Normal, mas que a retirada do Snr. Barcellos seria temporária, pois se compromettia a pedir ao Congresso em sua próxima reunião os meios de poder solver as difficuldades.

Noticiando a publicação do Regimento das escolas publicas de instrucção primaria, disse um jornal de Fortaleza:

Este trabalho de minudencias que só pode oer desempenhado por espirito familiarisado com a pratica e o conhecimento perfeito do que inhere á educação mental das creanças, o foi magistralmente, devido aos esforços do director da Escola Normal que não só deste como na confecção dos differettes regulamentos para a instrucção publica de 1881 para cá tem sido a alma, o pensamento e o braço principal, que os tem impulsionado.
Serviços deste género, que em outra parte que no Ceará são contados entre os primeiros, não tem valido ao illustre professor senão aborrecimentos e desgostos...
Exercendo gratuitamente e com sacrifício pessoal o pesado encargo de director da Escola Normal tem tido a rara abnegação patriótica de soffrer por amor de uma instituição, que é creação sua e cujos fructos fazem esperar melhores dias para a instrucção primaria desta província”.

Além de um trabalho didático sobre o Ensino simultanec da leitura e da escripta, publicado em 1884, de Novos pontos de geographia, publicados em 1882, devem-se ao professor José de Barcellos:

O Regulamento da Instrucção Primaria do Ceará de 12 de Setembro de 1881, promulgado pelo presidente Senador Leão Velloso; O de 3 de Junho de 1887; O de 10 de Mtço de 1897, promulgado pelo Dr. Antonio Pinto Nogueira Accioly; O Regimento interno das escolas publicas de 1888; O Regimento interno, programmas de ensino das escolas publicas de instrucção primaria do Estado d d Ceará, de 1898; O Regulamento da Escola Normal da provincia do Ceará de 26 de Junho de 1885; O Regulamento da mesma escola de 9 de Outubro de 1889; O de 7 de Janeiro de 1899 e o Regulamento orgânico da Escola Normal do Ceará expedido a 3 de Setembro de 1896.

Em virtude da disposição regulamentar, como professor mais antigo, tem José de Barcellos exercido interinamente a directoria da Escola Normal.

Em 1880 e em 1884 exerceu interinamente o logar de professor de geographia e historia e actualmente é o professor de grego no Lyceu Cearense.

Apaixonado cultor da lingua e litteratura hellenica como o é da sciencia da educação, tem entre mãos um Estudo sobre os trágicos gregos e Noções de pedagogia theorica e pratica para uso dos alumnos da Escola Normal.

José de Barcellos publicou mais: — A prova escripta dos pontos de geographia e cosmographia conforme o programma dos exames de preparatórios no corrente anno (1876), Rio de Janeiro.

Bibliografia1

  1. Ensino simultâneo da leitura e da escripta, Fortaleza, Typ. do “Libertador”, rua da Palma n. 56, 1883, 45 pp.

    José de Barcellos é ainda autor de um Compendio de Historia Antiga e traductor do poema A volta de A. Heine.

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