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O Nordeste
Janeiro de 1963, página 47 · 5 trechos transcritos
Manchetes desta página
- PONTOS DE VISTA DISCURSO DE CASTRO A opinião corrente nos círculos diplomáticos e políticos que analisam a posição do Presidente aos olhos do regime de Cuba, insiste em reconhecer que o chefe do governo norte-americano permanece disposto a cumprir o prometido quanto à não invasão do território cubano, em troca da retirada das armas ofensivas soviéticas da ilha. Por outro lado, a não expensão publicitária da sua vitória no bloqueio de Cuba pareceu um gesto de sabedoria política de Kennedy e de sua equipe, seguindo, pouco depois, ao êxito dos entendimentos que levaram à solução do problema do resgate dos prisioneiros da fracassada invasão do ano passado. Era de se esperar que o resultado das negociações para o resgate daqueles prisioneiros fosse o primeiro passo do premier cubano para um novo tipo de comportamento político na cena mundial. Muito ao contrário, o que se viu logo depois, no discurso de Fidel Castro por ocasião do aniversário da revolução, foi a evidência de que ao chefe do governo revolucionário de Cuba não interessa de forma alguma contribuir para a solução dos conflitos internacionais, mas exclusivamente exacerbá-los. No seu orgulhoso rancor contra o Presidente dos Estados Unidos, referiu-se a Kennedy como um “chefe de piratas”. Fazendo brogue com a promessa feita por Kennedy, de restituir a bandeira da invasão aos anticastristas numa “Havana libre”, dirigiu que deveria tratar-se de algum botequim com esse nome na cidade de Miami, onde provavelmente o estadista norte-americano teria “esboçado demais”, antes de falar aos ex-prisioneiros. Do ponto de vista da verdade histórica, Fidel Castro cometeu alguns deslizes, quando insinuou que o motivo de os Estados Unidos haverem pago a indenização pelo resgate dos prisioneiros foi a “sua derrota”, e quando afirmou que o governo de Cuba, “no seu desejo de paz, chegou a determinados acordos com os Estados Unidos”. Ora, não é novidade que os acordos foram feitos entre os Estados Unidos e a União Soviética, enquanto o resultado de tais acordos foi mundialmente recebido como uma vitória norte-americana. Mas quando o premier cubano foi imprudente e malicioso foi no momento em que afirmou que as garantias de Cuba contra a invasão “estão nessas armas que eu vi e em outras que não viram no desfile”. Dizer tal coisa, quando se sabe que não estão resolvidos todos os problemas do complicado caso das armas soviéticas em Cuba, é fazer uso de maquiavelismo diplomático e militar, dando razão aos refugiados inimigos do seu próprio regime, que denunciam a existência de bases subterrâneas de foguetes russos no território cubano. Propositalmente, Fidel Castro ofereceu ao Presidente Kennedy a peça acusatória contra o governo soviético, favorecendo a posição norte-americana pela inspeção “in loco” a ser feita pela ONU em seu país, ao mesmo tempo em que exacerba ânimos dos partidários da invasão pura e simples, bastante numerosos nos Estados Unidos. Só cabe a Fidel Castro, nesta hora, prolongar o limite do possível a atmosfera de trégua que se seguiu à crise do bloqueio de Cuba, para fortalecer ternamente o seu regime. Mas ele vive lançando ao mundo a tempestade de ameaças que poderá um dia cair sobre si mesmo. Assim começa o quarto ano do triunfo da revolução de Cuba. Essa revolução envelhecida e ultrapassada será a mesma que alegrou o mundo em 1959? e ainda terá condições de festejar o seu quinto aniversário? O premier cubano esquece desta maneira, não só certos preceitos fundamentais do decoro do seu cargo, mas até mesmo certas regras do jogo diplomático. Pouco lhe vale pensar com seriedade em obter na ONU o indispensável apoio à chamada autodeterminação de Cuba, se não demonstra possuir um mínimo de senso da realidade, e até mesmo de responsabilidade? Muitas posições de tal fanfarrice e presunção a que nem mesmo Kennedy ou Kruschev se julgam com direito de recorrer, Fidel Castro é afinal um líder responsável por uma revolução de gabarito mundial, ou um desses ditadores de opereta da categoria do seu antecessor Batista ou desse Perez Jimenez que acaba de ser entregue, preso, às autoridades policiais venezuelanas?
- FATO DO DIA ACUSAÇÕES CAPCIOSAS Os Sindicatos de Petróleo, sediados em alguns Estados do Brasil, redigiram e deram ampla publicidade a um pedido de resposta que respondeu. Nessa época nem ao menos se falava na vinda de Jango Goulart a Fortaleza. A crise foi se tornando cada vez mais ameaçadora e novos apelos do Governador iam ficando sem resposta. E se não se chegou mesmo à catástrofe, foi porque as companhias O Presidente da República anuncia sua viagem ao Ceará, para ali lançar a pedra fundamental da Fábrica de Asfalto da Petrobrás. Pois bem, 48 horas antes as companhias distribuidoras escamoteiam seus estoques de derivados, gerando violenta crise no abastecimento local”... Nem mesmo os ingênuos, que leem essa acusações capciosa, e residem em Fortaleza poderão aceitar o disparate. Falando na Televisão, o governador Parsifal Barroso, que empregou todos os esforços para evitar a crise de combustível líquido no Estado, explicou da maneira mais clara, mais insofismável, mais convincente, que UNICA e EXCLUSIVAMENTE coube ao Governo Federal a ausência de derivados de petróleo em nosso meio. Provou o Governador que desde o dia 12 de dezembro, quando notou que se iam esgotar os estoques de gasolina nos tanques das companhias distribuidoras, lançou um apêlo ao Governo Federal para que tomasse providências urgentes a fim de evitar uma situação de catástrofe para o povo cearense. Nenhum distribuidoras de derivados do petróleo a Esso e a Shell, atenderam a requisições do Chefe do Estado, entregando ao consumo 500 mil litros de gasolina de aviação. Assim, pela palavra do Governador, se houve sabotagem, como esteve a referir-se insistentemente uma estação de rádio de Fortaleza, de conhecidas inclinações esquerdistas, foi de ordem oficial, pois as companhias distribuidoras não podiam distribuir aquilo que não fora entregue para tanto. Que a falta de gasolina podia ter sido sanada em tempo, desde a alarma do Governador, viu-se depois, quando um petroleiro, o “Agua Grande”, veio de Maceió até aqui em três dias, não se justificando, portanto, que passasse o Ceará aguardando o arrebato “Mark Slavim” 23 dias, até que fosse declarada sua incapacidade de chegar até Fortaleza. A história deve ser contada com lealdade e justiça e não por meio de invencionices e falsidades gritantes.
- Reforma agrária no Rio Grande do Norte NORONHA NETO Uma primeira experiência de reforma agrária será feita no Rio Grande do Norte, pelo Governador Aloísio Alves. Trata-se de uma iniciativa pioneira, cuja finalidade é pôr em prática uma série de requisitos tendentes a implantar aquilo que, hermética e às vezes demagogicamente, se chama de reforma agrária. Não sei porque, mas o fato é que sempre tenho implicado com o termo: nós não temos nenhuma reforma a fazer. O que temos é a imensa necessidade de implantar novos métodos de exploração agrícola, de novos e corajosos processos de comercialização dos produtos agrícolas, enfim, estabelecer condições dentro das quais a vida rural tenha sentido econômico e deixe de ser a loteria que é atualmente. Por isso, reformar é cacoete de desocupados. Vamos é criar alguma coisa nova. Corrigindo, primeiramente os abusos, é claro... Bem, o fato é que o sr. Aloísio Alves vai experimentar: adquiriu, por 21 milhões de cruzeiros, propriedades que contêm 20 mil hectares, e ali pretende estabelecer um sistema novo, com base nos famosos KIBUTZS de Israel. O 1º núcleo a ser instalado é na Fazenda Pedra d’Água, com 3.500 ha., dos quais cerca de 800 serão destinados à cultura de cereais e algodão e o restante para diversos tipos de atividades rurais: criação de galinhas, gado, etc. 140 residências estão projetadas na Fazenda, numa planta original de povoação, onde estão previstas as diversas exigências de bem-estar e assistência social. Uma segunda etapa prevê a industrialização dos produtos da Fazenda Pedra d’Água. À primeira vista, parece-nos viável aceitar que a idéia do sr. Aloisio Alves é deveras arrojada. Que seu pioneirismo desperta as atenções de quantos, neste País, anseiam pelas inovações que deem ao homem do campo, condições de vida humana, arrastando-os para fora desse círculo de ferro que os torna marginais da economia e da vida produtiva do restante da comunidade. No seu entusiasmo, porém, não nos tira o direito de pôr em dúvidas certas premissas do seu plano. Supor, por exemplo, que a experiência dos KIBUTZS israelense possa ser transplantada para nosso meio, configura-se um tanto apressado. Aquela experiência representa o desembocar de séculos de necessidades diferentes. Filosofias mui diversas do estofo em que se acomodaram nossas linhas históricas presidem os hábitos de vida e de trabalho comunitário em Israel. E há outros aspectos a considerar. Uma coisa não se deve esquecer em certo sentido: reforma agrária é como o cogumelo: a melhor não presta. Até os socialistas perdem o arzinho de sua graça quando se fala na história. Os próprios russos já tiveram de reformar suas próprias reformas... Mas, vamos ver (Conclui na 5a. Página)
Anúncios, notas e expediente
- Expediente ALISTAMENTO E ELEGIBILIDADE A Constituição Federal estabelece diferença entre alistamento e elegibilidade, levando a concluir-se que nem todos os que se podem alistar eleitores podem ser eleitos para cargos ou funções públicas. Assim, os maiores de 18 anos e menores de 21 anos podem alistar-se eleitores mas não podem ser votados. Isso quer dizer que, pelo simples fato de poder votar o cidadão não pode ser votado. Aliás, nesse caso, há restrições numerosas na Constituição, como a que proíbe a recepção de votos ao cônjuge e aos parentes consanguíneos ou afins até o segundo grau do Presidente da República, do Vice-Presidente ou do substituto que assumir a Presidência, do Governador do Estado, além de outros impedimentos dentro de determinados prazos e, na forma especificada nos artigos 139 e 140. Assim, o rumoroso caso dos sargentos, que conseguiram registro para a deputação federal e estadual e tiveram, depois, sua eleição impugnada pelo Tribunal Eleitoral, é perfeitamente explicável, para quem conhece a Constituição. E se os reclamantes pedem o cumprimento da Carta Magna, visando com isso a amparar-se, estão justamente advogando contra a sua causa. Porque a Constituição autoriza no parágrafo único do art. 132 o alistamento de aspirantes a oficial, a sub-oficiais, a subtenentes, a sargentos e a alunos das escolas militares de ensino superior, mas no art. 138 declara inelegíveis “os mencionados no parágrafo único do art. 132. Assim, o que se conclui é que os sargentos, como os menores de 21 anos e maiores de 18, como os parentes de Prefeitos, de Governadores e Presidentes de República, podem alistar-se eleitores e votar mas não podem ser votados. Não se trata, portanto, de medida que fere apenas os sargentos, mas que disciplina as inelegibilidades, que nada têm que ver com os alistamentos eleitorais. Há-de-se dizer que essa incompatibilidade devia ter sido apreciada no momento do registro dos candidatos, e, de logo, decidido o assunto. Houve, por sem dúvida, perplexidade em alguns casos, mas o fato de ter havido erro de origem não significa que deva ser ele mantido, após verificado legalmente. Depois, a Justiça é organizada em sentido hierárquico, donde a existência de Tribunais Superiores, que podem alterar e até revogar decisões de instâncias inferiores. Se assim não sucedesse, quem ganhasse uma questão em primeira instância não poderia mais ver seu direito anulado pelo Tribunal maior.
- Nota social FATOS & PROBLEMAS Somos criaturas de Deus. Fomos criados a sua imagem e semelhança. Nascemos e morremos, isto é, tivemos um começo e teremos um fim. Nosso fim é o céu, a glória de Deus. Glória de Deus é desabrochar no céu a semente que recebemos em nosso batismo — a graça. Nosso fim é o Céu. Precisamos seguir um caminho que nos leve ao céu; caminho certo, seguro e mais rápido. Jesus Cristo é o caminho. O céu com Jesus Cristo nos estava fechado. Foi preciso que Jesus, o Filho de Deus, encarnasse, padecesse e morresse na cruz para que o céu se reabrisse para nós. Jesus se encarnou no seio puríssimo de Maria Virgem, o que quer dizer que Deus baixou até nós, para nos levar para o céu, por intermédio de Maria. Nós também, para nos elevar até Deus, devemos ir através de Maria, criatura que mais se assemelhou a Jesus Cristo. Quem imita Maria, consequentemente, imita Jesus, porque Maria é a cópia mais perfeita das perfeições divinas. Fomos criados à semelhança divina, nascemos para o céu onde não entra nada imperfeito. O amor leva à imitação; a imitação leva à união, à identificação. Perdemos a união com Deus. Já o dissemos em outra conversa nossa: para se amar é preciso conhecer. Quando se conhece e se reconhece as perfeições de alguém, disse alguém, necessariamente se ama. Falando se ama instintivamente se imita e imitando-se reproduz-se em nós a paixão daquele a quem amamos. Essa imitação e comunhão reflexão traz a identificação, a união e dessa união, nasce a amizade, a intimidade. E à intimidade com Deus que devemos chegar nas culminâncias da perfeição cristã. Quando duas criaturas se amam, servem-se, necessitam de dar-se reciprocamente, dão seus bens materiais e dão-se a si mesmas. Deus ama a sua criatura por isso se dá a ela. A criatura que também ama seu Deus dá-se a Ele em retribuição. Conheçamos a Maria para amá-la; amemo-la para imitá-la; imitemo-la para imitar Jesus e imitando-o chegaremos num crescendo contínuo à mais alta perfeição cristã. Para melhor conhecermos Maria, procuremos ler sua vida e meditar em suas virtudes. Quando amamos alguém gostamos de falar sempre nesse alguém, gostamos de exaltar suas virtudes. Se amarmos Maria falaremos Nela, proclamaremos suas virtudes e assim torná-la-emos sempre mais conhecida e mais amada. O amor verdadeiro não é egoísta nem ciumento. Amemos Maria com amor verdadeiro e seremos gratas de Deus devoção. Falar Maria é copiar Jesus. Copiar Jesus é identificar-se com Ele. Preparemos nosso céu na terra procurando em nós mais crescer na perfeição que Deus espera de nós! ANGILLA MARIAE DEVOCÃO A MARIA — CAMINHO MAIS RÁPIDO DE UNIÃO COM DEUS