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O Nordeste
Janeiro de 1963, página 69 · 6 trechos transcritos
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- PLEBISCITO DA RÚSSIA É sem fundamento que um líder intelectual' responsável do sr. Alceu Amoroso Lima regresse à Europa declarando que em breve a União Soviética será uma democracia representativa, em moldes iguais aos dos países ocidentais, por uma superação histórica do sistema totalitário comunista. Qualquer observador menos superficial dos fatos que constrói a história da humanidade conhece a validade do envelhecimento das revoluções e das mudanças sociais que elas acarretam. Somente o dogmatismo reacionário dos marxistas pode fazer um ato de fé na perenidade de um sistema econômico e de vida, oriundos de condições históricas e sociais essencialmente transitórias e mutáveis. Na defesa e intolerante do caráter definitivo da futura sociedade comunista, os herdeiros ideológicos de Marx estão se transformando em defensores de um tipo de conservadorismo, segundo aquêle axioma histórico até hoje nunca desmentido: "os revolucionários de ontem e hoje no poder serão os maiores conservadores de amanhã". O que dizemos não é fantasia. Há vários meses Nikita Kruschev resolveu desencadear uma campanha contra certas tendências culturais da nova geração do seu país, consideradas por ele como inovações burguesas decadentes. Entre essas inovações merece destaque especial as novas experiências abstracionistas na arte, a inspiração musical independente, a popularidade do jazz, e uma certa curiosidade meio interesse por tudo o que se relaciona com os países ocidentais, além de uma tendência pacifista da nova geração de militares, e até mesmo do modo de trajar da juventude. Talvez esteja que ainda não se trata de um grande movimento em marcha, mas é a lenta penetração na alma do absolutismo, do humanismo liberal que vem assegurando não no Ocidente a morosa conquista dos direitos da pessoa humana, a grande revolução da época moderna, a revolução burguesa e liberal da França. Embora o progresso humano, embora cheio de erros e preconceitos, o marxismo apareceu no ocidente como uma tentativa de correção dos erros sociais do regime instituído pela burguesia. Preparado para a conquista da Europa industrial, o movimento de Marx conquistou contraditoriamente a Rússia. Por um golpe de mão dos bolchevistas, exatamente num país que ainda estava em pleno tempo de absolutismo. Assim, a Rússia conheceu a revolução anti-feudal antes de haver conhecido a liberdade burguesa, conheceu o remédio comunista antes de haver conhecido os males do capitalismo liberal. Enquanto isto, os países ocidentais, em parte estimulados pela experiência comunista da União Soviética, e em grande parte pelos princípios da Doutrina Social da Igreja está corrigindo os erros e defeitos do capitalismo e descobrindo as instituições de uma democracia de trabalho. Assim nós temos que o ocidente está em sua necessária evolução para a conquista dos direitos econômicos da pessoa humana, enquanto que a Rússia trocou o absolutismo político dos czares pelo absolutismo econômico dos planos quinquenais e setenais. O que virá agora? Depois da solução da crise dos direitos econômicos do homem, a História vai cobrar da Rússia a duplicata da revolução francesa. Essa mesma História que tantas vezes o sr. Kruschev saudou como sua companheira e sua amiga nos doces e saudosos tempos do velho Sputnik. Como evolui o tempo nestes tempos, com o século XX! Uma das afetos leis da História é a da irreversibilidade das revoluções. O Ocidente superou a revolução econômica e o comunismo porque soube tirar das fontes de PONTOS DE VISTA AMEAÇA A falta de consciência da realidade social no mundo soviético é o melhor tempero com que procuram os apaniguados de Moscou temperar o caldo subversivo que desejam servir ao nosso proletariado. Infelizmente as forças ainda sadias da nacionalidade, que poderiam organizar um movimento de esclarecimento capaz de alertar as vítimas imbecis da propaganda facciosa do esquerdismo virulento, preferem manter-se afastadas da agitação reinante, sob pretextos fúteis, mas que, na verdade, não passam de atitudes oportunistas, visando a aproveitar-se da situação caso venham a triunfar os pregadores da cubanização do Brasil. Essa atitude é por todos os títulos condenável, tanto por não corresponder à obrigação de quem possui compromissos com a ordem vigente como por demonstrar uma falta de caráter que redundará em prejuízo dos que a assumem, pois serão eles os primeiros a perecer sob o cutelo da “nova ordem”. Os membros das classes produtoras de Cuba que o digam. Ajudaram a revolução de Fidel Castro e, hoje, ou amargam nas prisões sua complacência ou estão exilados nos países democratas, ou descansando no sono eterno das sepulturas, depois de passados pelas armas dos sanguinários barbudos. Conforme acaba de afirmar solenemente em Caracas, Venezuela, o sr. Serafino Romualdi, representante interamericano das duas poderosas organizações sindicais dos Estados Unidos, a AFL e a CIO, “a ameaça maior que se tem hoje no Hemisfério Ocidental é a ameaça criada pelas forças totalitárias, especialmente a comunista”. “Mediante a infiltração visando à subversão e a utilização de falsos slogans, procuram os comunistas atrair para seus intentos o movimento sindical, como primeira e essencial etapa para dominar a sociedade e apropriar-se do controle do Estado”. “Diante disso o movimento obreiro não pode permanecer neutro. Tem de enfrentar o perigo totalitário comunista. Porque o movimento sindical precisa da liberdade como o homem precisa do ar”. Eis como fala um líder operário consciente e esclarecido. Ele conhece de perto a escravidão comunista e participa intimamente da liberdade sindical existente nos Estados Unidos. Daí procurar esclarecer os trabalhadores da América Latina a fim de que não caiam na rede dos aliciadores vermelhos, que se dizem nacionalistas mas estão a serviço do internacionalismo de Moscou. Por que não procedem da mesma maneira os que pertencem às classes produtoras? Por que, em vez de até dar dinheiro à propaganda comunista, não se dispõem a enfrentar a ameaça maior que pesa sobre eles? L.S. FATO DO DIA OS MALES DO ESTATISMO O que vem acontecendo com o fornecimento de gasolina em nosso Estado, e que também sucede noutras grandes cidades brasileiras, é uma demonstração a mais da ineficiência e da desordem nos serviços públicos de que o Estado se apoderou e passa a gerir. A história curta e certa, de que todos vimos sofrendo as mais lamentáveis consequências, é que a Petrobrás está falhando grosseiramente no desempenho da incumbência que tomou aos ombros, de monopolizar as atividades petrolíferas no País. Procurando justificar-se das suas formidáveis falhas, pois a economia nacional no tocante aos transportes se acha ameaçada de colapso, o dono da empresa, Sr. Francisco Mangabeira, quer botar as culpas de seu “trust” nas companhias incumbidas de fornecer o combustível aos consumidores. Isso é uma atitude por todos os títulos decepcionante, visto como é, hoje, privilégio da Petrobrás o transporte dos derivados do petróleo em seus navios petroleiros. São eles que recebem o combustível nos centros distribuidores da Petrobrás e os vão deixando nos vários portos onde existem terminais devidamente aparelhados para recebê-los. Nessa ocasião é que começa a funcionar a rede de companhias particulares que entra em contacto com os consumidores, através de postos apropriados. Ora, se a Petrobrás não entrega em tempo e nos prazos devidos as quantidades de combustível líquido necessárias ao consumo da comunidade, nenhuma responsabilidade pode ser atribuída a tais companhias. Ainda agora, respondendo a justas acusações do sr. Carlos de Lacerda, o ditador da Petrobrás declarou que a empresa estatal possui 40 navios petroleiros, além de outros conseguidos por fretamento. No entanto, vivem cidades como Fortaleza sempre às voltas com a falta de gasolina e óleo combustível apesar de grandes tanques para armazenamento do produto. A Petrobrás não está cumprindo sua missão de fornecer petróleo ao País. E, segundo se informa, isso provém dos enormes débitos em dólares por ela contraídos com as empresas estrangeiras produtoras de petróleo, as quais reduziram seus fornecimentos e ameaçam até suspendê-los. Enquanto o Brasil consome quase 300 mil barris de petróleo por dia e só consegue 100 mil das minas de Mataripe, está visto que a razão da crise é consequência da escassez de produto para a refinação, donde os “déficits” sempre maiores nos fornecimentos, resultando essa falta de combustíveis, que levará o País à paralisação nos transportes. OBS A um passo do acerto NORONHA NETO Se a gente observa as extensas e férteis várzeas do Baixo Juruaribe, fica-se imaginando por que estamos vivendo em tamanhas dificuldades econômicas e financeiras naquela zona. Pois se a terra é boa demais, a água está ali a quatro metros de profundidade, há uma concentração populacional que cria condições para implantar explorações agrícolas intensivas, estamos nas vizinhanças de grandes centros consumidores... Mas, o fato é, infelizmente, que, salva a exploração da carnaúba, notam-se pouquíssimos empreendimentos aos quais se poderia atribuir requisitos de segurança e estabilidade financeira e econômica. Uma ligeira vista sobre o panorama daquela área descobriria logo um dos grandes esteios partidos: a descapitalização da agricultura. Não há investimentos maciços, nem de entidades privadas e nem do Governo, capazes de criar condições de dinamização ao menos de alguns recaptos da zona. Os empreendimentos agrícolas ainda não superaram, na sua imensa maioria, os estreitos limites da economia doméstica, do sítio de fundo de quintal. E como as famílias, por carência de impulsos para a melhora de suas próprias condições, exigem pouco para sentir-se felizes e satisfeitas, infere-se que a sítio ou a pequena criação, que está longe de ter características econômicas, definha e se aniquila no mesmo diapasão em que se apresentam satisfeitas as exigências sociais e econômicas. O outro melindroso aspecto, e, por sinal, o mais delicado e impressionante, se a gente quer olhar para o futuro, é a carência absoluta do capital intangível, representado por pessoal capaz de implantar novas técnicas agrícolas, novos modos de ver a terra e suas exigências, habilitada para imprimir sentido novo às vivências rurais. Esse povo não existe. Resultado: se hoje estados com uma agricultura abaixo da crítica, técnica, econômica e financeiramente desatualizada, corroída e aniquilada, não se vislumbram sequer esperanças de que isso venha a mudar, mesmo a longo prazo. Quer-me parecer que, além dos processos normais de crédito, assistência e orientação que poderia o Governo oferecer aos nossos lavradores daquela área — e isso, efetivamente, é feito, embora em escala pequena — dever-se-á pensar, com extremos de cuidado e senso de responsabilidade, no problema de dotar os nossos municípios de escolas de tal maneira bem postas no meio que delas se possa esperar a revolução desejada na metodologia rural da zona. Sem isso, sem a fundamentação educacional que fizesse a juventude aderir, conscientemente, ao seu meio, tirando dele, talvez com relativa facilidade, sua subsistência, e fazendo-a entrar no circuito econômico do Esta- (Conclui na pág. 2) COLONIALISMO SOVIÉTICO Os que se apresentam como os maiores ímpios hoje em dia, com o frontal e rápido avanço ao comunismo ateu, a teoria cu-bana começou a elaborar-se depois do ano 40, em pleno século passado. Todavia, sua transformação em mão só se deu recentemente, em conexão com os financiamentos por bancos estrangeiros, realizados por uma obra titânica de envenenamento e treinamento das classes trabalhadoras do país dos sovietes, logrando compreender com a evolução do mundo e os feitos do homem. E' que o comunismo se implantou através de motivações primeiramente econômicas. Foi, especificamente, uma revolução política, à base do poder político, que contou com o apoio do banco Kuhn Loeb and Co., dos Estados Unidos e a ajuda do exército alemão. O poder político mobilizou todos os ressentimentos de um povo em situação social precária e entregou essa nobre nação à camarilha revolucionária encabeçada por Lênine e Trotsky. Desde então o comunismo dispôs de uma poderosa plataforma para expandir-se pelo globo. Ao mesmo tempo que se consolidava fortemente na Rússia, empregando os métodos mais inescrupulosos que imaginar se possa, montava uma poderosa maquinaria de ação revolucionária encarregada de propagar por todos os países do mundo a seita até. EXPANSÃO POSTERIOR À GUERRA Com a segunda guerra mundial, e sempre à base do poder político, o comunismo consegue benefícios triunfos insuspeitados na Europa Oriental e na Ásia. Com a cumplicidade de Potências que se intitulavam anticomunistas, conquista praticamente sem luta, e como se recebesse de presente, vastas regiões da Europa, da Ásia e especialmente da China. Já hoje é dono da metade do mundo e ameaça estender-se rapidamente pela África e América Latina. Transformamos em números estas afirmações. Desde 1945 até esta data, a Rússia e a China arrebataram para a “liberdade do paraíso comunista” os seguintes países: três (3) países “incorporados” na Europa — Estônia, Letônia, Lituânia; oito (8) países “satélites” — Polônia, Checoslováquia, Hungria, Bulgária, Romania, Albânia, Alemanha Oriental e Cuba; — um (1) país ocupado na Ásia pela China — Tibet. A população total desses países, vítimas da fúria vermelha, alcança a casa dos 120 milhões, aproximadamente. Colonialismo Insuperado Torna-se, portanto, impossível superar o colonialismo soviético. Muito menos, ainda, sua campanha de mentira. Comparem-se esses resultados com o fato de que, desde 63 o fim da segunda guerra mundial, as potências ocidentais haverem outorgado a independência a trinta e quatro (34) países, a maior parte dos quais situados na Ásia e na África. São eles: Índia, Paquistão, Nigéria, Birmânia, Tanganica, Ceilão, Malásia, Gana, Chipre e outros. A população total desses países ultrapassa 500 milhões de almas! E note-se que estamos falando apenas em termos de quantidade. Se passarmos a considerar a qualidade, o que não deveríamos dizer desse colonialismo que prima por um absoluto desrespeito pela dignidade da pessoa humana. Como se não bastasse apontarmos para a doutrina desposada pela seita comunista, fundada no mais grosseiro materialismo, acenemos para o fato de cerca de 3 milhões de pessoas haverem fugido da Alemanha Oriental! Viajantes que tiveram a oportunidade de visitar as duas Alemanhas, relatam que a diferença entre uma e outra é da “água para o vinho”. É como passar de um bairro rico para uma favela. A palavra colonialismo (Conclui na 6a. página) JORGE DO AMARAL CINTRA (Conclui na pág. 2)
- PONTOS DE VISTA AMEAÇA A falta de consciência da realidade social no mundo soviético é o melhor tempero com que procuram os apaniguados de Moscou temperar o caldo subversivo que desejam servir ao nosso proletariado. Infelizmente as forças ainda sadias da nacionalidade, que poderiam organizar um movimento de esclarecimento capaz de alertar as vítimas imbecis da propaganda facciosa do esquerdismo virulento, preferem manter-se afastadas da agitação reinante, sob pretextos fúteis, mas que, na verdade, não passam de atitudes oportunistas, visando a aproveitar-se da situação caso venham a triunfar os pregadores da cubanização do Brasil. Essa atitude é por todos os títulos condenável, tanto por não corresponder à obrigação de quem possui compromissos com a ordem vigente como por demonstrar uma falta de caráter que redundará em prejuízo dos que a assumem, pois serão eles os primeiros a perecer sob o cutelo da “nova ordem”. Os membros das classes produtoras de Cuba que o digam. Ajudaram a revolução de Fidel Castro e, hoje, ou amargam nas prisões sua complacência ou estão exilados nos países democratas, ou descansando no sono eterno das sepulturas, depois de passados pelas armas dos sanguinários barbudos. Conforme acaba de afirmar solenemente em Caracas, Venezuela, o sr. Serafino Romualdi, representante interamericano das duas poderosas organizações sindicais dos Estados Unidos, a AFL e a CIO, “a ameaça maior que se tem hoje no Hemisfério Ocidental é a ameaça criada pelas forças totalitárias, especialmente a comunista”. “Mediante a infiltração visando à subversão e a utilização de falsos slogans, procuram os comunistas atrair para seus intentos o movimento sindical, como primeira e essencial etapa para dominar a sociedade e apropriar-se do controle do Estado”. “Diante disso o movimento obreiro não pode permanecer neutro. Tem de enfrentar o perigo totalitário comunista. Porque o movimento sindical precisa da liberdade como o homem precisa do ar”. Eis como fala um líder operário consciente e esclarecido. Ele conhece de perto a escravidão comunista e participa intimamente da liberdade sindical existente nos Estados Unidos. Daí procurar esclarecer os trabalhadores da América Latina a fim de que não caiam na rede dos aliciadores vermelhos, que se dizem nacionalistas mas estão a serviço do internacionalismo de Moscou. Por que não procedem da mesma maneira os que pertencem às classes produtoras? Por que, em vez de até dar dinheiro à propaganda comunista, não se dispõem a enfrentar a ameaça maior que pesa sobre eles? L.S.
- FATO DO DIA OS MALES DO ESTATISMO O que vem acontecendo com o fornecimento de gasolina em nosso Estado, e que também sucede noutras grandes cidades brasileiras, é uma demonstração a mais da ineficiência e da desordem nos serviços públicos de que o Estado se apoderou e passa a gerir. A história curta e certa, de que todos vimos sofrendo as mais lamentáveis consequências, é que a Petrobrás está falhando grosseiramente no desempenho da incumbência que tomou aos ombros, de monopolizar as atividades petrolíferas no País. Procurando justificar-se das suas formidáveis falhas, pois a economia nacional no tocante aos transportes se acha ameaçada de colapso, o dono da empresa, Sr. Francisco Mangabeira, quer botar as culpas de seu “trust” nas companhias incumbidas de fornecer o combustível aos consumidores. Isso é uma atitude por todos os títulos decepcionante, visto como é, hoje, privilégio da Petrobrás o transporte dos derivados do petróleo em seus navios petroleiros. São eles que recebem o combustível nos centros distribuidores da Petrobrás e os vão deixando nos vários portos onde existem terminais devidamente aparelhados para recebê-los. Nessa ocasião é que começa a funcionar a rede de companhias particulares que entra em contacto com os consumidores, através de postos apropriados. Ora, se a Petrobrás não entrega em tempo e nos prazos devidos as quantidades de combustível líquido necessárias ao consumo da comunidade, nenhuma responsabilidade pode ser atribuída a tais companhias. Ainda agora, respondendo a justas acusações do sr. Carlos de Lacerda, o ditador da Petrobrás declarou que a empresa estatal possui 40 navios petroleiros, além de outros conseguidos por fretamento. No entanto, vivem cidades como Fortaleza sempre às voltas com a falta de gasolina e óleo combustível apesar de grandes tanques para armazenamento do produto. A Petrobrás não está cumprindo sua missão de fornecer petróleo ao País. E, segundo se informa, isso provém dos enormes débitos em dólares por ela contraídos com as empresas estrangeiras produtoras de petróleo, as quais reduziram seus fornecimentos e ameaçam até suspendê-los. Enquanto o Brasil consome quase 300 mil barris de petróleo por dia e só consegue 100 mil das minas de Mataripe, está visto que a razão da crise é consequência da escassez de produto para a refinação, donde os “déficits” sempre maiores nos fornecimentos, resultando essa falta de combustíveis, que levará o País à paralisação nos transportes.
- OBS A um passo do acerto NORONHA NETO Se a gente observa as extensas e férteis várzeas do Baixo Juruaribe, fica-se imaginando por que estamos vivendo em tamanhas dificuldades econômicas e financeiras naquela zona. Pois se a terra é boa demais, a água está ali a quatro metros de profundidade, há uma concentração populacional que cria condições para implantar explorações agrícolas intensivas, estamos nas vizinhanças de grandes centros consumidores... Mas, o fato é, infelizmente, que, salva a exploração da carnaúba, notam-se pouquíssimos empreendimentos aos quais se poderia atribuir requisitos de segurança e estabilidade financeira e econômica. Uma ligeira vista sobre o panorama daquela área descobriria logo um dos grandes esteios partidos: a descapitalização da agricultura. Não há investimentos maciços, nem de entidades privadas e nem do Governo, capazes de criar condições de dinamização ao menos de alguns recaptos da zona. Os empreendimentos agrícolas ainda não superaram, na sua imensa maioria, os estreitos limites da economia doméstica, do sítio de fundo de quintal. E como as famílias, por carência de impulsos para a melhora de suas próprias condições, exigem pouco para sentir-se felizes e satisfeitas, infere-se que a sítio ou a pequena criação, que está longe de ter características econômicas, definha e se aniquila no mesmo diapasão em que se apresentam satisfeitas as exigências sociais e econômicas. O outro melindroso aspecto, e, por sinal, o mais delicado e impressionante, se a gente quer olhar para o futuro, é a carência absoluta do capital intangível, representado por pessoal capaz de implantar novas técnicas agrícolas, novos modos de ver a terra e suas exigências, habilitada para imprimir sentido novo às vivências rurais. Esse povo não existe. Resultado: se hoje estados com uma agricultura abaixo da crítica, técnica, econômica e financeiramente desatualizada, corroída e aniquilada, não se vislumbram sequer esperanças de que isso venha a mudar, mesmo a longo prazo. Quer-me parecer que, além dos processos normais de crédito, assistência e orientação que poderia o Governo oferecer aos nossos lavradores daquela área — e isso, efetivamente, é feito, embora em escala pequena — dever-se-á pensar, com extremos de cuidado e senso de responsabilidade, no problema de dotar os nossos municípios de escolas de tal maneira bem postas no meio que delas se possa esperar a revolução desejada na metodologia rural da zona. Sem isso, sem a fundamentação educacional que fizesse a juventude aderir, conscientemente, ao seu meio, tirando dele, talvez com relativa facilidade, sua subsistência, e fazendo-a entrar no circuito econômico do Esta- (Conclui na pág. 2)
- OS PROBLEMAS COLONIALISMO SOVIÉTICO Os que se apresentam como os maiores ímpios hoje em dia, com o frontal e rápido avanço ao comunismo ateu, a teoria cu-bana começou a elaborar-se depois do ano 40, em pleno século passado. Todavia, sua transformação em mão só se deu recentemente, em conexão com os financiamentos por bancos estrangeiros, realizados por uma obra titânica de envenenamento e treinamento das classes trabalhadoras do país dos sovietes, logrando compreender com a evolução do mundo e os feitos do homem. E' que o comunismo se implantou através de motivações primeiramente econômicas. Foi, especificamente, uma revolução política, à base do poder político, que contou com o apoio do banco Kuhn Loeb and Co., dos Estados Unidos e a ajuda do exército alemão. O poder político mobilizou todos os ressentimentos de um povo em situação social precária e entregou essa nobre nação à camarilha revolucionária encabeçada por Lênine e Trotsky. Desde então o comunismo dispôs de uma poderosa plataforma para expandir-se pelo globo. Ao mesmo tempo que se consolidava fortemente na Rússia, empregando os métodos mais inescrupulosos que imaginar se possa, montava uma poderosa maquinaria de ação revolucionária encarregada de propagar por todos os países do mundo a seita até. EXPANSÃO POSTERIOR À GUERRA Com a segunda guerra mundial, e sempre à base do poder político, o comunismo consegue benefícios triunfos insuspeitados na Europa Oriental e na Ásia. Com a cumplicidade de Potências que se intitulavam anticomunistas, conquista praticamente sem luta, e como se recebesse de presente, vastas regiões da Europa, da Ásia e especialmente da China. Já hoje é dono da metade do mundo e ameaça estender-se rapidamente pela África e América Latina. Transformamos em números estas afirmações. Desde 1945 até esta data, a Rússia e a China arrebataram para a “liberdade do paraíso comunista” os seguintes países: três (3) países “incorporados” na Europa — Estônia, Letônia, Lituânia; oito (8) países “satélites” — Polônia, Checoslováquia, Hungria, Bulgária, Romania, Albânia, Alemanha Oriental e Cuba; — um (1) país ocupado na Ásia pela China — Tibet. A população total desses países, vítimas da fúria vermelha, alcança a casa dos 120 milhões, aproximadamente. Colonialismo Insuperado Torna-se, portanto, impossível superar o colonialismo soviético. Muito menos, ainda, sua campanha de mentira. Comparem-se esses resultados com o fato de que, desde 63 o fim da segunda guerra mundial, as potências ocidentais haverem outorgado a independência a trinta e quatro (34) países, a maior parte dos quais situados na Ásia e na África. São eles: Índia, Paquistão, Nigéria, Birmânia, Tanganica, Ceilão, Malásia, Gana, Chipre e outros. A população total desses países ultrapassa 500 milhões de almas! E note-se que estamos falando apenas em termos de quantidade. Se passarmos a considerar a qualidade, o que não deveríamos dizer desse colonialismo que prima por um absoluto desrespeito pela dignidade da pessoa humana. Como se não bastasse apontarmos para a doutrina desposada pela seita comunista, fundada no mais grosseiro materialismo, acenemos para o fato de cerca de 3 milhões de pessoas haverem fugido da Alemanha Oriental! Viajantes que tiveram a oportunidade de visitar as duas Alemanhas, relatam que a diferença entre uma e outra é da “água para o vinho”. É como passar de um bairro rico para uma favela. A palavra colonialismo (Conclui na 6a. página) JORGE DO AMARAL CINTRA (Conclui na pág. 2)
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- Expediente EXPEDIENTE Sexta-feira, 11 de Janeiro, de 1963 0 NORDESTE TERCEIRA PÁGINA