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Correio do Ceará
Novembro de 1980, página 116 · 3 trechos transcritos
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- EDUARDO PORTELLA ACADEMIA Gilberto Freyre Salvador, recebido fraterno afeto Conselho Estadual de Cultura, Universidade Federal, acabou de destacar fato Pernambuco e Bahia constituírem, no século XVI, as bases, completando a cultura nacionalmente brasileira. Hoje vigorosa. E a propósito regozijamo-nos o fato, no momento, a Academia Brasileira de Letras acrescentar ao rol de ilustres membros, o escritor dos maiores do Brasil atual, tendo nascido na Bahia, teve formação intelectual completada em Pernambuco. Está em situação ideal para representar a complementação das bases históricas da cultura brasileira em Pernambuco. Bahia e referindo-se a Salvador. Eduardo Portella é, para as letras brasileiras, um renovador de profundidade, crítico literário projetado para o futuro. Aos seus renovadores não tem faltado expressão artisticamente literária. Ocupar, na Academia Brasileira de Letras, uma cadeira por algum tempo abrilhantada pela figura máxima de um pernambucano, filho de baiano: o autor de 'Formação', obra prima literária em língua portuguesa. Não se trata de inadequado regionalismo, mas de reconhecimento que permanece historicamente válido, complementação do literário de Pernambuco e Bahia. Digo Pernambuco, em primeiro lugar, pois Pernambuco começou a literatura brasileira com Bento Teixeira no século XVI, continuada na Bahia por Antônio Vieira e Gregório de Matos, para em seguida virem Osório Alves e Gregório de Matos, seguida virem Castro Alves e Rui Barbosa. Os baianos de formação intelectual completada em Pernambuco. Seria absurdo que um escritor autêntico - escritor como os espanhóis chamariam 'con garra' - só acidentalmente Ministro de Estado, deixasse de ser, mais uma vez, candidato a escritores, companheiros de vocação literária. Em voga, a Academia Brasileira de Letras consagraria um arbitrário critério de exclusão? A ideia não é conhecer um Ministro de Estado que já é reconhecido, afirmado, consagrado escritor, mas sim que continue a ser um notável, insigne, indiscutivelmente valoroso escritor. O Ministério da Educação e Cultura do Brasil tem, pela vez, um titular pedagogo, educador específico, renovador. A Academia Brasileira de Letras, acolhendo como acadêmico, eterniza um já reconhecido e consagrado compatriota, não faz senão ser fiel à sua condição literária brasileira. Vários intelectuais brasileiros precisam ser membros da Academia de Letras: não só poetas como Mario Quintana, dramaturgos de extraordinário valor como Nelson Rodrigues, Jorge de Andrade e Ariano Suassuna, ensaístas como Raimundo Faoro e memorialistas como Pedro Nava. Eduardo Portella, ao entrar para a Academia, não usurpa o laurel intelectual brasileiro.
- ARVORES E A FLORESTA Geraldo Bonadio, anos depois de haver chegado ao Brasil, Pe. Vito Miracapillo, 33 anos, italiano de Andria, cidade de 70.000 habitantes, localizada a 50 quilômetros do Mar Adriático, viu-se obrigado a encetar a viagem de volta. Não foi pela Diocese de Palmares, onde se localiza a Paróquia onde vinha atuando, não foi por nosso mal. Dom Acácio Rodrigues Alves lutou até o fim pela permanência. Vito foi expulso pelo governo brasileiro por transgressão ao Estatuto do Estrangeiro. Em termos estritamente legais, a medida é inatacável. As declarações do Pe. Vito, falando em povo 'reduzido à condição de pedinte e desamparado de direitos', agridem a letra do Estatuto. A expulsão não foi ato discricionário, mas um decreto presidencial que resistiu ao exame do corta-se do Supremo Tribunal Federal. O governo, confiante no texto da lei, suportou com olímpica serenidade a liminar de habeas-corpus concedida ao padrezinho italiano pelo ministro Djacir Falcão e confirmada em plenário, e até mesmo a vitória técnica do advogado Erasto Vilaverde, que obteve na terça-feira, conseguindo o adiamento da decisão final, sob a alegação de que o processo administrativo de expulsão não concedeu ao padre a ampla defesa.
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