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O Nordeste
Julho de 1922, página 73 · 25 trechos transcritos
Manchetes desta página
- Um livro ótimo Acaba de chegar às nossas mãos um livro ótimo, que constitui leitura agradável e altamente edificante, própria para os nossos lares, onde há tanta carência de obras de educação moral. Intitula-se «Zélia ou Irmã Maria do S. S. Sacramento» e encena os exemplos de uma vida cheia de lições admiráveis e inteiramente dedicada ao Bem. O autor é o ilustrado sacerdote padre Jerônimo Pedreira de Castro, largamente conhecido no Ceará pelos serviços inestimáveis que prestou à nossa terra, durante os anos em que exerceu o magistério no Seminário desta capital. A heroína, cuja biografia o livro contém, é D. Zélia Pedreira de Castro, filha do conselheiro João Pedreira do Couto Ferraz e mãe daquele virtuoso e distintíssimo sacerdote. São páginas encantadoras, perfumadas de saudades e que revelam as doçuras de sincero culto filial. Em todas as fases daquela existência privilegiada há ensinamentos preciosos para a formação do caráter moral das famílias. Menina — modelo de ternura e bondade, perfeita virgem cristã, esposa dedicada e boa, mãe solícita e exemplar, viúva inteiramente consagrada ao apostolado da caridade, coroou-se aquela vida bem-aventurada, quando todos os filhos haviam seguido a vocação religiosa, com o recolhimento ao claustro das Sacramentinas, para terminar os seus dias em fervorosa e íntima união com o Divino Prisioneiro do Sacrário. Os fatos edificantes narrados no correr destas páginas, escritas em linguagem amena e tersa, são episódios sugestivos e comoventes, que logo despertam real interesse ao leitor, a ponto do livro ser lido com sofreguidão irrefreável. Ilustram essa obra vários retratos que maior realce dão ao livro, primorosamente impresso na tip. das «Vozes de Petrópolis», de onde tantos bons trabalhos têm saído à luz da publicidade. Recomendamos às famílias cearenses esse magnífico compêndio de educação cristã, para que nele encontrem as lições tão sadias e tão proveitosas de moral evangélica. Agradecemos ao ilustrado sacerdote, padre Jerônimo Pedreira de Castro o oferecimento que nos fez, por intermédio do professor Joaquim da Costa Nogueira, de um exemplar do seu livro, de cuja leitura guardamos a mais consoladora e grata lembrança. De livros, como «Zélia» muito carece a sociedade contemporânea preocupada com entretenimentos frívolos e essencialmente mundanos. Nas belas páginas deste volume apreciável, vê-se como é meritória e salutar a formação do espírito nos moldes da verdadeira doutrina cristã. Enviamos os nossos parabéns muito de alma ao autor, que se nos revela um estilista de fino quilate, e desejamos que o seu livro alcance a maior difusão em nosso país para encanto, edificação e exemplo dos lares brasileiros.
- A reorganização do Asilo de Alienados Serão Inaugurados, domingo, novos serviços O Asilo de Alienados de S. Vicente de Paulo, que funciona em Porangaba, sob a direção da Mesa Administrativa da Santa Casa de Misericórdia, teve iniciada a sua construção em 7 de setembro de 1877, com o lançamento da pedra fundamental, por iniciativa do Visconde de Cauípe, que era então o vice-provedor da Santa Casa. A sua inauguração se deu nove anos depois, em 7 de setembro de 1886, quando presidente da Província o Dr. Miguel Calmon Du Pin e Almeida. A construção foi feita em terrenos dados pelo Cel. José Francisco da Silva Albano, já então vice-provedor. Há cerca de um ano, a mesa administrativa da Santa Casa concluiu que o edifício do Asilo de Alienados necessitava de muitas reformas, para poder comportar o número de asilados e mesmo para lhes dar um relativo conforto. E, nomeada uma comissão para tratar da remodelação, da qual faziam parte os esforçados cavalheiros Álvaro Weyne e Francisco Barcellos, esta obteve, por subscrição popular, a quantia de cerca de 45 contos, com que se custearam as necessárias despesas. O Asilo acaba, graças a essa iniciativa, de passar por completa remodelação em seus departamentos, sendo acrescido de outros. Foi construído um pavilhão, destinado especialmente às mulheres indigentes. Mede ele 37 m. 50 por 11 m. 50 e dispõe de 20 alojamentos, de uma enfermaria e de um banheiro. Este, de forma octogonal, sendo o inferior para indigentes e o superior para pensionistas. A inauguração desses serviços se fará domingo próximo, às 15 horas, com a presença do Exmo. Sr. Arcebispo Metropolitano, do presidente do Estado, autoridades, representantes da imprensa, etc. Por essa ocasião se inaugurará também a instalação, no edifício, da luz elétrica, cuja energia é fornecida por um aparelho eletrógeno. Igualmente se fará no domingo a bênção da imagem de S. Vicente de Paulo, sob cujo patrocínio em boa hora se colocou o Asilo de Alienados. Tivemos atencioso convite para assistir aos atos acima mencionados, o que faremos com prazer, louvando a dedicação e esforço da Mesa Administrativa da Santa Casa, nessa nova obra de benemerência social.
- Chega a Recife o arcebispo Dom Valverde A festa de sua recepção (Do nosso serviço telegráfico) RECIFE, 21 — A bordo do paquete «Rio de Janeiro» chegou, hoje, o Sr. Dom Valverde, novo arcebispo de Recife e Olinda. Foi brilhante a sua recepção, comparecendo à mesma todas as autoridades civis, militares e eclesiásticas, o corpo consular, membros do clero, do comércio e da magistratura e numerosas associações civis e religiosas. Era incomputável o número de pessoas no cais de desembarque. Após este, formou-se magnífico préstito, até a matriz da Madre Deus, onde o Padre Pereira Alves pronunciou a oração gratulatória. Em seguida, houve solene Te Deum. Finda a cerimônia, organizou-se um cortejo de cerca de 200 automóveis e milhares de pessoas, acompanhando, até o palácio, ao novo Arcebispo. S. Excia. Revma. seguiu no automóvel do Estado, ao lado do governador. Hoje à noite, haverá, no palácio do Arcebispado, uma recepção à família pernambucana. Amanhã, no Círculo Católico, realizar-se-á um banquete de 100 talheres a S. Excia. Representando o Sr. Dom Leme, arcebispo coadjutor do Rio de Janeiro, acompanhou a Dom Valverde o cônego Virgílio Lapenda.
- Um roubo à Praça José de Alencar Em noite de anteontem para ontem, foi roubada a loja «A Risonha», à Praça José de Alencar n. 103, de propriedade dos Srs. Teófilo Filhas Roncy. Além de várias mercadorias, como chapéus, cobertores, fazendas, calçados, etc., levaram ainda cento e tantos mil-réis em dinheiro, que estavam em uma gaveta. Foi verificado que o arrombamento foi feito pela porta de trás, que foi aberta a formão, caindo deste modo suspeitas sobre um carpinteiro que lá trabalhava e seus companheiros, que se acham detidos para averiguações policiais.
Anúncios, notas e expediente
- Telegrama [...]
- Expediente ANO I Nordeste Redação: Drs. Andrade Furtado e José Martins Rodrigues Administração: A. Ildefonso de Araújo Fortaleza-Sábado, 22 de Julho de 1922
- Nota social Entradas da Exposição A gentil pequena Leda Veríssimo, dileta filha do Dr. Pedro Veríssimo, ofereceu-nos 100 entradas da Exposição Nacional para os pobres da Santa Casa de Misericórdia.
- Nota social Coluna do Centenário ao Cristo Redentor O «Círculo de Operários e Trabalhadores Católicos S. José» dirigiu-nos delicado convite para assistirmos à bênção da pedra fundamental da Coluna ao Cristo Redentor, na Praça Senador Machado (Prainha) amanhã às 10 horas. Haverá em seguida a bênção das oficinas do «Círculo S. José», melhoramento de alto alcance realizado por aquela florescente e utilíssima agremiação do operariado cearense. Por nosso intermédio os operários católicos convidam o público de Fortaleza para esse ato a que comparecerão S. Exa. o Sr. Arcebispo Metropolitano e altas autoridades do Estado. Será uma realidade, em breve, essa nobre homenagem do povo de Fortaleza a Jesus Cristo Redentor. Com todo o agrado compareceremos ao lançamento da pedra fundamental do belo monumento, que há de atestar, através dos anos, a fé e o patriotismo do cearense às gerações vindouras.
- Nota social Um «cupom» de bonde vale um real. Guarde-o para os pobres da Sociedade Vicentina.
- Nota social Assembleia Vicentina Amanhã, depois de frutuoso retiro espiritual pregado pelo ilustrado sacerdote, padre Guilherme Vaessen, os confrades de S. Vicente de Paulo assistirão à santa missa na Catedral, às 6 e 1/2, durante a qual haverá comunhão coletiva. Às 13 horas, no prédio social, à praça do Coração de Jesus, haverá a terceira Assembleia Geral deste ano, em honra do padroeiro daquela benemérita associação. A sessão será presidida por S. Exa. o Sr. Arcebispo Metropolitano. Fará o discurso oficial o Exmo. Sr. Dr. Barão de Studart. A entrada é franca ao público.
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- Telegrama Encontramos na vida uma ou duas ocasiões de sermos bravos e, todos os dias, de não sermos covardes. RENÉ BAZIN
- Telegrama Telegramas A instalação do Congresso Mineiro A MENSAGEM DO PRESIDENTE BERNARDES "Nunca tive outros inimigos que não fossem os do Estado" BELO HORIZONTE, 21 — Instalou-se, hoje, o Congresso Mineiro, com a solenidade do estilo. Presidiu a sessão o senador Eduardo Amaral, secretariado pelo deputado Adolfo Viana e senador Diogo Vasconcelos. O Dr. Afonso Pena Júnior, secretário do interior, leu a mensagem do presidente Bernardes, documento excelente que deixou funda impressão. Assim conclui a notável peça oficial: "A função do governo, que sempre foi um árduo dever, expõe à inveja e malquerença aqueles que a exercem, e se vai tornando, cada dia, mais penosa. A atitude injusta da opinião para com os depositários do poder origina-se da falsa concepção, generalizada, de que os altos postos da administração não passam de um lugar de gozos e proventos, em vez dos sacrifícios em que, na realidade, os dirigentes imolam, ao serviço da Pátria, a comodidade, a saúde e a própria vida, com prejuízo de graves interesses de ordem privada. Tão profunda é a anarquia mental que o ódio dos descontentes e despeitados mais se acirra contra quem se empenha em bem servir à coletividade. A tendência geral é menosprezar o esforço dos administradores e subordinar o interesse público aos interesses de poucos. Apesar, porém, de tais dificuldades, diz-me a consciência que, durante o governo, cumpri, solicitamente, o meu dever e jamais me inspirei em sentimentos outros que não os de promover o bem do povo e a prosperidade do Estado, a cujo serviço votei o meu cérebro e o meu coração. No desempenho dessa missão alta e gloriosa, alentava-me a convicção de estar servindo aos interesses do Brasil, de que Minas é porção considerável, cumprindo, pois, ao seu governo exemplos edificantes. Minha administração caracterizou-se por uma atividade constante, traduzida em realizações, cujo vulto e alcance não podem ser escurecidos. A política, reduzida no governo a um simples meio de conseguir uma ação administrativa mais ampla e profícua, foi um instrumento altamente benéfico ao bom nome e ao progresso. Mas, se com ela adquiri no governo alguns desafetos, posso repetir ao povo mineiro as palavras do grande ministro de Luís XIII: 'Nunca tive outros inimigos que não fossem os do Estado'." RIO, 21 — O comandante da 1ª Região elogiou, em ordem do dia, ao major Dias Moura, nomeado chefe do Estado Maior da 4ª Região. O comandante do 1º Regimento de Cavalaria inseriu, em ordem do dia, um louvor aos seus comandados, por sua lealdade e bravura. Desligou-se da Aliança Militar RIO, 21 — O deputado Azevedo, na [...], desligando-se do partido por ter este adotado a candidatura à Vice-Presidência da República. RIO, 21 — O tenente aviador Pedro Martins Rocha, que estava sendo chamado por edital, apresentou-se à região militar do Rio. O que se passa na Câmara do Sul
- Telegrama O que se passa na Câmara do Sul RIO, 21 — Na Câmara, o Sr. Souza Filho discursou atacando as emendas ao orçamento do Ministério da Guerra, que o Sr. Celso Bayma defendeu. O Sr. Souza Filho renunciou ao lugar de membro da Comissão de Finanças.
- Telegrama Chegam ao Rio os alunos da Escola Militar Destino que lhes está reservado RIO, 21 — Pela madrugada de hoje, desembarcaram na estação da Central do Brasil, escoltados por praças do Exército, os alunos revoltosos da Escola Militar, que vão ser distribuídos pelas regiões militares do Brasil, com exceção da de Minas, São Paulo e Rio. Os alunos, segundo o relatório do Ministro da Guerra apresentado ao Presidente da República, serão divididos em três grupos: os do primeiro ficarão presos nas fortalezas do Rio, depois expulsos; os do segundo serão repartidos pelos vários corpos militares, e um grupo muito pequeno, os do terceiro, ficará preso na própria Escola.
- Telegrama Para Mato Grosso RIO, 21 — O Departamento do Pessoal da Guerra determinou que seguissem para Mato Grosso, a fim de assumir o comando das forças, os tenentes Correia, Cunha Leal e Bernardo de Araújo Padilha.
- Telegrama O 3º de Caçadores aquartela em Copacabana RIO, 21 — O 3º Batalhão de Caçadores aquartelou, provisoriamente, no forte de Copacabana. O 3º de Caçadores tem sua sede em Vila Velha, no Espírito Santo, e é comandado pelo Cel. Ferreira de Oliveira.
- Telegrama Os Srs. Nilo e Edmundo novamente ouvidos RIO, 21 — O senador Nilo Peçanha foi chamado a prestar novas declarações na polícia, debaixo do maior sigilo. O chefe de polícia ouviu, também, novamente, ao Sr. Edmundo Bittencourt, que continua preso.
- Telegrama Dois fugitivos de Copacabana RIO, 21 — Foram presos em Nova Iguaçu, dois soldados fugitivos do forte de Copacabana, sendo trazidos para o Quartel General.
- Telegrama Decreto sem efeito RIO, 21 — O Departamento Pessoal da Guerra, em aviso interno, declarou sem efeito o decreto pelo qual foram licenciadas todas as praças da guarnição de Mato Grosso.
- Telegrama Volta a funcionar a Escola de Sargentos RIO, 21 — A Escola de Sargentos voltará a funcionar, visto terem muitos alunos cuja responsabilidade não foi apurada pelo inquérito.
- Telegrama Foi preso um redator do "Jornal do Brasil" RIO, 21 — O Sr. Simões Ferreira, redator do «Jornal do Brasil», foi chamado à polícia. Lá prestou declarações, sendo depois recolhido, preso, no corpo de segurança.
- Telegrama As declarações do Major O'Mentino RIO, 21 — O Major Mário O'Mentino, chamado a depor para fazer declarações, disse que era inteiramente estranho à revolta.
- Telegrama Começam as ações para indenizações RIO, 21 — O proprietário de um prédio à Rua Barão de São Félix, destruído por granadas do forte de Copacabana, requereu, em juízo, que se mande proceder a vistoria no mesmo, intimando-se a União para se louvar em peritos.
- Telegrama [...]