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O Nordeste
Agosto de 1922, página 1 · 25 trechos transcritos
Manchetes desta página
- ECOS
- O "Máximo Problema" (Da educação popular), livro da autoria do ilustre Dr. Francisco Prado, já se acha exposto à venda nas livrarias desta capital.
- A biblioteca de Antônio Bezerra Tivemos em mãos o catálogo dos livros que constituem a biblioteca de Antônio Bezerra. Aquele grande amigo do Ceará, que serviços realíssimos e abnegados prestou a esta terra, costumava dizer aos que visitavam a sua sala de trabalhos: "A minha biblioteca, meu consolo..." Era imenso o gosto que Antônio Bezerra experimentava ao falar dos seus livros: "Livros da minha biblioteca, lugar do meu maior contentamento!" O erudito e saudoso patrício empregava todas as suas economias na aquisição de boas obras. Toda a gente sabe muito bem que Antônio Bezerra foi o desinteresse em pessoa. Teve talento de sobra para ganhar na vida a abastança e deixar garantido o futuro da sua família. Entretanto, a única fortuna que legou aos filhos foi o seu nome honradíssimo e as centenas de volumes da sua biblioteca. Percorrendo as 30 páginas datilografadas, em que estão relacionados os livros de Antônio Bezerra, ali encontramos verdadeiras preciosidades em filosofia, língua vernácula, história, geografia, etc., etc. O inesquecível escritor cearense era um estudioso impenitente. Viveu, desde os mais verdes anos, sobre os livros, amizade que conservou com vivo desvelo até os últimos lampejos de sua inteligência tão luminosa, ativa e esclarecida. A ilustração de Antônio Bezerra era, pois, alicerçada no trabalho profícuo e aturado. O valor da sua biblioteca não assenta simplesmente no custo das obras preciosas que contém, algumas já esgotadas e que constituem raridades em nossos dias. Está o seu maior valor na procedência e na estima que lhe dedicava o grande e inolvidável cearense. A memória de Antônio Bezerra merece todo o carinho e toda a veneração dos seus compatrícios. Nunca houve cearense mais dedicado aos interesses legítimos desta terra, que aliás, nunca lhe soube retribuir a solicitude com que sempre trabalhou em proveito e honra do bom nome cearense. O entusiasmo vibrava com um calor intenso nas páginas que escreveu a respeito de tudo o que é nosso, tudo o que apresenta cores da vida regional. Era um perfeito patriota, porque sabia amar o seu berço com todas as veras da alma. Consta-nos que o governo do Estado tenciona adquirir a biblioteca de Antônio Bezerra. É uma iniciativa acertada e um concurso inestimável prestado à família do inesquecível morto, cuja situação penosa reclama, de fato, este gesto generoso do chefe do Executivo cearense. Damos os nossos aplausos a esse ato de Justiça, que despertará, por certo, o apoio de todos os cidadãos de coração bem formado.
- Os trabalhos do cadastro escolar Sob a direção geral do inspetor, iniciar-se, proximamente, talvez em setembro vindouro, o serviço de levantamento do cadastro escolar de todo o Estado. Esse serviço, que está com o seu plano geral delineado, faltando pouco para que tenha começo a sua efetividade, tem por fim o seguinte, segundo as instruções organizadas: a) saber qual o número de analfabetos em idade escolar; b) onde residem; c) quais as condições locais de vida. Serão recenseadas todas as crianças, dos 6 aos 12 anos completos, frequentem ou não escolas, saibam ou não saibam ler. O serviço do recenseamento deve ser feito no mais breve tempo possível e com o mínimo da despesa. Em São Paulo, por exemplo, idêntico serviço, organizado em 1919 pelo Dr. Sampaio Doria, estava pronto dentro de 3 meses, com menos de 200 contos de despesa. O Ceará não dispõe dos recursos financeiros, nem das facilidades materiais do grande Estado sulista, para que possa resultar tão perfeito quanto o serviço a que se vai proceder. De fato, ali, pelos mapas e explanações publicadas, os trabalhos do recenseamento deram o mais apreciável resultado, apresentando não só o número de crianças em idade escolar, como todas as informações que se prendem às escolas, ao seu provimento e frequência e às suas condições de localização e desenvolvimento, bem como às necessidades das cidades, vilas, aldeias e povoados, no tocante à difusão do ensino público, para a sua melhor distribuição. No Ceará, não é inútil repetir que essa distribuição é muito má, e de modo nenhum atende às necessidades locais, nem é proporcionada à densidade da população escolar. Atente-se nisto, para melhor prova: Em todo o Estado, há 537 escolas, incluindo no cômputo as classes dos grupos escolares. Mas, destas 537, só o município de Fortaleza conta 156, das quais 130 distribuídas dentro do perímetro urbano. Para o serviço de recenseamento, fica o Estado dividido em 6 regiões, da seguinte maneira: 1ª Região — Fortaleza, Maranguape, Pacajus, Redenção, Aracoiaba, Baturité, Guaramiranga, Pacoti, Coité, Quixadá, Quixeramobim, Senador Pompeu, Lages, Iguatu, Icó e Cedro. 2ª Região — Soure, São João de Uruburetama, Itapipoca, São Francisco, Pentecoste, Canindé. 3ª Região — Sobral, Massapê, Palma, Granja, Camocim, Tianguá, Ubajara, São Pedro de Ibiapina, São Benedito da Ibiapaba, Campo Grande, Ipú, Ipueiras. 4ª Região — Russas, Tamboril, Crateús, Santa Quitéria, Santana e Acaraú. 5ª Região — São Mateus, Campo Sales, Saboeiro, Tauá, Independência, Maria Pereira e Pedra Branca. 6ª Região — Lavras, Aurora, Milagres, Brejo dos Santos, Missão Velha, Barbalha, Juazeiro, Crato, São Pedro do Cariri, Várzea Alegre, Assaré, Araripe e Santana do Cariri. 7ª Região — Aquiraz, Cascavel, Aracati, União, Russas, Limoeiro, Morada Nova, Jaguaribe-Mirim, Pereiro, Cachoeira e Laranjeiras. O serviço será dirigido por um chefe, em cada região, auxiliado pelo prefeito, autoridades locais e pessoas de representação, que constituirão as comissões censitárias, nos municípios. Além disto, haverá tantos recenseadores quantos julgados necessários para o serviço. As despesas serão, em parte, do Estado, e, em parte, do município, cabendo a este os gastos com a comissão recenseadora, de acordo com o art. 93 da Constituição do Estado, e com o que se assentou no Congresso de Prefeitos. Os resultados desse trabalho, feito que seja conscienciosamente, não podem deixar de ser os mais auspiciosos para a instrução do Estado — base que é ele de qualquer reforma nesse departamento da administração pública, principalmente no interior, cujas necessidades reais, neste particular, são quase de todo desconhecidas.
- No artigo "O centenário e o cidadão", do nosso precioso colaborador, reverendíssimo Monsenhor Tabosa, saíram algumas incorreções, entre outras o seguinte período, que assim se deve ler: "Um telegrama de um coligado poderoso arrasa o processo de um reconhecimento justíssimo."
- Em audiência de sábado, do Dr. Juiz de Direito da 3ª vara, o Sr. Gladstone Cavalcante requereu exibição de autógrafos de um artigo do "Imparcial", sobre "A vida de uma águia", assumindo a responsabilidade o Sr. Antônio José da Silva. O Dr. Juiz Municipal pronunciou José Leite Silva e Manoel Alves do Nascimento, acusados por crime de roubo, e impronunciou José Aarla, acusado como comprador de referidos roubos.
- Os trabalhos com que a Escola de Aprendizes Artífices vai concorrer à Exposição do Centenário Desde sábado que se acham expostos à curiosidade pública, no salão de espera do cinema "Majestic", os trabalhos que a Escola de Aprendizes Artífices vai enviar ao pavilhão do Ceará, na Exposição Internacional do Centenário. Têm sido numerosos os visitantes, que saem todos, como nós, maravilhados da cabal execução que os mesmos tiveram na única escola de educação profissional deste Estado. Visitamo-los ontem. Podemos dividir os trabalhos expostos nas seguintes seções, para melhor exame dos mesmos: Sapataria, Tipografia e Encadernação, Carpintaria, Alfaiataria e Ferraria. Na seção de alfaiataria, notam-se os objetos seguintes, que se destacam por uma bem acabada mão de obra, e ainda pela elegância da sua feitura, denunciando a habilidade dos artistas: sandálias, botinas e calçados para homens e mulheres, perneiras, etc. Na parte de tipografia e encadernação, podemos salientar, como belos espécimes de artística confecção: "Torre de Babel", obra de Paula Achilles, composta do corpo tipográfico da Escola, e encadernada em percalina nas oficinas da mesma; uma carteira para notas com capa de couro; coletânea de alguns trabalhos dos alunos feitos no decorrer da aprendizagem; catálogo encadernado em percalina, contendo vários trabalhos tipográficos confeccionados na Escola; "Cordas dos vaudevilles" de Carlos Câmara, impressas na Escola, obra encadernada em percalina, capa em bicromia; "Revista Pedagógica", coleção de todos os fascículos desta publicação da Escola de Artífices, rica encadernação a couro; uma pasta em percalina, etc., etc. A seção de carpintaria apresenta um barrado de pau-cetim, modelo de carteira americana com forro verde. É, incontestavelmente, um móvel excelentemente trabalhado, bem torneado e elegante em suas linhas. Uma casaca, com colete de seda branca, corte e talho perfeitos, constitui, com um elegante uniforme de oficial para oficial do Exército, os trabalhos de alfaiataria, confeccionados na Escola de Artífices. Como argumento da habilidade dos seus operários de ferraria, a Escola de Artífices não poderia dar-nos melhor do que o objeto exposto: um cofre de regulares dimensões, todo de ferro. Objeto de tal modo bem acabado, que vem dar o mais vivo testemunho da habilidade artística de seus operários, dos quais, bem como do Ceará, será justo título de honra. O cofre é dividido em duas partes — inferior e superior, contendo, nesta, quatro compartimentos. Na parte interna da porta do mesmo, veem-se pintadas as armas da República. Todo o trabalho, do arame, fundição de peças, torneamento das mesmas e pintura, foi confeccionado nas oficinas da Escola. Deixando registrada, nestas linhas, a excelente impressão que [...], Aprendizes Artífices, damos-lhe, na pessoa do seu ilustre e esforçado diretor, Carlos Câmara, as mais calorosas felicitações pelo bom trabalho dos mesmos alunos.
- Esperanto Triunfante O jovem Antônio Jucá ofereceu-nos o último número do órgão esperantista "Esperanto Triunfante", cuja edição ilustrada é dedicada "ao Centenário do Brasil". À primeira página destaca-se uma bela vista geral do porto do Rio de Janeiro, além de várias outras gravuras da capital do país. Agradecemos a gentileza da oferta.
Anúncios, notas e expediente
- Expediente Limitada ao ano até Administração: A. Ildefonso de Araújo as taxas ano Fortaleza-Terça-feira, 1 de Agosto de 1922 NUM. 29 30/07/1922
- Nota social O seu a seu dono
- Anúncio O PEIXOTO 138 Publicações Alemã
- Anúncio VANADIOL — O rei dos reconstituintes. — Preço: 8$600, na FARMÁCIA UNIVERSAL 10/8. A MAIOR SEÇÃO DESTA PRAÇA.
- Nota social Recebemos a carta infra: Ilmo. Sr. Redator Com muita admiração de E. & Demócrito Rocha Em 31/07/1923 Ele, não é um "indivíduo". Ilmo. Sr. Dr. Andrade Furtado Atenciosas saudações Amigo, Obsequioso, Obediente, Admirador reproduzindo em suas colunas todo o trecho do artigo em que o Dr. Gumercindo estuda a personalidade.
- Expediente ANO I AVISO Redação: Dr. Andrade Furtado e José Martins Rodrigues
- Telegrama AVISO João Alonso, advogado do Arcebispado de Fortaleza, convida os ocupantes de patrimônios de São José do Rosário, desta capital, a regular seus títulos em 60 dias, a contar desta data. Após este prazo, serão tomadas, em juízo, as medidas necessárias. Na Secretaria do Arcebispado, das 12 às 15 horas, serão atendidos os interessados.
- Anúncio AVISO Comunicamos que, desde o dia [...], por sua livre e espontânea vontade, deixou de ser nosso empregado o Sr. João de Paiva Jacinto. Senhor Gomes & Filho
- Anúncio EMPREGADO Jovem com longa prática de contabilidade e correspondência, oferece os seus serviços ao respeitável comércio desta capital. Procurar nesta redação.
- Anúncio ALEMÃ AL N.77 Para presentes, brinquedos, imagens e outros artigos religiosos, etc.
- Nota social Rosando RIBEIRO Servir a Deus com o dinheiro pode ser, e bom que seja; mas servir a Deus e ao dinheiro juntamente é impossível, porque Deus e o Dinheiro não cabem na mesma bolsa.
- Nota social Beneficente da Santa Casa de Misericórdia de Fortaleza Entrará hoje de mês, no Hospital da Santa Casa de Misericórdia, o Sr. mordomo Raimundo da Silva Frota. Entrará também hoje de mês no Asilo de Alienados de São Vicente de Paula, de Porangaba, o Sr. mordomo Francisco Barcelos.
- Nota social Um "cupom" de bonde vale um real. Guarde-o para os pobres da Sociedade Vicentina.
- Nota social CONCEITO INJUSTO O "Diário do Ceará", em cumprimento zeloso de sua missão de justificar e defender todos os atos emanados do governo, esquecendo as mais comesinhas normas de polidez, veio em sua edição de 23 do corrente, em linguagem desatenciosa, fazendo injusto conceito do critério do mesquinhar o valor e negar as melhores intenções daqueles que não rezam pela sua cartilha, para poder incensar somente os seus correligionários — contudo, o tribunal reto da opinião pública jamais deixará de fazer-lhes a devida e indefectível justiça.
- Nota social Em defesa das professoras do interior Houve um equívoco da nossa parte em atribuir a Gumercindo Bessa a frase que, sábado, publicamos no cabeçalho deste jornal. A propósito, estampamos a seguir uma carta do Sr. Demócrito Rocha, depois da qual verificamos o nosso engano, provindo de que a frase aludida, que é de Tobias Barreto, foi proferida em palestra com Gumercindo Bessa. Eis a carta elucidativa: Em seu cabeçalho de sábado último, "O Nordeste" atribuiu a Gumercindo Bessa uma afirmação de Tobias Barreto. A lógica que encerra aquele belíssimo trecho valeria muitíssimo em provir de Gumercindo, a maior celebração sergipana depois de Tobias. Gumercindo, porém, quase foi padre e era profundamente católico, apostólico, romano. Aquelas, entre outras palavras não menos ardentes, foram proferidas por Tobias (o que vale mais, muito mais) e Gumercindo dá-nos apenas o seu precioso testemunho. Julgo que "O Nordeste" prestaria um relevante serviço ao público retificando esse ponto e a idade de Tobias Barreto, sob o ponto de vista de suas tendências religiosas. Qualquer, na acepção em que o "Diário" empregou este nome, que consiga colaborar nas páginas de honra de jornais como o "O Nordeste" e o "Correio do Ceará". Mas, muito embora a imprensa partidária procure sempre do", em defesa das necessidades do magistério público do Estado. A. M., a quem o "Diário" trata indelicamente, é um espírito culto, combativo, revoltado contra todos os despotismos e todas as injustiças e ardoroso amigo da instrução. Sem ser profissional, todavia, nas horas vagas, após a afanosa luta quotidiana pela vida, dá-se, com visível satisfação e verdadeiro entusiasmo, ao esporte de distribuir a luz do alfabeto entre crianças pobres e até mesmo entre algumas de recursos relativos, como os filhos do rabiscador destas linhas — que, graças a Deus, poderia mantê-los pelo menos nos estabelecimentos de instrução pública — sem visar outra compensação, senão a de tirar a prova da eficaz inventiva do seu excelente método de ensino, que é próprio e da certeza de que está praticando uma obra meritória. A. M. é um fanático pela instrução; professa aquela bela sentença do nosso saudoso Imperador D. Pedro II: "Nada conheço de tão nobre como dirigir jovens inteligências, preparar os homens do futuro". Por isso desejaria ele, em proveito do próprio ensino, que as educadoras da infância cearense fossem tratadas com mais atenção, mais justiça pelos poderes públicos do Estado, pagando-lhes ao menos os seus minguados vencimentos em dia. Na defesa de interesses coletivos, deve o Ceará inestimáveis benefícios à pena de A. M., consagrada sempre às boas causas. Como, porém, este digno cearense não é político, não tem o "valor" dos cidadãos "prestigiosos" da estirpe do Major José Inácio, do "Bando" e de outros, sempre muito elogiados pelos jornais dos partidos a que são filiados, por isso, A. M. não passa de um simples "indivíduo" caluniador, como no conceito daquele ilustrado jornal. No entanto, o "Diário do Ceará" não deve estar esquecido de que, quando mais acesa esteve a campanha militar, o "Correio do Ceará" foi o baluarte da corrente contrária, nesta cidade. E, enquanto este, apesar de não ser jornal político, se mantinha em posição definida, enfrentando denodadamente a propaganda virulenta da Dissidência contra os princípios da ordem e da moral política, o órgão situado nesta vacilava... ou pelo menos aguardava ordem de combate. Pois bem, foi nesse tempo ainda muito recente que A. M. publicou no "Correio" uma série de magistrais artigos doutrinários, refutando tais processos incompatíveis com a moderna cultura moral dos povos civilizados, artigos esses que calaram profundamente no espírito público e teriam, de certo, logrado grande sucesso e larga divulgação pelo país, se tivessem sido estampados em jornais da Capital Federal ou de São Paulo. Há meses que venho lendo em todos os jornais da terra notícias sobre a falada "Reforma da Instrução", a qual corre mundo afora, mas até agora vejo que só se tem melhorado a situação do professorado da capital, que sempre, em comparação com o do interior, viveu no paraíso. O professorado do interior, Sr. redator, é a classe mais desprotegida do Estado. Nunca teve um político, um deputado, um jornal, enfim, que falasse em sua defesa. E esta é a razão porque venho apelar para V. Sa., como redator de um jornal católico, sem cor política, para, aproveitando a boa vontade do Sr. Presidente do Estado, conseguir alguma coisa em prol da classe abandonada. Uma professora de 4ª classe ganha menos do que qualquer lavadeira de roupa, ou raspadeira de mandioca. Elas têm de vencimentos mensais 100$000, mas em verdade só recebem 70$000, pois deduz 10% de imposto, 10$000 para complemento de aluguel de casa, pois ela tem 8$000 para isto, quando em parte alguma se encontra por menos de 18$000 um prédio em que possa funcionar uma escola e finalmente 10$000, no mínimo, de ágio que desconta o taverneiro local que fornece fiado, visto as coletorias geralmente não terem rendas suficientes para os pagamentos mensais. Uma professora é quase sempre o arrimo de família. Sendo nomeada (por exemplo) para o longínquo povoado de Macapá, no Jardim, se não encontrar um matuto generoso que a proteja, morrerá de fome, pois nem mesmo a ajuda de custo, direito concedido a todo funcionário público, ela, é incrível, não tem. O Presidente do Estado podia, pelo menos agora, melhorar a situação destas infelizes, relevando o imposto de 10% (como fez com a polícia) e ordenando aos Srs. coletores paguem os aluguéis de prédios escolares, de acordo com os recibos dos proprietários, visados pelos inspetores escolares. Assim sendo, melhoraria alguma coisa. Certo de que V. Sa. tomará na devida consideração esta nobre causa, desde já agradeço.
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