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O Nordeste
Agosto de 1922, página 7 · 24 trechos transcritos
Manchetes desta página
- Um homem aficionado ou [...] altares, a santidade [...] docência, probidade, e juntamente grita PÁTRIA, PÁTRIA, não lhe dê crédito, pois é um hipócrita do [...]
- Não se deve ser carola! Homens há que, desejando furtar-se aos sagrados deveres religiosos, pretextam motivos mil, deixando escapar dos seus lábios as palavras banais e pouco sinceras que fazem a epígrafe do meu despretencioso artigo. Nessa fórmula existem duas faces que merecem ser estudadas diante dos homens de bom senso, diante dos homens que não perderam ainda a noção da justiça — o que exprime e o que oculta. Ela exprime um erro que precisa ser provado e oculta um pretexto cuja máscara deve ser despedaçada. Há dicionários que definem carolice uma religião mesquinha e supersticiosa. Grande erro. A superstição é repelida pelas luzes da razão, e, nos Santos Evangelhos, milhares de vezes, anatematizada por N. S. J. Cristo. A Igreja não pode ser responsabilizada por alguém que não compreenda bem os deveres que Ela impõe aos seus filhos; não pode ser acusada, porque há católicos que praticam mal os seus preceitos e os seus ensinamentos. Que culpa tem Ela, se uma pessoa tem costumes reprováveis, ocupa-se com devoções secundárias, cobre-se de medalhas e escapulários e tem uma língua ferina?! Não é injustiça clamorosa lançar pechas sobre a Religião porque tem adeptos, cujas obras estão em desacordo com os princípios da Fé que professam?! Quem não sabe que existem católicos e até padres que adoram um Deus que prega a pobreza, e desprezam os pequenos e os humildes, que adoram ao Deus da caridade e são verdadeiros blocos de gelo diante das necessidades alheias?! A Carolice não é Religião?! Não é, nem mesmo, o seu clichê, pode ser a sua caricatura. A Religião consiste principalmente nas boas obras, nos atos de virtudes e nas práticas de [...] o amor sincero de Deus e o amor abnegado do próximo, a carolice ama principalmente a si, para depois amar a Deus. A Religião é profunda e abundante em bons frutos; apossa-se da alma e produz atos santos. A Carolice é um esboço vago e por demais estéril, ocupa-se com práticas tolas que não traduzem coisa alguma. A carolice é um grande erro. A Religião uma grande virtude. Este erro está muito espalhado no nosso século. Não ouso afirmar. Há casos a lamentar, mas não nas proporções figuradas pelos espíritos despeitados e injustos dos inimigos da Fé Católica. Ainda se encontram pessoas pouco esclarecidas e atormentadas porque «emprestam à Religião um caráter mórbido e repugnante, pessoas fracas que exercem um zelo intempestivo»; mas os seus erros são mais de ignorância, que de má vontade, são almas profundamente boas no íntimo, mas lhes falta o espírito do apostolado, o verdadeiro espírito da Fé. A Religião as encoraja nos seus erros? Não! Reprova-as com energia e as convida ao bom caminho, ao espírito evangélico. Não devem os Inimigos, nesta matéria melindrosa, exagerar; sejam melhores observadores, não deixem os limites do verdadeiro. Mons. Olbler me inspirou um pouco neste trabalho. Padre TABOSA
- A primeira «crise» do «Jornal do Commercio», sobre a situação política «A nação precisa saber o que andaram fazendo estes inocentes, para depois opinar sobre a anistia que pedem» (Do nosso serviço telegráfico) RIO, 1 — O «Jornal do Commercio», em sua primeira [...], diz que os adversários do governo estão demonstrando a necessidade da prorrogação do estado de sítio, pois já principiam, de novo, a querer agitar a vida parlamentar, pela impossibilidade de fazer o mesmo nas ruas. Se o estado de sítio se acabasse na próxima semana, a toada malsã recomeçaria mais violenta, alimentada pelo Jornalismo de sensação. A Nação deseja que não se fale em anistia, que se aguarde o resultado do inquérito, e que se repila com energia toda intenção de benevolência para com aqueles que não se envergonharam de tramar o assassínio do chefe do Estado, a mais geralmente, uma sanguinaria, como o denominou a voz de trovão de teatro do governador Seabra, logo que aqui chegou da Bahia, para onde teve de voltar agora, mendigando da autoridade um salvo-conduto, por intermédio de amigos pressurosos, e donde, agora, já refeito do susto, começa, outra vez, a berrar, pensando que alguém lhe presta atenção: A Nação precisa saber o que andaram fazendo esses inocentes, com imunidades ou sem imunidades, para depois opinar sobre a anistia que eles já começam a pedir, antes de terminar o inquérito.
- O sr. Francisco Sá responde, veementemente, ao sr. Dionísio Sodré O senador cearense apela para que os vencidos tenham, pelo menos, a dignidade da derrota Do nosso serviço telegráfico RIO, 1 — A sessão do Senado foi agitadíssima. O senador Francisco Sá proferiu violento discurso, em resposta ao que fizera o sr. Monte Sodré, também violento, em que deu ao reconhecimento a denominação de farsa. O senador cearense começou dizendo que é contrário à sua educação deixar sem repulsa uma agressão insólita. O orador diz que a própria Dissidência lançou as candidaturas dos srs. Nilo Peçanha e J. J. Seabra, em manifesto subscrito por senadores e deputados, e que o próprio Nilo não se julgava suspeito para que, ele mesmo, se proclamasse o eleito da Nação. Não pode ser farsa uma deliberação solene, meditada, discutida, estudada, exposta ao debate de todas as opiniões, desafiando a todas as contestações. Farsa é quando o candidato, sentindo a vitória do seu competidor, faz uma retirada teatral, do recinto, com os seus companheiros, apelando para a solidariedade das classes armadas. Há farsas sinistras, que muitas vezes se confundem com tragédias. Farsa sinistra é a proclamação da política de sangue, lançada pelo governador da Bahia. Foi este quem disse, em entrevista, que, se não aceitassem o Tribunal de Honra, haveria uma sanguinaria. O orador termina fazendo um apelo veemente aos vencidos, para que tenham, pelo menos, a dignidade da derrota, porque esta é o único louro que lhes cabe.
- N. R. — O candidato derrotado, sr. Nilo Peçanha, grão-mestre honorário da maçonaria e autor moral da sedição, recebeu, no início da sua campanha, como devem estar lembrados os leitores, a solidariedade do mesmíssimo Grande Oriente do Brasil.
- Ensino fiado e sem casas II Prosseguindo em nossos comentários sobre a situação aflitiva do funcionalismo público, devemos acentuar que não nos move o desejo de fazer oposição levantando acusações a quem quer que seja. Queremos ver o governo cumprir seu dever, pagando aos serventuários, de cujos serviços o Estado não pode prescindir. É esta obrigação fala mais alto que tudo, por isto que, com essa moratória forçada, não sofrem somente os funcionários, mas outras classes também, como seja principalmente o pequeno comércio e todos os mais fornecedores e até as pobres lavadeiras. Se há dinheiro nos cofres públicos, como se diz e é provável, não tem explicação a continuação dessa irregularidade de pagamentos, que está agravando horrivelmente a situação dos prejudicados, nesta época de tanta carestia, e prejudicando a todos que têm a infelicidade de manter transações com empregados do governo. Não se atina onde e em que academia os nossos estadistas da República têm estudado essa espécie de direito administrativo que justifica despesas com reformas [...], deixando em atraso, curtindo necessidade, o funcionalismo público, sem excetuar a magistratura e o magistério. As professoras bem mereciam ter ficado a salvo desses vexames e privações, agravados com o corte de dez por cento. Haveria alguém capaz de opor-se ao generoso alvitre dessa exceção? Pensamos que não; mas quem, nas regiões oficiais, se ocuparia em defender pobres professoras, das quais só se lembram para fazer-lhes críticas e acusações injustas? Diz-se, com fundamento, que os resultados das nossas escolas primárias não correspondem ao sacrifício do Estado. Mas não se cogita de indagar as causas; os pedagogos improvisados afirmam, sem o menor exame, que «é devido aos métodos de ensino e incompetência dos professores». Daí é que vem a desorientação dos nossos governos sobre a instrução primária, da qual muito pouco têm cuidado. Para ensinar a ler, escrever e contar, que é o mais que se pode exigir de uma escola de arraial ou povoação, numa terra de oitenta por cento de analfabetos, ninguém terá a coragem de sustentar que as nossas normalistas diplomadas sejam incompetentes para a sua missão. Incompetentes, sim, têm sido os governos ou os diretores da instrução que até agora têm compreendido que criar escolas consiste tão somente em nomear e transferir professoras. É muito reduzido o número de casas para escolas na capital e nos municípios. De maneira que, feita a nomeação, designada a povoação, ou arraial, a normalista, com essa timidez e inexperiência próprias dos que arriscam os primeiros passos na luta pela vida, vai tentar colocar-se o mais breve possível, a fim de não exceder o prazo marcado para início das aulas. Às que seguem para o Interior adianta o governo um ou dois meses de ordenada e mais nada. Casa, elas têm de procurar, pois, para isto, contam apenas com a quantia mensal de oito mil réis! Mobiliado não houver, arranjem-se como puderem, tomando emprestado, e para o expediente, sabem de quanto pode dispor uma professora de povoação? Não se assustem que o caso é sério, pois o Estado não pode dar mais que a miséria de doze mil réis mensais. É, portanto, sob a mais dolorosa impressão de desalento e falta de conforto, que a maior parte de nossas normalistas fazem sua estreia no magistério, onde deveriam encontrar toda proteção e estímulo para encorajá-las nessa nobre carreira de sacrifícios, que abraçaram. Acrecente-se a isto a mesquinhez do ordenado de cem mil réis, o corte de dez por cento o reduz a noventa, e, por cúmulo de injustiça, a falta de pontualidade nos pagamentos, o que concorre para reduzi-lo a menor quantia. Com este sistema de talar as educadoras da infância do Ceará, não há método que sirva, nem pedagogo que faça valer seu saber e ciência.
- O Supremo nega habeas-corpus ao comandante Álvaro de Vasconcelos RIO, 1 - O Supremo Tribunal negou o «habeas-corpus» impetrado pelo deputado Macedo Soares em favor do comandante Álvaro de Vasconcelos, chefe do «O Imparcial». O procurador da República estranhou, no Tribunal, a ordem [...] pedida pelo deputado Macedo Soares, quando o mesmo votou, na Câmara, pela medida do estado de sítio.
- A missão americana de instrução naval RIO, 1 — O ministro da Marinha teve comunicação de que o almirante Vogelaang chefiará a missão americana de instrução naval da marinha brasileira, que o governo mandou contratar nos Estados Unidos.
- A RENDA DA CENTRAL NA ÚLTIMA SEMANA RIO, 1 — A Estrada de Ferro Central do Brasil rendeu dois mil contos, na semana finda.
- Incendiou-se o Laboratório Werneck RIO, 1 — Pela madrugada de hoje, irrompeu violento incêndio no Laboratório Werneck, à rua do Areal. Os prejuízos são calculados em 500 contos. O Laboratório estava segurado por 300 contos.
- O general Caviglia RIO, 1 — A embaixada italiana comunicou que o general Caviglia chegará ao Rio, procedente de S. Paulo, no dia 7 do corrente, partindo a 10 para a Itália, a bordo do «Re Vittorio».
- Guerra Junqueiro não vem ao Brasil RIO, 1 — O poeta Guerra Junqueiro declarou que não podia aceitar o convite da Academia Brasileira de Letras, para visitar o Brasil.
- Chega ao Rio um ilustre geógrafo americano RIO, 1 — Chegou, ontem a esta capital, o sr. Gilbert Grosvenor, presidente da Sociedade Geográfica de Chicago, o qual vem ao Brasil escolher dados para organização do mapa da América do Sul. O sr. Grosvenor é casado com a filha de Graham Bell, inventor do telefone.
- Um festival no Teatro Lírico, pelo monumento a Santos Dumont RIO, 1 — Realizou-se, no Teatro Lírico, o festival, promovido por Sacadura Cabral, em favor do monumento a Santos Dumont. Na festa que se realizará no Teatro Municipal, por ocasião da chegada de Santos Dumont, falará o contra-almirante Hugo Coutinho.
- Presta depoimento o deputado Mário Hermes RIO, 1 — O deputado Hermes prestou depoimento perante o chefe de polícia. O depoimento do [...] baiano durou [...]
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- Telegrama Patrimônio de S. José e N. S. Rosário. João Alonso Furtado, advogado do Arcebispado de Fortaleza, convida enfiteutas e ocupantes dos patrimônios de S. José e S. do Rosário, desta cidade, a virem regular seus títulos no prazo de 90 dias, a contar deste. Findo este prazo, contra os [...] serão tomadas, em juízo, as medidas necessárias. Secretaria do Arcebispado, dias úteis, das 12 às 15. Serão atendidos os interessados. Fortaleza, 17 de Maio de 1922. [...] 3 PEIXOTO 138
- Expediente ANNO I Redação: dr. Andrade Furtado e José Martins Rodrigues Administração: A. Ildefonso de Araújo Fortaleza-Quarta-feira, 2 de Agosto de 1922 NUM. 30
- Telegrama GOVERNO ARQUIDIOCESANO Como, por mercê de Deus e da Santa Sé Apostólica, Arcebispo Metropolitano de Fortaleza. Tendo de se realizar no Rio de Janeiro, para comemorar o primeiro Centenário da Independência do Brasil, um Congresso Eucarístico, e convindo que essa comemoração, tão de acordo com os sentimentos da grande maioria dos brasileiros, tome o caráter de nacional, recomendamos que todas as Ordens Religiosas, congregações, colégios, Irmandades, associações e instituições católicas desta Arquidiocese, desde já enviem ao referido Congresso sua adesão. Para melhor ordem, enviem essas adesões para serem encaminhadas pela Secretaria Eclesiástica. Recomendamos a todas as associações pias e aos fiéis em geral, que façam ardentes preces a Deus pelo bom êxito desse Congresso, do qual muito bem poderá advir para nossa amada Pátria. Fortaleza, 28 de julho de 1922, + Manoel, Arcebispo Metropolitano da Fortaleza.
- Nota social Selos & Cupons O mimoso pequerrucho José Maurício, filhinho do sr. Cavalcante Sucupira e de d. Rabello Sucupira, querendo festejar o natalício de sua querida vovozinha, d. Annita Rabello, esposa do sr. José Rabello, enviou os 1.300 cupons de bond para os pobres de S. Vicente de Paulo.
- Telegrama Telegramas DO PAÍS RIO, 1 — O sr. Mário Hermes, grão-mestre do Grande Oriente do Brasil, em nome das lojas maçônicas do País, enviou uma mensagem ao presidente da República, congratulando-se pelo [...] da tentativa de se [...] a ditadura militar, pelo emprego, contra a Nação, das armas fornecidas para sua defesa.
- Telegrama A FORÇA DOS ELEMENTOS CATÓLICOS NA ITÁLIA Outras notas RIO, 1 — O Cardeal Gasquet concedeu uma entrevista ao «Jornal do Brasil». Sua Eminência, falando desta capital, diz que é o que viu de mais belo até hoje. Conhece a América do Norte e a Europa. Mas nada viu, nelas, que se comparasse ao Rio. O Brasil, como Nação organizada, é também, de um futuro brilhante. Lamenta que não seja ainda bastante conhecido no estrangeiro. O Cardeal disse que a Inglaterra assiste a um verdadeiro surto católico. A catedral de Westminster, que é o principal templo, apresenta-se cada vez mais repleta de fiéis, sendo constantes e numerosas as conversões. «Gozamos, ali, de ampla liberdade, que o governo concede, para a expansão do catolicismo». Sua Eminência disse mais que o Partido Católico, na Itália, é uma força, contando enorme prestígio e que é o equilíbrio entre as demais facções que se digladiam. Basta assinalar que o Partido Católico conta 114 deputados. O Cardeal declarou que nada podia dizer sobre as negociações de acordo entre o Vaticano e o Quirinal, pois nada sabe a respeito. O ilustre prelado afirmou que a Biblioteca do Vaticano, de que é diretor, é uma maravilha no gênero. Agora mesmo o senador Bitrani, amigo do Santo Padre, ofereceu à mesma um exemplar do Código Árabe, obra raríssima e estupenda. O Cardeal acrescentou, afinal, que o Congresso Eucarístico, de Roma, foi um acontecimento simplesmente inesquecível.