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O Nordeste
Setembro de 1922, página 23 · 17 trechos transcritos
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- Febre amarela e peste bubônica Sua. realmente, o processo anterior à situação especial criada; para o caso, com a existência única no Ceará da conta corrente, já está alocada nos seus. Só a Caridade Cristã saberá tomar conta do rico e do pobre. * Rezende [e outros] Parte que fomos em um dos últimos casos de febre amarela ocorridos nesta capital, cabia-nos o dever moral de vir dizer, de público, as razões de nossa divergência da atitude assumida pelo ilustre Dr. Gavião Gonzaga, chefe do Serviço de Saneamento e Profilaxia Rural neste Estado, uma vez que ele, pela tribuna e pela imprensa, levara à publicidade os motivos de ordem científica determinantes da orientação a que obedecia. O fato, porém, de se ter procurado resolver a divergência suscitada por meio de pesquisas bacteriológicas, deteve-nos no nosso intento. Verificado, agora, que a nenhuma solução definitiva nos foi possível chegar, e tendo o Dr. Gavião Gonzaga adotado a medida prudente, aconselhada pelo Professor Leônidas Porto, de considerar aberta a questão — permite-se — e esperamos não julgará serôdia a nossa intervenção — que tenhamos a palavra sobre o assunto controverso, aduzindo as considerações que se seguem, à sua fecunda palestra do 'Club Iracema'. Em primeiro lugar, cumpre-nos salientar a estranheza, que foi nossa e de outros facultativos presentes ao discurso do Dr. Gavião, vendo-o aludir à ética médica. Se o esforçado chefe da Profilaxia Rural quer considerar o caso concreto, ocorrente no Ceará, isto é, a disparidade, mais de uma vez verificada, entre o diagnóstico dos clínicos da cidade e o resultado dos exames do laboratório sob sua direção, se o Dr. Gavião Gonzaga quer considerar, repetimos, tal fato um caso de deontologia, então impossível se torna entendermo-nos no terreno em que está colocada a controvérsia. O que tem ocorrido, o que ocorre presentemente no Ceará, é um fato que interessa de maneira relevante à saúde pública, é um caso precioso de medicina social, de interesse máximo para o país em peso, uma vez que o governo da União tomou aos ombros a tarefa ingente de expurgar e sanear o território nacional. Para que vem, pois, essa arguição cavilosa de ética médica, num caso que, pelo seu alcance vasto e importância evidente, se relaciona estreitamente com a vida coletiva, envolve superiores interesses públicos e, sobretudo, exige que seja verificado, para que se adotem as medidas específicas e indispensáveis? Ou considerará o Dr. Gavião Gonzaga uma ausência de lealdade profissional, uma quebra de decoro de coleguismo, ergo um [desrespeito aos] mandamentos da medicina, o fato de qualquer facultativo não endossar plenamente as conclusões do laboratório que se dirige aqui? O ilustre chefe do Saneamento, tão sensível às malquerenças de seus [colegas], não se julga passível de [críticas] populares, [acerca] da tifo amarílico, [aumentando] o número de [casos] que [exigem] [pesquisas] bacteriológicas que [são] [necessárias] [para] [o] [Dr.] Gonzaga. [Ataque violento] aos amigos pro-[fissionais]. Essa longa [polêmica] que perdura, um labor [que] inquina, feita por [aqueles] que aqui [vivem] [sem] [conhecimento], que [não] valem e a sua opinião nada significa! Dizer, como o fez o chefe do Serviço de Saneamento, que o diagnóstico do mal de Sião é falível no Ceará, sobre constituir um desmentido à opinião corrente da maioria da classe médica local, redunda numa contradita formal às afirmações de mestres que ilustraram as cátedras das Faculdades do Rio e da Bahia, contemporâneos que foram do aparecimento do morbo e endossantes que se fizeram de sua identidade com o tifo amarílico, endêmico alhures. Mais: a teimosia do Dr. Gavião Gonzaga, a sua injustificável obstinação em afastar toda hipótese da existência da febre amarela no Ceará estão soando como um desafio à proficiência de Oswaldo Cruz, um inocente e gracioso desafio do discípulo inovador e apressado ao mestre emérito e glorioso, em cujos lábios, porém, a morte extinguiu, para sempre, a palavra douta e poderosa. De fato, quando aquele eminente luminar da ciência médica visitou, de passagem, a nossa terra, teve ocasião de afirmar, perante o Dr. Miguelito Moreira e em face de um caso concreto, a existência do tifo amarílico no Ceará. Verificada, mais de uma vez, por profissionais da cidade, a existência de casos que apresentavam o quadro clínico característico da febre amarela, e repelido esse diagnóstico pelo ilustre chefe do Serviço de Saneamento, devia S. S. justificar a sua não anuência à opinião da maioria dos seus colegas locais. E o Dr. Gavião Gonzaga, realmente, explicou o motivo determinante de sua atitude: para S. A. os casos aqui diagnosticados como febre amarela não passam de uma modalidade, ainda não descrita, da peste bubônica, modalidade que S. S. apreendeu e registrou, para progresso da ciência que o ilustre chefe da Profilaxia Rural cultiva e enriquece, e escarmento dos facultativos bisonhos que aqui [trabalham], sem atinar com a causa fugidia do fenômeno mórbido. (A concluir) Dr. José Parocampos.
- O Centenário da decifração de hieróglifos Sabemos que o nosso ilustrado colega do 'Diário do Ceará', Dr. Gilberto Câmara, realizará, no próximo dia 10 do corrente, uma conferência literário-histórica, na sede do 'Círculo Católico de Fortaleza', sobre o Centenário da decifração dos hieróglifos, feita por Champollion, em Setembro de 1822. Esta sugestiva palestra há de despertar em nosso meio o interesse dos estudiosos.
- RETIFICAÇÃO Ilustre Sr. redator do 'O Nordeste', Na edição ilustrada do 'Correio do Ceará', comemorativa do Centenário da Independência Nacional, a ilustrada redação daquele vespertino, discorrendo, no seu primo-editorial, sobre os feitos dos nossos maiores, afirmou, por um lamentável equívoco, que, 'Mororó, Pessoa Anta, Carapinima e Bolão foram legítimos iniciadores da nossa [liberdade] política', concluindo o seu patriótico artigo por qualificar aqueles malogrados patriotas de 'autênticos inspiradores de Pedro I e José Bonifácio' (1). É muito para lastimar, Sr. redator, que os fatos mais notáveis da História Nacional, máxime os da regional, que tão particularmente nos interessam, sejam de tal modo menos interpretados ou assimilados pela geração contemporânea. Cruel verdade que constatamos contristados! Mororó, Pessoa Anta, Bolão, Carapinima — não só estes — mas também [Ibiapina] — as vítimas palpitantes da revolução de 24, imolados, estupidamente, no antigo [Quartel] da [Polícia], atual [Palácio] do Governo, pela tirania de Conrado Jacob de Niemeyer, então comandante das armas e presidente do Tribunal de Sangue — criação monstruosa de Clemente Ferreira da França, para punir os sectários da Confederação do Equador — ao contrário do que afirma a ilustre redação do Correio, nenhuma parte tomaram quer no movimento que originou a emancipação nacional, quer no pronunciamento de 1817, a que, porventura, queria o confrade referir-se, pronunciamento que se verificou no Recife, na manhã de 6 de Março e que se irradiou, inocuamente, pelas províncias limítrofes (Ceará, Rio Grande do Norte e Paraíba), limitou-se, entre nós, à então vila do Crato, e do qual foi cabeça único o seminarista Alencar, que mais tarde grande ascendência e figura mui notável viria exercer na política do Ceará, berço de sua família ilustre, notabilizando-se, primeiro, e sobretudo, pela parte ativa que tomara na questão da Maioridade, como um dos seus mais extremos e entusiastas propugnadores. Com a publicação destas linhas, não nutro outro intuito que o de retificar o equívoco em questão, elucidando esse ponto, tocantíssimo, aliás, da nossa História, cujas páginas são o objeto único da nossa preocupação mental, nesta época de inovações e patriotismo bastardo que observamos contristados. Admirador e leitor assíduo Octávio Memória Mondubim, 8 Set 1922.
- Entradas da Exposição O Sr. Hermes Chaves enviou, por nosso intermédio, para a Santa Casa de Misericórdia 20 entradas da Exposição. Os alunos da escola 'José Bonifácio', comemorando o 1º Centenário da Independência do Brasil e o terceiro aniversário de fundação da escola, remeteram-nos para os pobres do Asilo de Mendicidade 20 entradas da Exposição.
- Reivindicação dos títulos de crédito na falência Carta de Clóvis Beviláqua a Eduardo Girão Temos o maior prazer de publicar em nossas colunas a honrosa carta que o nosso proficiente coestadano Dr. Clóvis Beviláqua, um dos maiores luminares da ciência jurídica no Brasil, dirigiu ao ilustrado professor de nossa academia de direito Dr. Eduardo Girão, advogado dos mais notáveis do Estado, a propósito do brilhante trabalho que S. A., sob o título 'Reivindicação dos títulos de crédito na falência', inseriu em nossa edição de 3 de agosto findo. O referido trabalho do competente professor cearense, que foi grandemente apreciado em nosso meio pelos que se dedicam aos estudos jurídicos, vem de merecer a consagração de Clóvis Beviláqua, como se verá de sua carta. Eis: 'Rio de Janeiro, 23 de agosto de 1922. — Prezado colega e amigo Dr. Girão — Saudações cordiais. — O muito estudo acerca da reivindicação dos títulos de crédito na falência honra o saber do seu mestre e a perspicácia de um jurisperito. Acho [que a questão foi tratada em] termos e resolvida muito criteriosamente; e estou certo de que o seu estudo firmou, definitivamente, a doutrina a respeito da matéria, que elucidou. Do colega que muito o estima e considera, (A) Clóvis Beviláqua. Deve publicar o seu estudo em algumas de nossas revistas, para que tenha divulgação no meio jurídico. (A) Clóvis Beviláqua.' Felicitamos com grande êxito o nosso ilustrado conterrâneo, Dr. Eduardo Girão, e não podemos deixar de salientar que em nossa egrégia corte de justiça, doutrina idêntica foi sustentada pelo eminente e ilustrado desembargador Leite Gonzaga.
Anúncios, notas e expediente
- Expediente O Nordeste Redação: Drs. Andrade Furtado e José Martins Rodrigues Administração: A. Ildefonso de Araújo Ano I Fortaleza, Terça-feira, 12 de Setembro de 1922
- Nota social Realizou-se, anteontem, no salão da Escola Jesus - Maria - José, a assembleia geral da Associação das Senhoras de Caridade. A sessão foi presidida pelo Exmo. Sr. Dom Manuel, Arcebispo Metropolitano, ladeado dos Srs. Barão, de Studart e Paula Rodrigues. O vasto recinto achava-se repleto de senhoras das mais distintas famílias desta capital e de ilustres cavalheiros. O reverendíssimo padre Guilherme Vaessen, diretor espiritual daquela benemérita agremiação, precedeu à leitura do substancioso e edificante relatório com eloquentes palavras sobre a ação do Cristianismo no mundo. Mostrou quão benéfico é para a sociedade o apostolado de caridade exercido pela milícia católica e pediu, ao terminar, a bênção do Sr. Arcebispo para as abnegadas sócias daquela instituição valorosíssima. Dom Manuel, encerrando a sessão, produziu um discurso eloquente e cheio de elevados conceitos, enaltecendo a cruzada de benemerências das Senhoras de Caridade de nossa capital. S. Exc. terminou o seu discurso com a bênção à numerosa e distinta assistência. 'O Nordeste', que se fez representar na assembleia geral das Senhoras de Caridade, deseja constantes progressos a tão útil e próspera associação, a quem a pobreza de nossa terra deve inestimáveis benefícios, não somente materiais, mas, sobretudo, de ordem moral.
- Nota social Ecos A Sociedade '15 de Janeiro' de Redenção, no louvável e patriótico intuito de comemorar condignamente o primeiro centenário da nossa emancipação política, efetuou no dia 7 do corrente, às 17 horas, em sua sede social, uma Sessão Magna, a qual nos enviou atencioso convite, firmado pelos Srs. José Christino Ferreira, José Gabriel de Mendonça e Zacharias Odor de Castro.
- Telegrama Telegramas O Centenário em Pelotas PELOTAS, 8 — Foram imponentes as festas do Centenário nesta cidade. Iniciou-as a missa campal, celebrada por D. Joaquim, com a assistência das autoridades e de grande massa popular. Houve mais de mil comunhões. Como era esperado, D. Joaquim pronunciou, por ocasião da missa, a 6ª conferência da série da 'União Pelotense', sobre o tema 'A Igreja Católica e a formação da nossa nacionalidade'. Foi um belo triunfo oratório. Após a elevação, fez-se a consagração desta diocese ao Coração de Jesus. O local da solenidade foi denominado 'Praça José Bonifácio'. D. Joaquim, a convite do intendente, fez a inauguração das placas. À tarde, realizou-se solene Te Deum, na Catedral, pregando o padre Eurico Magalhães, sobre os 'Benefícios divinos no século da Independência'. Houve ruidosas festas populares. À noite, houve farta iluminação das ruas e praças. Realizou-se, à tarde, uma brilhante passeata cívica dos colégios e escolas, que conduziram os bustos de José Bonifácio, Tiradentes, Floriano e Benjamin Constant. No 'Theatro Guarany', houve uma sessão cívica, em que falou o Dr. Maciel Moreira.
- Telegrama O 'raid' de Santiago PELOTAS, 8 — O aviador Aranha faz o raid de Santiago ao Rio, aterrou hoje aqui, devendo seguir hoje mesmo para a Capital Federal.
- Telegrama Um fidalgo gesto dos marinheiros japoneses RIO, 8 — Ontem, todos os que se encontravam na Avenida Rio Branco foram prazerosamente surpreendidos com o gesto fidalgo da banda de música japonesa, que puxava uma companhia de marinheiros nipônicos e que, às 12 horas, atravessou a grande artéria, de regresso da parada, no campo de São Cristóvão. A citada banda executou, com maestria, a nossa 'Canção do Soldado', ao som da qual marchavam, garbosa e imponentemente, os marinheiros japoneses. O povo, entusiasmado, aplaudiu freneticamente os gentis hóspedes, que, à noite, repetiram o seu nobre gesto.
- Telegrama Os festejos em Belo Horizonte BELO HORIZONTE, 8 — Acrescento as seguintes notas sobre as festas do Centenário: Às 10 horas realizou-se a parada Infantil, na Praça da Liberdade, em que tomaram parte mais de cinco mil crianças. A praça estava primorosamente ornamentada, oferecendo aspecto empolgante. À noite, a iluminação foi fantástica. A partir da entrada da praça até a rua General Jardim, viam-se postes iluminativos terminando em leques de lâmpadas multicoloridas. Havia, neles, escudos com os nomes de todos os Estados e dos principais vultos nacionais. Havia, ainda, no centro, uma torre, sistema Torre Eiffel, de lâmpadas, e numa das extremidades, um grandioso arco de triunfo. Funcionaram cinemas ao ar livre, exibindo [filmes] com [variedade]. O movimento foi vultuoso, dando a impressão de uma grande capital. O Dr. Raul Soares deu, às 22 horas, solene recepção no Palácio da Liberdade, à alta sociedade mineira, estando o edifício fartamente engalanado. No Theatro Municipal, houve, às 20 horas, sessão cívica, promovida pelo Instituto Histórico, produzindo notável discurso o Dr. José de Magalhães Drummond. Alunas da Escola Normal cantaram, à orquestra, na sessão, vários hinos patrióticos. Encerrou a sessão o Dr. Godolpho Jacob, que proferiu um entusiástico discurso. Na Praça 7 de Setembro, houve cinema ao ar livre, retreta e fogos de artifício, prolongando-se as festas até alta noite.
- Telegrama BELO HORIZONTE, 8 — Realizou-se, hoje, o banquete oferecido pelo Dr. Raul Soares. [Presente o] mundo oficial, num total de [mil] talheres. Em nome dos [presentes], falou o Dr. Godolpho Jacob, que proferiu um entusiástico discurso.
- Telegrama As festas na Paraíba PARAÍBA, 8 — Realizam-se festas náuticas do Clube do Remo. Foi vencedor o 'yole' 'Viriato de Negreiros'. A concorrência foi extraordinária, comparecendo, pessoalmente, o presidente do Estado. No fim do torneio, quando as lanchas evoluíam em frente ao pavilhão nacional, o rebocador 'Cabedelo' foi ao encontro de uma lancha que conduzia distintas famílias, virando-a. Houve pronto socorro, sendo salvos os passageiros. Morreram duas crianças. Um passageiro desconhecido, apesar de [estar] vestido, salvou quatro pessoas. O desastre causou grande consternação.
- Telegrama Um lamentável desastre PARAÍBA, 8 — No dia das regatas, faleceu o [jovem] [Carlos], empregado da Casa Rei Mauser & Cia. Seu enterro foi hoje, sendo concorridíssimo. Faltam ainda os cadáveres de uma mulher e uma criança. O fato tem causado funda consternação.
- Telegrama PARAÍBA, 8 — Ontem pela manhã, [com o] [hasteamento] das bandeiras no Palácio do Governo, numerosas senhorinhas entoaram os hinos nacional e da independência. A missa campal foi celebrada por Dom Adauto, perante grande multidão. Às 10 horas, houve a parada militar. O presidente Sólon de Lucena passou revista a 1.000 homens. Foi inaugurada, depois, a Praça da Independência. À noite, houve grandes festas [populares] em todos os jardins [públicos] e distribuição de boninas e bandeirinhas às crianças. Todos os jornais deram edições especiais, destacando-se a de 'União' com 16 páginas. Hoje, haverá grande concerto no Teatro [Romeu]. Amanhã, baile no Clube Astrea. [Ainda] [houve] [eventos] no Palácio da Liberdade. [Participaram] os mais [diversos] talentos artísticos da cidade.
- Telegrama Prestes a [partir], levo os meus improvisados. Doado. Os [indefesos] [sem] [grandes] [recursos].