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O Nordeste

Setembro de 1922, página 31 · 18 trechos transcritos

Manchetes desta página

  • CÂMARA ARQUIDIOCESANA Esclarecimento necessário No «Correio do Ceará» de 14 do corrente, foi anunciada uma missa pela alma de Jorge, o fundador da importantíssima «Casa Inglesa», da nossa praça. O nosso público sabe que aquele distinto homem não era católico e, na hora da morte, não procurou a Religião; portanto, não tem direito aos sufrágios da Igreja, motivo por que proibi que fosse celebrada a santa missa por ele. Câmara Eclesiástica, 15 de Setembro de 1922. Padre Antônio Tabosa Braga
  • Calendário Arquidiocesano TRASLADAÇÃO DO EXMO. SR. DOM MANUEL É hoje dia de grande satisfação para os católicos cearenses, por isso que se celebra, no meio de geral efusão de sentimentos, a data da trasladação do excelentíssimo senhor Dom Manuel, do cargo de Bispo Titular de Mopsuéstia para a sede arquiepiscopal de Fortaleza. Há dez anos, precisamente, a Santa Sé confiou os destinos espirituais do Ceará ao egrégio e incansável Prelado. O acerto providencial deste ato da Igreja está eloquentemente patenteado na soma incomensurável de benefícios prestados pelo ilustre e amado Antístite à nossa estremecida terra. Dom Manuel tem sido, realmente, infatigável no apostolado das benemerências que vem exercendo em nosso meio. Sua excelência experimenta uma sede imensa de derramar o bem a mancheias. Ao seu espírito esclarecido e progressista, à sua extraordinária ação no campo das realizações positivas, ao seu zelo ardente de bom Pastor, todo dedicado à felicidade do rebanho que Jesus lhe confiou, deve esta Arquidiocese os reais progressos consoladores que dão ao Ceará uma feição eminentemente católica, o que tanto vale e pesa no juízo dos homens de responsabilidade e de bom senso. O Catolicismo é a grande arena de reação ao mal que tenta avassalar o universo e reduzir a escombros todas as conquistas superiores que espiritualizam e elevam os homens e as coletividades. O chefe desta cruzada benemérita, essencialmente patriótica, em nosso caro berço nativo, é o abnegado príncipe da Igreja, que, a esta hora, nos sertões combustos do Ceará, prega a doutrina da Verdade, reacendendo a Fé e o ideal do Bem n'alma dos nossos resignados camponeses, que, com a enxada rude, cavam o solo e aumentam a riqueza nacional, com o suor do rosto. Deus abençoe a peregrinação do nosso valoroso e querido Metropolitano, no desempenho de seu árduo e fecundo ministério. «O Nordeste», jornal nacionalista que muito se honra de manter inquebrantável obediência à Igreja Católica, a quem o Brasil deve todas as grandes conquistas da sua civilização, rende, nestas linhas, reverente preito de amor filial ao excelentíssimo senhor Arcebispo, desejando que sua excelência permaneça à frente dos destinos espirituais do Ceará muitos e muitos anos, para glória e progresso moral da nossa terra.
  • Dom Helvécio Gomes A bordo do paquete «Minas», transitou, ontem, em nosso porto o excelentíssimo e reverendíssimo senhor Dom Helvécio Gomes de Oliveira, Arcebispo do Maranhão, ultimamente transferido para a sede arquiepiscopal de Mariana, no Estado de Minas, na qualidade de Coadjutor. Com a morte de Dom Silvério Gomes Pimenta, vai sua excelência ocupar, definitivamente, o sólio daquela tradicional Arquidiocese, cujos créditos foram tão elevados pelo seu saudoso e ilustre antecessor. Dom Helvécio esteve em terra, em visita ao Palácio Arquiepiscopal e ao Seminário Arquidiocesano. Ao eminente Príncipe da Igreja, a quem o Maranhão deve os mais assinalados serviços, desejamos ótima viagem e muitas felicidades na direção da nova Arquidiocese que lhe foi confiada pela Santa Sé.
  • O Instituto Pasteur do Ceará Do «Jornal do Recife», de 16 de Agosto p. p., extraímos as seguintes linhas que vêm acompanhadas de 3 clichês, um dos quais reproduzimos: Por iniciativa particular, amparada pelo governo do Estado, foi fundado, nesta capital, em 1913, e inaugurado no ano subsequente, o «Instituto Pasteur do Ceará», para tratamento antirrábico preventivo. A ideia de sua fundação nasceu do senhor doutor Carlos Ribeiro, ilustre e conceituado clínico cearense, que, no governo do excelentíssimo senhor doutor João Thomé, desempenhou, com inexcedível zelo e inteligência, as funções de diretor da higiene pública, e do farmacêutico Affonso Pontes, os quais, para levá-la por diante, fundaram, com meia dúzia de espíritos nobres, uma associação que se denominou «Oswaldo Cruz», com o fim de construir, instalar e manter o «Instituto antirrábico». A ideia dos abnegados iniciadores do «Instituto» encontrou franca aceitação por parte não só do comércio da capital, como da população em geral, e, dentro em pouco, com o produto de uma subscrição tirada entre os negociantes e de algumas festas de caridade, levadas a efeito, pôde a associação «Oswaldo Cruz», que também recebera dos cofres estaduais o auxílio de quinze contos de réis, construir o elegante prédio em que foi convenientemente instalado o «Instituto Pasteur do Ceará». Na construção do prédio, na aquisição de aparelhos, de drogas, mandadas vir do Rio de Janeiro, e do mobiliário decente e adequado, despendeu a «Associação Oswaldo Cruz» cerca de 50 contos de réis. Nas despesas feitas não se inclui o preço do terreno, que foi doado pelo honrado comerciante João de Pontes Medeiros e fica localizado no aprazível bairro do Alagadiço, que é servido por uma linha de bonde da «The Ceará Tramway». Em seu regular funcionamento, vem o «Instituto Pasteur» despendendo anualmente a quantia de cinco contos de réis, com a aquisição e conservação do material, animais e drogas, e com a remuneração do servente, único funcionário estipendiado, pois que os ilustres diretor, doutor Carlos Ribeiro, vice-diretor, doutor Meton de Alencar, e assistente farmacêutico Affonso Pontes trabalham gratuitamente. O «Instituto», no decurso de sua existência, já tem socorrido perto de cem pessoas mordidas por cães hidrófobos, notando-se em todos os tratamentos completa cura. O «Instituto», para glória do seu distinto e talentoso diretor, NÃO REGISTROU AINDA O SEU PRIMEIRO INSUCESSO. Não há muito tempo, na cidade do Crato, um cão mordeu a sete pessoas, uma das quais recorreu ao «Instituto», ficando curada, e se acha gozando perfeita saúde, enquanto que as outras cinco que não procuraram o «Instituto» faleceram atacadas de «raiva». No salão nobre do edifício do «Instituto», a «Associação Oswaldo Cruz» fez apor o retrato do notável clínico doutor Octávio de Freitas, não somente como uma homenagem sincera aos relevantes serviços que prestou ao «Instituto», fornecendo-lhe o vírus necessário para a sua instalação, como também, e principalmente, como um tributo de verdadeira gratidão pelos enormes benefícios prestados à população do Ceará pelo «Instituto antirrábico de Recife», antes da instalação do de Fortaleza. O edifício do «Instituto» foi levantado especialmente para o fim a que foi destinado e a sua construção obedeceu a todos os requisitos da higiene. Os aparelhos de que dispõe são todos dos melhores tipos e entre eles contam-se autoclaves, fornos crematórios e Pasteur, esterilizadores, fervedores, etc., movidos a eletricidade. O asseio dos aparelhos e do edifício é irrepreensível. O «Instituto» nada cobra pelo tratamento dos indigentes e, até o presente, os [...] dos curados o foram gratuitamente, salientando-se desta maneira a soma extraordinária de benefícios que a benemérita «Associação Oswaldo Cruz» vem prestando aos abandonados da fortuna. Para os que não estão nessas condições, o “Instituto” cobra apenas setenta mil réis (70$000) pelo tratamento completo. Tão útil “Associação” vive, porém, esquecida dos poderes públicos. O governo do Estado, ultimamente, contemplou o “Instituto” na distribuição das quotas da loteria nacional, sendo esse ato do executivo cearense muito bem recebido. Se os organizadores da “Associação Oswaldo Cruz” fossem homens que se deixassem vencer pelo desânimo, e não tivesse o humanitário senhor doutor Carlos Ribeiro a fibra dos lutadores, desde muito o Ceará estava privado de um útil “Instituto”, tal a série de dificuldades com que luta. Que Deus lance sobre os seus dirigentes e mantenedores as bênçãos do céu, são os ardentes votos que devem fazer os que amam a humanidade. O “Instituto Pasteur do Ceará” é um dos melhores montados no Brasil e honra ao Ceará e ao seu honrado diretor. Fortaleza, 31 de Julho de 1922. (Do Correspondente)

Anúncios, notas e expediente

  • Anúncio X [...] por [...] os efetivos, [...] de pesos. Lata de gasolina. As [...] rodam em Fortaleza da preferência UAND no Ceará, para as estradas do [...] do terreno. Distribuição de muito conforto aos [...] WÉ 8 SEDAN. [...] sobrecemes [...].
  • Anúncio [...] Hamburgo. Importadores de artigos de fabricação alemã: ferragens, cimento, artigos de papelaria, brinquedos, artigos [...] Albuquerque [...] INCO, N. 220 Ceará.
  • Anúncio [...] SANTO [...] RIO DE JANEIRO. Estômago e do intestino. [...] de ventre. [...] NORMAL I, n. 216. [...] [...] distribuindo em cada sorteio [...] de [...] Uma inscrição custa [...] No próximo DIAS 14 E 28 DE [...].
  • Expediente O Nordeste Os patriotas dizem em voz alta que é doce morrer pela Pátria, mas em segredo reconhecem que é mais doce viver para ela e... à custa dela. - M. M. Redação: Drs. Andrade Furtado e José Martins Rodrigues Administração: A. Ildefonso de Araújo ANO I
  • Nota social A comemoração do 3º aniversário da “Artística Maranguapense” Conforme noticiamos, esteve em festas, anteontem, a «Sociedade Artística Maranguapense», pelo motivo da passagem do 3º aniversário de sua fundação. A essa festividade, que constou de uma sessão solene, compareceram, além da quase totalidade dos operários ali residentes, representantes das demais classes sociais e distintas famílias da localidade, numerosas comissões das demais importantes sociedades desta capital. Aberta a sessão pelo presidente da «Sociedade Artística Maranguapense», o senhor Domingos Façanha, este convidou o senhor coronel Onulpho Câmara, prefeito da cidade, para presidir a solenidade, o qual, por uma delicada deferência, passou a presidência ao senhor doutor Francisco Prado, deputado estadual. Teve então a palavra o orador oficial da «Artística Maranguapense», senhor Antônio Bayma, que proferiu eloquente discurso, salientando os feitos notáveis daquela florescente agremiação, terminando com uma saudação entusiástica às associações desta capital, ali representadas. Em seguida, fizeram uso da palavra, os senhores Manuel dos Santos, pelo «Centro Artístico Cearense», Tertuliano Menezes, pela «Deus e Mar», e José Agostinho da Silva, pelo «Círculo de Operários e Trabalhadores Católicos São José». Falou ainda o senhor Samuel Uchôa, tecendo calorosos elogios à «Artística Maranguapense», cuja ação, orientada, como está sendo, em sãos princípios sociais, torna-se incontestavelmente digna dos maiores encômios. O senhor doutor Francisco Prado, ao encerrar a sessão, pronunciou também um vibrante discurso. Terminada a sessão, durante a qual executou belas peças do seu repertório a banda de música da sociedade, dirigiram-se os presentes à residência do nosso prezado amigo Domingos Façanha, onde foi servido a todos farta mesa de bolos, doces, cerveja, licores, etc. Nesta ocasião, houve vários brindes, destacando-se o do ilustre promotor público de Maranguape, doutor Cesar Fontenelle, que saudou a «Sociedade Artística», tendo o orador oficial da mesma, senhor Antônio Bayma, agradecido. O senhor coronel Onulpho Câmara, prefeito da cidade, confraternizando com o operariado em festas, ordenou que a iluminação, naquela noite, fosse além da hora habitual, gesto esse que agradou sobremodo, não só ao operariado de Maranguape, mas também a todos quantos ali se adiaram compartilhando das aludidas festas.
  • Telegrama Fortaleza, Sábado, 16 de Setembro de 1922
  • Telegrama Telegramas DO PAÍS Liga das Nações A QUESTÃO DOS ARMAMENTOS RIO, 14 - Os delegados do Brasil e do Chile, na Liga das Nações, manifestaram a sua oposição contra a intervenção da Liga das Nações na questão dos armamentos da América do Sul, considerando que os países deste continente têm direito a resolver entre si tais questões. Outros representantes entendem que a questão deve ser resolvida na próxima conferência pan-americana, que se reunirá em Santiago. O delegado chileno Vicuña declarou que o Chile aceita, em princípio, a proposta de limitação dos armamentos, apresentada por Roberto Cecil, delegado inglês, mas não pode entrar em qualquer acordo que o impeça de discuti-la, ulteriormente, com os seus vizinhos. A Liga das Nações vai aumentar para seis o número de membros não permanentes no seu conselho, mantendo o Brasil e a Espanha nos seus respectivos lugares.
  • Telegrama O câmbio RIO, 14 - Regularam hoje as seguintes taxas cambiais: Londres, 7.032; Paris, $580; Nova York, 7.1830; Hamburgo, $006; Portugal, $410; Uruguai, 6$145; Argentina, 25$830.
  • Telegrama Congresso de Medicina e Farmácia Militar RIO, 14 - O governo brasileiro declarou não comparecer ao 2º Congresso de Medicina e Farmácia Militar, por falta de verba.
  • Telegrama A missão naval americana RIO, 14 - O almirante americano Vogetang esteve no Ministério da Marinha, a fim de combinar as bases do contrato para a vinda de uma missão naval americana, instrutora da nossa marinha de guerra.
  • Telegrama A embaixada intelectual francesa RIO, 14 - A Academia de Medicina realizará uma sessão solene, em homenagem à embaixada intelectual francesa, assim constituída: Dumas, professor na Sorbonne; Borel, membro do Instituto de França; e Chivray, professor da Faculdade de Medicina de Paris.
  • Telegrama Batalhões Instalados RIO, 14 - O Ministro da Guerra determinou que, no dia 17 de novembro do corrente ano, fossem instalados o 2º grupo de artilharia montada e o 9º batalhão de engenharia.
  • Telegrama Pela Câmara Fala o deputado Firmeza RIO, 14 - O Presidente da República telegrafou à Câmara, dando-lhe pêsames pela morte do deputado Raphael Cabeda. O senhor Alberto Maranhão apresentou um projeto, mandando o governo utilizar, no exército, a invenção de Augusto Severo, concretizada no avião «Pax». O senhor Dionísio Bentes apresentou uma indicação no sentido que a mesa da Câmara telegrafe a todos os governadores dos Estados, pedindo-lhes manifestar a moção de congratulações daquela casa, pela passagem do Centenário, em todas as sessões comemorativas da independência. O deputado Hermenegildo Firmeza protestou contra a desconsideração de que tem sido alvo o Congresso, nas festas do Centenário, visto não serem seus membros convidados para as mesmas. Terminou pedindo que os congressistas, como protesto, não comparecessem ao baile de hoje, no Itamaraty.
  • Nota social Aparas & Sobras Quando, pelas últimas décadas do século passado, era eu aluno de um educandário, houve um colega meu que, por haver dito uma inverdade, foi posto de pé sobre o banco, e imposta a todos os condiscípulos a obrigação de lhe perguntarem — o que é você? — para que respondesse — sou mentiroso. A mim me pareceu humilhante o castigo e uma revolta íntima dominou o meu espírito, sem que, contudo, ousasse, receoso da palmatória, articular um veemente protesto. Nunca esqueci esse fato e a humilhação que o meu pobre colega passou perante toda a classe do colégio. A cena reviveu agora em meu espírito com a leitura do substitutivo Adolfo Gordo ao projeto da regulamentação da liberdade da imprensa. O ilustre mutilador das prerrogativas da fibra de Gutenberg, estabeleceu em seu trabalho, entre outras coisas bonitas e extravagantes, como proibir nos crimes de liberdade da manifestação do pensamento a alegação das dirimentes executivas (a frase é do projeto) dos artigos 27 e 32 do Código Penal, que o jornal responsável será ainda obrigado a publicar gratuitamente a sentença que o tiver condenado, durante três dias seguidos na mesma seção, com os mesmos caracteres da publicação ofensiva, imediatamente após ter transitado em julgado aquela sentença, sob pena de ser na sua execução elevado a 50% e de não poder ser publicado o jornal recusante enquanto não reproduzir a referida sentença. É humilhação demasiada para a imprensa e contra ela protestamos, enquanto o monstrengo não entra para o acervo das extravagâncias legislativas do país, se o presidente Epitácio não julgar acertado opor-lhe um veto salvador. Foi menos impiedoso para o meu colega o professor que o obrigou a confessar-se mentiroso, do que o representante paulista impondo ao jornal a publicação da sentença que condenar os seus editores. O indivíduo tem de dar vivas ao nó da peia. É incrível que semelhante projeto surja no mesmo ano em que o país comemora o centenário de sua Independência. Caprichos do destino! Na futura lei do garroteamento da imprensa, há equiparação, para o fim da responsabilidade solidária, da publicação original com a transcrição. Sem favor nenhum ao senhor Adolfo Gordo, podemos dizer que semelhante disposição é um avançado passo no domínio da bestialidade, mais aperfeiçoado do que o que constitui o artigo 410 do [...] do processo criminal do [...], obra da assembleia, nas suas emendas. O jornal que transcreve um artigo contendo calúnia ou injúria a um indivíduo pode praticar um crime especial, que precisa ser qualificado pela lei, segundo as regras dos artigos 19, 20 e 21 do Código Penal. Não é nem o autor nem cúmplice. O projeto Gordo deixa a imprensa magra...
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