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O Nordeste

Setembro de 1922, página 61 · 22 trechos transcritos

Manchetes desta página

  • A íntegra da carta que o Santo Padre dirigiu ao Cardeal Arcoverde sobre o Congresso Eucarístico (Do nosso serviço telegráfico)
  • RIO, 25 — É a seguinte a carta dirigida por Sua Santidade o Papa Pio XI ao Cardeal Arcoverde, a propósito do Congresso Eucarístico: «Dileto filho. Veneráveis irmãos. Saudação e bênção apostólica. Numa época, em que, pela propagação do erro e pela avidez das coisas terrenas, vai arrefecendo a caridade de muitos, é realmente providencial que tenha progredido por toda parte, com fervor, o culto do Santíssimo Sacramento, pelo costume introduzido dos Congressos Eucarísticos. Assim é que ainda há pouco nos foi dado reunir, de todas as partes do mundo, nesta mesma cidade, homens de todas as classes sociais, abrasados do mesmo fogo de amor que Nosso Senhor Jesus Cristo veio atear à terra e veementemente desejou que nela tudo se inflamasse. Sem esforço, pois, compreendereis, dileto filho e nossos veneráveis irmãos, com que satisfação recebemos a notícia de que, brevemente, realizareis um congresso nacional, para mais e mais promover o culto sagrado da Eucaristia. Em verdade, sentimos que exulta o nosso coração, por ver o povo brasileiro, em cerradas fileiras, aclamar a Cristo Rei, pondo nele a única esperança de salvação e de paz. Oxalá se propaguem por toda a parte tais iniciativas de piedade, pois não há meio mais eficaz para incremento de todas as virtudes do que o culto da Sagrada Eucaristia, fonte de onde brota, espontaneamente, o amor às coisas eternas. Esforçai-vos, pois, por bem realizar tão santo empreendimento. Nós, entretanto, faremos preces a Deus para que, benignamente, conceda os melhores resultados e frutos que desejais; e, além das indulgências da praxe, concedemos o privilégio de celebrar missa à meia-noite, depois da vigília eucarística. Como penhor dos divinos favores, e em testemunho da nossa benevolência, a vós, dileto filho, a nossos veneráveis irmãos e a todos quantos assistirem ao Congresso, damos, de coração, a Bênção Apostólica».
  • Publicações A Poesia Cearense no Centenário É por isso que estão condenados a não ter repercussão os versos vulgares e sem ideal dos que imundam as cordas da lira na lama pútrida das paixões ignóbeis. Cantar [Sales] Campos organizando uma coletânea da Poesia Cearense no [ilegível] é elevar-se aos [parâmetros do] pensamento, onde as [palavras] somente empolgam, se dignificam, somente despertam admiração, se conseguem falar ao entusiasmo sincero da nossa alma. A imoralidade, a luxúria, o sensualismo, a baixeza de sentimentos, tudo o que amesquinha e que abate a nossa condição de ser inteligente e apto para o Bem, não pode ser cantado sem desvirtuação flagrante da poesia — a arte do belo. O que é feio em princípio e caso nela, não há verso que embeleze! Na coletânea dos poetas cearenses figuram mimosas produções que, em seu conjunto, recomendam e exalçam os nossos foros literários. Ali se encontram poesias de nomes já consagrados em todo o país como expoentes da cultura nacional e de alguns novos talentos promissores, que fazem honra à terra de Alencar. O livro é, merecidamente, dedicado à memória do príncipe da literatura brasileira, este fecundo e admirabilíssimo talento que é o autor de Iracema, e também oferecido ao excelentíssimo senhor doutor Justiniano de Serpa, Presidente do Estado, sob cujos auspícios foi feita a sua publicação. Os poetas que figuram neste trabalho são os seguintes: Antônio Sales, Padre Antônio Tomás, Álvares de Castro, Antônio de Castro, Antônio Furtado, Beni Carvalho, Cruz Filho, Clóvis Monteiro, Carlos Gondim, Epifânio Leite, Irineu Filho, José Albano, Juvêncio Maciel, Juvenal Galeno, Leão de Vasconcelos, Mário Linhares, Otacílio Azevedo, Quintino Cunha, Rodolfo Teófilo, Rodrigues de Andrade, Soares Huição, Saboia Ribeiro e Sales Campos. O livro da Poesia Cearense é ilustrado de nítidas gravuras. Como homenagem à fina flor do Parnaso de nossa terra, vamos publicar, de cada autor, uma produção extraída da aludida coletânea. Agradecemos ao poeta Sales Campos, organizador do livro, o obséquio da oferta, que nos foi de um exemplar do interessante trabalho.
  • prescrição de rigorosas medidas de higiene. Incluímos hoje, com muita satisfação, os [ilegível] entre os que mais largamente e com maior boa vontade vão [ilegível]. Tanto quanto as moléstias venéreas e as endemias rurais dos sertanejos, que a comissão sanitária federal está combatendo nos postos de profilaxia do interior, a morfia lhe devia merecer os mais sérios cuidados. Pela ação direta de combate, pela difusão larga dos preceitos de higiene que a ela digam respeito, pela propaganda intensa que com referência às outras se tem empregado, as autoridades sanitárias precisam, urgentemente, enfrentar o problema do alastramento da morfia e resolvê-lo com vontade. Demais, há muita iniciativa particular que, estimulada com a ação dos poderes públicos, se poria decididamente ao seu lado e lhe traria valioso concurso, até mesmo de ordem econômica. A população de Fortaleza, como a de todo o Estado, espera, ansiosamente, as suas providências.
  • Morfia Esperamos, atrás, que as autoridades sanitárias, os responsáveis pela saúde pública, viessem lavrar a sua testada, especificar as medidas que têm tomado contra o mal, ou explicar a sua inação, se nada, realmente, têm feito, como parece mais certo. Nada, porém, conseguimos. Os homens públicos do Brasil, ao contrário dos homens públicos de todos os países, entendem que não devem contas ao povo dos seus atos e se obstinam num mutismo que só lhes pode ser prejudicial, pelos maus juízos que a respeito deles se formam, muitas vezes injustamente. Mas nós estamos aqui, com procuração do povo, para lhes tomar essas contas.
  • Que tem feito a higiene pública, a estadual e a comissão federal que aqui trabalha, para combater a morfia? O mal de Lázaro cada dia se alastra mais. Nesta capital, percorrendo os pontos mais centrais, residindo nas ruas mais habitadas, vendendo frutas, legumes e tabuleiros, penetrando nas moradias particulares e nas repartições públicas, nos restaurantes e nos cafés, pedindo esmola, exercendo, enfim, toda sorte de atividade, nós vemos, todos os dias, morféticos em estado grave, que se põem em contacto perigoso com a população sã. Nenhuma medida de isolamento, porém. Nem o isolamento hospitalar, coletivo, para os mais pobres; nem, para os providos de meios de fortuna, o isolamento particular, no próprio domicílio, com a [...].
  • contribuindo para o bom êxito dos trabalhos do cadastro escolar, e, mais que isso, para o soerguimento e prosperidade da instrução pública do Estado. O exemplo de algumas municipalidades vai tendo muitos imitadores, que, graças a Deus, no Ceará nunca faltaram para as iniciativas nobres e alevantadas. No Tauá, o prefeito, coronel Domingos Gomes de Freitas, fez doação de um prédio de 22 palmos, de sua propriedade, localizado no perímetro urbano, para nele funcionar uma escola pública, comprometendo-se ainda a alugar por sua conta a casa vizinha, para escolas reunidas ou grupo escolar. Ainda: o senhor José Caçula de Araújo Pedrosa, agricultor e criador naquele município, doou ao governo um terreno seu, no arraial Nova Cruz, e no qual vai construir, à sua custa, [ilegível] para uma escola pública. Em Campos Sales, o senhor Severo Corrêa fez também doação ao Estado de um terreno de 35 palmos para a construção de prédio para uma escola pública. Essas doações, que, felizmente, vão sendo registradas em vários municípios, põem à prova que os serviços do recenseamento, em que o governo vai despender apenas 8 ou 10 contos de réis, além de trazerem inestimáveis vantagens diretamente à instrução pelo conhecimento da população escolar e das condições locais do ensino público, vêm beneficiar ainda o patrimônio do Estado, acrescentando-o consideravelmente, em muito mais do que aquela importância que se está gastando. Essas têm ainda a sua compensação na economia que o Estado vai fazer, faturamento, quando não houver que despender, em muitas localidades, nenhuma soma com o aluguel de prédios para escolas. Com muito agrado que registre este estimulador movimento que os serviços do cadastro vão fazendo no Interior, para benefício dos seus habitantes. Grande prosperidade, não só intelectual, mas até econômica, de todo o Estado.
  • Deve chegar, hoje, à tarde, vindo de Londres, via Recife, o baronete inglês, Sir John Norton Griffiths, chefe da importante firma Norton Griffiths Co. Ltda., administradora das barragens de Acarape, Quixeramobim e Patu, neste Estado.

Anúncios, notas e expediente

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  • Expediente Rua [...], n. 216 Redação: Drs. Andrade Furtado e José Martins Rodrigues Administração: A. Ildefonso [...] APOGEU ANO I Fortaleza-Terça-feira, 26 de Setembro de 1922
  • Nota social Apelo ao povo do Ceará [...] de produção do Nós que temos a felicidade de constituir a «Liga das Senhoras Católicas», em Fortaleza, vimos pedir aos nossos patrícios o seu valioso apoio para a realização grandiosa de um patrimônio para o «Dispensário dos Pobres», e para o «Patronato das Operárias Maria Auxiliadora», fundados em tão bons auspícios, nesta capital, pelo Excelentíssimo e Reverendíssimo senhor Arcebispo Metropolitano. Não precisamos falar dos imensos benefícios materiais e morais que essas belíssimas instituições vêm fazendo às classes desprotegidas da nossa estremecida terra. Somos pessoas de grande responsabilidade e não nos colocaríamos à frente de uma causa que não fosse justa e proveitosa ao nosso próximo necessitado. O «Dispensário dos Pobres» alivia um pouco os sofrimentos de duas centenas de famílias verdadeiramente pobres, além de socorrer a alguns presos indigentes, e o «Patronato de Maria Auxiliadora» ensina trabalhos e costuras a mais de uma centena de mocinhas pobres, que viviam sem instrução alguma, e muitas expostas até aos grandes perigos da perdição. Ensina também as primeiras letras a muitas meninas pobres que não frequentavam escola alguma. Mantém ainda uma aula de cozinha onde todas fazem semanas de aprendizagem da arte de cozinhar. E já funcionam aulas para uma pequena turma que deseja diplomar-se em cozinha. Firmadas na grande utilidade de tão beneméritas instituições é que temos coragem de apelar para a caridade, tantas vezes exercitada dos nossos patrícios. Organizamos a GRANDE TOMBOLA DO CENTENÁRIO, esperando dentro de um ano ser uma realidade o patrimônio. Não compramos um só prêmio, todos eles foram doados por pessoas generosas. Recebemos onze contos e quinhentos mil réis em prêmios que estão publicados nas cautelas. Imploramos as bênçãos de Deus e o apoio da generosa população cearense. Ximena Gentil, Cândida Frota, Quininha Frota, Antonídia Villar Ribeiro, Margarida de Arruda, Guiomar Salgado, Leopoldina Caracas, Angélica Saboia, Maria Isabel, Mamede, Jasmim Braga, Júlia Amaral, Cirila Alves, Cândida Frota, Graziella Montezuma, Margarida de Queiroz, Francisca Justa, Evangelina Teófilo, Beatriz Teófilo, Maria Júlia Teófilo, Edvânia Xavier Vieira, Alice Xavier Vieira, Maria José, Raima Mariana Gurgel, Carminha Menescal Campos, Laura Campelo, Maria Soares Amaral, Maria A. de Andrade Furtado, Guiomar Moraes, Clara Moraes, Branca Villar, Juraci Alves, Rosa Carneiro, Federalina Pinto, Raquel Amaral, Maria Augusta Amaral, Mocinha Andrade, Rita Meneses, Maria Pacheco, Lucíola Meneses, Amélia Fradique, Paulina Braga, Elvira Menna Barreto, Maria Joana B. Borba, Maria Cecília Pompeu, Eglantina de Oliveira, Lima Moreira, Kitira Demarteau, Pergentina Freire, Maria de Lourdes C. Ribeiro, Maria Silveira Lira, Flor de Leite, Maria Efigênia Vieira, Avancura Lopes, Efigênia Barbosa, Úrsula do Castro Santos, Julieta Pompeu, Conceição Falcão, Maria do Jesus Melo, Maria Rodrigues. Vendem-se cautelas da grande Tombola na redação do «O Nordeste».
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  • Nota social O MENDIGO Mal rompe o dia, lonas de sacola E vais curvado em plena decadência. De casa em casa, suplicando esmola, Triste mortal de mórbida aparência! Da roupa velha um cheiro mau se evola, Esmagadora prova da indigência. Pária dos párias que o Desdém isola Do banquete ruidoso da existência. Choras na rua lágrimas de fome, E tanta gente, tanta gente ao vê-las Não se condói do mal que te consome. Consola-te no mundo que maldizes: Deus, ao fazer o berço das estrelas, Com certeza pensou nos infelizes!
  • Nota social A participação do operariado nas festas do Centenário Ilustres redatores do «O Nordeste». Lendo, como de costume, «O Nordeste», em sua edição de sábado último, no artigo do apreciado colaborador deste jornal, A. M., notei que este, por certo involuntariamente, omitiu o operariado cearense, na descrição que fez das manifestações de júbilo de todas as classes sociais de Fortaleza, por ocasião da passagem do Centenário de nossa Independência. Como membro da classe operária que sou, e tendo tomado parte nas suas festas em homenagem àquela data, cumpre-me, para que no futuro não vá para o olvido o nosso gesto patriótico, retificar aquele engano, apontando mesmo as associações operárias que tomaram parte nos aludidos festejos. O «Centro Artístico Cearense», uma das veteranas agremiações operárias desta capital, solenizou condignamente a passagem da magna efeméride nacional, realizando em sua sede uma brilhante sessão cívica, inaugurando uma exposição de trabalhos de artistas cearenses, e colocando no seu salão de honra uma lápide comemorativa. As associações «Deus e Mar», «Círculo dos Operários Católicos» e «União dos Chauffeurs e Motorneiros» também levaram a efeito imponentes festas em honra do 7 de Setembro, de que todas deu notícia o próprio «Nordeste». Cumpre-me ainda salientar que, na grande passeata cívica promovida pela benemérita e querida «Phoenix Caixeiral», tomaram parte várias associações operárias encorporadas, com os seus respectivos estandartes. A publicação destas linhas, senhores redatores, muito agradece um vosso amigo, O Operário.
  • Telegrama O "match" entre paraguaios e brasileiros (Do nosso serviço telegráfico) RIO, 25 — O "match" de [futebol], ontem [realizado] entre paraguaios e brasileiros, com empate. Foram anulados três [gols] dos brasileiros. Os paraguaios protestaram em campo com [ilegível] no braço.
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