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O Nordeste

Setembro de 1922, página 65 · 15 trechos transcritos

Manchetes desta página

  • Nordeste Nós somos o que, realmente, somos diante de Deus, em cuja presença nem os louvores dos homens nos elevam, nem as censuras nos abatem.
  • O Vaticano e a Rússia Traduzimos do «The Literary Digest», revista ilustrada de Nova York, a interessante notícia que se segue: As relações do Vaticano com a Rússia são mais satisfatórias do que as que mantinha antigamente com o secular Império dos czares. De certo Roma, obteve facilmente das autoridades do «soviet» garantias para a liberdade da religião católica na Rússia e o direito da celebração pública da missa. Soubemos que este ato pode ser considerado como o primeiro passo conciliador entre as igrejas grega e latina, separadas desde 1.200 anos, e para a conversão dos russos à fé romana. Um grande número de competentíssimos sacerdotes polacos estão designados para este fim, e o movimento já está em parte preparado pelo Papa atual, o qual, quando cardeal Ratti, alcançou mercês para seu estabelecimento nos grandes territórios desorganizados pela guerra. Presentemente, o caos em que o bolchevismo mergulhou a igreja russa apresenta ocasião oportuna à igreja católica para satisfazer suas aspirações. Pio IX e Leão XIII procuraram reatar as relações oficiais com os gregos, mas a Encíclica de 1840 não foi acolhida favoravelmente, o Patriarca grego recusou aceitar o convite para a assistência ao concílio do Vaticano em 1870, e a resposta à carta do Santo Padre em 1894, pedindo seu reconhecimento como sucessor de S. Pedro, foi decisiva. Não obstante, hoje, o Santo Padre considera mais o povo russo, que antigamente a titular cabeça da igreja oriental. E tem feito um cuidadoso estudo do rito russo, com o fim de encontrar o melhor meio para a conversão dos russos, diz o «Baltimore Sun», o qual continua: Não será exagero dizer-se que o progresso da influência do Papado deve ser classificada como um dos melhores resultados da guerra!
  • A grande procissão do dia 1º de Outubro Promete revestir-se da maior imponência a grande Procissão Eucarística que se efetuará nesta capital, no próximo dia 1º de Outubro. Haverá um tríduo a Jesus Sacramentado, nas principais igrejas desta capital, com pregações diárias. Esta festa de elevado cunho religioso tem por fim render graças à Divina Providência pelos benefícios concedidos ao Brasil, durante o primeiro século de sua independência política. Em todo o país serão celebrados esses exercícios de piedade, em honra ao Deus-Hóstia — desde a capital da República, onde funciona o Congresso Eucarístico, até as paróquias mais obscuras dos ínvios sertões da nossa Pátria. Associamo-nos com toda a alma a essa nobre homenagem de agradecimento ao Senhor das Nações, que tantos bens e proteção decidida vem dispensando ao nosso amado Brasil.
  • A continuação do ensino fiado OS INCONVENIENTES QUE PESAM SOBRE OS POVOS CEARENSES NO CENTENÁRIO A despeito da situação mais ou menos equilibrada das Finanças do Estado, a despeito das faladas promessas, continuam, infelizmente, com grande prejuízo para os funcionários desprotegidos, a irregularidade dos pagamentos. Há empregados públicos e até aposentados em dia, mas há outros que têm cinco e seis meses de ordenados trancados no tesouro. Por falta de dinheiro não é, porquanto vem dizendo «O País», em sua edição de 7 de Setembro, em elogioso artigo sobre o Ceará, transcrito no jornal oficial: «Pode-se afirmar que a vida das finanças do Estado se acha em ordem, graças sobretudo», etc. etc. Se o fiado é uma nova política adotada entre nós pelo governo, há muito que vem tudo em boa ordem, menos a vida de muitos funcionários públicos, que somente eles e suas famílias sabem como passam. E entre esses desamparados do pistolão se encontram muitas das senhoras professoras que não gozam ou não querem proteções. Contra essa política do fiado, que além de desonesta se torna prejudicialíssima à vida do Estado, deve levantar-se não somente a imprensa independente, mas todas as classes, porque finalmente, com esse sistema de pagar quando se quer e a quem quiser, o prejuízo é geral. E não é senão que todos no Ceará são os a fiar — desde a loja das [...] até o engraxate! É uma coisa nefasta, indigna, por isto obriga-se de modo [...]. E lá fora, no Rio e em outras paragens, pinta-se a situação do Ceará como a coisa mais bela deste mundo. Nas entrevistas fala-se no equilíbrio das finanças, na paz reinante, na organização da instrução e muitas coisas bonitas enfim, mas não há um entrevistado que tenha a coragem de acrescentar, apesar da proverbial tolerância do chefe do Estado, essa novidade que é a política original do fiado — tenha ou não tenha dinheiro, no Ceará, paga-se a quem o governo entender. E quem não se conformar com isto deve ficar calado, porque o menor reparo será considerado como manifestação oposicionista à situação. Quantos se enganam aqueles que, de turíbulo em mão, noite e dia, queimam incenso aos poderosos do momento. O autor destas linhas não é, nem deseja ser jamais um oposicionista velado ou descoberto, ao governo atual. Por motivo da nossa péssima educação política, aliás a mesma em quase todos os Estados do Norte, é que vemos essa maneira cômoda de se livrarem os governos de qualquer censura da imprensa independente. Tudo que não for elogios e aplausos, é oposição. Ora, oposição entre nós quer dizer explosões, interesses contrariados e, portanto, não poderá merecer a devida atenção do público já tão descrente de tudo. Queimem o seu incenso e balancem o turíbulo, que a ninguém incomodam, mas não julguem que o público deixará de ir à nossa colaboração no «Nordeste» o valor que ela merece, porque, até hoje, não se afastou nem se afastará da justiça, na defesa dos interesses gerais e especialmente da instrução. O chefe do executivo cearense é credor dos maiores elogios, na tentativa que vem realizando de reorganizar o ensino primário. Mas é ele próprio quem lança à justiça as ideias novas que tem a respeito um desmentido às suas melhores intenções, quando, faltando às suas promessas, deixa de mandar pagar o que o Estado deve ao magistério primário, como se esse pagamento fosse um favor e não um dever imprescindível. Não estivesse a instrução pública confiada a um paulista de lei que precisa zelar sua honra e a do glorioso Estado de que é filho, e a remodelação do ensino não passaria de uma fita ou pilhéria igual àquela que já nos foi pregada não faz muito tempo. Não é com cartas de agradecimentos cheias de elogios, aliás merecidos, que será prestigiado o ilustre professor em sua dificílima omissão. Mas sim com os pagamentos em dia, pelos quais ele se empenha e espera, porque o chefe do governo prometeu. É necessário elevarmos a instrução pública ao mais alto grau de eficiência e moralidade; mas isto só conseguiremos, com o desaparecimento dos seus maiores inimigos — a politicagem e o ensino fiado. A. F.
  • Debates da lei do inquilinato A opinião de vários congressistas a respeito (Do nosso serviço telegráfico) RIO, 26 — Tomaram as proporções de caso gravíssimo as intimações que os proprietários estão fazendo aos inquilinos para que desocupem os prédios, até o fim do ano. Sobem a cerca de 50 o número de notificações judiciais. Na Câmara, o sr. Azevedo Lima declarou que a lei do inquilinato é uma monstruosidade legislativa, demonstrando quanto é perigoso intervir o Congresso em domínio que lhe não pertence, para alterar a seu talante os princípios consagrados da economia política. O sr. Alberto Maranhão disse que o único remédio seria o governo intervir com urgência e firmeza, para que empresas poderosas e honestas, com favores razoáveis e obrigações certas, se encarregassem da construção, em grande escala, de casas de pequeno aluguel. O sr. Raul Fernandes declarou que a severidade excessiva da lei do inquilinato determinou a situação angustiosa que estamos atravessando. O sr. Gonçalves Maia disse que a lei tem meios de coibir a ganância dos proprietários. Acrescentou que os inquilinos devem reagir, não se mudando nem respondendo às notificações. O sr. Raymundo Miranda afirmou que a lei do inquilinato surgiu como reclame eleitoral, com falhas todas favoráveis aos proprietários. O sr. Aristides Rocha declarou que a lei é mal feita, acrescentando que também nos Estados os inconvenientes se fazem sentir. O sr. Francisco Valladares afirmou que a lei do inquilinato foi o maior mal que se podia ter feito à população. Acrescentou que seus maus efeitos começam a ser sentidos, mesmo antes de ela entrar em execução. O sr. Ephigenio de Salles também afirmou que se tratava de um caso de salvação pública, reclamando providências enérgicas e urgentes. O sr. Heitor de Sousa declarou ainda, que a questão é complexa e desafia estudo. S. S. prometeu explanar no seio da comissão a respeito. Por fim o sr. Magalhães de Almeida disse que é pela modificação da lei.
  • A instalação do Congresso Eucarístico do Centenário A grande procissão do dia primeiro (Do nosso serviço telegráfico) RIO, 26 — Realiza-se, hoje, às 9 horas da noite, na igreja de S. Francisco de Paula, a inauguração do Congresso Eucarístico, presidido pelo Cardeal Arcoverde. Amanhã, no Círculo Católico, a primeira sessão masculina, sendo discutidas as seguintes teses: «Meios práticos de conseguir que os católicos pratiquem a religião e conheçam a felicidade da vida eucarística», pelo dr. Penido. «Meios práticos de conseguir que os moços não se afastem da prática do sacramento principal da Eucaristia», pelo dr. José Agostinho dos Reis. O «Correio da Manhã» diz que os congressistas são unânimes em manifestar as agradáveis surpresas das festas eucarísticas, sendo edificante a frequência dos homens às igrejas, recebendo todos com piedade os sacramentos. Calcula-se em mais de cinco mil o número de homens que comungarão no último dia do Congresso. Realizou-se, ontem, no Palácio São Joaquim, uma reunião da comissão promotora do Congresso, sob a presidência de Dom Leme, sendo discutida a organização do grandioso préstito que deve percorrer a Avenida. Ficou resolvido que o Santíssimo Sacramento será levado em carro triunfal. O núncio apostólico enviou uma carta ao cardeal Arcoverde, aderindo ao Congresso e fazendo votos fervorosos por seu grandioso êxito. São os seguintes os assuntos dos oradores: Hoje: «Que é um congresso eucarístico», por Dom Aquino Correia; «O nosso congresso eucarístico»; pelo cônego Benedito Marinho; «A Eucaristia — mistério central do Catolicismo», conferência por monsenhor Pereira Alves, Saudação ao Cardeal, pelo professor Augusto Paulino de Sousa; Saudação ao Episcopado Nacional, pelo dr. Plácido de Mello; e Saudação ao Papa, pelo dr. Lúcio dos Santos. Influência da Eucaristia na mocidade, pelo dr. Mario Villien; «A sagrada Eucaristia e os enfermos», pelo dr. Henriques Temer Abreu. Sobe a mais de 10 mil o número de crianças que tomarão parte na comunhão geral de 5ª feira, no Campo de Santana. Será celebrante o excelentíssimo sr. D. Leme. As crianças cantarão o Hino Nacional. Várias associações religiosas e grande número de fiéis de Niterói virão, no dia 1º de outubro, tomar parte na procissão. O Seminário Provincial de S. Paulo comparecerá, incorporado, ao grande ato religioso. O altar-mor da igreja de S. Francisco de Paula será velado, para que o templo sirva de sede ao Congresso. Uma comissão de senhoras pediu aos proprietários de prédios, na Avenida, que ornamentassem as varandas e atirassem flores, à passagem do Santíssimo Sacramento. Somente poderão falar, nas sessões solenes, os oradores oficiais, durando os discursos 10 minutos.
  • Pilhéria, superstição ou má fé Muitas pessoas estão recebendo, nesta cidade, listas com uma enfiada de nomes, mais ou menos neste teor: de Fulano a Sicrano; deste a Beltrano; e assim por diante, até chegar aos nomes do remetente e do destinatário. No final dessas listas, vem sempre este curioso aviso: «Copie esta lista e mande a nove amigos seus, a quem deseje felicidades. Esta chave foi iniciada por um oficial americano e deve dar três voltas ao mundo. Não quebre a chave, pois, se o fizer, está arriscado a ter má sorte; porém mande as listas e, dentro de 24 horas, a contar de 9 dias dessa data, terá uma sorte, alegrias e felicidades». Todo mundo de bom senso, de nervos bastante calmos para refletir dois dedos, logo percebe que esse suposto oficial americano, num dia de bom humor, achou de bem pilheriar com algum camarada supersticioso, a quem enviou o aviso acima. Aquela história da volta três vezes pelo mundo bem se está a ver que não pode deixar de ser uma pilhéria, até mesmo interessante; porque, no fim de certo tempo, a lista remetida estará tão cheia de tolos e supersticiosos que o destinatário a quem a enviem, se a quiser copiá-la nove vezes, não fará do que quase mais outra coisa. Infinitus est numerus stultorum. Muita gente, aqui em Fortaleza, se tem deixado atemorizar vanamente pela má sorte que ali se insinua, e vão enviando a lista a outros, na suposição até mesmo de lhes fazer bem. Nós fomos dos que recebemos de amigos, porventura interessados no nosso bom destino, as listas referidas... Mas não hesitamos de arriscar a má sorte, quebrando a chave, com rasgar temerariamente o papel. Este procedimento e melhor reflexão é o que aconselhamos a todas as pessoas que o receberem. Nada de superstições ridículas.
  • Mercado do açúcar e do algodão RIO, 26 — O mercado do açúcar funcionou firme, cotando-se o branco e o cristal a $580 e $620 o quilo. Entradas: 3.945 sacos; saídas, 5.947; em estoque, 160.456. O mercado do algodão regulou bem colocado e firme, com tendências para alta. Entradas, 504 fardos; saídas, 180; em estoque, 6.967.
  • A taxa cambial RIO, 26 — O câmbio, no Banco do Brasil, regulou às seguintes taxas: Londres, 61/2; Nova York, 8$400; Hamburgo, 6$61/2; Paris, $640; Portugal, $382; Buenos Aires, 3$000; Montevidéu, 6$450.

Anúncios, notas e expediente

  • Anúncio VEGETAL Composto DO RIO DE JANEIRO Para: [...], coqueluche, diarreia
  • Expediente N. 216 Redação: Dra. Andrade Furtado e José Martins Rodrigues Administração: A. Ildefonso de Araújo ANO I Fortaleza-Quarta-feira, 27 de Setembro de 1922 NUM. 75
  • Anúncio Zebú De gado Zebú Triângulo Mineiro Criadores em Uberaba, trouxe um rico lote de esplêndidos reprodutores pela JUNTA VETERINÁRIA, aos sócios contribuintes. Raças Gir e Gyr Acima mencionadas: 3 anos, 1.250 quilos, 16 arrobas, 800 quilos a 18 litros. 2 anos, 60 a 90 quilos, produz no ano de 14 a 17 arrobas. O manejo das vacas cruzadas, em muitos casos, já têm crias, o que não acontece com as vacas que não têm desenvolvimento. Às vezes deixam de produzir comum até a idade de 10 anos, enquanto que o gado tratado poderá obter coberturas anuais. Para o gado é necessário não ter filhas ou descendentes destas. RAÇA: [...], enquanto da raça [...] poderá perder apenas cinco [...] os climas, especialmente ao [...] ou verde, como as cabras, é muito apropriada para os [...] como acontece com os [...]. Damos aqui um ligeiro [...]. Arrobas, a 10$ o. pela diferença. Boi cruzado: 13:500$000. 2:000$000. [...] a 10$. [...] mortandade nos dois anos para o comum e bem assim. Poderá o pretendente dirigir-se a S. & Cia., Borges, N. 30. Telefone: Solrão. 20/9/1922.
  • Anúncio VENDEM-SE nesta redação, cautelas da grande Tombola do Centenário, em benefício do Patrimônio do «Dispensário dos Pobres» e do «Patronato das Operárias», mantidos pela «Liga das Senhoras Católicas Brasileiras».
  • Nota social Maris Stella O mar revolto e altivo, a proa alceia E em fúria impele o dono ao barco amigo. Um furor que não luz... em tristes gritos... De medo e horror meu sangue esfria e gela. Oscila e estoura a vaga, uiva a procela. Espuma e ronca o mar... avista o perigo. Minto em honra do porto, em vão prostro, E em Ti os olhos cravo, ó pura Estrela! Dirige, ó Mãe, o pobre entre os touros, Fundos abismos deste torvo mar; Guia o coitado entre os escolhos duros! Rumo ao triste batel já podem dar Os doces risos de teus lábios puros E a luz bendita de teu doce olhar. Padre ANTONIO THOMAZ
  • Nota social AVE-MARIA Ave Maria, Cheia de graça, Dos homens guia Na vida escassa! Deus é contigo, Divina fita Celeste abrigo Do pecador. De altos poderes Te veio a dita De, entre as mulheres, Seres bendita. Teu Imaculado Seio serviu Bendito fruto Que nos salvou. Santa Maria, Ó Mãe de Deus, Rainha pura Dos altos céus! Pede, Senhora Por nossa sorte Hoj'e na hora De nossa morte.
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