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O Nordeste
Outubro de 1922, página 5 · 6 trechos transcritos
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- Eloquente afirmação de Fé e de Patriotismo A GRANDE PROCISSÃO EUCARÍSTICA DO CENTENÁRIO REALIZOU-SE, anteontem, a extraordinária festa de Patriotismo e de Fé, com que foi encerrado o Tríduo a Jesus Sacramentado, em ação de graças pelos benefícios da Providência Divina à nossa caríssima Pátria, por motivo do primeiro século de sua soberania. A procissão Eucarística do Centenário foi uma demonstração magnífica e soleníssima dos sentimentos católicos da população de Fortaleza. A cidade em peso abalou-se para render uma homenagem de gratidão e de amor a Jesus, o Eterno Rei dos Reis, o Senhor das Nações, diante do qual se curvam reverentes todas as potestades do Universo. Nunca, por certo, se vira em nosso meio uma afirmação de Fé mais edificante e, sobretudo, mais comovedora. Todos os elementos sociais, do pobre ao rico, do humilde ao forte, prestaram a sua efetiva solidariedade e integral apoio ao movimento de submissão e de afeto ao Senhor Deus dos Exércitos. Jesus Sacramentado, na frase de eminente médico brasileiro, é a beleza que fascina, o bem que atrai, a luz que ilumina, a energia que fortalece, a vontade que encoraja, a sabedoria que esclarece, a bondade que seduz, a pureza que angeliza, a misericórdia que perdoa, a esperança que consola, a fé que anima; mas, sobretudo, é o amor que impõe, o amor que arrebata, o amor que domina! Como não havia de enternecer, de entusiasmar, de encher de júbilo os nossos corações, o ver o Deus Todo Poderoso percorrer as nossas ruas, nas sagradas espécies sacramentais?! Somos um povo privilegiado, um povo de história gloriosa, e o segredo das nossas conquistas e dos nossos reais progressos, na senda da civilização e da verdadeira democracia, está em que somos um povo forte, um povo temente a Deus, um povo que sabe zelar com carinho e reconhecido ardor a nacional e tradicional religião, a cujo influxo benéfico devemos a formação cívica desta grande nacionalidade, eminentemente cristã, que acaba de ver concluído, com tanto brilho, o primeiro ciclo secular de sua emancipação política. Há um insopitável ressurgimento de Fé e de Patriotismo em todo o Brasil. Quem procurar a razão deste fenômeno consolador, encontrá-la-á no sentimento de gratidão de que todos se inflamam, ante as manifestas provas da proteção de Deus a este país, com justa razão denominado por seus descobridores — Terra de Santa Cruz. Estas empolgantes demonstrações de catolicidade, estes vivos protestos de amor coletivo à Eucaristia — fonte de todo o Bem e de toda a Força — hão de atrair dos Céus largas e copiosas bênçãos, tornando esta nação cada vez mais firme nas suas convicções, cada vez mais inabalável nos fundamentos da sua Fé. Deus continue a proteger o povo brasileiro, iluminando-o com as fulgurações radiosas do Cruzeiro do Sul, robustecendo-o com o Pão dos Anjos, este alimento dos fortes e dos justos, que faz puras as consciências e nobres os caracteres. Um povo que rende manifestações empolgantes, como a de anteontem, ao Soberano Criador do céu e da terra, é um povo talhado para ocupar um lugar precípuo, no concerto de todas as nações. Salve, o Brasil católico! O Brasil invencível, que só teme a Deus! Às 15h30, a praça do Carmo achava-se apinhada de povo. Em frente à matriz fora, previamente, armado artístico altar para ser celebrada a Bênção inicial, devendo partir em seguida o préstito. Duas alas imóveis estendiam-se da porta principal da igreja ao longo da rua Barão do Rio Branco. Formavam estas alas as alunas dos colégios e das aulas do catecismo. Em torno ao altar, formaram os alunos do Instituto das Irmãs Doroteias, dando esta disposição uma graça singularíssima. Entre as alas imóveis devia passar o cortejo colossal. Compareceram a essa imponentíssima festa o clero secular e regular, formando em ordem de preferência, de acordo com as prescrições litúrgicas; professores e alunos do Seminário Arquidiocesano; Colégio Cearense dos Irmãos Maristas, acompanhado de todos os professores; Instituto São Luís, colocado na ala pelo seu diretor o Exmo. Sr. Dr. Menezes Pimentel e acompanhado pelos inspetores de disciplina; o Colégio Castelo Branco, acompanhado pelos respectivos prefeitos; Curso Intuitivo e Prático do professor Joaquim Nogueira, acompanhado dos censores; Círculo Operário Católico São José, uniformizados de branco; Irmandade do Bom Jesus dos Passos e Santíssimo Sacramento da Catedral Metropolitana; Ordem Terceira, da igreja do Sagrado Coração de Jesus; Escola Pio X, acompanhada pelos professores; grupos de Catecismo do Carmo, de São Sebastião, de São Benedito, de Nossa Senhora dos Remédios, da matriz do Patrocínio, de São Luís, da Prainha e da Catedral. Às 15h30, o Exmo. e Revmo. Sr. Arcebispo Metropolitano subiu ao altar, em frente à matriz do Carmo, celebrando a cerimônia da primeira Bênção; Serviu de diácono o Revmo. Padre Francisco Trombert, professor do Seminário, e de subdiácono, o Revmo. Padre José Barreto Magalhães. Após a bênção, teve início a grande procissão. O Exmo. Sr. Arcebispo, ladeado dos dois distintos sacerdotes, conduzia a Sagrada Hóstia, sob o Pálio, que era levado pela irmandade do Santíssimo Sacramento. Defendia o Pálio, marchando ao seu lado, garboso pelotão de escoteiros cearenses. Em frente, viam-se quatorze alunas do 6º Grupo Escolar, vestidas de branco, munidas de sacolas com pétalas de flores, as quais atiravam sobre o caminho por onde devia passar o sagrado cortejo. Em todo o percurso, as ruas estavam enfeitadas, vistosamente, notando-se, nos três primeiros quarteirões percorridos, belos arcos, ornamentados de flores e bandeiras. Sobre o chão havia braçadas de flores e ramos verdes. Em todas as janelas das casas de famílias havia ornamentos que grande realce davam ao imponente préstito. Essa iniciativa deve-se à espontânea gentileza e sólido espírito de fé e piedade da nobre família fortalezense. Muitas, que atiraram mancheias de flores à passagem de Jesus Sacramentado. Em frente à Catedral foi levantado um belíssimo altar, onde dominavam as cores nacionais. No alto via-se uma imagem de São José, padroeiro desta arquidiocese, entre as bandeiras do Vaticano e do Brasil. A procissão chegou à Catedral às 17h30. O Exmo. Sr. Arcebispo, antes de dar a última bênção, pronunciou comovida, mas brilhante alocução patriótica, saudando e dando parabéns ao Ceará e aos cearenses, que, de modo tão brilhante quão espontâneo, mostravam, publicamente, o grande amor que votam ao Coração Eucarístico de Jesus. A Eucaristia, disse Sua Excelência, foi sempre o pão substancial que nos deu a fibra resistente com que soubemos vencer as dores e as aflições que têm sido, em todos os tempos, a partilha dos cearenses. Aquela última bênção, prosseguiu Sua Excelência, seria dada no mesmo momento que, em todas as cidades, vilas e povoados do Brasil, independente e livre, Nosso Senhor recebia fervorosas demonstrações de respeito e amor. Fazei que de uma a outra extremidade do Brasil soe uma só palavra — Louvor ao Sagrado Coração Eucarístico de Jesus, e a Ele, na nossa Pátria e no mundo inteiro, honra e glória por todos os séculos dos séculos. Amém. Às últimas palavras da leitura desta bela e tocante oração, a música executou o Hino Nacional. Monsenhor Furtado retirou, então, do Ostensório a Divina Partícula, para recolhê-la ao Tabernáculo da Catedral, prorrompendo o povo em vivas entusiásticos e vibrantes a Nosso Senhor Sacramentado e ao Brasil. Dirigiram a Procissão os Revmos. sacerdotes, Monsenhor Tabosa Braga, Cônego José Quinderé, Padres Edgard Saraiva e Geminiano Bezerra. Ao lado do Pálio encontravam-se os seguintes sacerdotes: Mons. Liberato Dionísio da Costa, Mons. Vicente Pinto, Cônego Climério Chaves, Padres José Ferreira, Dr. Mário Gomes, Manuel Hermes, Frei Mansueto, Frei Heliodoro e outros. Os moços Cavalheiros de Cristo foram destacados para o serviço de organização do préstito, ficando, em cada quarteirão, um grupo destes abnegados católicos que altos serviços prestou em bem da ordem. Às piedosas catequistas deve-se, em grande parte, a organização das alas imóveis, o que tanto contribuiu para o maior brilho da imponente Procissão. Houve pessoas que não contiveram lágrimas de comoção, ante o espetáculo salutar de um povo inteiro prostrado diante do Altar Eucarístico. Sua Excelência o Sr. Dom Manuel, no seu zelo inflamado pela glória de Deus, estava tomado de íntima e visível comoção. Em nome do Exmo. e Revmo. Sr. Arcebispo Metropolitano, O Nordeste externa, do alto destas colunas, o seu elevado reconhecimento e gratidão à polícia, aos diretores de colégios e escolas, e a todas as pessoas que contribuíram para o maior sucesso de anteontem. Grande motivo de satisfação para este órgão de publicidade, legítimo intérprete dos católicos do Ceará. As bandas de música do 23º Batalhão de Caçadores e do Regimento Militar do Estado, gentilmente cedidas pelos seus ilustres comandantes, tocaram durante o longo trajeto. Ao entrar a Procissão na praça Marquês do Herval, as alunas da Escola Normal do Estado e do Grupo Modelo, uniformizadas, cantaram o Hino Nacional. Em frente à matriz do Patrocínio, achava-se erigido lindo altar, onde o Exmo. Sr. Arcebispo deu, pela segunda vez, a Bênção. Harmonioso coro entoou o Tantum Ergo, respondendo o povo a grande voz. No ato da Bênção, a banda de música tocou o Hino da Independência. Prosseguiu logo após a Procissão, no meio do maior respeito e religioso silêncio. As alas imóveis, compostas de sociedades femininas e alunas do catecismo, conservavam-se de joelhos à passagem da Divina Eucaristia. De muitas varandas e janelas atiravam flores sobre o Pálio. Às travessas e ao longo dos passeios aglomerava-se compacta multidão, aguardando o desfile admirável. Após o Pálio, havia uma massa popular verdadeiramente incalculável. Em frente à Catedral, que estava apinhada de gente, notando-se imensa aglomeração de fiéis em todo o largo da Sé, as alas imóveis estavam organizadas pelas Filhas de Maria do Colégio da Imaculada Conceição e da Santa Casa de Misericórdia, as alunas do Colégio da Imaculada, as meninas do Orfanato do mesmo estabelecimento e também as alunas do Colégio da [...]. Em seguida, houve a cerimônia da bênção, seguida da leitura do ato da consagração do Brasil ao Sagrado Coração de Jesus.
Anúncios, notas e expediente
- Expediente Nordeste “A Eucaristia foi sempre o pão substancial que nos deu a fibra resistente com que soubemos vencer as dores e as aflições, que têm sido, em todos os tempos, a partilha dos cearenses!” Redação: Drs. Andrade Furtado e José Martins Rodrigues Administração: A. Ildefonso de Araújo ANO I Fortaleza-Terça-feira, 3 de Outubro de 1922 NÚM. 80
- Telegrama A propaganda da ornamentação das ruas mostrou um zelo extraordinário. O povo que aguardava a Procissão nos passeios revelava o maior respeito, ajoelhando-se à passagem de Jesus na Eucaristia. O policiamento foi feito pela Guarda Civil que se mostrou perfeitamente digna da missão que lhe é confiada pelas autoridades do Estado. O serviço foi chefiado pelos inspetores Francisco Salles Moreira e Luís Leite, comparecendo, pessoalmente, o comandante Capitão Raimundo Espinheiro. Monsenhor Tabosa Braga, Vigário Geral, dirigiu o seguinte ofício aos inspetores da Guarda Cívica, encarregados da chefia do policiamento: “Ilmos. Srs. Inspetores Francisco Salles Moreira e Luís Leite. Respeitosas saudações. Em nome do Exmo. Sr. Arcebispo e em meu próprio nome, venho agradecer a Vossas Senhorias o interesse que se dignaram tomar pela boa ordem na grande Procissão de Jesus Sacramentado, no dia 1º de Outubro. Quero enaltecer, aqui, a educação cívica e a coerência religiosa do nobre povo desta capital, revelada na grande Procissão Eucarística de domingo, festa de patriotismo e de Fé, que jamais se há de apagar da memória desta geração feliz que teve a fortuna de assistir à comemoração do Primeiro Centenário da Independência do Brasil. Posso garantir-lhes que o policiamento esteve irrepreensível, pessoas de grande destaque social observaram a correção com que se houve a polícia naquela imponentíssima solenidade. O procedimento do povo foi edificante; admirou a todos o espírito de ordem no seio da vultuosa multidão. Rogo-lhes o obséquio de tornarem o nosso sincero agradecimento extensivo aos distintos auxiliares, guardas de 1ª classe Sebastião Barbosa, Raimundo Ferreira Lima, Rafael Rodrigues, Sena Bastos, José Araújo Sampaio, e aos 50 guardas de 2ª classe. Jesus Cristo, Rei dos Reis e o Grande Amigo dos homens, merece mesmo que trabalhem unidas todas as classes pela sua glória e o esplendor do seu culto externo. Parabéns sinceros a todos os bons auxiliares da ordem na grande Procissão.”
- Telegrama A procissão Eucarística na Bahia BAHIA, 2 — A procissão Eucarística nesta capital foi muito solene e teve extraordinária concorrência. Houve a bênção no altar em frente ao convento franciscano de São Pedro e na Catedral. Foi avultado o número de associações religiosas, irmandades e grandiosa massa popular que compareceu. Alguns vigários também realizaram festas nas paróquias, destacando-se a de Santo Antônio, onde fizeram a primeira comunhão mais de 200 crianças, dirigidas por Monsenhor Tapranga, que fez distribuir bombons após a bênção do Santíssimo à tarde.
- Telegrama A procissão Eucarística no Recife RECIFE, 2 — Revestiu-se de grande suntuosidade a procissão eucarística. Calcula-se que a acompanharam mais de 20 mil pessoas. Na porta da Faculdade de Direito, foi dada a bênção. A fachada da Faculdade estava deslumbrantemente iluminada.
- Anúncio CINEMA S. JOÃO BAHIA, [...].