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O Nordeste
Outubro de 1922, página 19 · 25 trechos transcritos
Manchetes desta página
- Na Polícia Roubos Anteontem, à noite, foram roubadas das casas comerciais dos senhores Miguel [...] e Miguel Ferreira, à rua da Fundinha, n. 33, o seguinte: 670$000 em dinheiro; 1 relógio de ouro, um 'Omega'; 1 corrente de ouro; 1 terno palha-beach; 1 calça de caxemira azul, gravatas e outras peças de roupa. Ainda anteontem, à noite, a residência do senhor Vicente de Castro, à rua da Prainha, foi visitada por larápios, de onde subtraíram o seguinte: 1 relógio de ouro, 1 corrente de ouro e 1 bolsa de prata. De ontem para hoje foi assaltada pelos gatunos a 'Mercearia Domingos', situada à rua Senador Pompeu, de onde foram subtraídos algumas mercadorias e o apurado em dinheiro, existente na gaveta. É necessário que a polícia exerça sua atividade no sentido de livrar o comércio desta praça e as famílias da cidade do sobressalto constante da desagradável visita dos larápios.
- POLÍTICA cearense Resposta do deputado Floro Bartolomeu ao discurso do Coronel Gustavo Augusto Lima, deputado estadual do Ceará ATOS, FATOS E COMENTÁRIOS É um fato por todos conhecido no Juazeiro, principalmente pelo seu sobrinho, o já referido coletor federal de Lavras, Major Ildefonso Augusto Lima, que a tudo assistiu. Haverá, porventura, quem tenha a ingenuidade de garantir que, numa luta civil, os que combatem, especialmente os «cabras soltos no mundo», irão de preferência estragar o que é dos amigos e poupar o que é dos inimigos? Por assim pensar foi que não estranhei o prejuízo que me deram em gados, animais, criação miúda, grandes paióis de cereais, ferramentas de trabalho, etc. Tanto assim que, sendo informado da devastação que soldados e cangaceiros do governo estavam fazendo em minha propriedade de Missão Velha, telegrafei ao respectivo vigário, reverendíssimo Padre Horácio Teixeira, pedindo-lhe para dizer ao chefe adversário, Coronel Manuel Dantas de Araújo, que só com o que eu não me conformaria era com o incêndio dos meus cercados; garantindo mais que, se isso acontecesse, eu também queimaria os dele! E Coronel Manuel Dantas mandaria, só ele sabe as dificuldades com que lutou para evitar que a minha propriedade fosse incendiada! Diante do aspecto de gravidade desta situação, Cândido, que, como o seu pessoal, se refugiara, ato contínuo, no município de Cajazeiras, na Paraíba, foi em companhia do Major José Inácio de Sousa, até o Juazeiro, entender-se comigo. Recebi-o cordialmente, visto termos sido sempre amigos, tão somente nos distanciando naquela luta, e prometi-lhe, com a sinceridade que me caracteriza, providenciar no sentido de sustar qualquer perseguição a ele e a seus parentes, até mesmo a vingança da parte do sogro do infeliz Luís de França. Apenas lhe exigi a restituição de minhas balas por ele apreendidas. Ele, então, respondeu-me que, não tendo balas para restituir-me, nem dinheiro com que indenizar-me, oferecia-me dez reses, o que aceitei muito satisfeito. Agradecido retirou-se esse amigo no dia seguinte, sendo assim reatadas as nossas velhas relações de amizade, as quais ainda hoje conservo com muito carinho por ser ele um dos homens dignos que conheço. E todo o Cariri sabe da nossa intimidade. Posso provar o quanto o considero, invocando o valioso testemunho do atual presidente do Ceará, Dr. Justiniano de Serpa, a quem, no ano passado, quando vagou o cargo de prefeito de Aurora, indiquei o seu nome como o único capaz de conciliar os interesses políticos do mesmo município e manter a ordem inalterável. E assim sucedeu, mostrando o Coronel Campos ser homem de feitio completamente diverso do deputado Gustavo Lima, que, no seu vizinho município de Lavras, sempre foi o pomo da discórdia, trazendo-o em contínua polvorosa, ao ponto de ser forçado o governo a distrair para ali a maior parte das forças de polícia do Estado a fim de manter a paz, que assim mesmo não passa de uma paz de Varsóvia... Referiu-se também o meu caluniador à extinção da fazenda do Coronel Zacharias Gonçalves, no município de Milagres, sem entretanto esclarecer a referência. Até hoje, o que eu sei de real sobre o que ocorreu na fazenda desse ilustre cavalheiro reduz-se ao seguinte: quando o Major Nazário Furtado Landim percorria aquelas paragens, distantes do Juazeiro cerca de 15 léguas, certo dia, recebi do reverendíssimo Padre Pedro Esmeraldo da Silva, então vigário de Milagres, uma carta, na qual se empenhava para que eu providenciasse de modo a fizesse voltar o gado que vinha sendo conduzido pela estrada de Missão Velha por um grupo de homens que ali se achavam sob o comando do Major Nazário, dizendo ser esse gado pertencente à viúva e sua avó, Dona Mafalda Gonçalves, mãe do Coronel Zacharias Gonçalves. Imediatamente, mandei Antonio Nivardo fazer voltar o referido gado onde o encontrasse. Antes da volta de Nivardo, recebi uma carta do mesmo, Padre Esmeraldo, avisando-me de que um outro grupo trazia um magote de reses, pertencentes à mesma senhora, pela estrada de Cachoeira. Na mesma ocasião, chegou à nossa casa o Capitão Epifânio Pinheiro, genro de Dona Mafalda, para tratar do mesmo assunto. Fi-lo esperar, e, quando Nivardo regressou, afirmando já ter entregue o gado que vinha pela estrada de Missão Velha aos vaqueiros da referida senhora, ordenei-lhe que fosse novamente ao encontro do que vinha pela estrada de Cachoeira. Por fim, Nivardo conseguiu descobrir, à noite, essas reses no curral de uma fazenda, afastada da estrada da Chumbada, e as conduziu para o Juazeiro. Pela manhã do dia seguinte, eu mesmo fui, com o senhor Epifânio Pinheiro e mais amigos, até o curral da cidade, e, verificando que as reses para ali trazidas tinham a marca de Dona Mafalda e número de vinte e uma cabeças, garrotas, novilhotas e novilhas, aliás pequenas e muito magras, entreguei-as, perante todos, ao mesmo Capitão Epifânio Pinheiro, que as conduziu na mesma hora. Depois então eu soube que esse senhor não as entregou à sua sogra, levando-as para sua fazenda. Se, porém, a senhora Dona Mafalda não as recebeu, cumpre a quem tiver interesse dela se informar. Acrescentou ainda o [...] difamador de Lavras que o senhor Henrique Rodrigues de Macedo «em face da minha gana, tomou a iniciativa prudente de dar-me dez reses». Não foi para satisfazer a minha gana, que o velho Henrique deu-me efetivamente quatro ou cinco reses. Contarei ainda essa história, pois a tenho bem viva na minha mente. Certa manhã, de um daqueles dias de agitação, apareceu em minha casa, no Juazeiro, esse homem, que então conheci pela primeira vez, para se me queixar de que Antonio Piauí, negociador de animais, mas que estava em armas, acompanhado de um grupo de companheiros, inclusive o sobrinho do deputado Gustavo Lima, o senhor Deó Augusto Lima, de viagem para o Iguatu, lhe havia tomado dois burros novos e o obrigara a passar um documento declarando que lhos tinha vendido ou dado e ao mesmo tempo ameaçando-o de novas investidas na volta. Mandei chamar Antonio Piauí, que já estava no Juazeiro, e obriguei-o a restituir os burros e dei ao velho Henrique um cartão, garantindo-o contra possíveis exigências de quem quer que fosse. Interrogando Piauí sobre as ameaças feitas ao velho Henrique ali presente, respondeu-me que quem as fizera havia sido o senhor Deó. Henrique, agradecido pelo favor que eu lhe prestara, quis oferecer-me os referidos animais. Como, porém, eu recusasse o oferecimento declarando que se fossem reses ainda eu poderia aceitar, visto a grande necessidade de alimentar o povo, ele, então, espontaneamente, dias depois, mandou trazer-me quatro ou cinco bois, e não dez. Quanto aos oito bois mansos do senhor Manuel Gomes, do sítio «Poço dos Pios», no município de São Pedro, o que eu sei é o seguinte: Depois do Crato cair em nosso poder, o Coronel Francisco Botelho da Sena Verde, atual prefeito da mesma vila de São Pedro do Cariri, e que nesse tempo era um temido adversário e de tanta evidência que um certo dia, em um encontro com nossas forças, na ladeira do Quebra, recebeu um tiro, sendo morto o cavalo em que montava, foi ao Juazeiro para falar-me sobre a conveniência de dissipar o ódio dele e seu irmão, o velho. Eu consegui o povo contra o senhor José Botelho. (A seguir)
- Serviço Marítimo Providências contra a «vertigem» dos veículos Atendendo ao apelo, ontem, publicado neste jornal, a polícia tomou enérgicas providências contra os chauffeurs que conduzem seus carros em grande velocidade pelas ruas movimentadas desta cidade, sem, ao menos, buzinarem nas esquinas. Assim agindo, a Inspetoria de Veículos tem cassado as cadernetas de identificação de diversos motoristas de automóveis, reincidentes, e multado a todos os infratores da lei. Louvamos a ação enérgica da polícia. Não podiam continuar os transeuntes sujeitos a qualquer desastre, devido à desídia de certos chauffeurs não observadores dos dispositivos impostos pela Polícia. Que a Inspetoria de Veículos continue a agir com a máxima energia e critério neste assunto, são os nossos votos.
Anúncios, notas e expediente
- Expediente O NORDESTE. Sexta-feira, 6 de Outubro de 1922. Página 3.
- Nota social Colônia Christina para esses desocupados, que querem gozar a vida, sem canceiras, à custa alheia...
- Nota social INEDITORIAIS
- Anúncio Leite de Colônia. Para espinhas e cravos.
- Anúncio Oculista - Dr. José Furtado Filho Clínica de moléstias dos olhos, ouvidos, nariz e garganta (das 8 às 10 da manhã e das 2 às 4 da tarde), na «Farmácia Universal», à rua Major Facundo, 254.
- Anúncio Cirurgião-dentista Dr. [...]. Consultas das 7 às 10 horas da manhã. Rua Barão do Rio Branco, n. 295.
- Telegrama Cinemas & Teatros Cinema São José Domingo, às 7 horas: «Na rede do dragão», por Maria Walcamp, 6ª série, em 4 partes e 2 episódios: «O perigo de Shal» e «Desmascarados».
- Nota social ARTISTA ISRAEL BARBOSA Thereza da Cunha Freitas agradece penhorada a todos que acompanharam os restos mortais de seu inesquecível filho adotivo Israel Barbosa e convida a todos os parentes, amigos e sociedade «Artística Beneficente» para assistirem à missa que manda celebrar a 9 do corrente, às 6 e meia horas, na igreja do Sagrado Coração de Jesus. Apresenta antecipadamente a todos que comparecerem a este ato religioso a sua eterna gratidão.
- Anúncio PARA LIQUIDAR 1 metro de crepon de seda, 15$000 por 10$000. 1 metro de foulard de seda, 20$000 por 15$000.
- Anúncio Na ESTRELA DO ORIENTE O melhor creme para o embelezamento. [...]. Tira as manchas, as sardas, e tira bem o pó de arroz. Destrói as sardas, as espinhas e os cravos. Vende-se nas Perfumarias e Farmácias.
- Telegrama Lloyd Brasileiro VAPORES ESPERADOS DO NORTE JOÃO ALFREDO — seguindo para Natal, Cabedelo, Recife, Maceió, Bahia, Vitória e Rio. BENEVENUTO — a 4, para Natal, Paraíba, Recife, Maceió, Bahia e Rio. VAPORES ESPERADOS DO SUL MANAUS — esperado a 13 de Outubro, seguindo para Tutóia, Miranda, Pará, Santarém, Óbidos, Parintins, Itacoatiara e Manaus. BAEPENDY — a 9 de Outubro, seguindo para Maranhão, Pará, Las Palmas, Lisboa, Leixões e Liverpool. IBIAPABA — a 8 de Outubro, cargueiro, para Camocim e Amarração. MINAS GERAIS — a 11, para Maranhão e Pará. GOYAZ — a 13, cargueiro. Rua Major Facundo, 56 Agente: J. MIRANDA
- Telegrama The Booth Steamship C. Ltd. Linha regular de paquetes entre os portos da Europa e New York para os portos do Brasil e vice-versa.
- Nota social «AMERICA FOOT-BALL CLUB» Para a pós-missa de domingo, 8 de Outubro, são convidados os senhores sócios e exmas. famílias. Os associados deverão comparecer munidos dos respectivos «ingressos» que se acham em mão do senhor Jonas Cunha e que deverão ser exibidos à entrada. A. Mallmann, Secretário.
- Telegrama PANCRAS — no porto, recebendo carga para Lisboa, Leixões, Havre e Liverpool, devendo sair a 4 do corrente. Recebe passageiros para Madeira, Leixões, Lisboa, Havre e Liverpool, para o que tem ótimas acomodações.
- Telegrama DOMINIC — Acha-se a carga no porto de New York, donde zarpará a 26 deste mês, com destino a este porto.
- Telegrama STEPHEN — Saiu de New York a 14 do corrente, com grande carregamento para o nosso porto, devendo chegar cerca de 4 de Outubro. Sairá depois de indispensável demora para os portos do Sal, de onde regressará a este porto a fim de receber carga para Portugal, Havre e Liverpool, devendo chegar a 9 de Novembro. Booth & Co. (London) Ltd. — RUA DA PRAIA, N. 28
- Telegrama LAMPORT & HOLT, LTD. Paquete BONHEUR Prevenimos aos Senhores Importadores que se acha recebendo carga em New York este vapor, devendo zarpar para este porto em fins do mês. Para mais informações com os agentes Leite Barbosa & Cia.
- Telegrama LLOYD NACIONAL LINHA CEARÁ A RIO GRANDE DO SUL CANTINHO — Esperado do Sul em 15 do corrente. Vapor, após indispensável para Natal, Cabedelo, Maceió, Bahia, Rio de Janeiro, Santos, Paranaguá e Rio Grande do Sul. INÍCIO DA LINHA Vapor Belém — Comunicamos aos Senhores Importadores e Exportadores que o vapor, à margem, esperado do Sul a 7 de Outubro, sairá para Maranhão e Pará. Recebe carga também para Santarém, Óbidos, Almeirim, Itacoatiara e Manaus. Em seu regresso do Norte tocará em nosso porto, saindo após a indispensável demora para Montevidéu, escalando em Natal, Cabedelo, Recife, Maceió, Bahia, Rio de Janeiro, Santos, Paranaguá, São Francisco e Rio Grande. Aceita carga para a Argentina. Para cargas, escreva com os Agentes Leite Barbosa & Cia. Rua Major Facundo, n. 108 — Telefone n. 274
- Nota social Minhas palavras aos meus futuros julgadores Um desgraçado acontecimento, quando eu mal desabrochava para a vida, me atirou estupidamente às sombras temerosas de um cárcere. Levou-me a isso a visão falsa com que, na estúrdia mocidade, encarei o mundo, solicitado pela paixão do álcool, a que me induzira camaradagem nefasta, pratiquei num momento de completo desvario o atentado que me privou da liberdade. No cárcere, após o veredicto do júri, que me condenou à pena de vinte e quatro anos e seis meses de prisão, considerei, ponderei e arrependi-me. Procurei uma oficina e entreguei-me ao trabalho penoso e monótono, donde há seis anos venho auferindo os proveitos com os quais cuido da subsistência da minha família. Não tinha ruim comportamento e procurava viver em boa camaradagem com os meus companheiros de infortúnio. Mas o destino é inexorável! Um companheiro ingrato, no qual erroneamente eu vira uma alma de irmão de sofrimento, e a quem amparei por longo tempo com os poucos recursos que me sobravam, engendrou contra mim e mais quatro companheiros uma calúnia tremenda, insinuando perfidamente à administração da cadeia uma evasão por nós premeditada. Por este motivo fui castigado com quinze dias de solitária, que sofri resignadamente. Trancado depois na minha cela por tempo indeterminado, passava-me todos os dias pela grade, insultando-me com risadas de escárnio e pilhérias irritantes, o terrível delator da fantástica evasão que somente em seu cérebro existia. Não satisfeito, injuriava-me dizendo mal de minha mulher. Na manhã em que se deu o infausto acontecimento, insultou-me outra vez, cara a cara, através das grades de minha prisão, como há provas nos autos. Assim alucinado, sem pensar em nada, nem mesmo na família, a quem muito prezo, arrebatado por um vendaval psíquico que me obnubilou a vontade volitiva, pratiquei o delito de que profundamente me arrependo. Não quero ser prolixo. Nestas singelas frases, repletas de sinceridade, há toda minha alma, todo o sentimento de um homem desventurado a quem fortuitos acasos fizeram-no delinquir, sem ser, entretanto, como pretendem, um criminoso nato. Terminando, apelo para o critério e bons sentimentos dos meus futuros julgadores, dos quais espero serena e imparcial justiça. Cadeia de Fortaleza, 5 de Outubro de 1922. João Coelho.
- Anúncio BALSAMO SANTO APROVADO PELA JUNTA DE HIGIENE DO RIO DE JANEIRO [...] BALSAMO SANTO. Depósito: FARMÁCIA NORMAL Praça do Ferreira, n. 216
- Telegrama Ultimamente têm sido sem conta os boatos alarmistas e outros; aparecem num dia para serem desmentidos no seguinte. Um, porém, não foi desmentido, é o que diz:
- Anúncio João José, à Praça José de Alencar, n. 86, foi a mais bem sortida e imparcial loja. Vasta sortimento de louças de «esgalha», pó de pedra, e outros artigos para uso doméstico e que está vendendo pelo preço, tornando-se assim ao alcance de todas as bolsas. Uma visita à Casa João José não custa nada. Ver para crer. Praça José de Alencar, n. 86.