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O Nordeste

Outubro de 1922, página 29 · 15 trechos transcritos

Manchetes desta página

  • Açougue: a baixa que de Porangaba. Fixar o preço do com osso. Começar de [ilegível], isto em efetiva baixa. 1928.
  • As cerimônias Eucarísticas em Porangaba A reunião do Congresso Eucarístico no Rio de Janeiro e as extraordinárias homenagens tributadas em todo o Brasil com o mais comovente fervor religioso a Jesus Cristo, representado na Hóstia do Santíssimo Sacramento, deram inegavelmente às grandes festas com que comemoramos o término do primeiro século de vida autônoma da nossa nacionalidade, o fulgor deslumbrante e prestígio sobrenatural que só a graça divina pode emprestar aos atos humanos, por mais sublimes que sejam. Guarnecidamente engalanada de palmas, folhas e flores naturais, flâmulas e bandeirinhas multicores; a rumorosa e alegre, com a praça da Matriz e ruas adjacentes cheias de fiéis que acorreram, prestes à grandiosa demonstração de Fé, Porangaba pompeava ridente num inesquecível dia de expansão religiosa. Na verdade, um grande povo de trinta milhões de almas, vibrando aos estros do sagrado alvorecer do mais justo entusiasmo cívico, no momento augusto de comemorar o primeiro centenário da sua independência política, acercar-se do símbolo venerando da Religião, sob cujos bemfazejos auspícios se fundou, evoluiu e prospera a sua nacionalidade, e, num espontâneo, sinérgico, arroubado assomo de fé, genufletir piedoso ante os altares do Deus de bondade e amor, para que, nos transes tormentosos da existência coletiva, nunca apelaram em vão os seus antepassados, para em arrebatados transportes de gratidão e civismo levá-lo em triunfo numa apoteose estupenda, sem precedentes na sua história — é espetáculo que excede na sua empolgante sublimidade ao que de mais imponente poderíamos imaginar para o realce da grandiosa comemoração patriótica com que o Brasil solenizou o seu primeiro século de povo autônomo. A unção anagógica desses trinta milhões de almas escandecidas na fragua purificadora da fé, passeando em triunfo, com uma pompa nunca vista, não só pelas suntuosas avenidas da sua colossal metrópole, senão até pelas ruazinhas rústicas das mais insignificantes povoações perdidas nas desfrequentadas longínquas do seu imenso sertão, o Deus misericordioso que lhes deparou por Pátria o rincão opimo, assinalado à predileção celeste por um cruzeiro de sóis, assume as sublimes proporções de um inaudito ato de fé proferido solenemente, comovidamente, em público testemunho das suas crenças por um grande povo nascido e criado sob a proteção carinhosa do Evangelho: e fulgura como o dealbar de revivificante aurora de espiritualidade e sentimento, cuja luz alviçareira e fecunda ilumina o sombrio lusco-fusco do materialismo interesseiro e bronco em que, nesta hora aziaga da história, se vão eclipsando e submergindo os mais nobres ideais humanos. Porangaba, a graciosa vila suburbana, cujos habitantes têm sempre dado provas de acendrado fervor religioso, realizou as comemorações eucarísticas com imponência merecedora de entusiásticos encômios. Não obstante achar-se ausente, no Rio de Janeiro, o virtuoso vigário reverendíssimo senhor padre Rodolfo Ferreira da Cunha, o tríduo eucarístico e a procissão que o encerrou, foram feitos com um realce que excedeu às expectativas mais otimistas. O vigário interino, reverendíssimo senhor padre Otávio de Castro, a despeito de ainda sob os molestos efeitos de forte acesso de gripe e mal convalescença, foi de uma atividade e zelo verdadeiramente apostólico nos exaustivos labores dos atos litúrgicos de que se compôs a homenagem à Sagrada Eucaristia. Encerrando os exercícios espirituais do tríduo, celebrados todos com vultuosa afluência de fiéis, e nos quais foi o vigário auxiliado pelo reverendíssimo senhor padre Manuel Hermes Monteiro, realizou-se a procissão, cuja pompa imponente e austera foi verdadeiramente invulgar. Às 5 horas da tarde, formado por incontável multidão que se comprimia ansiosa e contrita no patamar da espaçosa Matriz e pelas suas imediações, organizou-se o préstito. À frente, sob o pálio, conduzido por pessoas gradas da vila, a custódia com a Hóstia Consagrada, era levada pelo reverendíssimo senhor padre Raymundo Hermes Monteiro. Faziam guarda de honra ao pálio duas graciosas alas de gentis senhoritas, Filhas de Maria. Ao tanger festivo dos sinos e ao som de sugestiva marcha executada por uma banda de música, vinda de Fortaleza, moveu-se a procissão, que, contornando a praça da Matriz, fez alto em frente à casa do senhor coronel Walfrido Carneiro Monteiro, onde foi dada a primeira bênção. O altar, armado com muito gosto, sob a direção da dona da casa, excelentíssima senhora Dona Anna Hermes Monteiro, estava profusamente ornamentado de flores naturais e artificiais, sendo o sobrecéu constituído exclusivamente de um tecido de folhas e flores naturais de delicada feitura e magnífico efeito estético. Viam-se no altar, além de belo crucifixo de "electro-plate", um retábulo de Jesus descido da cruz nos braços da Virgem Mãe Dolorosa. Posto de novo em marcha, dirigiu-se o préstito para a residência dos senhores Francisco e Eduardo Vieira Perdigão, em que foi ministrada a segunda bênção. Levantado diante de uma janela da fachada principal da casa, numa aberta entre canteiros e maciços de flores do bem cuidado jardim, o altar era uma reafirmação vitoriosa das notáveis aptidões artísticas do senhor Eduardo Perdigão (o Duda, como lhe chamamos na intimidade). De uma simplicidade encantadora em que a sobriedade dos ornatos revelava a olhos que soubessem ver, a superior intuição estética de quem o planeara e fizera o altar, cujo dossel era formado por custosa colcha de seda fulva com forro carmesim, rica alfaia de família, ostentava em relevo e representado com tanta perfeição. À distância parecia uma peça à parte, com lindo sacrário. Ao fundo destacava-se uma oleografia do Coração de Jesus. No topo, arrematando a parte anterior do sobrecéu, via-se um formoso anjo de asas espalmadas, cuja bela cabeça foi pacientemente modelada pelo artista que armou o altar. A terceira bênção foi dada na residência do senhor José Pedro Natalense. Também de muito gosto, este altar planeado pelo senhor Francisco Loureiro Mendes, que o construiu com o auxílio do senhor José Ferreira Lima. Em forma de nicho, iluminado a gás acetileno e exclusivamente ornado de flores naturais, este santuário provisório merecia bem os elogios que lhe foram feitos. Além de imagens da Sagrada Família e dos lindos anjos de biscuit, avultava ao fundo uma oleografia do Coração de Jesus, que, por uma coincidência digna de registro, fora entronizada em casa da família Pedra, havia oito anos precisamente na data da procissão eucarística. Na Matriz, à grande multidão que enchia literalmente o adro e as amplas naves interiores, foi ministrada a última bênção, sendo então entoados por um grupo de gentis senhoritas, acompanhadas ao harmônio pela excelentíssima senhora Dona Anna Hermes Monteiro, melodiosas e antigas [ilegível] litúrgicos. Foi de edificante e sugestiva demonstração de fé o respeito, a piedade, a unção, realmente fora do comum nestes estavanados tempos de cinema e 'foot-ball', com que a numerosa massa de fiéis assistiu a todas as [ilegível] em homenagem ao Santíssimo Sacramento. A família católica [ilegível] deve sentir-se ufana pela comovente confissão de fé que foram as celebrações eucarísticas realizadas nesta vila. Sejam as últimas palavras destas desataviadas notas, cujo desalinho traz a azáfama de repórter pouco destro, um efusivo [ilegível] ao reverendíssimo senhor padre Otávio de Castro, zeloso vigário interino, por esta inesquecível expansão de sentimento religioso, que o exemplo do seu indefesso e edificante fervor conseguiu acoroçoar até os entusiásticos transportes em que pompeou triunfal neste recanto semibucólico da arquidiocese. Soares Moreno
  • A grande Tômbola do Centenário Fortaleza A Liga das Senhoras Católicas Brasileiras continua em grande atividade, no sentido de passar os bilhetes da grande Tômbola do Centenário, em benefício do patrimônio do Dispensário dos Pobres e do Patronato das Operárias. Já tivemos ensejo de noticiar que somente uma senhora cearense comprou duas mil cautelas na importância de quatro contos de réis. Isso vem demonstrar o alto grau de benemerência de coração da mulher brasileira. O fim que a Tômbola tem em mira deve despertar realmente o entusiasmo mais salutar e louvável de todas as almas dignas. Com o produto da Tômbola, ficará regularizado o serviço de assistência à população mendicante desta capital, empresa sobremodo meritória e cristã. Além disso, as moças pobres terão um curso prático de ensino doméstico e, particularmente, de cozinha. É um benefício incalculável preparar operárias honestas, bem educadas, além do mais, de conhecimento sólido de seus misteres, para servir nas casas de famílias católicas. Para isso é preciso o auxílio de todos os bons cearenses, que dedicam interesse real pelo progresso da nossa terra. Não conhecemos obra social de maior importância, em nossos tempos, do que proteger as camadas pobres, cercando-as de prestígio moral e encaminhando-as para o Bem. Concitamos, pois, os nossos patrícios a amparar a grande Tômbola do Centenário, cujas cautelas são vendidas nesta redação ao preço de 2$000.
  • O presidente do Estado irá a Guaramiranga O reverendíssimo senhor Dr. Justiniano do Serpa, Presidente do Estado, irá brevemente a Guaramiranga, onde, acompanhado de sua excelentíssima família, passará alguns dias de repouso.
  • OS POETAS CEARENSES NO CENTENÁRIO Academia Cearense de Letras Sábado, às 16 horas, realizou-se no Palácio do Governo uma sessão da Academia Cearense de Letras, comparecendo os seguintes membros: Justiniano de Serpa, Barão de Studart, Antônio Theodorico, Raimundo Arruda, Cruz Filho, José Sombra, Carlos Câmara, Pompeu Sobrinho, Curamino Belém, Antônio Augusto, Otávio Lobo, Alf. Castro, Salles Campos, Soares Bulcão, Ferreira dos Santos e Andrade Furtado. O Dr. Barão de Studart, que presidiu à sessão, foi secretariado pelo Dr. Alf. Castro. Ficou deliberado que a Academia Cearense de Letras realizasse uma sessão magna no dia 5 de Novembro, em homenagem ao seu presidente, Dr. Thomaz Pompeu, que naquela data celebra o jubileu de sua formatura. Foi eleito orador para a aludida solenidade o acadêmico Salles Campos. O governo do Estado dirigiu uma mensagem à Assembleia Legislativa, solicitando autorização para adquirir um prédio para sede da Academia, ficando deliberado que, provisoriamente, as sessões se realizem no salão nobre da Assembleia. O Dr. Barão de Studart ficou encarregado de receber os trabalhos para o número do Centenário da 'Revista da Academia Cearense de Letras', publicação que deverá aparecer, proximamente.
  • BELO HORIZONTE, 9 — O Dr. Arthur Bernardes ainda não convidou ninguém para o seu ministério. Estão, porém, muito cotados os seguintes nomes: Exterior, Rui Barbosa; Guerra, Setembrino de Carvalho; Marinha, Alexandrino de Alencar; Viação, Francisco Sá; Interior, Afonso Pena Júnior. A pasta da Fazenda foi oferecida ao Dr. Washington Luís, para si ou para quem o mesmo indicar. Ainda nada transpirou quanto à pasta da agricultura e quanto à prefeitura e chefatura de polícia do Distrito. Afirma-se que serão divididas as pastas da Fazenda e da Viação. O Dr. Washington Luís manifestou-se contrário à divisão da Fazenda, mas favorável à da Viação. Além de Rui Barbosa, a Bahia terá outro auxiliar no governo Bernardes, estando em jogo os nomes de Miguel Calmon, Otávio Mangabeira e Aurelino Leal. Podemos afirmar que um dos três será ministro.
  • Matriz do Patrocínio Salve luzentíssima aurora de 5 de Outubro de 1922! Bem-vinda seja a tua irradiante luz! Ilumina nosso caminho, o caminho que vamos transpor para alcançar as nossas mais sinceras aspirações. Em aurora de bênçãos e graças, saudada pelos sinos da cidade, [ilegível] neste grandioso dia, o alvorecer do banquete eucarístico, aquele Pão divino: só a pureza das almas pode merecer este alimento.
  • ENCERROU-SE, DOMINGO, A EXPOSIÇÃO DO CENTRO ARTÍSTICO CEARENSE O Centro Artístico Cearense, festejando o Centenário da Independência, inaugurou, em sua sede, no dia 7 de Setembro, uma bem organizada exposição de trabalhos, a que concorreram numerosos operários desta capital. O certame dos operários teve o mais feliz êxito, vendo-se, ali, expostas excelentes composições de todo o gênero, todas evidenciando, de modo cabal, o talento, a arte e a habilidade dos obreiros conterrâneos. Depois de estar aberta ao público durante quase um mês, encerrou-se, domingo último, a exposição dos operários cearenses. Visitando-a detidamente, notamos o bom gosto que presidiu à sua organização e a grande cópia de exemplares de obras, de acabamento tanto quanto possível satisfatório. Delas, parecem-nos merecer mais destaque as seguintes, realmente as mais apreciadas pelos visitantes: Busto de D. Pedro II — Escultura, de Francisco Bem-Bem. Portas e sacadas — em cimento armado, e bacia para sanitária — em cimento de Raymundo Rosa, pedreiro. Pirâmide — em cimento armado, guarnecido, de Francisco Crescendo (pedreiro). Mosaicos artificiais — de Heitor Marques de Farias (marmorista). Âncora de mármore — do mesmo. Galpão da [ilegível]. Porta-cartão — de D. [ilegível] Maria Coutinho (modista). Trabalhos tipográficos — de José Ovídio (tipógrafo). Sapato [ilegível] cruzada de [ilegível] XV — de Aniceto Loreto Dias (sapateiro). Paletó — de Francisco das Chagas Oliveira (alfaiate). Coturnos — de Luís Eugênio (sapateiro). Coturnos fantasia, para homem — de Joaquim Rodrigues [ilegível] (sapateiro). Quadro de armas da República, em ponto de [ilegível] — de D. Amélia Oliveira da [ilegível] (bordadeira). A exposição do Centro, aliás, a primeira de uma série de certames que a esforçada associação operária pretende realizar, vem dar eloquente testemunho público da capacidade profissional dos nossos obreiros, a quem sobejam faculdades e talento, faltando, apenas, muitas vezes, a necessária educação artística que os desenvolva. Pelo êxito de sua iniciativa, felicitamos calorosamente o Centro Artístico Cearense.
  • Importante e majestosa cerimônia. Era belo e encantador ver, aos primeiros beijos da luz da manhã, saírem de todos os ângulos da cidade e de seus subúrbios, guiados por suas zelosas catequistas, a se encaminharem em [ilegível] para o santuário do Senhor. Só a caridade aliada à fé tem esse poder de dar às puras e virtuosas moças a graça de fazer romagens pelas choupanas dos pobres. Desfilando essa cruzada abençoada do céu pela rua Municipal, seguindo à frente um porta-bandeira que conduzia um estandarte com a efígie de São Luís Gonzaga, protetor da juventude, entra triunfante na Matriz, entoando jubilosos hinos a Jesus Sacramentado. Tudo se move para saudar a majestade do ato. Os lábios do bronze desprendiam do campanário sons festivos. A orquestra do coro executava lindas e harmoniosas peças de seu seleto repertório. Da [ilegível] revestia o templo. O altar-mor estava deslumbrante, apresentava um aspecto elegante pelo acumular de muitas luzes, que brilhavam em [ilegível] e pela variedade [ilegível] que cercavam o tabernáculo do Jesus Sacramentado. Bela impressão causou a todos os crentes, que ladeavam a nave do templo, a ordem, o silêncio, e o respeito com que essas crianças se aproximavam do banquete eucarístico. O augusto sacrifício da missa foi brilhantemente solenizado por belíssimas filhas de Maria, sob a direção da irmã Victória, cujas eram a organização e a [ilegível] do culto. A [ilegível] da [ilegível] era imputada às crianças, sendo só a primeira vez [ilegível].

Anúncios, notas e expediente

  • Expediente ANO I Nordeste Redação: Dra. Andrade Furtado e José Martins Rodrigues Administração: A. Ildefonso de Araújo Fortaleza-Terça-feira, 10 de Outubro de 1922
  • Anúncio Efetivos, o peso da gasolina em Fortaleza. A preferência no Ceará. Estradas do terreno. Conforto aos [ilegível]. É [ilegível] excelentes. Cia. 0-80 e TALUZ. RRUDA para o exterior. Produção do [ilegível]. Telefone: 262.
  • Anúncio REMIAS (sobrado) VEGETAL (Composto) DO RIO DE JANEIRO Para: bronquites, asma, coqueluche, escamosa. [ilegível] nº 216 [ilegível] VERDE
  • Telegrama FÓCION, ao expirar no teu exílio, recomendava a teu filho: 'Serve a tua Pátria com todo o zelo e fidelidade de tua alma, e, sobretudo, esquece que uma injusta morte foi o prêmio dos meus serviços'.
  • Telegrama Soneto Bom Jesus, amador das almas puras, Bom Jesus, amador das almas santas, De ti vêm as serenas esperanças, De ti vêm as angélicas doçuras. Em toda a parte vejo que procuras O pecador ingrato, e não descansas, Para lhe dar as bem-aventuranças Que os espíritos gozam nas alturas. A mim, pois, que do magno desatino E, noite e dia, em lágrimas me banho, Vem abrandar o meu cruel destino. E terminado este degredo varonho, Tem compaixão de mim, Dador Divino, Que não falte uma ovelha ao teu rebanho! José ALBANO
  • Telegrama GENEBRA, 4 — Na sessão do Conselho da Liga das Nações o senhor Balfour, delegado inglês, expôs sua tese em favor do reerguimento da Áustria. O senhor Hannoteaux, representante francês, anunciou a adesão da França ao projeto de auxílio à Áustria, declarando que a França assinará, com a Inglaterra e a Itália, medidas garantidoras do empréstimo internacional para a reconstrução daquele país.
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