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O Nordeste

Outubro de 1922, página 37 · 24 trechos transcritos

Manchetes desta página

  • [...] suas as 150 [ilegível] do Dec. Federal do inquilinato. Ninguém pode desocupar a casa sem prévia notificação da parte do senhorio. Com o intuito exclusivo de ajudar a todos, resolveu Silveira Marinho ter, em seu cartório, à fé pública, pessoas para prestar qualquer serviço, fazer petições e mover sem nenhuma [ilegível]. Quanto antes, os proprietários de casas, sob o auspício, formarão dos [ilegível] a fim de que não sejam feridos mais tarde de usos que a lei lhes [ilegível].
  • O NORDESTE Celebra, hoje, nossa Pátria, a data do descobrimento da América, por Cristóvão Colombo, em 1492. Esse arrojo náutico que constitui um dos feitos cristãos de maior alcance, multiplicou o mundo, na feliz expressão de José do Patrocínio. O bravo navegante genovês, com as suas três caravelas atiradas ao oceano desconhecido, à mercê dos ventos inconstantes, é a figura extraordinária do homem de fé, que não conhece obstáculos e que nada teme. Colombo abriu, com o seu heroico empreendimento, vastíssimo campo ao progresso e desviou o eixo da civilização do Antigo para o Novo Mundo. É nas terras americanas, banhadas pelo sol de fogo do equador, refrescadas pelas auras brandas dos trópicos, ou regeladas pelo frio das zonas polares, que se encontram todos os climas, adaptáveis às modalidades diversas da atividade do homem. Do campo fecundo das indústrias e das nobres conquistas sociais, as nações novas e futuras da livre América passaram, com brilho inofuscável, para o concerto das nacionalidades soberanas. Ainda este ano, comemorou o Brasil o primeiro Centenário da sua emancipação política. Foi, na verdade, deste continente que partiu para o mundo inteiro a lição viva e prática da verdadeira democracia, alicerçada no amor da liberdade, que é dom inauferível de Deus. A Igreja tomou a iniciativa ingente de catequizar os gentios que povoavam as selvas virgens e trouxe, pela mão pacífica do missionário, para o grêmio dos povos cristãos, os indígenas indomáveis. De toda a parte se contemplou o vasto cenário dessa cruzada apostólica e secular, que atraiu as vistas de todos os homens de consciência e de saber. Hoje, a Religião Católica tem a glória de haver inspirado o ideal intrépido que guiou Colombo às costas de Guanahani, e fez das amplas planícies e sobranceiras campas das montanhas do Novo Mundo, o teatro imenso da mais importante ação cristianizadora dos arautos da Fé, dos legionários da Verdade, em todos os tempos!
  • O presidente Epitácio manda convidar políticos e técnicos a examinarem as obras do Nordeste
  • A entrevista do presidente Bernardes sobre as obras contra as secas (Do nosso serviço telegráfico) RIO, 11 — Causou excelente impressão aqui a entrevista do presidente Bernardes, ao "Jornal do Commercio", de Recife, sobre as obras federais no Nordeste, prometendo seguir absolutamente, neste particular, a política do presidente Epitácio. O "Rio-Jornal", em longo artigo, elogia as declarações do futuro chefe da Nação.
  • A edição de "O Nordeste" em comemoração do Centenário O ilustre jornalista pernambucano e decidido católico, Sr. Benjamin de Albuquerque, dirigiu-nos a seguinte carta, a propósito da nossa edição comemorativa do Centenário, fineza que sobremodo nos penhora e conforta: "Recife, 19 de Setembro de 1922 Ilmo. Snr. Dr. Andrade Furtado. Um bravo aos valentes e denodados campeões de "O Nordeste", pelo brilhante número que apresentaram no dia 7 do corrente, em comemoração ao Centenário da Independência de nossa cara Pátria. Que Deus Nosso Senhor derrame sobre todos, as mais abundantes bênçãos, para que possam prosseguir sua nobre e elevada missão, são os votos do humilde admirador. Benjamin de Albuquerque."
  • "Interview", com o Dr. Álvaro Fernandes, sobre o gado indiano IV SEGUNDA PARTE Com o nobilíssimo holandês Hugo de Vries, aprenderemos a admitir a mutação como um postulado de seleção natural, por cuja circunstância os caracteres acidentais se fixam ou eliminam em função do meio; com o insigne André Sanson (Traité de Zootechnie, Tomo IV, pág. 224-226) ficaremos sabendo que o zebu se distingue dos bois comuns, simplesmente pela bossa que traz sobre o garrote ou cernelha; que o seu esqueleto, de nenhum modo é interessado nesta particularidade, não sendo mais longas que nos outros bois, as apófises espinhosas de suas primeiras vértebras dorsais, ao contrário do que se verifica nos bisões; que a bossa é constituída apenas, por um depósito de gordura, sustentado por trabéculas conjuntivas; que a forma craniana estabelece estreitas relações entre os zebus e os taurinos, relações confirmadas pela fisiologia, sendo perfeitamente fecundo o ajuntamento sexual entre os dois; o que não sucede sempre com o búfalo ou boi bubalus, que os zebus são domésticos e suas funções econômicas são as mesmas dos bovídeos em geral; que são excelentes motoristas em tirar viaturas públicas a grande velocidade; que sua carne é consumida por toda a parte, e os viajantes, que a têm experimentado, dizem muito bem dela, e tudo faz pensar que sua zootecnia em conta alguma difere da dos taurinos; enfim, que se têm consumado cruzamentos de zebus com bovídeos taurinos, notadamente, nas granjas reais de Wurtemberg, produzindo, nos dois sentidos, indivíduos indefinidamente fecundos, isto é, mestiços e não absolutamente híbridos (André Sanson — Traité de Zootechnie. Tomo II. pág. 218); com Paul Diffloth (Zootechnie, Raças Bovinas, pág. 550) seremos informados de que na África e na Tunísia, a tendência atual é para o cruzamento com o zebu, apresentando os mestiços evidente precocidade e aumento de peso. Afirmará, por outro lado, este autor que o tipo natural da raça asiática, originário do Extremo Oriente, conduzido pelas migrações humanas, se difundiu pela área geográfica mais vasta, mais considerável que se conhece (op. cit. pág. 559). A importância desta informação está em que o boi indiano, devendo ser uma variedade natural do boi asiático, é, como este, suscetível de uma larga adaptação, fora de seu meio de origem. O sábio mestre Dr. Thomaz [ilegível] convicção de que o Caracu é o resultado do atavismo de uma das raças da Índia introduzida outrora com os bois chineses em nosso país. (Dr. J. O. Travassos — Monografias Agrícolas, vol. I, pág. 150). Esta versão representa um fato registrado por vários escritores. Os trabalhos do Dr. Domingos Jaguaribe, que terei ocasião de apresentar-lhe, referem a introdução do China e do Malabar, até no Piauí, onde a tradição continua a nomear a descendência dessa fonte, oriunda certamente do Mafra, cuja quinta era o centro da criação do zebu em Portugal (A. G. Neves — Brasil Agrícola, Junho, 1917), descendência conduzida, sem dúvida, nos rebanhos de Domingos Afonso Sertão — O Siafranze. Drs. A. G. Neves (Brasil Agrícola, vol. II, 1917), ensinam que o malabar (Bos indicus) proveio, incontestavelmente, durante a colônia, da costa Ocidental da Índia, onde aportou Vasco da Gama, em 1498, e se irradiou pelo país, que os portugueses importaram reprodutores de suas possessões na África e Ásia, nomeadamente de Goa e Damão (gado goadamão da Bahia), o qual se espalhou pelo Norte e por Minas Gerais; que em Portugal, antes da colonização brasileira, já existia o Bos indicus; que das possessões lusitanas da Índia e da África vieram os primeiros zebus para a América Portuguesa; que a primeira entrada dos zebus na Bahia, data do primeiro quartel do século XIX; que, há meio século, nova importação de zebus se efetuou no Brasil, a partir do Rio de Janeiro. De tudo isto você conclui, legitimamente, que o sangue do zebu participa do aldeamento geral, nas raças numerosas e, hoje, confundidas, que formam a população bovina do Brasil, nas quais, com exceção do extremo sul, predomina a herança indiana. As próprias raças Franqueira, Mineira e outras, admite-se que resultam do cruzamento da Alentejana com o zebu (J. Lourenço de Sousa — Tecnologia das Indústrias — Criação de Animais, pág. 10). Compulsemos este volume em que se condensam os trabalhos do Primeiro Congresso Paulista de Pecuária, realizado em 1915. Das belas palavras do Dr. Pereira Barreto sobre os primeiros insucessos argentinos, isto é, da luzerna, e a pecuária antes da cultura, a despeito do cruzamento com as mil afamadas raças inglesas — o que afinal veio a lamentar pela invasão da tuberculose (pág. 7) e outros males (pág. 21-22), você encontra esta confissão do Sr. Caitony, que, apertado pelos apartes, declara, impondo silêncio: — Não há ninguém que vendesse uma boiada Caracu ou Franqueira, mas conheço muita gente que vende grandes boiadas mestiças de zebu. O sangue asiático numa rês qualquer é uma grande vantagem prática. Em 100 vacas zebus, escapam 98% das crias. A introdução do sangue zebu é a garantia do futuro da pecuária nacional. No sul de Minas, a criação era impossível, até que se introduziu o zebu. Na zona da Mata, no Rio Doce, o zebu não degenera, desenvolvendo-se e melhorando constantemente. Pode-se assim dizer que a raça, que recebe o influxo de uma parcela de sangue zebu, melhora imediatamente (págs. 55-58). Ocioso é prosseguirmos na audição desta apologia, iluminada pela evidência de fatos inumeráveis. Passemos a outro orador, o Sr. Diederichsen, que, manifestando-se contra o zebu, faz o elogio do gado China: — tem pouca perna, tronco reto e bastante comprido, não tem as barbelas nem aquela corcova do zebu, apenas um cupim e, sobre tudo, tem boas ancas, bastante largas, formando um corte de primeira ordem; apresenta linhas que se aproximam do que exige a zootecnia moderna (págs. 63-65). A estas declarações responde o Sr. Eduardo Cotrim, presidente do Congresso, cujas ideias, aliás, são tão conhecidas: "o gado China provém do zebu africano, introduzido por D. Pedro I em sua fazenda de Santa Cruz" (pág. 65). Não lhe surpreendeu o tableau! O Sr. Diederichsen, então, pergunta aos criadores de São Paulo que saibam o que seja criação extensiva em campos sujeitos a secas periódicas, mesmo as de Mato Grosso, como se pode aclimatar ali, com bons resultados, um reprodutor europeu qualquer? Acredita o orador que não será o reprodutor Caracu, e, muito menos, os de raça fina, que se poderão antepor ao zebu naquela região (pág. 65). Muito ainda poderíamos colher nesta discussão instrutiva, mas o tempo urge. Vamos ouvir o eminente Sr. Carlos Botelho, figura ponderosa — um dos primeiros e principais impulsionadores da pecuária paulista — afirmando que a pretensa raça Caracu é apenas um rebanho de mestiços, a que o sangue indiano dá existência para o cruzamento com o Heratofi. O Caracu puro é uma utopia. A seleção nesse tipo seria a mesma cegagem (Lei de Mendel). Seu cruzamento com o zebu produziu indivíduos, indubitavelmente, de maior peso (págs. 69-70). Impossível teria registrado tudo quanto nos interessa neste precioso volume. De um salto e rapidamente, ouçamos outro discurso do Sr. Carlos Botelho, para chegarmos, por todas as sensatas e lucidíssimas palavras do egregio estadista do Império, o venerando conselheiro Antônio Prado. Brilhante o Sr. Carlos Botelho que o rebanho de Nova Odessa tem infiltrado, e muito mansamente, o sangue indiano, que representará, nos seus descendentes, o próprio zebu, e não o derivado deste (págs. 133-134). A estas considerações o Sr. Oscar Lobo, zootecnista convertido a favor do zebu (já que fora acérrimo adversário), "o zebu tem muitas vantagens, especialmente em nossa pecuária. Se pudéssemos, tiraríamos o zebu dos rebanhos nacionais."

Anúncios, notas e expediente

  • Expediente O Nordeste Redação: Drs. Andrade Furtado e José Martins Rodrigues Administração: A. Ildefonso de Araújo ANO I Fortaleza — Quinta-feira, 12 de Outubro de 1922 NÚM. 88
  • Anúncio À rua Senador Alencar (Palacete Ibiapaba) 30/10, lê-se uma fábrica de descaroçar algodão, composta de: motor inglês de 6 cavalos, 1 descaroçador, com balança com pesos, 1 amolador de serra, em vasta casa na Apipoca. Pode descaroçar 30 fardos de algodão por dia. Na cidade da Itapipoca, com [ilegível] Floriano Peixoto — 154 13/10, aluga-se casa com 28800 de largura na Esperança Major Facundo — 156 11/10.
  • Nota social E A INQUIETAÇÃO MODERNA Jackson Figueiredo
  • Telegrama TELEGRAMAS DO PAÍS (Do nosso serviço telegráfico) RIO, 11 — O "Rio Jornal" publica uma nota informando que o Dr. Epitácio Pessoa autorizou ao Dr. Pires do Rio, ministro da Viação, a convidar vários políticos e técnicos a examinarem as obras contra as secas e emitirem, depois, o seu parecer sobre as mesmas.
  • Telegrama A estátua do Cristo Redentor Ontem, às 10 horas, os operários católicos colocaram a bela imagem do Cristo Redentor no cimo da Coluna do Centenário. Foram queimadas algumas grandolas de foguetes em regozijo pelo auspicioso acontecimento. Congratulamo-nos com os dignos e abnegados promotores do monumento, pelo êxito obtido. O revestimento da Coluna estará, em breve, concluído.
  • Telegrama MANIFESTAÇÃO AO GENERAL CARNEIRO FONTOURA RIO, 10 — Os oficiais da primeira região fizeram, ontem, uma manifestação ao general Carneiro Fontoura.
  • Telegrama OS JANGADEIROS DESPEDEM-SE RIO, 10 — Os jangadeiros norte-rio-grandenses visitaram o ministro da justiça, Dr. Ferreira Chaves, de quem se foram despedir.
  • Telegrama O "MINAS GERAES" RIO, 10 — Deve chegar, hoje, a Buenos Aires, o couraçado "Minas Gerais", que vai assistir às festas da posse do presidente Alvear.
  • Telegrama APURA-SE A ELEIÇÃO DE PREFEITOS RECIFE, 10 — Com exceção do município de Triunfo, onde houve vários conflitos, correu sem alteração a apuração da eleição dos prefeitos e conselheiros municipais em todo o Estado.
  • Telegrama FESTAS A POLÍTICOS RECIFE, 10 — Adiantam-se preparativos para as festas de recepção do Dr. Sérgio Loreto, eleito governador, e do senador Manuel Borba, esperados, respectivamente, nos dias 16 e 18 do corrente.
  • Telegrama MINISTRO LICENCIADO RIO, 10 — O Supremo Tribunal concedeu um mês de licença ao ministro Sebastião Lacerda.
  • Telegrama O "SÃO PAULO" RIO, 10 — O couraçado "São Paulo" seguirá, depois de amanhã, para Santos.
  • Telegrama O PRESIDENTE ALMEIDA RIO, 9 — Chegou à Madeira o presidente de Portugal.
  • Nota social Não há dúvida Depois de Deus só é grande a Virtude. GREGÓRIO DA FONSECA
  • Anúncio VENDEM-SE nesta redação, cautelas da grande Tombola do Centenário, em benefício do Patrimônio do "Dispensário dos Pobres" e do "Patronato das Operárias", mantidos pela "Liga das Senhoras Católicas Brasileiras".
  • Nota social O "Diário do Ceará", de anteontem, deu-me a honra de um reparo, o que importou em negar a quem escreve o direito de criticar um empréstimo estadual antes de realizado. Acha disparidade nos conceitos sobre reorganização de Finanças, comparados com os da negociação de uma operação de dinheiro, mormente quando esta é idealizada exatamente e muito principalmente para resgate final de dívidas antigas do Estado, contraídas talvez pela desastrada aplicação do "Imperialismo financeiro". Magnífica resposta deu-me o "Diário", e mais do que magníficos — enfronhados foram os neologismos que empregou. Fique registrado, para uso público, que aqueles que não seguirem, de olhos fechados, a diretriz dos partidos dominantes, são RABABOS, AZUCRINS, ESFRIAS, ARUÁS e mais do que tudo isto: CAIPORAS. Fique também notado que o "personagem" que se pronunciar, de hoje em diante, a respeito do sagrado empréstimo, será um "intolerável quebrador de linha", como classifica o "Diário". O empréstimo é um segredo administrativo, cujos mistérios não podem ser ainda desvendados por nenhum órgão. Agradeço sinceramente ao "Diário", órgão oficial do Estado (com — c — minúsculo, como ele próprio escreveu, e não quero quebrar a linha) a lição que achou por bem de dar-me... Nunca supus que um artigo tão caipora merecesse uma apreciação tão insigne. De outra vez, quando for descoberta a negociação de um empréstimo — com bases ou sem elas — para ser bem ou mal aplicado — aconselharei a todos os mortais, AZUCRINS ou não, que não se manifestem, que não escrevam — a não ser que o façam com palavras maviosas e bem alinhadas. Em todo o caso, pode-se assegurar como Victor Hugo que — é preferível ser martelo a ser bigorna...
  • Nota social Silvio Percival de Fortaleza.
  • Nota social CÍRCULO CATÓLICO Reúnem-se hoje, às 19 horas, no local do costume, os membros da diretoria do Círculo Católico.
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