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O Nordeste
Novembro de 1922, página 27 · 15 trechos transcritos
Manchetes desta página
- REGULAMENTAÇÃO DO JOGO Telegrama da nossa edição transata dá-nos a notícia de que a Comissão de Finanças aprovou o projeto extinguindo o imposto sobre a regulamentação do jogo. Foi uma medida moralizadora e louvabilíssima do Congresso Nacional. A voz de um luminar do episcopado brasileiro apontara ao país a regulamentação do jogo como providência legislativa altamente repugnante à dignidade que deve presidir a todos os atos da administração pública. O jogo é uma imoralidade e, como tal, o governo deve combater, com energia, e não tirar porcentagem de suas especulações ilícitas. O jogo, na frase vibrante de Ruy Barbosa, é o grande putrefator. «Diathese cancerosa das raças anemizadas pela sensualidade e pela preguiça, ele entorpece, caleja e desviriliza os povos, nas fibras de cujo organismo insinuou o seu germe proliferante e inextirpável». Essas expressões fortes constituem uma verdade crua, uma verdade irrefutável. Regulamentar o jogo e dar-lhe foros de cidade, é legalizá-lo, é fazer que esse vício corrosivo saia das trevas dos antros, onde pulula, para o meio social a que faz os mais deploráveis estragos. O jogo regulamentado seria, sobretudo, a desmoralização das autoridades. Louvamos, pois, a nobre resolução do Congresso, extinguindo a anomalia inqualificável da regulamentação do jogo.
- O ANIVERSÁRIO DO REI DA ITÁLIA A data de hoje é duplamente jubilosa para os italianos, que nela comemoram o aniversário do rei Victorio Emmanuel III e da celebração do armistício, que pôs fim à conflagração europeia, em que tão gloriosa parte teve a nação italiana. Felizmente para ela, esta data pode ser festejada na paz e tranquilidade geral daquele país, há pouco violentamente abalado pelas agitações políticas, de que foram protagonistas os fascistas, cuja vitória consolidou o prestígio dos operários nacionalistas, contra as tentativas do comunismo. O senhor Francisco Angelo, proprietário da "Casa Veneza", iluminará, à noite, fartamente, a fachada do seu estabelecimento, em homenagem à data. «O Nordeste» associa-se prazerosamente às manifestações de júbilo da colônia italiana desta capital, fazendo, nesta data, a ela tão cara, ardentes votos pela prosperidade constante da grande Itália.
- (Do nosso serviço telegráfico) RIO, 10 — O Dr. Arthur Bernardes continua visitadíssimo. A colônia mineira e comissões do operariado e do funcionalismo foram, ontem, cumprimentá-lo. Respondendo aos discursos de saudações, o Ministro [...] vinha [...] julgava-se que funcionários [...] o funcionalismo, dentro dos limites da lei e das possibilidades da Nação, teria, sempre, em S. Excia., um amigo dedicado e leal. Na recepção dada aos operários de terra e mar, S. Excia. exaltou a obra de todos os pequenos e de todos os humildes, cujo concurso é a base indispensável a todo edifício social. Afirmou que, para o barateamento da vida, procuraria estudar a solução das dificuldades que dizem de perto com tão complexo problema. Estivessem certos os operários [...] para alcançar a satisfação das aspirações justas daqueles cujo trabalho infatigável os tornava merecedores de toda a atenção e de toda a solicitude das classes dirigentes. — A Associação Comercial visitou, ontem, o Dr. Arthur Bernardes.
- [...] a produção da fábrica, ou esta seria abandonada. Quase em iguais circunstâncias, não é outra coisa o que está fazendo o governo do estado, quando quer o aumento e melhora do ensino em reformas, sem pagar, sequer, o mesquinho ordenado às pobres professoras. O abandono da instrução não será tão fácil como seria aos operários o abandono da fábrica; e é confiado nisto, queremos dizer, na submissão do professorado até os vicissitudes da fome, que o governo abusa impiedosamente, desrespeitando seus direitos e rebaixando os educadores à condição de pedintes, como se o ensino não fosse a [...] instrução. Dirigindo-se aos funcionários públicos, declarou que o [...] elogia o esforço e dedicação das diligentes preceptoras. [...] as faculdades de apreensão, observação e memória, como seria mais racional. Mas [...] Defeitos a que está sujeita a reforma floral à qual mendigas. Aquela injustiça, por maior que seja, é dos governos e somente deles, porque não cuidam seriamente da instrução. Não sendo impossível aumentar a instrução, senão a todos, pelo menos à quase totalidade, sem grande acréscimo de despesas, só haverá um meio: é recorrer à criação da classe de adjuntos, para o qual não faltarão até mesmo normalistas diplomadas, que mais tarde deveriam ser preferidas no provimento de cadeiras. A verdade é que, tendo bem localizadas as escolas, não haverá uma só em que não se apresentem, solicitando matrícula, setenta ou mais crianças; e, portanto, as professoras terão de passar pelo desgosto de ver voltarem da porta as infelizes criaturinhas, para as quais não chegará a esmola do ensino. É um cupom de bônus real. Use-o para [...] de S. V. de [...]. Muito aquém do [...] de ensinar até quarenta e cinco. Mas, auxiliada por uma boa vontade e esforços do ilustre professor Lourenço Filho, conseguirá ensinar setenta e cinco ou oitenta, não lhe faltando mobiliário e material escolar, tudo mesmo o mais modesto. Que se diria do industrial que tentasse melhorar suas máquinas, reformar seu estabelecimento, contando, para tanto, com os recursos destinados ao salário dos operários, aos quais privaria dos pagamentos em dia? Tal procedimento não teria [...] da pobreza do povo, às condições precárias das escolas e mesmo à mentalidade pouco desenvolvida da maior parte das crianças, filhos, netos e bisnetos de analfabetos. O menino, cujos bisavós, avós e pais nunca conheceram uma letra do alfabeto, é uma pedrinha bruta em que ajuda melhor e com mais vantagem a ferramenta grosseira, do que a fina e aperfeiçoada. Ensinando a ler quanto mais, melhor, devemos preferir, por ora, a quantidade à qualidade, porque, sem um pingo de analfabetismo, nem unidade de método na educação popular, a preocupação máxima deverá ser a difusão do ensino na mais larga escala, pois, sem a desanalfabetização do povo, não conseguiremos, senão em parte, realizar o ideal da perfeição. Rios e outros gastos, é crueldade, porque esse atraso do funcionalismo importa num empréstimo forçado, ou numa obra de caridade a [...] E por fim sairá uma reforma [...] muito aquém do [...] de ensinar até quarenta e cinco. Mas, auxiliada por uma boa vontade e esforços do ilustre professor Lourenço Filho, conseguirá ensinar setenta e cinco ou oitenta, não lhe faltando mobiliário e material escolar, tudo mesmo o mais modesto. Mas, nas reformas do ensino, parece-nos, não se cogita disto: o pensamento dominante dos governos e dos mestres tem sido o aperfeiçoamento dos métodos, sem se atender à pobreza do povo, às condições precárias.
- A EXPOSIÇÃO DE TRABALHOS DOS GRUPOS ESCOLARES Abriu-se, ontem, às 14 horas, nos salões inferiores do prédio onde funciona a Escola Normal, a exposição de trabalhos escolares, organizada pela diretoria de Instrução Pública. Viam-se dispostos artisticamente e em ordem, nas mesas e carteiras do salão, trabalhos apresentados pelos alunos de todos os grupos desta capital, em número de dez, e mais da Escola Modelo. Não é, em absoluto, uma novidade em nosso meio uma exposição desta ordem. O público de Fortaleza tem assistido a muitas, principalmente dos estabelecimentos de ensino particular. O que é novo, ali, para nós, é a orientação melhor que presidiu à sua organização, consequência do impulso dado, este ano, com a reforma do ensino, à instrução pública do Estado. Se nós não viéssemos, desde alguns meses, acompanhando de perto e com atenção os serviços de remodelação do ensino oficial, o seu constante progresso, a despeito de todos os obstáculos, e principalmente dos consequentes da parcimônia de recursos do Estado, teríamos na exposição inaugurada o argumento decisivo das vantagens da reforma empreendida. O que principalmente percebe, quem examine os trabalhos expostos, não com o fito único de notar as perfeições, ou defeitos, mas, para assim dizer, o seu espírito, é este critério diretor de que eles são um auspicioso resultado: tornar a escola primária eminentemente educativa. Tudo se revela muito especialmente, dentre grande cópia dos expostos, nos exercícios de desenho do natural, cartografia e trabalhos manuais, não se restringindo estes últimos aos trabalhos de tecelagem e dobragem de papel, alinhavo em cartões, etc. É sobretudo nesses que se nota o progresso real das escolas públicas do Estado. Nelas não se ensinava o aluno a desenhar do natural, ou o desenho geométrico ou pela cópia de modelos. O resultado seria que nunca se formaria o senso estético das crianças, nunca se educaria o gosto das classes populares, sem o qual não há povo que produza artistas de verdade. Pois ali se veem, já, os frutos da iniciação dos alunos no desenho do natural, pela observação direta das coisas; e força é confessar que os trabalhos apresentados denunciam excelentes pendores artísticos. Outra seção da exposição escolar muito interessante é a constituída pelos trabalhos de cartografia, em que se notam, desde os simples diagramas com o contorno do Brasil e dos Estados, especialmente do nosso, até os cartas completas, com todos os relevos do solo e acidentes naturais, divisão dos membros federados, localização das cidades, etc., tudo isso, em algumas, até mesmo coloridas, feito com uma firmeza de traço e precisão de detalhes que maravilha. Merece menção especial a parte da exposição, em que se veem os trabalhos de tecelagem e dobradura de papel. Neles, prende, não só a melhor ou pior execução, mas o lado educativo e prático, porque esses exercícios, feitos no papel, são o aprendizado para trabalhos de tecelagem em palha, etc. Não devemos deixar de parte os exercícios escritos e provas de exame. Ali se salientam a caligrafia vertical dos alunos; os trabalhos. Por isso, a exposição veio provar em toda parte, por ocasião da matrícula, que as professoras darão preferência aos filhos dos pobres, daqueles que somente tão brasileiros para pagar. O que faltava era uma direção coordenadora, que estimulasse os esforços despendidos. Verdadeiros pobres, daqueles que somente tão brasileiros para pagar. Escola-modelo, cujo concurso muito naturalmente unânime e valioso se deve a tão belo resultado. No lugar onde vão ensinar.
- A CANDIDATURA EPITÁCIO À VAGA DE SENADOR PELO CEARÁ (Do nosso serviço telegráfico) PARAHYBA, 10 — Toma cada dia maior vulto, sendo objeto de comentários gerais das rodas políticas, a notícia de que os cearenses oferecerão ao presidente Epitácio Pessoa a vaga de senador por este Estado, aberta com a escolha do Dr. Francisco Sá, para ministro do governo Bernardes. Dada a insistência do boato, considera-se aqui que há certo fundamento a respeito do mesmo.
- A SITUAÇÃO PRESIDENCIAL NO RIO GRANDE DO SUL PORTO ALEGRE, 10 — Quarenta, em todo o Estado, a propaganda da candidatura [...] e o sucesso do Dr. Medeiros. E tem levado e constantes adesões. As eleições realizaram-se a 2 do corrente. Observa-se que o Dr. Auto [...] reeleição do atual presidente.
Anúncios, notas e expediente
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- Expediente Nordeste Redação: Dr. Andrade Furtado e José Martins Rodrigues Administração: A. Ildefonso do Araújo Ano I Fortaleza, Sábado, 11 de Novembro de 1922 Número 113
- Telegrama Não há dogma no Catolicismo que não tenha as suas razões na profundeza mais íntima da natureza humana. DE MAISTRE
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- Nota social JORNAL DOS JORNAIS Correto do Ceará — A conclusão do discurso do Dr. Thomé Pompeu, notícias locais e copiosas informações telegráficas de que se salientam dados minuciosos sobre o assassínio do Dr. Bandeira Filho, no Recife, constituem a edição de ontem. Diário do Ceará — No primor editorial, "O novo governo", trata o «Diário» da personalidade do presidente Bernardes, das manifestações ao mesmo no Rio e das qualidades pessoais do eminente estadista, demonstradas como administrador capaz, no governo de Minas e, como político de rija enfibratura, na agitada campanha presidencial. Conclui, afirmando que «o dever dos brasileiros não pode ser outro, senão o de dispensar-lhe a confiança e simpatia a que tem direito». Entre outros assuntos que estampa, avulta o que trata da viagem do deputado Moreira da Rocha a este Estado. Contesta que ela se prendia às combinações políticas em torno da senatoria, atribuindo-a a motivos de saúde. Mas é justamente o que todo mundo pensa: a viagem é determinada pelo grave estado de sua saúde... política! A Tribuna — Mistura a edição de ontem com o editorial "A instabilidade do momento político", em que um articulista procura fazer crer aos outros que tudo vai de mal a pior, que o país está dividido radicalmente, quando todo mundo sabe que hoje até os elementos do Estado do Rio são bernardistas e que o futuro presidente se vê com segurança para iniciar seu governo. Os sebastianistas do último estão muito convencidos de todas essas fantasmagorias em que ninguém crê, porque não há ninguém tão ingênuo para tapar o sol com uma peneira... Estampa, ainda, transcrições, telegramas e noticiário local. Pilherizando sobre a viagem do deputado Moreira da Rocha, diz que o «líder» cearense vem chamado do Sr. Vicente Píxila, o qual não vai muito longe, o de só ter licença para bancar jogo nas vésperas das eleições.
- Nota social COLUNA DO CENTENÁRIO AO CRISTO REDENTOR Esta redação continua a receber donativos para o monumento a Jesus Cristo Redentor. Temos, hoje, as seguintes quotas: Quantia publicada: 823$000 Um jornalista: 100$000 Um anônimo: 10$000 Total: 933$000