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O Nordeste

Dezembro de 1922, página 63 · 26 trechos transcritos

Manchetes desta página

  • social, elementos tão nefastos à coletividade. Uma última observação. Se [...]. Confiamos que o chefe do governo tomará as providências que se impõem, não permitindo que por mistificações e ajeitamentos políticos seja torcida a lei e deixe
  • A Itália volta à religião tradicional São muito animadoras as notícias que nos chegam, através dos jornais da Itália, sobre a nova orientação daquele país, no que diz respeito às relações oficial. [ilegível] Católica. A prova disso bem se verifica nas grandes festas de 4 de Novembro último, por ocasião de ser celebrada, em todas as cidades daquela nação, o aniversário da vitória das armas reais em Veneto. Não houve, nas magníficas excursões populares, nenhuma ressalva de anticlericalismo; a imprensa cercou de consideração e respeito a autoridade pontifícia, denunciando assim que outros são os tempos agora atravessados pelo nobre povo romano. Mas o que sobretudo admira e atrai a atenção é o espetáculo de o novo governo decretar a participação oficial, com todo o corpo diplomático nas cerimônias religiosas da Basílica de Santa Maria dos Anjos, em Roma. Não se pode ocultar o valor desse ato, que vem mostrar ser muito diferente a atmosfera religiosa da Cidade Eterna, sob o regime do novo chefe do ministério. O «Osservatore Romano» comenta o artigo do jornal republicano «Idéa Nazionale», sob o título significativo «Ritorno a Dio». É um brado de reconhecimento da volta da Itália, não a um «Deus sem dogma», ao grande Arquiteto do «Ente Supremo», a uma numa laico, democrático e humanitária, mas ao Deus das suas tradições milenárias, da Igreja Católica, Apostólica, Romana. A Itália volta ao Cristo, redimida do sacrifício de seus 500 mil mortos da guerra. Foi esse sacrifício, de fato, que a fez reintegrar-se no coração dos seus cidadãos, de que estava dissociada por mais de meio século. A fé religiosa é que fez nascer no país a fé nacional. Andou, portanto, muito bem o Governo em reconhecer esta verdade e em se representar na cerimônia comemorativa da vitória, rendendo pública homenagem ao rito católico, que a imensa maioria dos italianos professa. Há no sangue do próprio povo como que o nutrimento espiritual da sua história gloriosa e profundamente cristã. Não vemos, portanto, ato algum mais justo e de significação social mais educativa e legítima. Na igreja de Santa Maria dos Anjos e sobre a tumba do Soldado Desconhecido encontraram-se, afinal, o ministro de Deus e o representante do governo da Itália. Esse acontecimento representa a expressão histórica da vontade de uma nobre nação. A reconciliação da Itália oficial com o sentimento religioso do seu povo rasga horizontes novos e proporciona àquela nacionalidade alvissareiros auspícios de um futuro de bênçãos. É o que sinceramente esperamos, ao terminar a leitura dos informes que acima resumimos, publicados nos «Annali», excelente revista católica de Milão.
  • O PRESIDENTE DO SUPERIOR TRIBUNAL DA BAHIA (Do nosso serviço telegráfico!) BAHIA, 20 – Foi reeleito presidente do Superior Tribunal de Justiça, o Dr. Pedro Ribeiro Bittencourt.
  • Ecos de sua passagem em Camocim A comissão de [...] e o presidente do Estado, foram a bordo [...] a Pinheiro Machado, Hinton e seus companheiros. No desembarque, falou, em nome desta cidade, o Sr. Raul Rocha. Em seguida, um cortejo de três pessoas acompanham os aviadores à residência do Sr. Tobias Navarro, onde falaram a senhorita Maria do Rosário, recitando uma poesia; Raul Rocha; e a senhorita Nair Fontenelle, em belo discurso. Martins agradeceu, comovido, aquelas homenagens, declarando-se feliz em receber da juventude de sua terra natal tão significativas homenagens. O banquete aos aviadores realizou-se às 14 horas, falando o Sr. Raul Rocha que o ofereceu em nome de Camocim. Saudou, em inglês, os aviadores, o escriturário da delegacia, Sr. Moura. Às 19 horas, o aviador Martins, acompanhado do povo, assistiu à aposição de uma placa comemorativa na casa em que nasceu, discursando, então, o Dr. Lemos. Às 21 horas, realizou-se uma sessão cívica nos salões do «Sport Club», orando o Dr. Faustino Albuquerque e o Sr. José Cândido. Fez a entrega aos aviadores de um cartão de ouro, com afetuosos dizeres, a senhorita Rosa Aguiar, tendo o Sr. Pedro Morel recitado um soneto alusivo ao ato. Martins discursou, depois, longamente, narrando as peripécias de sua viagem, afirmando que contrariava o pensamento de Sacadura, expresso em Recife: «Voo porque penso, porque sei voar». Os aviadores partiram às 8h52 da manhã de ontem, sob delirantes aclamações populares.
  • As festas que se preparam na Paraíba PARAÍBA, 21 – Chegaram a Natal os aviadores Hinton e Martins. O hidroavião «Sampaio Correia» é esperado aqui amanhã. Preparam-se grandes festas para a sua recepção. Houve, ontem, uma reunião no Palácio do governo para assentar as festas em honra dos intrépidos navegadores do ar.
  • Recife também se apresta RECIFE, 21 – Esta cidade prepara-se para receber os aviadores Martins e Hinton, esperados aqui depois de amanhã. [...] A população mostra-se vivamente interessada no raid, sendo geral o entusiasmo pelas festas de sua recepção. Estados sobre as possibilidades econômicas do Cariri, tratando dos estados para se provar a existência do carvão de pedra, naquela rica região.
  • Urgem providências das autoridades do Estado Tem causado a maior indignação em toda a zona sul do Estado o bárbaro crime, cometido em Missão Velha, há poucos dias. A notícia deste atentado chega-nos, agora, por pessoas vindas dali. Um grupo de cangaceiros assaltou na estrada de Arraial, bem próximo à Missão Velha, o negociante José Pequeno. Os bandidos revistaram-no, roubaram-lhe o dinheiro que trazia e, em seguida, desatendendo às suas pungentes súplicas, dispararam contra o mesmo vários tiros, sangraram-no e lhe furaram os olhos, mutilando ainda, selvagemente, o cadáver. A vítima vinha sendo ameaçada, anteriormente, por gente poderosa e conhecida da terra. Foram vistos, em determinada casa, por pessoas de responsabilidade, segundo nos afirmaram, cabras armados, às primeiras horas da manhã do crime, que se realizou às 10 horas do dia. José Pequeno era benquisto em Missão Velha, onde comerciava há tempos. Deixou viúva, que se encontra gravemente enferma em consequência do abalo horrível por que passou, e oito filhinhos menores. Os apontados como responsáveis pelo bárbaro atentado fizeram, igualmente, ameaças aos Srs. Virgílio Correia e Hermógenes Bezerra, tendo estes cidadãos pedido, segundo nos informam, garantias de vida ao Dr. Chefe de Polícia. O governo enviou àquela localidade o Capitão Bezerra, no caráter de delegado especial, e ordenou que o promotor público de Barbalha seguisse para Missão Velha a fim de tomar as providências iniciais. O juiz municipal do termo acha-se no gozo de licença, estando no exercício do cargo um suplente, filho do Sr. Manuel Dantas, sobre quem recaem acusações graves de culpabilidade no caso. O governo deve proceder com a necessária inflexibilidade, mandando apurar as responsabilidades de tão hediondo crime. Urge a designação de um juiz enérgico para aquele termo a fim de proceder com retidão e justiça em desafronta da sociedade. É preciso que assassínios assim revoltantes não fiquem absolutamente impunes, a salvo da aplicação das leis repressivas do nosso código, pela proteção e amparo de uma politicagem que nos rebaixa os foros de gente policiada. Sem a punição desses matadores profissionais o crime há de proliferar em todos os cantos da nossa terra.
  • Diário do Ceará Sua edição de hoje abre com um editorial, sobre as possibilidades econômicas do Cariri, tratando dos estados para se provar a existência do carvão de pedra, naquela rica região. Vos do Dr. Marcos de Macedo, em 1855, a opinião do Barão de Capanema, em 1859, que viu um afloramento de xisto próximo ao Crato, e as explorações que, há 20 anos, vêm realizando o Conde Adolpho Van den Brule. Por último, o artigo se refere à memória que, sobre o xisto betuminoso, apresentou o Sr. Fróes Abreu ao 1º Congresso Brasileiro de Carvão e outros combustíveis. O Sr. Fróes afirma que o Crato há de ser proximamente, com a chegada da via férrea, importante centro, cujas necessidades de energia industrial poderiam ser resolvidas com os xistos betuminosos, que, se não prestam para ser queimados diretamente em fornalhas, são de excelente qualidade como produtores de óleo. «Mediante a exploração dos xistos, poder-se-á obter óleo combustível para os gastos dos Estados do Norte, e, assim, de par com uma grande economia para os cofres nacionais, se poderá atenuar a prática de um grande crime — a devastação das escassas florestas do nordeste».
  • Jornal dos jornais Correio do Ceará — Publica copioso serviço telegráfico, dando informes sobre o raid do Sampaio Correia e sobre as últimas resoluções da Câmara e do Senado e política em geral.
  • O Dr. Gilberto Câmara escreveu um artigo, expendendo o seu juízo crítico sobre uma antologia de autores franceses, organizada com trechos escolhidos dos mesmos, pelo Dr. Des Granjes, autor de outros bem dirigidos estudos de escritores clássicos.
  • A Gazeta — Comenta o fato de os aviadores não terem evoluído sobre Fortaleza. Acha que, pela direção que, a princípio, tomara o avião, parece fora de dúvida que pretendia fazer algumas evoluções sobre a cidade, o que não realizaram devido à ausência de qualquer sinal com que os poderes públicos lhe anunciassem a passagem; de modo que, assim, os aviadores teriam levado a triste impressão de adejarem sobre uma cidade morta. Censura o presidente do Estado pelo desinteresse que demonstrou a respeito do raid, oferecendo a «misérrima quantia de 200$000», para a recepção dos argonautas. Conclui afirmando que a mensagem de Hinton e Martins, desculpando-se de não terem feito evoluções pela diversidade do vento, não significa nada mais que um gesto de simples cortesia dos valentes itinerantes, não podendo servir de dirimente para a grande falta do governo cearense.
  • A revogação do ensino CURSO DE FÉRIAS Desperta o maior entusiasmo no seio do professorado do interior do Estado, a iniciativa da Diretoria da Instrução anunciando um curso de férias, composto de lições práticas de pedagogia e higiene. A oportunidade de receberem as indicações dos novos métodos que a reforma preconiza, de observar diretamente o funcionamento da Escola Modelo e Grupos da capital, tem um valor prático incontestável. As aulas serão iniciadas no próximo dia 28, quarta-feira, às [ilegível] horas da tarde, [ilegível] dos galgos desta capital ou do interior, deverão inscrever seu nome na Diretoria da Instrução. Só os inscritos terão o direito de assistir às aulas práticas na Escola Modelo ou Grupos. A primeira aula, a cargo do Prof. Lourenço Filho, no dia 28, versará sobre este tema: «Valor e Necessidade do Método». [...]
  • Coluna do Centenário ao Cristo Redentor Desde que a estátua de Jesus Cristo está montada no seu pedestal, já podemos dar uma ligeira descrição da coluna do Centenário ao Cristo Redentor. As colunas comemorativas mais célebres são: A coluna Trajana, ereta em 112, de nossa era, em Roma, de 44 m. de altura. A coluna de Vendôme em Paris, igualmente de 44 m. de altura, como a precedente, de que é uma reprodução quase exata. A coluna de Londres, chamada o «Monumento» de 51 m. de altura. A coluna de Washington em Baltimore, de 54 m. de altura. A coluna de Julho em Paris, de 50 m. de altura. Foi criado o modelo observado na construção da nossa coluna. O soco, 5 m. de lado e 2 de altura. O fuste ou o tronco tem 18 m. de altura e 3 de diâmetro na parte inferior e 2,70 na parte superior. O pedestal da estátua tem 4,50 m. e a estátua 2,70 m. com a cruz 3,50. Altura total 35 m. No interior da coluna uma escada em espiral de cimento armado de 115 degraus, leva a uma plataforma de 1 m. de lado, cercada de uma balaustrada também de cimento armado, é o ponto acessível mais alto da cidade, 44 metros acima do nível do mar. O pedestal da estátua é o primeiro a receber um relógio de 4 mostradores. Entre as volutas do capitel há 4 escudos de um metro de diâmetro com as armas do Brasil, do Papa, do Ceará e do arcebispo de Fortaleza. Na base da coluna, em frente, uma escada de 2 metros de altura dá acesso a um nicho ou capelinha em que, em dias de maior solenidade, pode ser celebrada missa campal. O peso total da coluna é calculado em 800 toneladas. Gastaram-se 20 vagões de pedra, 30.000 tijolos, 50 barricas de cimento, 2000 latas de cal e cerca de 4000 kg. de treliças. A comissão construtora deseja realçar o pedestal cobrindo-o com placas de mármore. Foi uma ideia feliz a de propor às famílias cearenses, às cidades, às irmandades ou mesmo aos particulares mandarem gravar o nome no pé do monumento ao Cristo Redentor. Não é um ato de vaidade fútil, mas uma homenagem a Nosso Senhor e à Pátria. Felizmente a ideia vingou e já vai longa a lista dos nomes no livro do monumento. Mediante 1$000 por letra grava-se o nome. Mais uma observação. Muitos acham a estátua pequena. É impressão quase geral. Por nossa vez também gostaríamos que fosse um pouco maior. Mas a impressão deve ceder diante da regra que quer, pelo menos pelos modelos mais perfeitos que possuímos, que a estátua seja da décima para a décima terceira parte da altura total da coluna. Trafalgar, um décimo; Vendôme, um doze avos; Trajano, um doze avos; Washington, um treze avos. Nosso Cristo tem um décimo com a cruz, um treze avos com a cruz. Pensemos que a coluna não é o pedestal da estátua, mas é por si mesma um monumento, de que a estátua é a coroação e cada estátua tem seu pedestal próprio, acima do capitel da coluna.
  • Desencontro [...] de horas nos trens da Baturité Da irreconciliável divergência existente entre os relógios da Prefeitura e da Estrada de Ferro. Frequentemente há cidadãos e também famílias prejudicados pela perda de trem; mas não há remédio. Nem o Sr. Véras quer se sujeitar à hora oficial da cidade, porque S. S., muito egrégio funcionário federal, não se há de submeter ao relógio do município, nem tão pouco o Sr. Prefeito reconhece autoridade naquele engenheiro para ditar hora a esta nossa terra, cujo governo lhe está confiado... O pobre povo é que vai sofrendo as consequências do alto capricho de tão eminentes cidadãos, a quem temos recorrido debalde, no sentido de não conservar assim intrigados e desavindos os dois cronômetros aludidos, mau entendimento que dá lugar a frequentes aborrecimentos e danos de toda sorte a toda gente. Que se há, porém, de fazer?

Anúncios, notas e expediente

  • Expediente Administração: A. Ildefonso de Araújo ANO I Fortaleza, Sexta-feira, 22 de Dezembro de 1922 NÚM. 146
  • Telegrama Soneto de Julio Maciel Poesia eterna
  • Anúncio Oelho & Cia. > acondiciona- ANEJOS 35 & Cia anda este 3 & C. 156 m.c.
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  • Expediente O Nordeste Redação: Dr. A. R. Furtado e João Martins Rodrigues
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  • Telegrama Um cupom de bonde vale um real. Guarde-o para os pobres de São Vicente de Paulo.
  • Telegrama Poesia, a ti, somente, a morte não te aterra. Poesia, é imorredoura a essência que te anima: Quem acaso haverá nesse paúl da terra, Quem, fênix imortal, que os teus surtos reprima! Não morrerás: em ti toda a vida se encerra. Diga de amor o Verso ou cóleras exprima, Na flauta pastoril ou na trompa de guerra Cantarás, viverás, Arte egrégia da Rima. Eterno sonhador, no eterno sonho imerso, Corda a corda a vibrar o módulo instrumento, Sempre há de o Poeta encher de harmonia o universo. Homem rude, por mais que a Poesia apostrofes. Vencendo o teu clamor, baldando o teu intento, Hão de resplandecer, como sóis, as estrofes!
  • Expediente “O NORDESTE” Redação e Administração Praça General Tibúrcio n. 100 Assinatura anual: 10$000 Semestre: 5$000
  • Telegrama [...] e justifica [...] da [...] porque estes [...] irem [...] funcionamento, dentro e hoje dos [...] que o Brasil [...] do que sacrifício [...] comum, esteve a caber. posse, a funcionar os contribuintes às classes do presidente dos conselhos. [...] bem [...] Sr. Joaquim [...] abnegação. O povo tem o continuar a [...] que, em [...] STE. [...] original. [...] lições. Que ele [...] mais [...] primeira. [...]
  • Expediente Não se restituem originais. Os anúncios são pagos adiantadamente.
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