Hemeroteca

O Nordeste

Janeiro de 1923, página 1 · 14 trechos transcritos

Manchetes desta página

  • Polícia no Batalhão O Sr. Ildefonso Albano concede uma entrevista ao correspondente d'O Nordeste, que deve ser divulgado ao conhecimento do país. Voltamos para o assunto, a valiosa preciosa dos nossos leitores. Isso causou esplêndida impressão e recebeu os mais legítimos aplausos o ato do Exmo. Sr. Dr. Serpa Cardoso, presidente do Estado, facultando a criação de uma capelania na Força Pública Estadual. Ressalta à evidência a alta significação dessa medida moralizadora, qual é a de proporcionar aos servidores da pátria — os soldados — meios fáceis de praticar a religião, única e verdadeira base de perfeição moral. Com sumo prazer transcrevo para nossas colunas o seguinte ofício do tenente-coronel Jacinto da Silveira, comandante do Batalhão, expondo os motivos em que fundamenta o pedido de permissão para serem celebrados no quartel os atos da Religião Católica: "Existindo, nesta corporação, grande número de oficiais e praças católicos, peço permissão a V. Exa. para alvitrar a criação de uma capelania neste quartel, a cargo de um sacerdote da Igreja, destinada, sem prejuízo do serviço e da liberdade de cultos, a celebrar os ofícios da religião que professamos, base de todo o aperfeiçoamento moral." "Achando-se a Igreja cada vez mais identificada ao Estado, na ação educativa, estou certo de V. Exa. atenderá à solicitação contida neste ofício, e despachará as necessárias providências para que seja satisfeito o louvável desejo da Força Pública de Sergipe. Atenciosas saudações." Seção "Noticiário do Dia". Longe desse dever se acham os exércitos e tripulam as [...]. Mas esses lidadores, que se apressam a morrer, nos campos de batalha ou nas vagas do oceano, pela segurança, pela integridade, pela honra nacional, não abjuraram, vestindo as armas, a consciência religiosa. Levam consigo a sua fé, o seu Deus, as suas esperanças na imortalidade, o culto de seus pais. Rui Barbosa, em seguida, passa a considerar o moral das nossas tropas, depois que a República em má hora suprimiu os capelães militares, e profere este importantíssimo testemunho, acompanhado de séria advertência. Ei-lo: "Estudem o desenvolvimento da criminalidade militar, entre nós, e hão de verificar, tenho por certo, que a delinquência adquiriu, nessa esfera, expansão notável e crescente, desde que se varreu dos quartéis a influência civilizadora do culto. Os nossos exércitos de terra e mar constituem, hoje, a este respeito, pela mais errada inteligência das nossas liberdades constitucionais, uma exceção absurda entre os povos civilizados. Das coisas sérias, em nossa terra, por via de regra, não se cogita. Mas o soldado brasileiro há de sentir um dia que o estão desnaturando, e tomará, nas próprias mãos, pacífica, mas resolutamente, a causa da sua reconciliação religiosa. Ou então, ai de nós! Quando o ateísmo de fuzil e baioneta se inflamar nas explosões da crueldade." À vista dessas sábias ponderações do imortal jurisconsulto patrício, não há quem não veja a necessidade de um passo decisivo para essa reivindicação do soldado brasileiro. Perfilhando os princípios americanos, o positivismo, que plasmou a República, afastou do quartel a tradição católica, impondo praticamente o alheamento ao soldado, ao soldado brasileiro que no ideal cristão ganhou os foros de suas mais sólidas glórias. Ainda nos lembram velhos soldados do Paraguai, que, olhos marejados de saudades, contavam os atos religiosos que precediam. (Do nosso serviço telegráfico) RIO, 30 — Entrevistei o Sr. Ildefonso Albano, que acaba de regressar da América e tomará passagem para esse Estado, a bordo do "Minas Gerais". O vice-presidente do Ceará prestou-me as seguintes declarações: "Apesar das péssimas informações que havia, na América, sobre o Ceará, consegui um empréstimo em boas condições, devendo o produto do mesmo ser empregado na conclusão da rede de esgotos e em outras obras públicas, como reconstrução do matadouro, do mercado, da casa da câmara, de um forno crematório, etc. Um engenheiro americano deve chegar brevemente ao Ceará, para iniciar, imediatamente, as obras. Os esgotos, há muito desejados pela população de Fortaleza, vão ser concluídos devido à energia e força de vontade do eminente presidente Serpa, que tem tido grande preocupação em dotar a capital do meu Estado com tão importante melhoramento, além de outras medidas patrióticas do seu fecundo governo. Aproveitei o tempo de minha estadia na América, para percorrer a zona algodoeira, que encontrei desanimada, devido ao gorgulho que destrói o algodão e impede os Estados Unidos de produzir esta malvácea nas quantidades anteriores à guerra. A situação do Ceará, para o algodão, é excepcional. Precisamos agir com presteza e energia. O eminente presidente Serpa está disposto a agir, a esse respeito. Conferenciei com o Dr. Miguel Calmon, ministro da agricultura, que me prometeu auxílio eficaz. Visitei, também, na América, os açudes e vi os milagres obtidos pela irrigação nos desertos dali. Volto, pois, cada vez mais convencido do brilhante futuro que a açudagem assegura ao Ceará. Muito estudei na América e regresso dali com ideias novas, no sentido de promover o desenvolvimento econômico do Ceará e de introduzir indústrias novas, aproveitando, para isso, a grande industriosidade do nosso [...]." Interrogado sobre o movimento católico nos Estados Unidos, S. S. assim exprimiu as suas impressões: "O catolicismo, na América, é uma força pujante, cheia de vida. Há, ali, numerosas escolas, universidades, jornais, livros, revistas e sociedades católicas, das quais sobressai a dos "Cavaleiros de Colombo". Os católicos na América são mais numerosos do que os elementos de qualquer outra denominação religiosa. Os negros são radicalmente separados dos brancos, em tudo, até mesmo nas igrejas. Somente na Igreja Católica não há separação de raças."
  • Os Srs. Joaquim Salles e Mello Júnior atiçaram a censura.
  • A comissão de finanças estuda os orçamentos da justiça, da marinha e da Guerra.
  • América — Vão começar as obras de esgotos e outros serviços públicos.
  • Finanças do Senado, resolveu-se dar início à tabela Lyra para os funcionários do quadro. Ceará e o algodão. O catolicismo nos E. Unidos.
  • O Sr. Irineu Machado impugnou o [...], mas a prensagem [sofreu] entardamento. Na conferência da A[ssociação] há poucos dias, [com] Pearse, tivemos um ilustre [...].
  • Os orçamentos no Senado RIO, 30 — No Senado, na sessão diurna, travou-se forte discussão entre os Srs. Frontin, Irineu Machado e Álvaro de Carvalho, sobre a Tabela Lyra. Foram aprovados, em última discussão, os orçamentos do Interior, da Aviação e da Marinha, sendo aprovado o da Fazenda, em segunda discussão.
  • A Lyra reduzida só a 25%. RIO, 29 — Na sessão noturna do Senado, segundo proposta do Sr. Frontin, baseado num acordo entre as correntes partidárias, foi aprovada uma emenda ao orçamento da Fazenda, reduzindo somente em 25% a Tabela Lyra. O Sr. Rosa e Silva atacou, fortemente, o projeto do banco emissor.
  • Até pela madrugada RIO, 30 — As sessões da Câmara e do Senado, hoje se prolongaram até de madrugada.

Anúncios, notas e expediente

  • Expediente Ano I O NORDESTE Redação: Drs. Andrade Furtado e José Martins Rodrigues Administração: A. Ildefonso do Araújo Fortaleza - Terça-feira, 2 de Janeiro de 1923
  • Telegrama Suporta as desgraças e consola-te: a verdadeira desgraça é perpetrá-las. PITÁGORAS. NÚM. 153
  • Telegrama Telegramas para o grande sacrifício da pátria, se retemperava na prece. No dia seguinte o mundo admirava uma proeza do nosso patriotismo e a história brilhava com uma vitória mais de nossas armas. Era naqueles tempos. Mas a República precisa mais de fé. Dizia Tocqueville: "O despotismo é que passará sem a fé: a liberdade não passa." O Dr. Serpa Cardoso é o autor do célebre projeto, apresentado na Câmara para facultar aos quartéis e navios de guerra os capelães militares. Chegando a Sergipe, fez-se sentir a eficiência de sua sinceridade quando apresentava o último projeto. Parabéns a Sergipe. Incursão de Nova Friburgo.
  • Telegrama DO PAÍS As últimas. O orçamento da Receita, sendo atendido. O Sr. Irineu Machado comunicou o parecer da Comissão de Finanças, mostrando as suas várias funções do [...]. Trabalhos na Câmara RIO, 30 — Na Câmara, o [...]. Um cupom de bonde salvou um filho [...] de Paulo. O Senado, no dia 29 RIO, 30 — No Senado, o Sr. Justo Chermont defendeu fortemente a ação da [...]. Joaquim Moreira defendeu o governo do Estado, especialmente quanto à valorização do café. O Sr. Augusto de Lima atacou fortemente o discurso que o Sr. Pessoa de Queirós pronunciou ontem na sessão de anteontem, dizendo que criticou o que não deve ir, e sim, totalmente, a fim de fazer política. Assinalam uma censura policial. O Sr. Irineu Machado falou sobre os orçamentos e a lei da imprensa de predomínio. O Sr. Costa Rego criticou, fortemente, a imprensa. O Sr. Lauro requereu urgência para a discussão do projeto. Foi recusado.
  • Telegrama A sessão noturna RIO, 30 — Na sessão noturna da Câmara, o Sr. Bueno Brandão defendeu o governo, justificando vários [atos] do mesmo. Em suas afirmações, [mencionou a] Bahia como um Estado [atrasado] no pagamento aos seus funcionários. RIO, 30 — O Sr. Bueno Brandão respondeu, defendendo o chefe de partido e [...].
Compartilhar