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O Nordeste
Janeiro de 1923, página 15 · 23 trechos transcritos
Manchetes desta página
- O senador pelo Amazonas RIO, 5 — A afinidade que o general Urbano Lima será o futuro senador pelo Amazonas.
- Retrato de madeira nacional RIO, 5 — Vai ser oferecido ao presidente da República um pedaço de madeira.
- O assassínio de Euclides da Cunha RIO, 5 — A pedido do tribunal do júri, a justiça autorizou o Museu Histórico a [...].
- Notas Incineradas RIO, 4 — A Caixa de Amortização fez incinerar, hoje, nas fornalhas do Lloyd, 6.991 contos, de notas dilaceradas.
- Impostos recolhidos RIO, 4 — A junta de corretores recolheu ao Tesouro 2:071$, do Imposto das operações sobre café, açúcar e algodão, no mês de dezembro.
- A missão militar RIO, 4 — De acordo com a solicitação do Estado Maior do Exército, vai ser designado um oficial da missão francesa, para servir junto à 2ª região, a fim de auxiliar o comandante nos assuntos que se relacionem com o ensino da mesma.
- Esboço Fisiográfico do Ceará Para qualquer obra de arte, basta o gênio do artista, conjugado ao seu esforço, aliado aos instrumentos de trabalho. Há já algum tempo, uma em nossa mesa de redação um exemplar magnífico, trabalho do ilustre Dr. Thomaz Pompeu Sobrinho, intitulado «Esboço Fisiográfico do Ceará». Neste volume de mais de duzentas páginas estuda o autor, de maneira metódica, a geografia física do nosso Estado. O Dr. Thomaz Pompeu Sobrinho é um escritor que muito merece da gratidão do Ceará, por isso que os seus trabalhos são sempre de utilidade social. É assim que a série de volumes que têm dado à publicidade versa assuntos regionais, que interessam particularmente o nosso Estado. Os seus estudos sobre o combate aos efeitos das secas constituem valiosos subsídios para a solução do tão grave problema da salvação do Nordeste. A respeito da agricultura e pecuária o Dr. Pompeu Sobrinho há, igualmente, dado à estampa trabalhos, nos quais, ao bom senso prático estão aliados os mais justos preceitos da ciência moderna. As páginas do «Esboço Fisiográfico do Ceará» falam bem alto da cultura e do talento desse coestadano que se tem imposto à admiração de quantos dedicam amor entranhado a esta terra. É com muito agrado que vemos enriquecer-se a biblioteca cearense, de obras como esta que elevam e abrilhantam os nossos créditos mentais. Felicitamos o Dr. Pompeu Sobrinho pela esplêndida contribuição que prestou à literatura indireta, no ano do Centenário. honra as letras nacionais. Trata-se de um estudo sobre o meio físico cearense, mas estudo atual, com o cunho legítimo de utilidade que somente os espíritos afeitos à sistematização científica são capazes de empreender e realizar. Precede-o uma apreciação do Dr. A. J. do Souza Carneiro, catedrático da Escola Politécnica da Bahia, que faz merecidas e elogiosas referências a esta obra, incontestavelmente magnífica. O prefácio desse autorizado profissional é um atestado do alcance e brilho do trabalho aludido. São do Dr. Souza Carneiro estas expressões perfeitamente exatas: — «a notável erudição exposta a todo o instante nas comparações, nas descrições e nas discussões vale o interesse da leitura da monografia, onde quer que a vista procure lê-la». É isso um fato, realmente, porquanto todas as páginas são sugestivas e prendem a atenção do leitor. O livro é ilustrado de várias gravuras que dão realce e servem de documentação ao texto. O autor estuda o clima, a hidrografia, o relevo do solo, até em seus detalhes, o esboço geológico, as rochas, sendo sobretudo interessante a última parte sobre a vida: — flora e fauna. Folheamos o novo livro do ilustre engenheiro cearense com a simpatia que sempre nos inspiram todas as tentativas em prol do desenvolvimento e progresso deste tracto do solo pátrio, periodicamente torturado pelas crises climáticas. Mais uma vez tivemos a satisfação de verificar a dedicação inabalável do preclaro escritor conterrâneo à causa sagrada do soerguimento deste amado rincão que lhe serviu de berço. A prova da sua comprovada pro[...]. Cobriu neste precioso livro a
- Ao estadista, não. Tem, no governo, que refrear paixões, opor-se a interesses, reprimir ambições e, sobretudo, conhecer os homens, para bem se desempenhar do que lhe incumbe. É este o dever destes. O que cabe ao Ceará de hoje é tudo fazer para que o Ceará de amanhã seja uma terra digna de culto, de entusiasmo e de admiração. No Ceará, desde o início do meu governo, contra o que geralmente se supõe, e contra a nobre preocupação de prestar serviços ao Ceará, discutindo assuntos intrinsecamente ligados ao futuro econômico do Estado, e como é um livro de observação à sua própria expectativa, contou sempre com a abnegação dos políticos, que nunca recusaram atender a um seu apelo. Foi assim que conseguiu libertar a magistratura e a instrução do contato, da influência da política. Mas não basta o desprendimento dos políticos para bem governar. É preciso também a colaboração de todos os governados. Nenhum povo pode ser bem governado sem a vontade firme de o ser. O Ceará tem realizado muito, mas tem muito a realizar, para o que o governo precisa de auxílio do povo. Tratando da sua ação administrativa, acentuou que havia garantido plenamente a independência da magistratura. Nunca se envolvera nas decisões de Superior Tribunal, nunca sequer procurara saber que causa ia ele julgar. Quanto à instrução, já havia muita coisa feita com a reforma empreendida. Mas, nesse particular, não reclamava para si senão a inspiração excelente de ter mandado buscar em S. Paulo um técnico competente, capaz de realizá-la, como vem realizando corajosamente. Também o problema do saneamento não escapou às suas preocupações. Quanto à política, tem que agradecer à assembleia a colaboração leal e sincera que lhe deve. Põe o acerto dos seus atos de governo à conta da colaboração dos seus auxiliares, dos quais destaca, especialmente, o secretário da Fazenda, apontando-o à estima dos conterrâneos, pela sua dedicação à causa pública, pela coragem com que tem dirigido as finanças e, sobretudo, pela sua inteireza moral. Lembra aos seus auxiliares que, agora, mais que nunca, precisa de ajuda decidida e corajosa de todos, porque os governos que descem a montanha começam a ter maior número de inimigos. Se, porventura, exigissem dele, para a conquista de posições de destaque, que esquecesse todos os gloriosos motivos de seu enternecimento e amor pelo Ceará, preferiria, por certo, a perda das posições. Quer que os presentes notem bem o compromisso que fez de, de hoje em diante, mais esforço empregar ainda por bem servir o Ceará. Por fim apela para seus amigos no sentido de que o ajudem.
- Homenagens ao sr. Presidente do Estado Decorrendo, sábado, o aniversário do sr. Dr. Justiniano de Serpa, presidente do Estado, foi S. Exa. alvo das mais expressivas demonstrações de apreço dos seus amigos e admiradores. Pela manhã, às 9 horas, foi celebrada missa solene, com cânticos sacros. Foi oficiante do ato o reverendíssimo mons. Salazar da Cunha, acolitado por mons. Liberato e pelo padre Octávio de Castro. Essa bela cerimônia religiosa teve assistência vultuosíssima, notando-se a presença dos secretários de Estado, auxiliares do governo, funcionalismo civil, professorado da capital, do Liceu e da Faculdade, deputados federais e estaduais, representantes das forças de terra e mar, membros da magistratura, milícia estadual, autoridades federais, jornalistas, associações, representante do «Crédito Popular S. José» e grande número de pessoas gradas e famílias. Tocaram em frente à Igreja do Rosário, duas bandas de música. Terminada a missa, todos os presentes se dirigiram ao Palácio da Presidência, sendo recebidos pelo presidente, em nome dos amigos, terminando por ofertar à esposa e à filha de S. Exa. dois ricos mimos. O Dr. Justiniano de Serpa agradeceu, depois, em longo discurso, que tem muitas páginas dignas de nota pelo brilho da frase ou pela substância dos fatos. Começou por dizer que acabava de agradecer a Deus numa prece fervorosa, a graça de ter podido dedicar, agora, as energias da inteligência e do coração, de que ainda dispunha, de lhe restituir, após um quarto de século de ausência, todo o amor que, pelo Ceará, para torná-lo um sentia. Uma das situações mais difíceis, disse Theóphilo, obra do secretário da Fazenda, pronunciou eloquente saudação ao presidente. Disse, agradecendo a manifestação dos amigos, tanto se estendera a respeito dos seus atos, porque gosta de dizer ao povo o que sente e o que pensa e de esclarecê-lo sobre o seu modo de agir. Não ameaça; não tem medo, pois, de ameaças. Não injuria; não se receia de injúrias. Nunca caluniou na imprensa; disso, portanto, não se teme. Mas respeita a opinião pública, principalmente a de seu Estado. Faz questão de ser julgado com justiça. Se alguma coisa o Ceará lhe deve é justamente a sinceridade que põe nos seus atos, o amor entranhado que lhe [...]. Ama-o tanto que só isto talvez o poderia isentar de seus defeitos. Governar não é a satisfação de ambições.
- A prisão do cangaceiro Ulysses Liberato Importantes revelações do mesmo à polícia de Milagres MILAGRES, 6 — Chegou, ontem, o célebre bandoleiro Ulysses Liberato, que fora preso no povoado de Alagoinha, do município de Lavras. O bandoleiro, que é pronunciado por vários crimes, foi interrogado pelo juiz de direito. Na polícia fez o mesmo importantes revelações. Diz que, no começo do ano findo, José Inácio reuniu, no Barro, 260 homens, receando um ataque da força pública. Depois de tomado o Barro, José Inácio fugiu, tendo passado 27 dias na mata do serrote «Cachimbo», com 20 companheiros, inclusive Ulysses. Desses, alguns foram dispensados logo. Durante tão longo período, comeram apenas 12 vezes, havendo, enfim, José Inácio, acompanhado de Raimundo Inácio e de um cabra, seguido para Juazeiro. Ulysses procura inocentar-se dos crimes aqui cometidos, dizendo não ter inimigos em Milagres e, sim, na Paraíba. Conta que sua prisão foi feita traiçoeiramente, não receando inimigo nem força que viesse de frente. Diz ter, desde junho, abandonado o cangaço, por imposição do Padre Cícero. Trazia apenas um revólver na ocasião da prisão. Em 1921, esteve no Rio, viajando por vários Estados, até o Rio Grande do Sul. Voltou a chamado de um tio, em virtude de perseguição à sua família. Ulysses é de altura mediana, conta 29 anos, tem cabelo crespo, apresenta grande vivacidade no olhar e é extraordinariamente calvo. Perguntado sobre qual era a sua impressão da prisão, respondeu que estava conformado e que conversava e ria sempre na cadeia. O seu receio único era ser enviado à Paraíba, onde tem a certeza de ser assassinado. Fez, igualmente, revelações sobre o caso de Missão Velha, dizendo que, há cerca de dois meses, um cabra lhe deu um recado de Zequinha Daninhas, para que Ulysses lhe fosse falar no Arraial. Recusando-se Ulysses, o cabra acrescentara que seu patrão daria 500$ a quem matasse José Pequeno. Tendo corrido que Ulysses seria tomado à escolta, na vinda de Ingazeiras, seguiram daqui, ao encontro da mesma 6 praças para a reforçar. Causa admiração que o governo mantenha aqui, apenas, pouco mais de 10 praças.
- Reforma da Saúde Pública RIO, 5 — Anuncia-se nova reforma da Saúde Pública. Informes noticiosos dizem que as modificações terão no sentido de dar maior eficiência aos serviços, consolidando o regulamento de diversas inspetorias, como sejam: de fiscalização do leite, das carnes verdes, de escola de enfermeiras, etc.
- O programa financeiro da Prefeitura RIO, 5 — O prefeito declarou que, no seu programa futuro, como, respeitará vencimentos do operariado.
Anúncios, notas e expediente
- Nota social Brilhantes festas em homenagem ao Dr. Felício dos Santos RIO, 5 — Projetam-se grandes festas em comemoração ao seu aniversário do Dr. Felício dos Santos, redator-chefe da «União» e ao seu 10º ano de formatura. O Núncio Apostólico recebeu um telegrama do Santo Padre, congratulando-se pelas festas projetadas e abençoando ao brilhante jornalista católico. O cardeal Alcoverde dirigiu à comissão organizadora das homenagens expressiva carta de solidariedade. Mais de 20 prelados manifestaram-se solidários com a comissão. Haverá números de canto, harpa e piano, e recitativos. A «União» dará uma edição especial. Será oferecido ao Dr. Felício dos Santos um exemplar da «União», em seda, um quadro artístico com a sua certidão de idade, um opúsculo, em pergaminho com as cartas dos prelados, e outros. Essas festas realizar-se-ão no dia 8. O Dr. Thomaz de Mendonça é a alma deste movimento de consagração. pelo Clero; o Dr. Alcibíades Delamare, pelos jornalistas católicos; o Dr. Carlos Seidl, pelos médicos; e o Dr. Joaquim Moreira, pelos médicos católicos. Missa [...] celebrada por D. Leme, comunhão geral e cânticos [...]. À noite, palestra do Dr. Matos, na qual [...].
- Telegrama — Conde Grosoll, senador italiano, legou à imprensa católica do seu país toda a sua fortuna, avaliada em três milhões de liras.
- Expediente Redação: drs. Andrade Furtado e José Martins Rodrigues Administração: A. Ildefonso de Araújo Fortaleza - Segunda-feira, 8 de Janeiro de 1923 NUM. 157
- Nota social Em seguida, foi servida a todos os presentes profusa taça de champanhe.
- Nota social À tarde, o exmo. Arcebispo Metropolitano cumprimentou o sr. Presidente do Estado, em sua residência particular, no Outeiro.
- Nota social A sociedade «Deus e Mar» fez brilhante manifestação ao presidente do Estado, indo cumprimentá-lo coletivamente.
- Nota social Nas avenidas, houve à noite, em homenagem à data, retreta das bandas de música do 23º de Caçadores e do Regimento Militar do Estado.
- Telegrama Telegramas DO INTERIOR
- Telegrama DO PAÍS
- Telegrama O México quer comprar algodão, milho e feijão RIO, 5 — A nona embaixada no México remeteu ao ministério do exterior um trabalho do sr. Francisco Bolves, informando do estado da produção agrícola. Diz o referido estudo que grandes enchentes na região algodoeira destruíram, quase totalmente, a colheita do algodão. Mostra o nosso embaixador a conveniência de lhe ser remetido um mostruário de milho branco, feijão e algodão, em rama e em caroço, produtos esses que encontrarão, ali, vantajoso mercado.
- Telegrama Búlgaros que vêm estudar no Brasil RIO, 6 — O consulado do Brasil em Sófia enviou ao ministério do exterior um ofício, acompanhado da cópia de uma carta enviada pelo ministro da instrução da Bulgária, pedindo a admissão, nas escolas agrícolas, de alguns estudantes búlgaros.