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O Nordeste

Janeiro de 1923, página 31 · 11 trechos transcritos

Manchetes desta página

  • Aviso Eclesiástico De ordem do exmo. sr. Arcebispo Metropolitano, comunico aos interessados que, segundo diz o Direito Canônico, cânon 788, o sacramento da Confirmação ou o Crisma só poderá ser administrado às pessoas que já tenham cerca de sete anos de idade. Em vista disto, o exmo. e revmo. sr. Arcebispo torna público que não mais crismará crianças menores de sete anos, e espera que os fiéis se conformem com as prescrições da Igreja, evitando obter dispensas que não se justificam. Câmara Arquiepiscopal de Fortaleza, 10 de Janeiro de 1923. Padre Otávio de Castro Secretário Interino do Arcebispado.
  • Apelo à população de Fortaleza Temos, mais de uma vez, noticiado nestas colunas a firme resolução do «Dispensário dos Pobres», mantido pela «Liga das Senhoras Católicas Brasileiras», de extinguir a mendicância nas ruas de nossa capital. Trata-se de um problema de cunho moral, que está a reclamar o concurso decidido de quantos se interessam pelo bem coletivo. No propósito de obter mensalidades que possam garantir a assistência permanente às classes desfavorecidas, continua a trabalhar, empenhadamente, distinta comissão de associadas daquela benemérita instituição católica. O resultado tem sido altamente consolador, confirmando-se, assim, a proverbial generosidade do povo cearense. Muito resta, porém, a fazer ainda. É preciso que todos auxiliem tão nobre iniciativa. Ao lado do subscritor abastado, a quem Deus proporcionou avultada fortuna e que, por isso, pode concorrer com uma centena de mil-réis, deve figurar o nome do humilde cidadão que apenas pode dispor em favor da pobreza de uma dezena de tostões, mas óbolo que representa o contingente dado de boa vontade para mitigar as privações dos que não têm saúde, dos que não têm pão. Somente por essa forma, com a coadjuvação de todos, é possível extinguir a mendicância em nossa capital. É propósito do «Dispensário dos Pobres» alcançar esse objetivo humanitário, no próximo mês de Março. Para que seja uma realidade em sua atuação, dirigimos, mais uma vez, veemente apelo à população de Fortaleza. Não somente o comércio e alguns particulares devem contribuir para tão justo desiderato, mas os elementos de todas as classes sociais. Aos médicos, aos advogados, aos dentistas, aos proprietários de estabelecimentos industriais, aos donos de hotéis e restaurantes, de alfaiatarias, de barbearias, aos merceeiros, aos caixeiros, às colônias estrangeiras, a todas as figuras componentes de nossa sociedade, dirigimos, em nome dos que sofrem, dos que pedem esmolas de porta em porta, expondo-se a graves perigos de ordem moral, esse apelo que, estamos certos, não ecoará no deserto. A comissão de distintas senhoras, encarregada de obter essas subscrições, não pode entender-se com todos; por isso, espontaneamente, os que atendendo ao nosso apelo, poderão enviar suas mensalidades para a «Casa Americana» ou para esta redação, que lhes serão passados os respectivos recibos. Melhor fora se, no seio de cada classe, aparecesse um coração generoso que tomasse a si uma das listas, a fim de arrecadar as mensalidades entre os colegas. Seria esse um serviço inestimável prestado ao «Dispensário», pelo qual as diretoras daquela associação ficariam sumamente gratas. Quanto maiores auxílios forem dispensados àquela empresa de caridade, tanto mais depressa se há de conseguir a extinção da mendicância. Prevenimos aos leitores que, do dia 15 do corrente em diante, se vai proceder à cobrança dos assinantes já alistados. A comissão do «Dispensário», por nosso intermédio, roga o obséquio de os pagamentos serem feitos com pontualidade, a fim de poupar duplo trabalho à cobradora. Será encarregada dessas funções uma moça de inteira confiança, a quem poderão ser entregues as mensalidades. Haveremos de ver, dentro em breve, perfeitamente organizado pelas senhoras católicas o serviço de assistência à pobreza, ficando, desta forma, eliminada a exploração dos parasitas sociais, dos que podem e devem trabalhar, mas se viciaram, entregando-se à indolência, e vivem do desnecessário favor público.
  • O sr. Ildefonso Albano voltou à direção da prefeitura Ontem, às 14 horas, o coronel Adolfo O. de Siqueira, Prefeito Municipal interino, passou o exercício do cargo ao Prefeito efetivo, coronel Ildefonso Albano. O ato teve numerosa assistência de pessoas gradas, notando-se, entre os vereadores à Câmara Municipal, o representante do presidente do Estado, o secretário da Fazenda, deputados federais e estaduais, o gerente da «Light», elementos do alto comércio, funcionários municipais, representantes da imprensa e numerosos correligionários e amigos do Prefeito. Transmitindo o cargo, o cel. Adolfo Siqueira pronunciou ligeiro discurso, declarando-se feliz em passar o governo do município às mesmas mãos honestíssimas de que o recebera, em novembro de 1921. No exercício de suas funções se houvera com dignidade e correção, sentindo também, na consciência, que era com as mãos limpas que o deixava. Entregando ao sr. Ildefonso Albano a chave simbólica da Prefeitura, fazia-o ciente das condições financeiras do município, que tinha um saldo de mais de 192 contos em dinheiro e vales de obras, como as do Parque e dos meio-fio das calçadas. O sr. Ildefonso Albano respondeu com ligeiras palavras, dizendo sentir que a Prefeitura saísse das mãos do esforçado e honesto cidadão que a vinha dirigindo. Este, porém, ia ajudá-lo ainda, com suas luzes e conselhos, na direção dos trabalhos da Câmara Municipal, de que é o presidente. Acrescentou que o sr. Adolfo Siqueira elevara a Prefeitura a uma situação de prosperidade a que jamais atingira. Depois, de todos os presentes, o sr. Ildefonso Albano recebeu cumprimentos. Uma comissão de funcionários foi levar às suas residências o cel. Adolfo Siqueira e Ildefonso Albano, tendo, naquela, saudado o ex-prefeito, o dr. Lauro Valle, secretário da Prefeitura.
  • As palestras de ontem, no Curso de Férias Continuando as conferências práticas às professoras públicas, o dr. João Otávio Lobo, cujas qualidades de orador elegante são geralmente apreciadas, proferiu, ontem, no curso de férias, algumas considerações sobre higiene, tratando, particularmente, a higiene alimentar. S. S. expôs as principais regras que devem presidir ao comer, indicou a alimentação mais apropriada ao nosso clima tropical, fez várias prescrições que aconselha como regime na alimentação, e se mostrou favorável ao sistema misto de que o homem se deve alimentar de carne, cereais, frutas, etc. Por último, o dr. Lobo ainda expendeu algumas considerações sobre o uso da água e do café, condenando o abuso destes, explicando que, entre nós, a sua ingestão pode, francamente, elevar-se até 12 xícaras por dia, sem maior prejuízo do organismo. Terminada a sua palestra, o professor Lourenço Filho deu uma aula sobre o falar bem, indicando as condições necessárias para essa arte tão importante na vida e que, em geral, tanto se despreza. Explicando que um dos meios de se ensinar a califasia, está na leitura, na boa leitura, o dr. Lourenço tratou, especialmente, desta, pondo em destaque o que se deve fazer para isso, a saber: cultivo da voz, precisão da pronúncia, andamento e pausas e expressão. Explicou, sucintamente, entre um dos requisitos da boa leitura, orientando as professoras no sentido de que estejam atentas aos defeitos de prosódia dos meninos, que são tão comuns, como o esquecimento do 'r' e do 's' final, a pronúncia viciada do 'u' em vez do 'o' e outros. Uma e outra das palestras de ontem tiveram cunho acentuadamente prático, agradando a toda a assistência.
  • A censura dos cinemas A Câmara Municipal de Fortaleza votou, em 1921, a lei n. 55, que determina a criação da censura dos cinemas e teatros, por parte da prefeitura municipal. Por essa lei foram criados três lugares de censores das referidas casas de diversões, estabelecendo a mesma que os nomeados não teriam direito à percepção de vencimentos, para evitar que o interesse do lucro determinasse a escolha de cidadãos menos dignos. Entre outras disposições, estabelece a lei n. 55, citada. «Art. 2.º — Aos censores cabe a rigorosa fiscalização para a não exibição de fitas ou peças teatrais que de qualquer maneira ofendam ou firam a moralidade pública. «Art. 3.º — A fita ou peça teatral condenada pela maioria dos censores, não poderá ser exibida, sendo dada ciência imediata da condenação à companhia ou empresa exibidora, à qual será cassada a licença para funcionar, se desobedecer à intimação.» Essas excelentes determinações da lei municipal não foram, porém, até agora, postas em execução pelo chefe do executivo municipal. A prefeitura, até hoje, não ligou importância às atribuições tão salutares que, nesse sentido, lhe foram cometidas pela Câmara Municipal. E por isso que as empresas de cinemas, sem freios, sem limitação nenhuma de moral, exibem, com absoluto descritério, todas as fitas que entendem, mesmo as que mais pervertem o caráter do indivíduo e as que ofendem o decoro e moralidade das famílias, o que, aliás, é mais comum. Onde a censura oficial, que em toda parte se pratica? Porque não executa o prefeito a lei votada, a qual nem mesmo acarreta a menor despesa aos cofres municipais? No Ceará há um absoluto desprezo por essas questões de moralidade pública, que correm à revelia das autoridades, bem ou mal, no tocante a cinemas, conforme a maior ou menor consciência dos empresários. Mas é preciso uma reação contra esse desprezo dos poderes públicos pela educação moral do povo, desprezos cujas más consequências vão influir principalmente sobre a formação moral das crianças. De fato, que é de esperar de meninos cuja educação se faz, sem refreios, na escola viva da depravação, do vício e do crime, pela assistência a fitas de toda ordem? Não é de menos a questão, nem tão desprezível que mereça o pouco caso do executivo municipal. Este, visto que, está excelentemente aparelhado para o combate ao mau cinema, deve impedi-lo o quanto antes, pelo estabelecimento da censura prévia sobre as fitas a exibir. A sua ação deve começar por aí pela escolha conscienciosa dos censores, pois não faltarão pessoas de critério que, sem interesse pecuniário, farão dedicadamente a censura dos «filmes».
  • Reuniu-se, ontem, a diretoria do Círculo Católico Ontem, às 19 horas, com a presença do assistente eclesiástico e de vários outros membros, reuniu-se a diretoria do Círculo Católico de Fortaleza, para tomar conhecimento, como costuma, do movimento do mês anterior. Foram propostos novos sócios os srs. Drs. Antônio Furtado, Haddock Lobo, Ananias Frota e Dr. Eduardo Dias. O expediente constou de vários ofícios de outras sociedades, fazendo comunicações, convites, etc. O tesoureiro procedeu à leitura do movimento financeiro, com a indicação da renda no mês anterior, despesas efetuadas e o saldo que passou para o atual. A diretoria resolveu enviar pêsames ao distinto consócio Dr. João Otávio Lobo, orador oficial do Círculo, pelo falecimento de seu pranteado pai, em Santa Quitéria. Por último, por proposta do padre Otávio de Castro, assistente Eclesiástico, ficou assentado que a diretoria do Círculo Católico faria uma inscrição em pedra mármore, no pedestal da Coluna do Centenário ou Cristo Redentor, como memória da mesma à posteridade.
  • ASSOCIAÇÃO DOS MERCEEIROS Uma comissão da conceituada «Associação dos Merceeiros», composta dos srs. João da Costa Mello, Rosendo da Costa Bindá, Euclides Timóteo Inácio Costa, Francisco Perdigão e Joaquim Segundo da Costa, dirigiu-nos atencioso convite para assistirmos à sessão de posse da nova diretoria, solenidade que se realizará no dia 11, às 14 horas, na sede social. Faremos representar com todo agrado.
  • Capelania no Batalhão Policial O exmo. sr. Bispo de Sergipe dirigiu ao Presidente do Estado, Dr. Graccho Cardoso, a seguinte carta sobre a fundação de uma capelania no quartel do Batalhão Policial: Aracaju, 10 de novembro de 1922. Exmo. Sr. Dr. Graccho Cardoso, M.D. Presidente do Estado. — Sobremodo penhorado, acuso o recebimento da honrosa comunicação de V. Excia., firmada em data de ontem, dando-me conhecimento de, mediante solicitação do comandante do Batalhão Policial, haver instituído uma capelania naquela corporação, sem prejuízo da liberdade de cultos e em caráter particular, na forma da Constituição Federal, tendo convidado o revmo. padre Basílio Repouso de Oliveira para exercer as referidas funções. Consoante às disposições dos sagrados cânones, concedo plena faculdade ao dito sacerdote para assumir tão dignificante investidura. Exmo. Sr., é nosso glorioso Sergipe, na mínima delimitação de sua extensão territorial, mas muito grande pela grandeza desmensurada de seus ideais no concerto das nobres iniciativas, entre todos os Estados da Federação, o primeiro que, pela prodigiosa visão de elevados descortinos do seu atual administrador, firma o ato de tão relevante instituição que visa o alevantamento moral do soldado. O ato de V. Excia., solenemente afirmativo das convicções religiosas e do supremo escopo de orientação segura do seu governo, levando os princípios basilares de verdadeira moralidade aos abnegados servidores do Estado na causa de sua defesa, merece os mais calorosos aplausos que na abundância do coração de Bispo desta Diocese com todos os estes. Faz-se mister, portanto, evitar que [...] do ideal, [...] de patriotismo e de fé. Venho significar a V. Excia. Parabéns ao Estado pelas [...] e felicíssima escolha deliberada pelo bom nome de V. Excia. para [...] tão cara responsabilidade de [...] seus destinos. Assina-se-me a oportunidade de [...] renovando os votos de um [...] reconhecimento, apresentar [...] protestos da mais alta estima e distinta consideração com que me subscrevo: De V. Excia. devotado servo e amigo muito obrigado, Dom Thomaz [...] Bispo de Aracaju.
  • Febres de mau caráter nos Oros Está grassando entre os operários da construção do açude Orós, grave epidemia que tem feito já numerosas vítimas. Trata-se de uma febre de mau caráter, proveniente de fermentações gastrointestinais e que bem pode ter uma paratifoide. Segundo nos informam, não há ali hospital, nem os meios para tratamento dos doentes. Têm chegado a esta capital muitos atacados pelo mal que ali se vai alastrando. Urgem providências da parte dos encarregados do serviço médico junto à Inspetoria. Sem que, nos grandes ajuntamentos humanos, [...] aplicação dos meios profiláticos preventivos, é inevitável o aparecimento de moléstias graves e de [...] desfecho.

Anúncios, notas e expediente

  • Expediente O Nordeste Redação: Dr. Andrade Furtado e José Martins Rodrigues Administração: A. Ildefonso do Araújo ANO I Fortaleza-Ceará, 12 de Janeiro de 1923 LIBERDADE para tudo e para todos, exceto para o mal e para os malfeitores. GARCIA MORENO NÚM. 161
  • Nota social EUCARÍSTICO Toda de branco. Eunice enguirlandada. Noiva dos anjos, surge na Capela, Tendo no olhar um brilho de alvorada, Que me extasio na alegria dela. Partícula divina. Hóstia sagrada! Imagem do Senhor, pura e singela, Hoje a recebe minha filha amada. Numa altitude tão serena e bela! Primeira Comunhão da minha filha! Toda minha alma que palpita e brilha, Toda se volta, livre de pesares, Para seu vulto em flor, misticamente, Como se volta o espírito de um crente Para as imagens unidas dos altares. Ramos NETTO
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