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O Nordeste

Janeiro de 1923, página 87 · 7 trechos transcritos

Manchetes desta página

  • Boatos aterradores! (Do nosso serviço telegráfico) RIO, 27 — No momento em que telegrafo, correm os mais desencontrados boatos sobre a situação do Rio Grande. Alguns jornais informam que o Dr. Borges de Medeiros só conta garantias na capital, e não dispõe de elementos para dominar a situação, pelo que pediu ao comandante da região que garantisse a ordem. Outros jornais noticiam que é anormal a situação no Rio Grande. Até esse momento não chegaram notícias positivas, girando tudo em redor de boatos. O Dr. Borges está sendo abandonado! RIO, 27 — Consta, com visos de verdade, que o deputado Carlos Maximiliano e o senador Soares dos Santos romperam com o presidente Borges de Medeiros, por discordarem da atitude do situacionismo gaúcho no caso da sucessão presidencial.
  • A questão da febre amarela no Ceará, e da sua diferenciação da peste DECLARAÇÕES DO DR. POMPEU FILHO No seu número de 10 do corrente, publicou o jornal «A Noite» o seguinte sobre a questão da febre amarela no Ceará: O Dr. Gavião Gonzaga, chefe da Profilaxia Rural do Ceará, desdiz as afirmações que outro dia, em entrevista concedida a esta folha, foram feitos pelo Dr. Pompeu Filho, a propósito da febre amarela no Ceará, que aquele alto funcionário capitula de peste. O Dr. Pompeu, contudo, se mantém no seu ponto de vista, por isso que, assinados e com o seu endereço, Catete 133, nos enviou hoje as seguintes declarações: Com esta epígrafe — A questão da febre amarela no Ceará — publica o «Correio da Manhã» de ontem o transunto de uma palestra com o Dr. Gavião Gonzaga, em que o ilustre chefe da Profilaxia Rural do Ceará faz declarações que, por muito discordarem dos fatos realmente observados em Fortaleza, merecem reparo. Deixarei de lado quanto afirma V.S. dos casos suspeitos de febre amarela anteriores ao do inglês J. B. W., que não os acompanhei, para só me ocupar deste que motivou as pesquisas e estudos por mim feitos, em colaboração com o Dr. Carlos Ribeiro, ex-diretor de Higiene do Estado a pedido do Sr. inspetor das Obras Contra as Secas. «Prosseguindo nos estudos do caso, declara a propósito do mesmo V.S. com material retirado do cadáver, cheguei à conclusão absolutamente científica de que se tratava de peste e não febre amarela». (As aspas são minhas). Tal foi de fato, a conclusão nossa. Tais constatações levaram-nos, no laudo que apresentamos ao Sr. inspetor das Obras contra as Secas, a usar de máxima reserva. Apenas pudemos, em consciência, e à míngua de melhor aparelhamento do laboratório para aprofundarmos as nossas pesquisas, chegar às duas conclusões seguintes: 1ª grande semelhança das lesões anatomopatológicas com as descritas na febre amarela; 2ª semelhança do cocobacilo com o bacilo pestoso. Mesmo assim, motivou o nosso laudo as sessões do Centro Médico Cearense, em que o Dr. Gavião Gonzaga, procurando debalde sustentar a sua opinião, foi forçado a declarar aberta a questão; portanto, nada resolvida, em face das fundadas objeções apresentadas pelo Dr. Carlos Ribeiro, tiradas assim dos nossos estudos pessoais, como das provas. É insólita a opinião isolada e unânime de todos [...]. Pompeu Filho. Catete, 133. da científica” a que chegou V.S., não tanto à vista das lesões anatomopatológicas verificadas, mas pela descoberta, no material suspeito, de um cocobacilo que V.S. precipitadamente identificou ao bacilo pestoso. Em longa conferência pública em que revelou, aliás, vasta erudição expôs V.S. o seu modo de pensar. No entanto, nós, eu e o Dr. Carlos Ribeiro, chegávamos a conclusões diversas. O conjunto das lesões anatomopatológicas se nos afigurava bem mais característico da febre amarela do que do mal leventino. A infiltração ictérica do cadáver, a poliestentose visceral, posto que ainda não muito acentuada em consequência da marcha precipitada da infecção (o doente faleceu dentro de 80 e poucas horas, no 4º dia da doença), a aparente integridade do baço e a ausência absoluta de qualquer reação ganglionar eram os fatos em que fundamentávamos a nossa opinião, robustecida ainda pela descrição clínica do caso: cefaleia intensa, febre alta, pulso rápido, rosto congestionado, vultoso, olhos injetados, raquialgia, epigastralgia, vômitos escuros, oligúria, albuminúria, sub-icterícia, anúria e morte; descrição que nos foi feita pelos médicos assistentes, Drs. José Puracampus e Alfredo Pinheiro. Por outro lado, o cocobacilo que também havíamos isolado, divergia, por muitos caracteres, do bacilo pestoso: grave negatividade relativa, coloração bipolar irregular, culturas rápidas em caldo com «intensa turvação» do meio, não formação dos nódulos de Gärtner e, principalmente, fraca ou nenhuma reação ganglionar nas cobaias inoculadas, fraquíssima reação os-sêmica e ausência de nódulos salientes sobre os órgãos internos. (O grifo é meu). As pesquisas do ilustre chefe da Profilaxia Rural, cujos trabalhos bacteriológicos foram examinados no seu próprio laboratório pelo Dr. Ribeiro, que os achou inteiramente concordes com as nossas, mas algo discordantes das categóricas afirmações de V.S. Preso ao leito, não pude comparecer às sessões do Centro Médico, mas de quanto acima tenho documentação na réplica do Dr. Carlos Ribeiro ao Dr. Gavião, publicada em dias de setembro no "Correio do Ceará", e nunca desmentida por V.S. Demais, o ilustrado Dr. Leônidas Porto, professor livre de clínica médica da Faculdade de Medicina aqui do Rio, então em Fortaleza, tomou parte na discussão e não se negará, sendo preciso, a dizer a verdade sobre o caso. Estudos ulteriores do germe incriminado vieram mostrar a legitimidade das nossas dúvidas quanto à sua identidade com o bacilo pestoso. De fato, o meu ilustre amigo Dr. Arthur Mosca, ex-encarregado da seção de peste no Instituto Oswaldo Cruz, autoridade inconcussa na matéria, no relatório que apresentou das pesquisas que, a pedido meu, fez sobre o germe em questão, assim conclui: «De quanto precede, resulta a conclusão que, embora só aproximado pelas propriedades morfológicas de coloração do bacilo pestoso, com ele não se pode identificar o germe isolado do cadáver do inglês J. B. W. devido à divergência das demais propriedades morfológicas e biológicas, salientando-se entre elas as reações de imunidade». «Vê, pois, o ilustre chefe da Profilaxia Rural do Ceará que não foi ainda «absolutamente científica» a conclusão a que chegou V.S., no caso do inglês J. B. W., «de que se tratava de peste e não febre amarela». Científica, rigorosamente científica teria sido a conclusão contrária. Quanto à evidente preocupação de V.S. de eximir-se agora à gravíssima responsabilidade da atual difusão do tifo amarelado em Fortaleza, observarei apenas e para concluir, que a mais ninguém senão a V.S. cabe a exclusividade dessa responsabilidade. Não fora, com efeito, a pertinácia de V.S. em procurar obscurecer a evidência clara dos fatos, e a sistemática obstinação com [...]
  • O caso da Missão Velha MISSÃO VELHA, 27 — O [...] do pelo prefeito Manuel Dantas por seu filho José Dantas Celestino, coletor estadual e outros, assinei um papel, depois soube ser um documento contra José Landim, documento esse que pretendem juntar ao processo do assassinato de Jequeno. Formulo por esse meio, o meu veemente protesto. Publique este meu protesto perante testemunhas, e remeta aos jornais. — José Vicente de Farias. Testemunhas: Antônio [...], Joaquim Antônio [...]. Reconheço as firmas que me parecem as próprias dos cidadãos Vicente de Farias, comerciante desta vila, Antônio Braga e Joaquim Antônio de Farias, por ter delas pleno conhecimento. Dou fé. Em testemunho da verdade, Missão Velha, 20 de Janeiro de 1923. O tabelião público, José Jácome de Carvalho.
  • DO PAÍS RIO, 26 — Chegou aqui, vindo em sua primeira viagem, o vapor alemão «Tenerife», totalmente construído nos estaleiros de Hamburgo, [...]. Do "O País" para o "Imparcial" RIO, 16 — Deixaram as funções de secretário e gerente do «O País», os Srs. Abel Motta e Mário Vasconcelos. [...] Notícias da Bahia Homenagens. [...] edição do livro de «Leitura para Crianças», do professor [...]. A Bahia prestará extraordinária homenagem ao Dr. [...] recebendo-o [...] conduzindo-o à Faculdade, que [...].

Anúncios, notas e expediente

  • Expediente Nordeste Redação: Drs. Andrade Furtado e José Martins Rodrigues Administração: A. Ildefonso da Araújo Justiça! Sem ti a ordem é desordem, a vida é morte, o descanso é trabalho, a glória é infâmia, o bem é mal. FREI HEITOR PINTO ANO I Fortaleza, Segunda-feira, 29 de Janeiro de 1923 NÚM. 175
  • Nota social Canindé ou Caanhindé Em um artigo inserto no «Correio do Ceará», de 10 do andante, sob a epígrafe acima, notei com funda mágoa o modo pouco delicado com que, sem motivo algum, discorrendo sobre a etimologia da palavra Canindé, o Sr. Dr. Adaucto de Alencar Fernandes se referiu a meu Pai. Antes de tudo, devo declarar a V.S. que, não sou versado nos idiomas aborígenes do país e que, portanto, não me proponho a discutir a veracidade desta ou daquela etimologia; quero mostrar, porém, a sem razão dessa indelicadeza, fundado nos dados que possuo. Diz V.S. que, em vários autores que cito, jamais encontrou escrito Canindí, e sim Caánhin-dí, sendo esta a forma por que se bate e que, conforme passa a demonstrar, não significa absolutamente Terra dos Papagaios, como desastradamente pretendeu convencer o Sr. Paulino Nogueira. Depois de uma longa dissertação, V.S. chega a estabelecer que Caanhindé, significando Nosso Bosque, Nosso Mato, etc., não poderia nunca dar àquela parte do sertão cearense o título de Terra dos Papagaios — título infelizmente querido pelo Sr. Paulino Nogueira, que apenas, com isso, demonstrou não entender patavina do idioma dos nossos indígenas. Por que motivo então o Sr. Adaucto fala assim a modo de [...]? Admitindo mesmo que meu Pai houvesse proposto aquela tradução (o que não fez), em que isto ofenderia a V.S., que só por isto se sentiu autorizado a tocar no autor, em vez de apontar-lhe o erro? A denominação de — Terra dos Papagaios — nunca foi proposta por meu Pai para traço algum do território pátrio. Foi dada, sim, pelos cosmógrafos antigos portugueses à terra descoberta por Cabral. Pelo menos é o que diz John Fiske em The Discovery of America, vol. 2º, onde assim se expressa: Cabral deu à terra que tinha achado, o nome de Vera Cruz, que atualmente é Santa Cruz; mas, quando Lemos chegou a Lisboa com a notícia, levava consigo lindos papagaios, e entre os primeiros nomes postos em antigos mapas da costa do Brasil, encontramos os de — Terra dos Papagaios — e — Terra de Santa Cruz. (Revista do Instituto Histórico da Bahia. Comemorando o 4º Centenário do Brasil — Ano VII, vol. VII, n. 23, p. 58). É pena que J. Fiske não tenha sido mais preciso, para que eu pudesse citar aqui o nome do cosmógrafo, que batizou daquele modo, antigamente, esta terra dos brasis, ao tempo em que o Ceará não existia. Logo após a publicação do Vocabulário (1887), o Sr. Sérvulo Ribeiro Juaçaba, paraense entendido em línguas indígenas, veio à Imprensa criticar o trabalho do meu Pai; mas fê-lo de tal modo, que dessa crítica resultaram as melhores relações entre os dois. Mais tarde, Capistrano de Abreu e outros fizeram o mesmo; análises e críticas se fazendo nessa atmosfera serena e nesse tom impessoal, que os homens do Direito reclamam para se exercer a Justiça. Mas o cavalheirismo é coisa antiga; é moda que já passou... Quando um homem busca sinceramente a verdade e chega a uma solução dela afastada, mas que crê ser a legítima, e para tanto tem razões, não merece ser, por isto, maltratado nem punido; tão natural, tão inerente é a imperfeição nas obras humanas. Pode-se apontar um erro a uma pessoa e ao mesmo tempo abraçá-la afetuosamente; e, dados os melindres da natureza humana, este método oferece melhores resultados que os das palavras ásperas e grosseiras, que revoltam. Confesso que tal método tem melhor aplicação entre as pessoas de natureza moral, entre aquelas que já chegaram a distinguir entre erros e delitos, que têm para os primeiros a indulgência que merece um desvio involuntário, e pelos segundos a repugnância que provoca uma má ação deliberada. Farias Britto empregou os melhores esforços da sua poderosa inteligência em mostrar que Deus é a luz. Imagine-se que aparecesse no Ceará outro filósofo, que, verificando a falsidade dessa concepção e desprezando aqueles ingentes esforços, aquela sinceridade na busca da Verdade e dando-se por ofendido com o erro alheio, chamasse a contas o seu autor com [...]. Este filósofo não seria filósofo, e a sua justiça indignada não seria justiça. Uma ação tal seria apenas uma amostra aos ásperos costumes que reinam entre nós, os pobres selvagens do Nordeste brasileiro. Nas muitas polêmicas e discussões que acompanhei, no tempo em que podia ler, sobre pontos controvertidos, como por exemplo a data verdadeira da descoberta do Brasil, nunca encontrei uma irreverência, uma frase pretensiosa jogada por um adversário contra o outro. Gente educada, que sabia discutir sem ofender! Ocorre-me agora um fato conhecido aqui na minha terra, em tempos idos. Quando Agassiz honrou o Ceará com a sua visita, encontrou nestas brenhas certo moço, que se lembrou de contestar ao ilustre sábio a sua opinião sobre o Dilúvio. Como Agassiz dissesse que esse horrível cataclismo havia ocorrido mais de uma vez na série dos séculos, e não uma só, como afirmava o Gênesis, o moço protestou contra isto e apresentou uns argumentos tirados, não da Bíblia, mas dos seus próprios conhecimentos. Agassiz, sorrindo, cortou a impertinência com estas palavras dignas de Sócrates: Meu amigo, bem pode ser que você tenha razão: a ciência é infinita e eu bem pouco sei. Ora, felizmente ainda existem no Ceará muitas pessoas que privaram com meu Pai, e todas elas, com certeza, concordarão comigo, em que Paulino Nogueira responderia ao Sr. Dr. Adaucto pouco mais ou menos como Agassiz àquele moço, e nunca pelo modo e tom com que o Sr. Adaucto o criticou. Enfim... cada um como Deus o fez. João NOGUEIRA
  • Telegrama Telegramas AVULSOS Febre amarela Escrevem-nos: Após a inumação do corpo do Sr. Adolph Buchler, no cemitério de São João Batista, compareceu o Sr. Dr. Amaral Machado, chefe interino do Serviço de Profilaxia Rural neste Estado, solicitando permissão para fazer a necropsia; mas os colonos estrangeiros a isso se opuseram, sob o fundamento de que quatro facultativos haviam constatado o diagnóstico do médico assistente, Dr. Eliezer Studart da Fonseca, verificando o quadro clínico completo da terrível moléstia. Declarou o Sr. Amaral Machado que somente à última hora, no palácio do governo, soubera desse caso de febre amarela, mas não ter recebido notificação do médico assistente. No entanto, o «Diário do Ceará» na primeira página de sua edição da manhã de sexta-feira notificou o caso sob o título — «Febre amarela». Sabemos que os colonos estrangeiros vão protestar contra o descaso das autoridades federais incumbidas da profilaxia das moléstias infecciosas, deixando os seus compatrícios expostos à ceifa da insidiosa moléstia, que está se tornando quase epidêmica, notificados que já foram cerca de 15 casos, dentro de pouco tempo.
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