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O Nordeste

Fevereiro de 1923, página 59 · 17 trechos transcritos

Manchetes desta página

  • Reforma do ensino no Ceará Terminou há poucos dias, com seleta assistência, o Curso de Férias pela primeira vez iniciado em Fortaleza, sob os mais francos auspícios. Quase todas as professoras da Capital, bem como as do interior do Estado, acorreram pressurosas a tomar parte no referido Curso, onde ouviram a palavra dos mestres, de par com a de distintos literatos que ali se representaram, em belíssimas palestras, algumas didáticas, outras sobre higiene e psicologia infantil. S. Exa. o Sr. Presidente do Estado não podia legar à sua terra natal ouro mais puro que este da difusão do ensino entre nós, remodelando-o, concatenando-o, precisando-o, já pelos processos técnicos, já pelos agrupamentos promissores, já pelos cadastros escolares, sem o que não se poderia levar a efeito missão tão nobre e espinhosa. Não basta de modo algum, diz Alcântara Garcia, criar muitas escolas e difundir por toda parte a cultura primária e fundamental, senão, que mais necessitamos que, Escolas e cultura, sejam bem dirigidas, animadas por esse espírito vivificador, baseadas em princípios, regras e as práticas de uma sã Pedagogia. Bem inspirado, pois, foi S. Exa. escolhendo para pregoeiro da Instrução Pública no Estado, o ilustre e incansável pedagogista Kullstano, o Sr. Dr. Lourenço Filho, que, qual novo Aporti, iniciador dos novos métodos na Itália, tem conseguido, com o máximo de esforço, fazer entrever uma próxima realidade... Deve ser grato, a nossos corações de cearenses, que essa preferência do Sr. Presidente recaísse em um filho de S. Paulo. S. Paulo, que por si só honra uma nacionalidade, Estado que se não curva, que progride como nos contos de Fada, que não está ainda de todo corroído pela torpe politicalha, e, que, generoso e nobre, estendeu sempre com galhardia e urbanidade a mão aos nossos infelizes patrícios, quando carecedores de sua proverbial caridade! É mesmo, este, o único Estado do Sul, que não despreza o nortista, quiçá pelas afinidades psíquicas da raça ou pela vida afanosa e intensa de trabalho que aproxima o Bandeirante do cearense criador do Acre! Que recebamos ufanos, de um de seus filhos, também o Pão do espírito, junto aos óbolos que essa grande terra nos tem por vezes deixado. Esperamos fruir os mais benéficos efeitos do novo surto que merece irromper contra o analfabetismo em alguns Estados da Federação. «A nossa obra é muito mais fácil do que a de alguns países da Europa que estão mais adiantados; porque lá, a educação do povo tem já uma direção determinada, e está muito desviada do verdadeiro fim, e só com muito esforço, em futuro muito remoto, talvez nunca mais poderá entrar no caminho conveniente. Ao passo que entre nós, a massa popular nenhuma orientação tem, e tomará facilmente a que nós lhe soubermos indicar». Que melhor augúrio para o almejado êxito que ter o Timoneiro de pulso firme e bem orientado de tão belas plagas onde o ensino é um sacerdócio e o professor um predestinado? A meu ver, a causa determinante do zelo pela aprendizagem em todos os seus ramos, deve S. Paulo em grande parte ao influxo da colonização italiana que trouxe do seu país o respeito, a veneração pelos mestres, correlativa do amor e dedicação com que se entregam estes ao magistério, tendo, em douta opinião da Itália, de todos os países da Europa, «aquele em que o professorado primário se acha mais bem colocado à altura de sua missão». Para exemplo da solicitude que ali votam mestres e particulares ao ensino público, façamos ligeira digressão, baseada no que colhemos do Relatório de Frassão. O estado do ensino na Itália, após ter saído das mãos do clero (1814) era de abandono absoluto; as novas ideias de Pestalozzi despertaram a curiosidade de seus dirigentes, ocasionando a decretação de um Regulamento escolar (1818) fundando escolas primárias para ambos os sexos, Escolas Normais e divisão do ensino primário em superior e elementar. Os príncipes, porém, entregues a seus prazeres, esqueceram a utilidade da lei e o povo continuou na ignorância. Foi, então, que surgiram alguns espíritos patrióticos que tomaram a iniciativa de incrementar o ensino entre as massas. Citaremos, entre outros, Lambruschini, Tommasseo, Francheschi, na Toscana, que fundaram escolas dominicais, e Sacchi, Cherubini, Gerardine e Aporti, na Lombardia que escreveram livros didáticos. Dentre eles, destacou-se Aporti com o seu «Manuale degli asili infantis», que mereceu a honra de ser convidado pelo Governo para fundar um Curso Pedagógico e de Métodos, (1844). E, por falar naqueles que se devotaram à difusão do ensino pelos processos modernos no Velho Mundo, seja-nos lícito salientar entre nós a distinta professora, exma. Sra. D. Anna Facó, ex-diretora do extinto Curso Infantil da Escola Normal, que ali introduziu-os com a máxima competência e ingente esforço pessoal, mas, desajudada dos poderes públicos, não conseguiu ver seus altos desígnios incrementados; essa exímia educadora e literata insigne, deveria ser sempre lembrada pelo muito que fez em bem da Instrução Pública, primária; vive, entretanto, esquecida e com parquíssimos e minguados vencimentos de aposentada. Falemos, agora, do proveto cearense, Sr. Joaquim da Costa Nogueira. Inteligência brilhante, espírito de escol, um dos iniciadores do ensino intuitivo e prático em nossa terra. Há longos anos, em Fortaleza, este cidadão filantrópico e desinteressado de glórias, pois, tem vivido na penumbra, introduzia os processos e métodos modernos, fundando um curso primário e secundário, donde saturaram para culminância nas letras, na advocacia e jornalismo, entre outros, os Srs. Gustavo Barroso (João do Norte), José Peixoto e Andrade Furtado, que faz a delícia de nossas folhas diárias. Se os governos tivessem lançado os olhos para as irradiações que emanavam do velho sobrado da rua Barão do Rio Branco, onde o incansável professor pontificava o Saber como num Templo, larga seria a massa colhedora. Enquanto passava quase despercebido em nosso meio este egrégio vulto, em alguns estados era citado como exemplo. Visitando a Escola Normal da cidade, em 1908, ouvimos com desvanecido orgulho, de um de seus mais conspícuos professores, os mais calorosos elogios aos processos postos em prática por Joaquim Nogueira, a quem chamou de Benemérito, salientando, que, este, às expensas próprias, fundara e imprimira a «Revista Escolar», da qual líamos alguns números. Recordemos a figura austera e inconfundível do mestre, este recanto da Pátria, quando nos tornara o grande fim. Ninguém negará os benefícios carecedores de anotação, que produziram nesta cidade a fundação de colégios particulares, em que se destacaram os que foram dirigidos pelo reverendíssimo Padre Liberato Dionísio da Costa, Monsenhor Salas, Lino Encarnação, as irmãs Amaral, D. Maria José Mendes Gondim, Anacleto de Queiroz, Miguel Borges, Castello Branco, Francisco Gonçalves e logo após as das exímias educadoras patrícias D. Anna Bilhar, Maria Mendes, Maria Clara e Rufina Rossas, que ainda hoje são mencionadas com referências elogiosas. Também as escolas de Farmácia e Odontologia, o Curso de Obstetrícia, ministrado na Maternidade Dr. J. Moreira e a recente Escola de Agronomia, não tiveram cunho oficial. Não podemos calcular todo o alcance desse belo tentame. Imagine-se o futuro.
  • No Ceará foi sempre do seio do povo que irromperam as ideias grandes e generosas, assim, nos primeiros surtos da Independência, na aspiração e concretização da Liberdade, no aperfeiçoamento da Inteligência humana.
  • Ser libertado do Analfabetismo. Até agora, tateando na ignorância, quantas pugnas vencidas, quantos ideais realizados e o desbravamento da Amazônia por braços que se dignificaram?! Não é em terreno árido que semeia S. Exa. o Sr. Presidente do Estado. Nós temos qualidades de pertinácia e resistência admiráveis! De uma das mais belas cidades do mundo, é tão favorecido que, naturalmente, nunca carece de ter as proporções de outras exposições mundiais para tornar-se interessante aos visitantes de todo o mundo; e o encanto e hospitalidade do povo sincero do Brasil, que se esforça por agradar, é uma revelação deliciosa. Falta do serviço de [...] de [...] de [...]. São sedições atiladas. O maior caso no serviço começa. Recusam a dar que [...].
  • Em tudo nos assemelhamos a esta terra mártir, mas fertilíssima, carinhosa e boa, que, perseguida pela seca inclemente, guarda avara em seu seio fecundo, o húmus, o gérmen criador, para expandir-se em flores e preciosos frutos, às primeiras gotas que do Alto caem. Assim, na ordem moral, a semente não foi perdida. Ela está viva e fresca e forte. Aproveitemo-la, pois! Adília de Albuquerque Moraes

Anúncios, notas e expediente

  • Expediente Nordeste A justiça deve respeitar as igualdades naturais, mas a caridade é o remédio para as desigualdades necessárias. Redação: Drs. Andrade Furtado e José Martins Rodrigues Administração: A. Ildefonso de Araújo ANO I Fortaleza-Segunda-feira, 19 de Fevereiro de 1923
  • Nota social Homenagem do «Círculo Católico de Fortaleza» ao seu ilustre presidente Dr. Raymundo Arruda Missa em ação de graças [...], preclaro Arcebispo Metropolitano; em ação de graças pelo feliz restabelecimento do nosso distinto amigo Dr. Raymundo Arruda, digno presidente do «Círculo Católico de Fortaleza» e exma. Família. Em frente à igreja, a banda de música do Regimento Militar do Estado, gratuitamente pedida pelo Sr. Comandante Lannes Remardes, tocou belas peças de seu repertório. O vasto templo ficou repleto de famílias ilustres e de vultos dos mais representativos do nosso escol social. Durante a missa, afinada orquestra executou lindos trechos de música sacra. Ao Evangelho, o Exmo. Sr. Dom Manuel fez excelente prédica. S. Exa. mostrou a justiça daquela homenagem à distinta família, por todos os títulos merecedora da estima dos seus conterrâneos e que foi miraculosamente salva por Deus de iminente perigo de vida. Em seguida, o nosso amado Pastor, no seu admirável zelo de divulgar a Verdade, fez a leitura do Evangelho e explicou, em palavras eloquentes e conceituosas, o Sagrado Texto. Após a santa missa, o Dr. Raymundo Arruda e exma. família receberam os cumprimentos das pessoas presentes, em cujo número se notavam altas autoridades, representantes do Ceará no Congresso Federal e na Assembleia do Estado, sacerdotes, magistrados, médicos, advogados, professores, representantes da imprensa, tudo, enfim, o que nossa terra possui de mais representativo em nosso meio social. «O Nordeste», que compareceu com muito prazer àquela merecida manifestação de apreço ao prestimoso cearense e digno presidente do «Círculo Católico de Fortaleza», rende-lhe nestas linhas carinhosa e especial homenagem, fazendo votos a Deus pela sua constante felicidade.
  • Nota social Suscetível José de Barcellos — uma das inteligências mais fulgurantes e mais esclarecidas que temos conhecido — mestre e guia de duas gerações!
  • Nota social Não deixemos no olvido a figura serena e simpática de Thomaz Antonio de Carvalho, aquele bom e meigo velhinho que atraía sempre as mais sinceras e leais afeições. Votado desde muito moço ao professorado oficial, entregou-se, nas horas vagas, ao ensino particular, que constituía, nos últimos tempos, o elemento principal, a razão de ser de sua vida. Era idolatrado por suas alunas. Ainda no mesmo dia de sua morte, deu ele a sua derradeira lição!
  • Telegrama A United Press e da na natureza da [...] nos tornara o grande fim; Mãe se [...] guardar segredo a [...]. O burgomestre Até sendo respeitado
  • Telegrama O primeiro ministro da Itália, o Sr. Benito Mussolini, acaba de publicar uma nota restabelecendo o ensino religioso e São Cristo (N. da R.).
  • Telegrama Telegramas DO PAÍS
  • Telegrama Grande desastre em usina RIO, 17 — Comunicam de Palmares que, ontem, cerca das 9 horas da noite, se verificou, ali, grande desastre na usina «Bom Gosto», que, naquela hora, funcionava em plena atividade. A certa altura do trabalho, ouviu-se tremenda explosão, ao mesmo tempo que a caldeira voava pelos ares, em estilhaços. Os danos materiais foram, desde logo, elevados; e, passado o primeiro momento, apuraram os que tiveram sorte de escapar com vida, que cinco pessoas haviam morrido, enquanto outras sete estavam gravemente feridas. Ignoram-se as causas da explosão da usina, propriedade da firma Tancredo Costa & Cia.
  • Telegrama Amáveis palavras de uma yankee sobre o Brasil RIO, 17 — Tendo visitado o nosso país e visto a Exposição do Centenário, a senhorinha norte-americana Chimpagne Moore, escrevendo para o Boston Post, no número de 20 de novembro do ano passado, teve estas expressões amáveis: «Os edifícios da Exposição se acham colocados em ambos os lados de um boulevard, em extensão de quase uma milha, em redor da linha da baía, do modo [...].
  • Telegrama O caso gaúcho PORTO ALEGRE, 17 — O «Correio do Povo» recebeu telegrama de Santa Maria, anunciando que, a chamado urgente do chefe de polícia, que está em Passo Fundo, seguiu, ontem, para ali, o Major Octávio Lemos, delegado de polícia daquela cidade. Consta que essa autoridade vai ser incumbida de importante missão em Santa Catarina e Paraná.
  • Telegrama DO EXTERIOR
  • Telegrama Ocupação francesa na Alemanha BERLIM, 15 — O Presidente Ebert visitou, ontem, a cidade de Mannheim, devendo ir, depois, a Darmstadt. O Presidente não se arriscará a entrar na zona ocupada, em vista do aviso das forças francesas de que prenderão qualquer funcionário que ali penetre. O governo, entretanto, não reconhece a validade da ameaça. — Dizem de Essen que se acentuam as probabilidades de que a situação criada pela ocupação do Ruhr provocará conflitos entre os franceses e alemães. A cidade de Essen mostra-se indignada com os incidentes provocados pela boicotagem dos franceses nas lojas e hotéis, os quais puseram os hóspedes de um dos hotéis na rua, para estabelecerem ali a sede do quartel francês. Franceses reagiram à ameaça, por ocasião de uma manifestação popular em favor dos hóspedes. Os franceses fizeram uso de chicotes. Foram instaladas metralhadoras, sendo disparados alguns tiros esporádicos. O pessoal do hotel do Breuerhof foi dispensado por ordem dos franceses, devido a se recusarem a servir aos oficiais estrangeiros. — A situação de Gelsenkirchen continua a levantar intenso interesse. Disse que a delegação dos cidadãos preparou um memorando dirigido ao General Degoutte, pedindo a libertação dos policiais alemães, que se acham presos sob a acusação de cumplicidade de tiroteio contra os oficiais franceses. O comandante francês declarou que os policiais não serão postos em liberdade e, provavelmente, serão submetidos a conselho de guerra, o que quer dizer que os mesmos serão fuzilados. BERLIM, 10 — Sabe-se que, desafiando a proibição feita pelas autoridades francesas, dois membros do gabinete partiram para o Ruhr ontem à noite, pertencendo um ao gabinete prussiano e outro ao ministério chefiado por Cuno. Acredita-se que o ministro prussiano é um titular do interior, e o membro do gabinete federal é o Dr. Luther, Ministro da Alimentação. A partida dos ministros fez-se em segredo. A visita é feita como experiência; e, se forem presos pelos franceses, esperam-se interessantes consequências. Sobre o discurso pronunciado na Câmara dos Comuns da Inglaterra, terça-feira, pelo Primeiro Ministro Bonar Law, no qual sustentou que a ocupação francesa no Ruhr prejudicaria tanto a França quanto a Alemanha. Os socialistas, porém, receberam entusiasticamente esse discurso. Vorwärts declara que a Alemanha deve sustentar a resistência no Ruhr e assim provar a declaração de Bonar Law de que a invasão francesa seria prejudicial à França. Esse jornal diz que a Alemanha deve criar uma situação que determine a possibilidade de intervenção da Inglaterra. Um inquérito entre os lados do Reichstag, pertencente a todos os partidos, mostra que aprovam o discurso de Bonar Law, principalmente a afirmação de que a invasão franco-belga resultou em nada. Os franceses estão fazendo o bloqueio do Ruhr. As notícias dali dizem que a compostura que a princípio ali demonstravam, está sendo substituída pela violência contra a população desarmada. Os populares são esbofeteados e feridos à baioneta e sofrem toda sorte de injúrias, segundo despachos de todos os pontos da região ocupada. As lojas estendem o boicote contra os franceses e belgas, o que os irrita. Tudo deixa acreditar que os franceses apelam para o terrorismo, por fracassarem outros meios. A irritação popular é cada vez mais forte contra o invasor, a despeito dos instantes pedidos de calma pelas autoridades alemãs e vai chegando a um ponto em que é impossível manter o domínio de si mesmo. A Gazeta Berliner observa que a questão da mediação está sendo muito ativamente discutida nos círculos diplomáticos. A opinião dominante nessas esferas, segundo o mesmo jornal, é que os mais qualificados para intervir seriam os países da América do Sul.
  • Telegrama França PARIS, 15 — Os jornais, reforçando [...] nacional, dizem que [...] retirar, no entanto, que a Alemanha [...].
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