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O Nordeste

Março de 1923, página 33 · 38 trechos transcritos

Manchetes desta página

  • Obra das Vocações Sacerdotais Há nos nossos dias, para os católicos, uma grave e indeclinável obrigação. O grande conflito europeu, ou melhor, mundial, demonstrou de modo inequívoco a falência dos princípios e das instituições que vinham dirigindo os povos. Só uma instituição logrou resistir invulnerável à derrocada dos sistemas em voga. Durante a terrível catástrofe que enlutou o mundo, sobremodo profícua e edificante foi a sua ação em favor da humanidade sofredora, sequiosa de amor e de justiça. Essa instituição admirável e sublime é a Igreja Católica, a única força, a única autoridade que sobreviveu, incólume, à fúria destruidora da anarquia desencadeada com a guerra, conseguindo, aliás, aumentar o seu indiscutível prestígio, mesmo entre aqueles povos que há séculos se divorciaram da sua austera disciplina, comprovando, assim, ser realmente uma obra divina. Cessou a monstruosa carnificina, mas a humanidade ainda não gozou um dia de verdadeira paz. As ambições desmedidas dos líderes dos povos vencedores não quiseram a colaboração desinteressada e eficiente da Igreja para a grandiosa obra da harmonia entre a família humana, e o resultado foi essa formidável e dolorosa decepção que vimos presenciando. Em consequência disso, surgiram, em horizontes não mui longínquos, os prenúncios de nova e horrenda tempestade... Infelizmente, os homens, atentos aos instintos baixos do egoísmo, não quiseram ainda ouvir a palavra autorizada da Igreja em prol da fraternidade universal. Enquanto os dirigentes das nações não atenderem à voz dos sentimentos da justiça, saída dos lábios paternais do augusto chefe da família de Cristo, o mundo jamais experimentará a tão almejada paz. Por isso mesmo é que aos filhos dessa Igreja assiste a imperiosa obrigação de zelarem ardorosamente os interesses da sua religião. A restauração do domínio de Jesus Cristo no seio das nações é uma necessidade que se impõe, sem o qual o mundo não voltará mais ao império da ordem, da paz e da justiça! A humanidade sempre viveu acariciada pelo desejo incontido de possuir a felicidade, e por isso muitos espíritos, depois de terem erroneamente percorrido todos os caminhos em procura dessa doce miragem, voltam, agora, a se preocupar melhor com a religião, cujos ensinamentos são a maior garantia da disciplina individual e da tranquilidade social, que, certamente, constituem a grande ventura almejada nesta [...]. A família católica aumenta por toda a parte em proporção extraordinária; porém, o número de sacerdotes não corresponde às exigências desse progresso animador. O Catolicismo, sem um número suficiente de virtuosos e abnegados guias espirituais, que trabalhem com denodo pela prática da moral sublime do Evangelho e pela pureza da sua doutrina, não poderá preencher cabalmente os seus elevados fins. No nosso caro país, por exemplo, o clero católico é sobremodo deficiente. O seu número está muito aquém das necessidades da religião da quase totalidade do seu povo. O espírito de abnegação e sacrifício parece ter desaparecido da alma dos moços brasileiros. A grande maioria destes se afagam no coração a imagem [sedutora] da [glória] e dos [prazeres] mundanos. Uma enorme porcentagem do povo deixa de receber os influxos salutares dessa doutrina redentora, sem dúvida, porque os operários da vinha do Senhor são relativamente poucos. Talvez devido a essa deficiência do ensino religioso é que observamos dolorosamente tanta falta de patriotismo na nossa gente, sobretudo nas classes dirigentes, cuja moral política e administrativa tanto tem amargurado o coração da Pátria, nos dias da República. Felizmente, atendendo a essa sensível carência já vem florescendo no nosso amado Brasil uma nobre instituição que com o abnegado concurso das almas generosas há de satisfazer os seus elevados intuitos. Trata-se da grandiosa «Obra das Vocações Sacerdotais», instituição mantida sob os valiosos auspícios do Episcopado Brasileiro, a qual tem por fim ir no encontro dos moços pobres de famílias honestas que se sentem inclinados para o sacerdócio católico. Só no Estado da Bahia essa benemérita associação já conseguiu ordenar até 1921, trinta e dois jovens e nesse mesmo ano mantinha 14 alunos no Seminário. Aqui mesmo entre nós temos diversos rapazes pobres no Seminário mantidos por essa providencial obra que vem conquistando franca simpatia no seio da grande família católica cearense. É muito justa, pois, essa simpatia do nosso povo por uma instituição destinada com a imprensa católica a solucionar um grande problema, qual o da reforma da nossa sociedade por meio dos princípios morais que o Evangelho ensina. São Vicente de Paulo costumava dizer que «nada há de tão importante neste mundo como a formação de um padre», e De Maistre dizia que o sacerdócio deve ser o objeto primacial dos pensamentos da sociedade que deseja se reconstruir. Meditem bem os verdadeiros católicos nos dizeres desses dois eminentes vultos da humanidade, protótipos de santidade e de saber — que certamente não deixarão de se capacitar do sagrado dever de patrocinar generosamente tão benemérita quão patriótica instituição.
  • Linha Aérea Rio-São Paulo RIO, 10 — Vamos ter, em breve, uma linha aérea de navegação Rio-São Paulo, para fins comerciais e postais. A linha será inaugurada com dois aparelhos, que partiram de Nova York, já aportaram em Cuba e agora vencem a distância que vai entre Cuba e Venezuela. A empresa, que vai explorar esses serviços de transporte, já está organizada nas suas linhas gerais, dependendo tudo apenas de algumas minúcias. Os aparelhos que voam e outros que já estão em viagem, mas desmontados, são aparelhos Junkers, que estão em plena aceitação em todo o mundo, sem concorrência, havendo até penetrado nos sítios mais abandonados e inóspitos do Canadá. Trata-se de hidroaviões notáveis pela sua construção, que é inteiramente de metal, oferecendo resistência e segurança superior. Podem, sem dano algum, ficar expostos aos rigores e variedades em qualquer tempo. A sua velocidade é de 170 quilômetros por hora. As dimensões são de 1,40 de altura, tendo, com as asas, a largura de 17 m. e o comprimento de 10 m. 50.
  • Gripe, varíola e sarampo TERESINA, 10 — Continuam grassando, aqui, a gripe, a varíola e o sarampo.
  • Não há febre amarela RIO, 10 — Os passageiros, removidos ontem de bordo do vapor Sardas, em estado febril, para o hospital Paula Cândido, não estão atacados de febre amarela.
  • Agências agrícolas RIO, 10 — O governo fluminense vai montar agências agrícolas nos principais municípios.
  • A elaboração da proposta de orçamento de 1924 RIO, 10 — Sob a presidência do ministro da Fazenda, reuniu-se, hoje, pela 2ª vez, a comissão encarregada da elaboração da proposta orçamentária geral da República para 1924. Foram apresentadas pelos representantes dos diversos ministérios as bases para a elaboração das propostas da despesa de cada ministério, de modo a haver uniformidade em todas as tabelas. Ficou marcada, para sábado, nova reunião, devendo cada representante de ministério levar o maior número possível de verbas já preparadas, de acordo com as bases estabelecidas, isto é, uniformização, dotação real e especificação de acordo com os serviços.
  • O caso do «Café Avenida» O dr. Adaucto Fernandes deu-nos explicações pessoais sobre o caso do «Café Avenida», de que tratamos na edição passada. S. S. afirmou-nos que o rapaz a quem pôs fora da cadeira, faltou com o respeito à sua autoridade, dirigindo-lhe palavras injuriosas. Acrescentou que, nessa ocasião, um sócio da «Deus e Mar» arremessou contra ele, delegado, uma cadeira, tendo aparado o golpe com a mão esquerda, que se encontra contundida. Em suma, aí está o que nos contou o delegado e reproduz o Diário de hoje. Os rapazes em questão, porém, e cujo nome o Diário estampou, reafirmam que o fato foi, absolutamente, o que O Nordeste noticiou ontem. Intimados a deixar de cantar, deixaram. Depois, começaram a assobiar. Foi então que se deu a intervenção do delegado, que, sem admitir explicações, empurrou violentamente um deles, pô-lo ao chão e mandou prendê-lo e trancafiá-lo no [xadrez]. Nenhum deles injuriou o delegado. O referido moço foi solto pelo capitão Espinheiro, e não pelo delegado, segundo nos reafirmaram os aludidos rapazes. Quanto à agressão de que fala o delegado, é certo de que ela se deu, mas não no momento do caso dos rapazes. Depois que já fora preso um deles, é que tal sucedeu, tanto que o sócio da «Deus e Mar», que foi preso, deu entrada no xadrez quando o rapaz já ali estava. Os moços que tomaram parte na aventura foram os srs. Paes de Castro, José Gouveia, Edísio Pamplona, Raimundo Ramos e Oscar Barbosa. Testemunharam o fato, entre outros, o proprietário do café, sr. Ellery, o sr. Roque Macedo, da «A Tribuna» e Guilherme Capistrano, do «O Nordeste». Os referidos moços também nos declararam que o capitão Espinheiro presenciou tudo e sabe bem que a verdade é a por eles contada. Aí está a história dos rapazes. Com vistas ao «Diário», temos apenas a dizer que repelemos as imputações de falta de tolerância, má vontade no governo e descrédito de que nos acusa. Cumprimos, lealmente, e com a consciência serena, o dever de condenar os atos das autoridades que julguemos fora das normas. É a nossa atitude inflexível. Aliás, o público sabe que o nosso intuito é exclusivamente informá-lo com toda segurança. E, nesta questão do critério, nós estamos certos de que não há quem troque a nossa linha de correção e imparcialidade pela do Diário, obrigado, por ofício, a elogiar [sempre] o governo e os que o auxiliam.
  • Reuniu-se, sábado, no Centro dos [Trabalhadores]. Sábado, [a diretoria] da associação fixou [mil]. Se tratou de vários [assuntos] que de perto interessam. Compareceram o sr. José Salgado, [delegado], filho & Cia. Ltda.; Alberto Seligmann, da firma Proença, Irmão & Cia.; Valente, da firma Solon & Valente; e Antonio Queira. Na presença de um representante de «O Nordeste», o sr. Jeremias, deu-se a leitura de um cartão do excelentíssimo sr. Arcebispo Metropolitano, enviando ao Centro o teor da circular que, a propósito da fundação do mesmo, o excelentíssimo e reverendíssimo ia dirigir aos [irmãos] de todas as paróquias da diocese. Nessa circular, cuja leitura [foi feita].
  • Em geral e, especialmente, algodão, em que o governo [está] sofrendo muitos prejuízos devido à [taxa] irregular.
  • A circular do excelentíssimo bispo causou, em total dos presentes, a mais lisonjeira expressão de franqueza e propriedade das palavras e excelente orientação praticados com zelo admirável. Ficou assentado, aliás, que se mandasse imprimir a circular para distribuição entre os vigários e freguesias do interior. Foram ainda ventilados vários assuntos, que não ficaram assentados, por falta de número para as votações. Enfim, foi designada nova reunião para amanhã, quarta-feira.

Anúncios, notas e expediente

  • Expediente O Nordeste Redação: Dr. Andrade Furtado e José Martins Rodrigues Administração: A. Ildefonso de Araújo ANO I Fortaleza, Terça-feira, 13 de Março de 1923 NÚM. 212
  • Telegrama [...]
  • Telegrama TELEGRAMAS DO PAÍS
  • Telegrama Rios & Cia. [...] HA R. R. 23-30 (all.)
  • Nota social ECOS [...]
  • Telegrama Luta romana Caiu peão de luta [...].
  • Anúncio JOS Negasse com van-apoplexias, dons Idro, acondicionado
  • Telegrama [...] no comércio do Ruhr vias de execução.
  • Anúncio Seu 2. um [...] RTANEJOS [...] Alugar uma casa. Tratar na rua 16, 3 [...] louça e os de cozinha.
  • Telegrama Protestos da Itália ROMA, 8 — Informam os jornais que Mussolini deu instruções ao cônsul italiano em Munique e ao seu embaixador em Berlim, para protestarem energicamente e exigirem a punição dos culpados pela agressão sofrida pelo reverendo Luigi Rudolfi e mais 17 italianos agricultores na Baviera, quando em viagem para a Bélgica. Dois desses trabalhadores foram mortalmente feridos. Explicou-se o caso, dizendo que, provavelmente, os agressores julgavam que os italianos se dirigiam para o Ruhr.
  • Anúncio O do de Guimarães & Cia. UCO TÓPICO à Capital Federal. [Compra] ações do S. José. No Branco, n. 2, 4ª e sáb. 21
  • Telegrama [...] de Ah [...] O campeão de [...]. Mas Goulart [...]. Produto. [...]
  • Telegrama Campeonato de xadrez. Nenhum deles reagiu. Nem
  • Anúncio O maravilhoso aparelho denominado Mo de Q a 57, filho Afonso. Primeira vez, e de solharia e nu. Acabo de dar seguimento de um metro, de muitos [...], que deu [...], com este [...], do inventor de «o conhecimento de [...]. Que lhe lembre Velloso.
  • Anúncio Vermífugo puro, infalível e [...]. Drogarias do Brasil: Março, 149 e 15. [Espanhol], italiano, [francês]. As falsificações [...]. Rios.
  • Anúncio Ar Coelho & Cia. LHO. [...] bravas e sífilis. Tártaro emético, etc. Nada que nutre o [veneno] cáustico. Para as feridas bravas, produzido tantas [...]. Aos efeitos [...]. [Cis-humanos] que, de acordo com as indicações, [farmácias] Agentes e [laranjeiras]. Refe-Santos, Ferrai & Cia. Ltda., em [uma] visita, [diverte] [...].
  • Telegrama [...]
  • Telegrama Diz-se como certo, em alguns círculos, que o governo americano [...] agirá para salvaguardar os interesses de comércio.
  • Telegrama DO EXTERIOR
  • Anúncio Tinta «Stephens» O sr. Armando Guilherme, estabelecido nesta praça com escritório de representações, comissões e consignações, teve a gentileza de oferecer-nos alguns estojos da excelente marca de Tinta Inglesa «Stephens», que goza de grande aceitação em nossa praça. Trata-se, realmente, de uma qualidade superior do artigo. Igualmente nos ofereceu uma amostra de goma-arábica da mesma fabricação. Agradecemos a fineza do notável e conceituado agente comercial, sr. Armando [...].
  • Telegrama Os americanos com seu comércio tolhido pela ocupação francesa BERLIM, 8 — Segundo informação fidedigna, os centros de exportação norte-americana daqui e dos Estados Unidos, por intermédio da embaixada em Paris, têm feito representações ao governo da França, pedindo a proibição do embarque de mercadorias no Ruhr. De Washington dizem saber-se, ali, que diversos grupos comerciais importantes dos Estados Unidos, especialmente indústrias de produtos químicos e materiais corantes, geraram queixas e entraves contra a [neutralidade] e interferência no comércio externo do Ruhr.
  • Telegrama Desmentido de Stinnes NOVA YORK, 10 — Os jornais desta cidade publicam telegramas de seus correspondentes especiais em Berlim, informando que as firmas Krupp e Stinnes opuseram formal e enérgico desmentido à notícia de que estavam fabricando munições para a Rússia. Desmentem igualmente as notícias oriundas da Holanda, dizendo que Stinnes estava comprando, ali, carregamentos de cobre e despachando para a Rússia, via Danúbio, para as manufaturas de guerra.
  • Telegrama Em torno da conferência de Santiago WASHINGTON, 10 — Relativamente a várias observações feitas sobre a próxima reunião da conferência pan-americana de Santiago, o senador [Fulano] fez publicar uma nota, recomendando o reconhecimento do governo do México, o que, na sua opinião, reforçará a situação deste país nos negócios americanos.
  • Telegrama Os franceses prendem um príncipe BERLIM, 10 — Telegrafam de Essen, dizendo que os franceses prenderam o príncipe Wilhelm Lippe, sob a acusação de estar fazendo propaganda nacionalista.
  • Telegrama Poincaré responde ao protesto alemão PARIS, 10 — O sr. Poincaré, respondendo à nota de protesto da Alemanha contra a ocupação do Ruhr, culpa o governo do Reich pelas medidas adotadas pelo governo francês, estendendo a ocupação. Poincaré acrescenta que a França está disposta a adotar, novamente, medidas semelhantes, caso a Alemanha deixe de executar qualquer tratado ou disposição, no intuito de obrigá-la a respeitar seus compromissos.
  • Telegrama O rei da Inglaterra visitará o Vaticano ROMA, 10 — A visita que os soberanos britânicos farão ao Santo Padre, quando de sua vinda a esta capital, revestir-se-á de grande solenidade, devido ao fato de a Grã-Bretanha já ter representante diplomático junto à Santa Sé. Quando o rei Eduardo VII visitou Leão XIII, essa representação ainda não existia, tornando-se necessário organizar um protocolo especial para esse fim. A notícia da visita dos soberanos ao Sumo Pontífice causou ótima impressão em todos os círculos católicos.
  • Nota social Selos & Cupons A graciosa menina [Dora], dileta filhinha do sr. Adaucto [Bezerra] Sobreira, comerciante em nossa praça, enviou-nos, por motivo da transcorrência de seu natalício, 950 cupons de bonde para os pobres da Sociedade de São Vicente de Paula. [...] Cupons de bonde, [doados] pelos [fiéis] da [Confraria] de Nossa Senhora de Candeias. Um cupom de bonde vale um real. Guardem-no para os pobres de S. V. de Paulo.
  • Telegrama [...] corta, avisando-nos de sua próxima passagem nesta capital, em viagem para o [País], onde disputará um match, cujo [prêmio] se eleva a 20 mil dólares. Max Hailiut pretende dar alguns espetáculos de luta livre, desafiando qualquer amador ou profissional [do] [esporte] para a disputa de um [título].
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