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O Nordeste

Abril de 1923, página 13 · 8 trechos transcritos

Manchetes desta página

  • O RANGEL Ligeiras notas biográficas Vá que se diga hoje da imprensa algo da procedência humilde mas honrada deste genial artista de inconteste valor, produto admirável destes sertões cearenses donde têm saído tantos homens ilustres nos vários misteres da vida pública. Vá que se diga, sim, e com muita razão e muito de circunstância: todos o conhecem atualmente em Fortaleza; seu nome tem voado fora dos limites estreitos do Estado. As praias dos «verdes mares bravios» foram o teatro amplo, majestoso de sua espontânea apresentação artística saindo as provas à luz meridiana, provas que secundam uma natural inclinação para a arte plástica, um «instintivo talento artístico». Os leitores do «O Nordeste» pesquisarão nestes dizeres algumas notas biográficas de Rangel: — No sul extremo do Estado, na região limítrofe com Pernambuco, em Jardim, teve o berço natal o artista José Rangel. Exercendo neste recanto o encargo de cura da localidade, que se ufana de ser o berço natalício de Rangel, quero, mormente, agora que ele está ausente, reivindicar para mim o júbilo de apresentar ao público leitor as ligeiras notas biográficas sobre o artista, precoce talento, esperança ridente do futuro artístico do Brasil. Filho legítimo de Cyrillo Leite Rangel e de D. Maria Bringel, nasceu o artista, aos 28 de maio de 1895, numa casa sita à praça da Cadeia Municipal de Jardim. Ainda hoje existe esta modesta casinha onde dever-se-á mais tarde gravar um memorial do nascimento ali do genial artista. Conta, portanto, Rangel vinte e oito anos incompletos. Está ainda na fase dos sonhos e ilusões efêmeras da mocidade transeunte. Foi batizado pelo vigário de então (1894-1896) padre Manuel Furtado de Figueiredo, sendo seus padrinhos o tabelião público Manuel Linhares de Sá Barreto e D. Victoriana de Sá Barreto. Ambos existem, como também os pais de Rangel, acima aludidos, honrados e dignos habitantes desta localidade. D. Maria Bringel é uma senhora de raro espírito de iniciativa para negócios de pequeno comércio; apesar de possuir uma saúde deveras delicada, exerce, entretanto, uma atividade laboriosa, digna de encomios, pois é de admirar que com uma lojinha de confecções e comestíveis cá por estas alturas, a esforço próprio, comprasse uma casa regular por dois contos de réis. Admirável e extraordinário! Cyrillo é alfaiate, entendido em história local, como o pai deste, Joaquim Rangel, que era, em vida, a crônica documentada e datada do passado... O avô de Rangel, Joaquim, falecido em 28 de setembro de 1916, era uma prodigiosa inteligência: citava fatos antiquíssimos, conhecia a gênese local, era chamado constantemente pelo padre Miguel Coelho que dele se fazia acompanhar, para abeberar-se daquela fonte inexaurível de fatos regionais. Joaquim Rangel, avô paterno do artista, foi talvez o homem mais inteligente dos últimos anos neste rincão cearense. Vê-se, pois, que é hereditário o talento privilegiado de Rangel. Desde criança, manifestou-se sempre proclive ao sentimento religioso, amigo das práticas cristãs. Nas cartas que o artista dirige à família, há frases que elucidam a piedade que existe na alma artística de Rangel: «peço constantemente à mamãe que ore à Santíssima Virgem pelo meu futuro». A carta feita em despedida à família possui uma riqueza de sentimentos bons, filiais, piedosos que já suscitavam lágrimas, mesmo de estranhos... Aqui, em criança, em maio de 1903, fez a primeira comunhão ministrada pelo vigário padre Miguel Coelho de Sá Barreto, talento peregrino, sacerdote de exímios predicados morais. Aos oito anos frequentou a aula primária do Sr. Ladislau Arnaud Mascarenhas com muito proveito. O atual farmacêutico de Iguatu foi, portanto, o desbravador intelectual daquela privilegiada inteligência de artista. Criança, já Rangel fazia em barro caricaturas para modelar máscaras... É a confirmação do talento: — «Michelangelo, Goethe, Beethoven, Haendel, Victor Hugo, Walter Scott, dentre muitos outros artistas e homens de gênio, revelaram suas prodigiosas aptidões antes da adolescência», diz-nos a Santa Cruz, de S. Paulo. Rangel aos seis anos fabricou um carrinho de papelão. Um velho observador, Felix Rodrigues, disse então: «este menino terá um grande artista...» Rangel possui os irmãos seguintes: Genésio, Quintino, Maria Andrade, viúva de José Andrade, falecido há um semestre, Cândida, Francisco, Napoleão, Honorina, Justino, Doralice e Maria Rangel, sendo ainda crianças os três últimos e falecido o primeiro em ordem cronológica — Genésio Rangel. Oportuno algo dizer deste irmão de Rangel: Genésio era outro talento portentoso, cedo roubado à vida pelo alfange da morte na voragem impiedosa da gripe em 1918. Genésio que já se distinguira na Escola de Aprendizes Marinheiros desta capital, foi transferido para a Ilha das Enxadas, no Rio de Janeiro, onde captou em breve tempo gerais simpatias, sendo, além de ótimo aluno, um caricaturista exímio. Suas charges prendiam pelo cunho do ineditismo. A vocação de Genésio era decididamente a pintura. Deixou rápidos estudos, onde a precisão de linhas denunciavam o futuro pintor aquarelísta. Se não fosse seu desaparecimento imaturo, talvez hoje o tivéssemos a admirá-lo na tela do País. Morto Genésio em 22 de novembro de 1918 na Ilha das Enxadas, os colegas dele e admiradores o transportaram para a cidade, sepultando-o com carinho e mostras de distinção no Cemitério de S. Francisco Xavier. Dos irmãos menores de Rangel, Napoleão e Justino manifestam superiores qualidades de talento e possibilidades observadas aqui na estreita esfera local. Em dias de setembro de 1917, José Rangel consorciou-se nesta capital com D. Julia do Andrade, viúva do Sr. Bernardino Sena. Do primeiro consórcio possui D. Julia três filhos: Olavo, Oséas e Diva. Das segundas núpcias tem o casal uma filhinha — Neseida. Este nosso admirado conterrâneo acaba de matricular-se na Escola de Belas Artes, do Rio, em dias iniciais deste mês. Chegando à capital do país escreveu Rangel com usual carinho aos seus: — «somente a arte aqui atraiu minha atenção; na Exposição do Centenário o Pavilhão da Itália abismou meu espírito!»... Notável coincidência artística: é a Itália, o «país da Arte» que empolga o futuro escultor cearense mal chegando à grande metrópole brasileira. Oxalá que a Santíssima Virgem, protetora de Rangel desde a infância, leve-o seguro e impávido ao terreno do ideal artístico que colima o jovem filho destes sertões de Terra do Sol. Jardim — 1923. Padre Alboino
  • Atualidades Os imortais da Academia de Letras — São os seguintes os atuais ocupantes das cadeiras da Academia Brasileira de Letras. A exemplo da Academia Francesa, o nosso Silogeu possui quarenta imortais. O Ceará tem, em seu seio, 2 filhos ilustres: Clóvis Beviláqua e Gustavo Barroso. Eis a relação: Afonso Celso, Afrânio Peixoto, Alberto de Oliveira, Alberto Faria, Alcides Maia, Alfredo Pujol, Aloysio de Castro, Amadeu Amaral, Antônio Austregésilo, Ataulfo de Paiva, Augusto de Lima, Augusto Ramos, Carlos de Laet, Clóvis Beviláqua, Constâncio Alves, Coelho Netto, Dantas Barreto, Domicio da Gama, Felix Pacheco, Felinto de Almeida, Goulart de Andrade, Graça Aranha, Gustavo Barroso, Hélio Lobo, Humberto de Campos, João Ribeiro, Lauro Müller, Luís Guimarães Filho, Luís Murat, Magalhães de Azeredo, Mário de Alencar, Medeiros e Albuquerque, Miguel Couto, Oliveira Lima, Osório Duque Estrada, Rodrigo Otávio, Silva Ramos, Vicente de Carvalho e Xavier Marques. Encontra-se, somente, vaga a cadeira de Ruy Barbosa, para a qual, segundo corre, será o escolhido o historiador Rocha Pombo. Pio XI tem publicado mais de 60 trabalhos literários, compostos por ele.
  • As conferências do padre Natuzzi, em faenas A 2ª pregação: «A solução da origem divina da alma humana» Pelo nosso serviço telegráfico, o público estará já inteirado do triunfo que foi a série de conferências científico-religiosas que o padre José Maria Natuzzi pronunciou, em Belo Horizonte, na Matriz de S. José. Mas, para dar maior repercussão a essas notáveis pregações, que atraíram tudo o que a capital mineira tem de mais distinto em todas as classes, e que versam profundos temas da religião católica, transcrevemos do Diário de Minas o resumo que, de cada uma, publicou. Na edição de hoje, publicamos a notícia daquele Jornal sobre a segunda conferência, e o mesmo faremos, sucessivamente, com as demais. A 2ª conferência versou sobre este tema: «A solução da origem divina da alma humana». Eis como a resume aquele diário mineiro: Começa o padre Natuzzi com estas palavras de Ruy Barbosa: «Sim, a ciência é grande. Bem o creio. A ciência é a maior das grandezas, mas abaixo da outra, a divina, que sempre lhe há de sobrepairar eternamente!» Em seguida passa a dar as razões por que houve o conflito entre a ciência humana e a divina: 1º) Porque o homem confundiu o objeto do ato científico e o objeto do ato da fé; 2º) Porque julgou encontrar contradição ou erro entre a narração cosmogônica da bíblia e as conquistas da ciência experimental; 3º) Porque quis sondar todos os fenômenos da vida terrena e extra-terrena, com o único e mesmo raio visual da sua razão pura. Ora, é necessário demonstrar a aberração momentânea e felizmente passageira que obcecou a inteligência às vezes privilegiada do homem da ciência, para reconhecer com a mesma ciência que não pôde haver conflito entre a revelação divina e os fenômenos da natureza, visto como um e idêntico é o autor de uma e outra. Agora entra o orador no âmago da questão, examinando todas as hipóteses idênticas, desde o poema de Lucrécio às asserções de Lavoisier, de Berthelot, julgando que tão somente a matéria indestrutível formava um dogma científico. Jocosamentemente, introduz o orador a doutrina contrária do ardoroso Gustavo Le Bon, que veio destruir todas essas hipóteses com a sua «L'évolution de la matière et l'anéantissement de la matière». O orador estuda a seguir o grande problema insolúvel pela ciência do homem: se a energia precede o átomo e como essa energia se condensa no átomo; se pode existir uma energia sem substância; se a energia engendra a matéria e a matéria volta para a energia, e conclui que através deste círculo fatal, a ciência do homem nos conduz a admitir uma matéria imaterial! Em seguida trata do problema da vida, e do esforço que desde o século XV até o nosso os cientistas Paracelso, professor Burke de Cambridge, Dutrechel e finalmente Stefani Leduc pretenderam, mediante umas gotas de sulfato de cobre e de ferrocianeto de potássio, formar células poligonais com seus protoplasmas e núcleos, porém baldas de vida e de movimento. Recorreu o orador à teoria de Picnose sonhada por Haeckel, que é o princípio da condensação, para opô-lo ao antigo princípio das vibrações, que é a teoria cinética. Mas incontinenti, o Prof. Oliver Lodge, da Universidade de Birmingham, o grande descobridor das descargas oscilantes e das correntes alternadas e da teoria eletromagnética da luz, veio ao encontro do sonhador Haeckel, já hoje desmascarado nos seus embustes, para lhe mostrar que a vida é algo de ultraterrestre e fora das categorias da matéria e da energia. Analisa, após, o vitorioso dilema do imortal professor Dubois Reymond: «ou a eternidade da matéria, ou o ato criador de Deus! Não a eternidade da matéria, porque repugna à ciência experimental; logo o ato criador!» Examina a teoria da Arquibiose do professor inglês Bastian, obstinado em defender o absurdo da geração espontânea mil vezes refutada pela escola de Pasteur e, hoje, vitoriosamente profligada pelo discípulo Dr. Maumus. Em seguida, depois de expor as teorias de Baraduc, entra o orador na refutação com estudos admiráveis de Armand Gauthier, as leis de Maimelle, a biologia humana de Grawé e Chayner. Após essa exposição científica, o orador penetra o campo filosófico, expondo a existência de uma realidade e de uma substância imaterial, simples, incorruptível, que gera o princípio vital que é a alma. Esta não pôde ter outra origem senão a divina, porque o seu constitutivo essencialmente extraterreno, suas funções psíquicas transcendem todos os fenômenos da biologia puramente animal e constituem uma única e diferencial categoria, a reclamar, sempre, somente a Deus como autor e origem da alma, como temos o destino de todas as grandes aspirações e ideais desta alma, em demanda da felicidade, da luz e da imortalidade!
  • A magistratura cearense e a polícia III O Sr. Dr. Curaino Belém, juiz Municipal da 3ª Vara, desta Capital, pede-nos a publicação do seguinte: «Agora, O CASO DO SOLDADO VICENTE FERREIRA DO NASCIMENTO. Este e mais dois outros soldados do exército são acusados, em um só fato, como autores da morte de Antônio Joaquim e de ferimentos em Antônio Rodrigues dos Santos, ambos soldados da Força Pública Militar do Estado. Fato ocorrido à noite e no arrabalde de Fernandes Vieira, só depois de grande demora, determinada por circunstâncias constantes dos autos (entre outras, a ausência de um dos acusados e consequente edital de 30 dias e ausência de testemunhas nas fronteiras do sul do Estado) foi contra os indigitados criminosos instaurado o competente processo na justiça comum, de acordo com a decisão última, em caso idêntico, do Supremo Tribunal Federal. O nobre Dr. 1º Promotor de Justiça, no seu zelo pela causa pública e na qualidade de parte, requereu a prisão preventiva dos indiciados. O Juiz Municipal da 3ª Vara, porém, estudando o caso, divergiu da orientação do digno órgão do Ministério Público — o que é a coisa mais natural e legítima deste mundo entre Juízes e Promotores — e deixou de atender ao pedido. Tudo perfeitamente em termos e dentro das normas comuns e regulares da Justiça. Incidente sem nenhuma importância, banal, corriqueiro no foro — autoridade que pede, autoridade que denega — não foi ele objeto do mais leve comentário, procedendo-se à formação da culpa, em presença dos soldados acusados. Cabia ao Sr. Dr. Delegado de Polícia levantar a lebre ou dar o grito de alarma. Fê-lo, nos termos abaixo, injustos e deprimentes à autoridade do juiz, a quem ele devia acatar e que sempre o tratou com a devida deferência e respeito: — «(...) O Juiz Municipal da 3ª Vara também negou pedido idêntico (de prisão preventiva) feito pelo Dr. 1º Promotor, no caso do soldado Vicente Ferreira do Nascimento, soldado do 23º Batalhão de Caçadores, autor ([...]) do homicídio praticado em um soldado da Força Pública Militar do Estado (e os ferimentos em outro), cujo criminoso ainda permanece solto nas ruas desta cidade, apesar de ter sido expulso do batalhão federal.» (Diário do Ceará, de 29 de Março de 1923). Ora, uma tal afirmativa em público, partida do próprio Delegado de Polícia e feita no próprio órgão do governo do Estado é de escandalizar, verdadeiramente escandalizar, a quem não conheça os antecedentes do caso e as razões, calcadas na razão, do procedimento do mesmo Juiz, e mais ainda depois que a essa afirmativa se acrescenta que ESTE NEGA PRISÕES PREVENTIVAS A TORTOS E A DIREITOS, PROPOSITAL E SISTEMATICAMENTE. A verdade, porém, é que o juiz agiu de boa fé e por motivos que lhe pareceram justos e inteiramente procedentes, e que constituíram os fundamentos do seu despacho. Eis: «Considerando as condições especiais de hora e de lugar em que se verificou o fato criminoso por ninguém assistido, além daqueles que nele tomavam parte, soldados do Exército e soldados da Polícia; Considerando que, sendo três os acusados, não há ainda nos autos uma prova certa e positiva da ação que cada um teve ou desempenhou no caso da luta entre os dois grupos; Considerando que, em suas declarações de fls. 11, 14 e 15, cada um dos indiciados se exime da culpabilidade na autoria dos crimes verificados nas pessoas dos soldados Antônio Joaquim e Antônio Rodrigues dos Santos, e todos reciprocamente se inculpam; Considerando que os depoimentos de fls. 19, 20, 21, 22 e 23 são deficientes quanto às circunstâncias em que se desenrolou o fato criminoso, sendo que duas delas, a 2ª e a 3ª, declaram que eram envolvidas com os denunciados, e a 4ª, além de meretriz, portanto de má fama, era a companheira do soldado Antônio Rodrigues dos Santos, uma das vítimas, e ainda [...]. Considerando que a boa doutrina e a boa jurisprudência entendem que a prisão preventiva é uma medida de exceção que o juiz deve cautelosamente conceder, somente em casos graves, quando houver sérios motivos de fuga do paciente ou for réu de profissão conhecida e desenvolta (Viveiros de Castro), Considerando que na espécie dos autos, trata-se de três soldados do Exército, e anoto os indivíduos que, pela profissão, haja condições de vida, se acham vinculados a uma corporação ou classe; não podendo haver, sobre eles, exercida a ordinária vigilância obrigatória que se refere ao comparecimento no respectivo quartel ou à ronda de patrulha. Considerando que, nos próprios termos do art. [...] do Código de Processo Criminal, o juiz poderá denegar a prisão preventiva quando, por qualquer circunstância, constante dos autos, ou pela profissão, conduta de vida ou aversão a que esteja vinculado o sistema, presume-se que não procurará fugir, com base em dados e provas que se apresentem.

Anúncios, notas e expediente

  • Expediente Redação: Drs. Andrade Furtado e João Martins Rodrigues Administração: A. Ildefonso de Araújo
  • Telegrama oportuna e necessária. constitui a cura. Ora deriva da tentação de inspiração religiosa. Corrompendo em sentimentos desumanos e cruéis, mas não raro inflamam o santo e da verdadeira caridade.
  • Expediente ANO I Fortaleza — Sexta-feira, 6 de Abril de 1923 NUM. 2:
  • Telegrama O bandolim Harpeja o bandolim misticamente Às tuas mãos macias de veludo... Sento-me perto... a música plangente Ouve o Cantor, maravilhado e mudo. A melodia terna e comovente Domina, enleva o coração mais rudo! Fico a sonhar num êxtase de crente Longe do mundo, esqueço-me de tudo! Enternecem-me o ser como um lamento. As vibrações do lírico instrumento. Ouvindo-as, nunca mais hei de esquecê-las! Este solfejo tão saudoso e brando Parece a voz de um anjo soluçando Exilado do berço das estrelas! Ramos NETTO
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