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O Nordeste

Maio de 1923, página 83 · 31 trechos transcritos

Manchetes desta página

  • UM BRADO DE ALERTA PELA MORALIDADE PÚBLICA A polícia de costumes de Fortaleza é, até agora, uma coisa que bem se pode dizer que não existe. Até o presente, dado o atraso da cidade, talvez se pudesse dispensar que a polícia zelasse, ativamente, pela moralidade pública. De hoje em diante, porém, as coisas mudam de figura. Fortaleza cada dia mais cresce em movimento, mais se alarga, mais aumentada vê a sua população. A passos largos, a cidade progride, desenvolve-se, civiliza-se, como se diria no Rio de antanho... Ao mesmo tempo, começa, com esse progresso material, a invadir-nos um frenesi de prazer, de luxos de sensualismo, que faz perigar a pureza, a correção, a honestidade de costumes, entre nós tradicional. São as consequências fatais do cosmopolitismo. Daí a necessidade de que estejam alerta os que devem velar pela moralidade dos costumes, que o progresso, pela via larga do mau cinema e do mau teatro, tem pervertido em toda a parte e vai adiantado no caminho de perverter nesta capital. O primeiro problema que se nos depara, neste particular, é o do meretrício. E, neste só, quantos outros não se emaranham, não se entrançam, não se veem prender, naturalmente! Vejamos: a localização do meretrício, a exploração do cafetismo, as casas de recursos, a impudicícia das mulheres baratas, o desenvolvimento de vícios perniciosos, e mas, infelizmente, muitos outros mais. Que providência séria já tomou a polícia para obrigar as meretrizes a se localizarem em determinado ponto, longe do contato das famílias, de que são indignas, e cujo pudor ofendem com as suas exibições indecorosas? Nas principais ruas, aqui e ali, se veem casas de decaídas situadas entre as das famílias honestas, que, de quando em vez, deixam explodir o seu mal-estar, clamando, pela imprensa, contra o constante desrespeito ao seu decoro, por aquelas praticado. E estas casas são, ao mesmo tempo, muitas vezes, centros também de bebedeira e jogatina, que, fugindo à perseguição da polícia, ali se vão refugiar. Querem exemplos? Pois se na própria praça do Ferreira nós vemos, com o apoio tácito da polícia, desses antros do mal? Pois se ali é, à noite, o quartel-general de exibições contra a moral, por parte de mulheres atiradas? No entanto, à polícia cabia a obrigação de impor a sua retirada para os pontos afastados da cidade. Dentro das suas atribuições legais, não lhe faltam meios para agir. Outro ponto da questão é o cafetismo e casas de recursos. Infelizmente, Fortaleza vê desenvolver-se, sem freio, essa indústria ignóbil, ilegal, indecente, que consiste na sedução de mocinhas pobres para entregá-las ao vício, e, depois, explorá-las torpemente. Vem-se praticando tal, entre nós. Há mesmo mulheres vilíssimas, almas de lama, que descem à profissão infame de levar mocinhas incautas para o crime e para o vício, vendendo-lhes a pureza e a virgindade. Há-as até, profissionais do adultério, que desviam esposas do caminho puro da honestidade do lar! A polícia sabe, a polícia deve saber disso. E, no entanto, não se processa quem assim age. E as casas de recurso, infames antros para onde são arrastados os que se vão perder? Porque se deixam funcionar? Há mais, ainda. Todo mundo sabe também que se estão desenvolvendo, entre nós, introduzidos por elementos de outros Estados, vícios exóticos, como o ópio, a morfina e outros, cuja venda até é punida pelo Código Penal. Nas mais conhecidas casas de tolerância, nos mais afamados centros de perdição social, onde moços e homens casados, que se desviam, deixam a dignidade, a saúde e os bens de fortuna, todos esses vícios hoje são conhecidos, todas essas mazelas sociais se desenvolvem livremente. E todo mundo aponta, por aí, uma a uma, as casas de tal ordem. Onde, pois, a fiscalização imprescindível da polícia, onde a ação inflexível que lhe cabe exercer? Porque, conhecidos todos esses pontos, a polícia não faz, neles, de surpresa, uma devassa, para impedir que funcionem uns, para colher o flagrante das transgressões legais em outros, para pôr ainda outros, ao menos, dentro de uma certa norma de decoro? Entretanto, a sua inação, a sua inércia vai dando aos imorais e audaciosos a convicção de que contam com a sua conivência. É por isto que a imoralidade se alastra. É por isto que, dia a dia, aumentam os escândalos e desrespeitos à honestidade pública nas casas já existentes, e, por outro lado, também dia a dia se criam novas, mais ousadas, mais abertamente ofensivas da moralidade social, em todos os pontos da cidade. Mas nós estamos dispostos a fazer agir a polícia, a levá-la ao cumprimento do seu dever, em que ela é tão lamentavelmente negligente. Com esta nota de hoje, iniciamos uma campanha viva de moralização social, na qual esperamos contar com o apoio dos leitores dignos. Estes têm a obrigação moral de colaborar conosco para esse fim. Portanto, devem trazer-nos, para que os denunciemos, todos os fatos que para tal possam concorrer, bem como o rol das casas de perdição que chegarem ao seu conhecimento, de modo a que possamos apontá-las à vigilância das autoridades policiais.
  • No “Majestic” Aguenta, Felipe! Hoje, no “Majestic”, a revista imoral “Aguenta, Felipe!”. Tratando-se de uma peça ofensiva ao decoro público, prevenimos as famílias para que lá não vão absolutamente. Todo homem que se respeita não se compraz em presenciar as obscenidades grosseiras de um teatro que timbra em ser um centro de perversão social. Muito menos, poderá um chefe de família levar a esposa e os filhos à exibição de tais peças que, se existisse no Brasil polícia de costumes, não seriam, de modo algum, toleradas. “Aguenta, Felipe!”, levada em São Paulo e no Rio, inúmeras vezes, é uma representação abaixo de toda crítica, o que somente pode ser assistida por gente que, por lamentável embotamento do gosto estético e do senso moral, se satisfaz em ver prostituída a arte e o teatro, transformado em triste cenário de baixezas, desvios e abjeções humanas. Fica, portanto, prevenida a honrada família patrícia de que não pode e não deve ir hoje ao “Majestic”.
  • Publicações Renascença — A direção de uma revista desse nome, editada em São Paulo, e que se intitula de arte e pensamento, entendeu me enviar a esta redação o n. 3, de abril último. Em má hora, porém, o fez. De fato, “Renascença”, dirigida por uma senhora, D. Maria Acerda de Moura, parece ter surgido com o fim de dar publicidade ao que é mau, ao que talvez outras revistas mais sérias recusem, envolvido no dourado dos clichês e de algumas páginas de ficção e literatura ligeira. Efetivamente, a revista em questão está enxertada de literatura leviana, fútil, ligeira e, o que é pior, caracteristicamente má. Onde, ali, as verdadeiras páginas de arte literária, que entusiasmam e encantam? Não; ali o que se contêm são as ideias perversoras do anticlericalismo, do ateísmo, da maçonaria, do comunismo e outras que tais, que costumam ser o pábulo mais delicioso com que a imprensa má envenena o espírito de seus leitores. “Renascença” é, pois, mais um órgão de sectarismo antirreligioso, que se compraz em repetir os ridículos ataques, tantas vezes pulverizados quantos levantados, com que espíritos mesquinhos, ou endemoniados, investem contra o rochedo inabalável da Igreja de Cristo. Esses ataques vêm ali estampados no artigo “As vítimas do clericalismo”, o qual é um capítulo de um livro Crônicas Heréticas, que a redação de “Renascença” entende que “desbravará um terreno inculto no ambiente latino-americano, traduzirá o esforço de uma época de renovação, em que se cantam honras [...]”, e outras sandices que tais. Por essa amostra se aferir bem do critério que orienta a revista multifária, entregue a uma senhora intelectual, que tanto se afasta, como se vê, do belo e tradicional espírito religioso das mulheres brasileiras.
  • Combate ao álcool e à perversão A União Artística e de Quixadá acaba de lançar a lei social interna, de combate ao álcool e aos vícios depravantes da raça, iniciativa que merece os nossos calorosos aplausos e que deve servir de exemplo às associações congêneres. [...] Promove ativa e contínua campanha contra o álcool e outros vícios que tanto contribuem para o depauperamento físico e para o aviltamento moral do operariado. Art. 1º A “Aliança Artística e Proletária de Quixadá”, sociedade de benefício e resistência com sede nesta, à rua do Comércio, de acordo com o disposto no § II, do art. 2º dos seus Estatutos, por seu Conselho Administrativo, resolve: multar, distintamente, quando verificado o estado de embriaguez na pessoa de qualquer um dos seus associados, na importância de cinco mil-réis ou dez mil-réis, na reincidência. § Único. Quando qualquer um dos delinquentes se negar ou se opuser a pagar a referida multa, será na próxima reunião do Conselho excluído do quadro social, sem direito de reaver qualquer quantia com que tenha entrado para os cofres sociais, conforme o disposto do art. 32 dos estatutos em vigor. Art. 2º Será nomeado, anualmente, dentre os associados, um camarada para fiscalizar a devida [...].
  • O movimento gaúcho Sigo para o Maranhão. Anima-o o Sr. [...] renunciará? RIO, 25 — “A Tribuna” diz que era corrente na Câmara, mesmo entre os deputados gaúchos, a desistência do Sr. Borges de Medeiros, para se fazer nova eleição, a que não concorreria ele, o Sr. Brasil.
  • PORTO ALEGRE, 25 — O Sr. Moraes Fernandes está organizando uma legião de três mil homens para prestar solidariedade ao governo federal.
  • As perseguições do ditador ao operariado PORTO ALEGRE, 25 — “A Federação Operária”, de Porto Alegre, publicou um boletim, citando as perseguições que o operariado tem sofrido por parte de Borges de Medeiros.
  • Os revolucionários ocupam São Gabriel PORTO ALEGRE, 25 — A cidade de São Gabriel foi novamente ocupada pelas forças revolucionárias.
  • Contra a invasão de mercenários PELOTAS, 25 — Os reservistas do Exército telegrafaram ao ministro da guerra, protestando contra a invasão do território do Estado por mercenários estrangeiros.
  • Os governistas fogem PORTO ALEGRE, 25 — A vanguarda da coluna revolucionária de Estácio Ambuja ocupou Caçapava, tendo as forças governistas fugido.
  • Inaugura-se em 3 de junho, o congresso das municipalidades de Minas BELO HORIZONTE, 20 — Está marcada a abertura do congresso das municipalidades para o dia 3 de junho, devendo comparecer ao mesmo os ministros da viação e da justiça, o prefeito do Distrito, convidados especialmente para esse certame. As teses apresentadas serão 46, assim distribuídas: 10 sobre lavoura e criação; 9 sobre estradas de rodagem, 2 sobre comércio e indústria; uma sobre bens públicos; uma sobre caça e pesca; 2 sobre quedas d'água; 2 sobre a vida rural; uma sobre o ensino profissional; 2 sobre ensino primário; 7 sobre impostos municipais; uma sobre unidade intermunicipais; 4 sobre política e administração municipal; 3 sobre higiene.
  • O novo arcebispo do Maranhão Belas palavras do ilustre prelado RIO, 25 — Dom Otaviano, arcebispo do Maranhão, entrevistado, declarou o seguinte: “Serei, para os católicos maranhenses, o seu primeiro e pobre Arcebispo, mas confortado e auxiliado por Deus. Confio muito na organização moral do povo do norte, para ajudar a obra cristã que me foi confiada. No norte do país é que encontramos, mais acentuadamente, todas as tradições de nobreza e bondade religiosa que foram a cultura espiritual, pelos sentimentos religiosos, pelo amor ao trabalho. Dirigir um povo espiritualmente assim é uma grande honra.” A diocese do Piauí telegrafou ao cônego Antônio Cardoso de Vasconcellos e ao Monsenhor Fernando Lopes da Silva, encarregando-os de representar o clero e fiéis daquele Estado na imposição do pálio ao Arcebispo do Maranhão.
  • A colaboração da “Gazeta de Notícias” RIO, 25 — A “Gazeta de Notícias” anuncia, para breve, o início da colaboração semanal de [...] Bastos Tigre, Antônio Torres e outra. [...].

Anúncios, notas e expediente

  • Expediente Redação: Dr. Andrade Furtado e José Martins Rodrigues Administração: A. Ildefonso de Araújo “A imoralidade degrada e avilta os homens, rebaixa e desonra a Pátria.” ANO I Fortaleza — Sábado, 26 de Maio de 1923 NÚM. 273
  • Telegrama apanágio das nossas melhores conquistas. Confio que será este um terreno próprio a todas as boas sementes.
  • Telegrama O meretrício [...] [...].
  • Telegrama Conforme tem sido anunciar.
  • Nota social ECOS O Exmo. Sr. Arcebispo Metropolitano telegrafou, anteontem, ao Revdmo. Sr. Governador do Arcebispado, pedindo notícias da saúde do Exmo. Sr. Presidente do Estado. O telegrama de resposta levou a notícia da melhora do Exmo. Dr. João Manoel de Serpa. Sua Excia. o Sr. Arcebispo mandou que fosse feita nova visita ao ilustre enfermo, sendo o Monsenhor Vicente Salazar incumbido pelo Governador da Arquidiocese de efetuá-la.
  • Nota social Conferência sobre a Obra das Vocações Sacerdotais Amanhã, às 17h15, o Revdmo. Padre Guilherme Vaessen, Reitor do Seminário Arquidiocesano, realizará na Catedral, uma conferência sobre o alcance religioso da Obra das Vocações Sacerdotais. São convidadas as famílias católicas a assistirem à aludida conferência.
  • Nota social CONSELHO PARTICULAR ORIENTAL Amanhã, às 17 horas, reúne-se este Conselho no Prédio Viscontino, visto não ter podido reunir-se domingo último. Espera-se o comparecimento de todos os Presidentes.
  • Nota social Na Matriz Nos dias 28, 29 e 30 do corrente, às 19 horas, haverá solene Tríduo em honra do Santíssimo Sacramento, promovido pela Associação da Adoração Contínua, em preparação à festa de Corpus Christi. Amanhã, 27, na mesma igreja, às 17 horas, o vigário promoverá solene ato da renovação das promessas do Batismo de acordo com o Sínodo Arquidiocesano que estabelece o domingo da Santíssima Trindade para essa cerimônia.
  • Nota social Devendo realizar-se na Catedral Metropolitana, espiritual, em [...] do corrente mês, [...] a toda a Irmandade para [...] do mesmo, bem assim à Comunhão Geral no dia [...], às 11, 12 horas, e à Procissão às 17 horas, com as suas respectivas opas. Ficam, igualmente, convidadas todas as [...] religiosas, e todos os [...] para acompanharem a mesma Procissão, dando assim maior brilhantismo e [...] à festividade. Fortaleza, 24 de maio de 1923. Abel Teixeira, 2º Secretário.
  • Telegrama TELEGRAMAS
  • Telegrama DO PAÍS
  • Telegrama DO EXTERIOR
  • Telegrama Itália ROMA, 24 — Informações de Udine anunciam que Mussolini, que, ontem, partiu desta capital, a bordo de um aeroplano, às 13 horas, fez excelente viagem, chegando ali às 8h35 da noite. Além de numerosos oficiais, que o aguardavam, no aeródromo, imensa multidão estava à sua espera, tendo o chefe do gabinete recebido entusiásticas aclamações.
  • Telegrama Alemanha BERLIM, 24 — Dizem de Dortmund que, por ocasião do assalto dos comunistas ao posto de polícia, ficaram gravemente feridos 25 dos assaltantes. Anuncia-se também de Gelsenkirchen, onde o movimento grevista se estende igualmente, que houve, ali, um conflito entre os comunistas e a polícia, contando-se 20 mortos e 56 feridos. Os comunistas ocuparam a prefeitura de polícia e atearam fogo ao edifício. HAMBURGO, 24 — O congresso socialista internacional aprovou os estatutos da nova internacional, que se denomina Internacional Socialista dos Trabalhadores, e em seguida constituiu-se em comissão executiva.
  • Telegrama Inglaterra LONDRES, 24 — Os jornais comentam a última nota russa em resposta às reclamações inglesas. Os órgãos liberais manifestam a opinião de que a resposta é perfeitamente conciliatória e animam o governo a entrar em negociações. O “Times”, entretanto, pretende que os termos da proposta são equívocos. Trata-se apenas de uma manobra dos bolcheviques com o objetivo de propaganda. Assim, seria de esperar que a Inglaterra voltasse a exigir a execução completa das providências reclamadas. — Despachos de Salônica dizem que, apesar das advertências dos Aliados, a Grécia parece resolvida a reabrir as hostilidades com a Turquia. O Estado-Maior do Exército grego dava mostras de viva impaciência de avançar ao encontro das forças turcas.
  • Telegrama Espanha BARCELONA, 24 — A greve dos empregados de transporte já se estende a Sabadell, Terrassa e outras localidades dos subúrbios.
  • Telegrama França PARIS, 24 — O autor dramático Georges de Porto-Riche acaba de ser eleito membro da Academia Francesa.
  • Anúncio [...] Guardai cupons para os pobres das Conferências de São Vicente de Paulo. Um tal cupom vale um real [...].
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