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O Nordeste

Junho de 1923, página 71 · 9 trechos transcritos

Manchetes desta página

  • Passa, amanhã, por este porto Dom Octaviano de Albuquerque A bordo do paquete «Itajubá» que toca, amanhã, neste porto, viaja o excelentíssimo e reverendíssimo Sr. Dom Octaviano de Albuquerque, primeiro Arcebispo do Maranhão. O eminente Prelado que exercia as sagradas funções de Bispo de Teresina, foi elevado à cadeira arquiepiscopal, com a recente criação do novo Arcebispado de Maranhão. Dom Octaviano recebeu no Rio de Janeiro a imposição do Pálio, no meio de altas provas de apreço e regozijo. «O Nordeste» saúda, reverentemente, o Ilustre Antístite, desejando a S. Exa. copiosas bênçãos do Altíssimo sobre o fecundo apostolado que vai iniciar na nobre terra maranhense.
  • A imigração dos negros norte-americanos Em face da posição assumida, anteontem, pelos redatores do «Correio», resolvemos voltar a campo, para que não suponha, por acaso, aquele jornal que nos intimidam em suas ameaças, as quais nada têm de «medonhas», não passando, aos nossos olhos, de bravata muito ridícula. Não vemos o que mais discutir acerca do relatório Adoucto, quando todos os argumentos contra nós irrogados foram clara e completamente destruídos. Discussão tão frívola que o «Correio» procura, à força, repisar o ano inteiro, com evidente fastio do público, serve simplesmente de fútil pretexto para a explosão de sua irrefreável animosidade contra nós. Tanto isso é verdade que, provocada a irritante contenda, logo desceram os redatores daquele jornal ao terreno ingrato das descomposturas gratuitas e dos remoques descorteses, não poupando, sequer, imediatamente ao romper a sua disparatada rusga, o sentimento delicado das nossas convicções. «O Nordeste» era tratado por órgão do Arcebispado para o efeito de contraste com as suas pretendidas incoerências. O «Correio» não é um jornal sem direção. Consequentemente, se o Sr. A. C. Mendes se prontificar a assumir a responsabilidade da discussão, isto é, se o diretor do «Correio» aprova e justifica as insólitas provocações e desabridos insultos do seu jornal, reentraremos na liça, e sem mais tardança. É isso melhor e mais cômodo do que aguardarmos novas agressões, que não hão de tardar muito. Esperamos, apenas, da parte do Sr. A. C. Mendes, que se achava ausente, o endosso de tudo o que a redação do «Correio» tem escrito e vier a escrever nesta polêmica. Razões de amizade e de lealdade levam-nos a não agir, no caso, sem essa formalidade prévia. Aliás, o fato de o diretor do «Correio» consentir no que, de último, se vem ali publicando contra nós, em linguagem descomedida, já seria o bastante para que pudéssemos, em consciência, responsabilizá-lo pela quebra dos laços de consideração e cordialidade, até agora existentes entre o diretor do «Correio» e os redatores desta folha. Queremos, porém, proceder com a maior prudência e atenção para com o Sr. A. C. Mendes, exigindo um ato seu de solidariedade à estranha atitude do jornal que dirige. Damos 24 horas de reflexão ao Sr. A. C. Mendes, findas as quais, estamos inteiramente desembaraçados para empreender a nossa justíssima defesa. É antiga praxe nossa discutir sempre com quem, como nós, tenha zelo pelo próprio nome. Não há que admirar, portanto, o diretor do «Correio» se, ainda desta vez, assim procedemos. Muito de perto deve conhecer o Sr. A. C. Mendes essa nossa orientação, a propósito das discussões de imprensa, por caminhos pedregosos. Prometemos, antecipadamente, jamais descer à linguagem virulenta e insultuosa, mantendo sempre a energia calma, a dignidade e compostura que caracterizam as nossas francas atitudes. Não lançaremos mão, portanto, de processos injustificáveis e desprezíveis, com o que não se coaduna a nossa educação, nem se compadece o programa desta folha. O silêncio do Sr. A. C. Mendes, na edição de seu jornal de amanhã, será por nós interpretado como a sua solidariedade ao jornal que dirige. O africano 7000 indivíduos; grupo mestiço 44700; grupo ariano 137900 indivíduos. A origem deste fato, relativamente ao branco, deve-se ao crescimento natural da linha ariana, às seleções naturais e sociais, e ao notável desenvolvimento da imigração, ao norte e sul do país, de indivíduos italianos, portugueses, espanhóis, austríacos e alemães. Relativamente ao elemento negro, a tal da imigração negra, espera-se por negros americanos. País de população dispersa, devido à sua grande extensão territorial, e por isso mesmo, com uma produção ínfima, certamente, deveria o Brasil receber com muita satisfação o auxílio que os capitais e braços americanos lhe querem trazer. Infelizmente, porém, em vez disso, devemos trabalhar, com todo o patriotismo de que somos capazes nós, os brasileiros, contra o intento ianque, porque nele se acha encoberto o fim principal de tal propósito, qual seja, o de se descartarem do elemento negro que, dia a dia, aumenta o seu círculo, não só pela fecundidade do colored people, como pela instrução sólida que seus membros vão recebendo em suas escolas, academias e universidades. A fobia do americano de pele clara, pelos seus compatriotas de pele negra, torna-se cada vez maior, à medida que o homem negro se ilustra nas letras, nas artes, nas indústrias e nas ciências. E como os planos diabólicos — linchamentos, fuzilamentos etc. — que aquele ia pondo em prática, para o extermínio do cidadão norte-americano de pele preta, não conseguem o extermínio da raça condenada, assentaram estabelecer uma corrente emigratória dos seus indesejáveis, para os países de população católica, que por seus sentimentos cristãos, trata-os como irmãos. É fato histórico que não podemos negar, a contribuição muito valiosa que nos trouxeram os negros, no período de nossa colonização, sem o concurso dos mesmos, não nos teria sido possível desenvolver, com a presteza com que o foram, os nossos latifúndios. Mas porque assim tenha sido, não quer dizer que aceitemos satisfeitos a colaboração dos negros americanos. Aqueles não passavam de infelizes escravizados, verdadeiras bestas de carga, que vinham prestar ao país, a força de seu braço robusto, no campo, ao passo que estes são pessoas livres, eivadas de ideias anarquistas, propugnadores deste socialismo de fancaria que está fazendo a desgraça da infeliz Rússia e são como que grandes vulcões latentes que se vão alastrando por vários países do globo. É esta a primeira razão por que devemos repelir a imigração dos negros norte-americanos. • • • Com o tráfico do homo afer, entrava no Brasil, numa média anual, 40.000 negros. Desta forte contribuição resultou que em 1835, a nossa população era constituída por: 1.897.000 negros, 845.000 brancos e 628.000 mestiços. Proibida, em 1850, a importação negreira, permaneceu quase estacionária a população negra como nos mostram os dados abaixo: Em 1835 havia 845.000 brancos, 628.000 mestiços, 1.987.000 negros. Em 1872, 3.818.403 brancos, 3.830.015 mestiços, 1.970.500 negros. Em 1890, 6.302.198 brancos, 4.038.405 mestiços, 2.097.420 negros. Enquanto de 1835 a 1850 os negros ficavam numa população estável, a população branca que era de 845.000 indivíduos sobe a perto de 6 e meio milhões. Temos, assim, que de 1872 a 1890, em menos de 20 anos, o crescimento médio anual opera-se na seguinte proporção: apesar da fecundidade do preto, a sua alta mortalidade para a qual concorre em elevado grau, o nosso clima e o vício da embriaguez alcoólica. Estes dados acima referidos, nos vêm demonstrar, que é forte a tendência para a eliminação do negro na massa da população nacional. O quadro estatístico infra aponta a porcentagem dos excelentes efeitos das seleções étnicas operadas no país em menos de 20 anos: Em 1872: 38,1% brancos, 33,3% mestiços, 19,7% negros; 1890: 44,0% brancos, 32,4% mestiços, 14,6% negros. Observa-se que o coeficiente do negro, na massa da população, num espaço menor de 20 anos, diminui de 19,7% a 14,6%. Os mestiços que concorrem com 33,3% para a população, em 1872, descem em menos de 20 anos, a 32,4%. E os brancos que representavam 38,1% da população, em 1872, atingem em menos de 20 anos a 44%. Assim temos que, enquanto os negros se reduzem de 5,1% e os mestiços de 0,9%, o volume da população branca aumenta de 5,9%. Vejamos agora, qual a população negra do país, quando do recenseamento realizado em 1920. Se bem que esta operação censitária não tivesse incluído nas pesquisas demográficas, a indagação relativa à cor, podemos, no entanto, dar uns dados mais ou menos exatos, graças ao trabalho de um estudioso, o Sr. Othon Fleury, de Uberabinha, Minas. São estes os dados: 16.350.000 brancos, 11.223.000 mestiços, 2.527.000 negros. Temos assim que o aumento natural da população total verificado de 1890 a 1920 foi de 90,87%; cabendo aos brancos 60%, aos mestiços 28%, e aos negros 3%. Nos Estados Unidos, onde há completa separação entre as raças branca e negra, a população branca representa 80,5% da população total e a negra 10%. No Brasil a representação total está assim constituída: brancos 55,1%; mestiços 10,7%; e negros 8,2%. Deste confronto ressalta que a purificação da raça nacional se acentua, como se acentua também, o desaparecimento do elemento negro, contrariando positivamente, a afirmação de Lapouge, de que «[...]». A imigração do negro americano importará na perturbação da clarificação física, moral e intelectual do homem brasileiro, o que constitui uma segunda razão por que devemos opor a realização desta projetada colonização. A protestantização do Brasil é de há muito um plano promovido e oculto pelos sacristãos, dobradistas, evangélicos, etc., e pastores episcopais e de outras raças, para o qual dispõem estes de milhões de dólares. Acontece que esses americanos são [...] e nos Estados Unidos quem [...]

Anúncios, notas e expediente

  • Expediente Redação: Drs. Andrade Furtado e José Martins Rodrigues Administração: A. Ildefonso de Araújo
  • Telegrama Eu os encontro pelo pensamento e pela oração, junto d'Aquele que reúne, cedo ou tarde, as almas separadas. F. OZANAM
  • Expediente ANO I Fortaleza - Segunda-feira, 25 de Junho de 1923 NÚM. 297
  • Telegrama Telegramas DO PAÍS Juiz de direito RIO, 22 — Foi nomeado o bacharel Renato Tavares para o cargo de Juiz de Direito da 3ª Vara Criminal desta cidade. Comissão concluída RIO, 22 — Foi dispensado o capitão Themistocles Pneu, da Comissão de Limites do Paraná com Santa Catarina, por estarem terminados os trabalhos. De utilidade pública RIO, 22 — Foi sancionada a resolução declarando de utilidade pública a Associação Brasileira dos Farmacêuticos. Contra-almirante RIO, 22 — Foi graduado no posto de contra-almirante o Sr. Raymundo Castanhede. Atos da guerra RIO, 22 — Foi exonerado o general João Álvares de Azevedo Costa do comando da segunda brigada de Artilharia e nomeado para o cargo de Inspetor de Artilharia da Costa. O capitão Luís de Oliveira Pinto foi exonerado do cargo de inspetor do Tiro de Guerra, na 5ª Região. Condolências RIO, 22 — Na Câmara, o deputado Metello Júnior justificou um requerimento, autorizando à mesa a telegrafar à Câmara da Itália dando condolências pelas dolorosas consequências da erupção do Etna. Viagem ao seu Estado RIO, 23 — Seguiu, ontem, para o Estado do Paraná o senador Affonso Camargo. Falecimento RIO, 23 — Faleceu, nesta capital, o tenente Antônio Cabral de Lacerda. O 2 de julho RIO, 23 — O «Instituto Varnhagen» realizará uma sessão solene no próximo dia 2 de julho, sendo orador o escritor Renato de Almeida. Promoção RIO, 23 — Foi promovido a primeiro escriturário do Tribunal de Contas o Sr. Segismundo Soares Baptista. Medalha da vitória RIO, 23 — Foi criada na Marinha a medalha da vitória. Banquete RIO, 23 — Realizou-se, no «Jockey Club», o banquete oferecido ao Sr. James Darcy, havendo brilhantes discursos. O banquete foi presidido pelo senador Antônio Azeredo. Ótima impressão BAHIA, 23 — Causou ótima impressão o agradecimento do deputado cearense, Dr. Hugo Carneiro da tribuna da Câmara Federal, à maneira delicada e à hospitalidade do Dr. J. J. Seabra para com o Dr. Justiniano de Serpa, confirmando as tradições lendárias de cavalheirismo da Bahia. A viagem do presidente de S. Paulo RIO, 23 — O presidente de S. Paulo, Dr. Washington Luís, adiou para segunda-feira a sua partida para esta capital. No Catete RIO, 23 — Estiveram no Catete os ministros da Marinha, da Justiça e da Guerra e o Dr. Alvor Prata, Prefeito do Distrito Federal. Moção de congratulações RIO, 23 — A Sociedade Mineira de Agricultura aprovou uma moção de congratulações para com o Presidente da República pela recente reforma financeira, criando os bancos de emissão e hipotecário. Conferência com o chefe da Nação RIO, 23 — Estiveram no Catete, em conferência com o presidente da República, os deputados José Bonifácio e os senadores Miguel Carvalho, Afrânio Peixoto, Lopes Gonçalves, Bueno de Paiva, José Eusébio, Felippe Schmidt; os deputados Durval Porto, Severiano Marques, José Augusto, Arthur Lemos, Bittencourt Filho, Agripino Azevedo, Antunes Maciel, Luís Bartholomeu, Natalício Hamboin, Gilberto Amado, Luís Guaraná, Carvalho Netto, Gentil Tavares, Alfredo Leal, Costa Rego e Mello Franco. Senador estadual S. PAULO, 23 — O partido situacionista apresentou a candidatura do Dr. Reynaldo Porchat para senador estadual.
  • Telegrama DO EXTERIOR Em torno da valorização do marco BERLIM, 20 — Prosseguiram, ontem, as negociações entre o chanceler Cuno e os diretores dos grandes estabelecimentos bancários para assentar as medidas a serem tomadas a fim de sustar a baixa do câmbio. Referindo-se ao assunto, o «Vossische Zeitung» diz-se autorizado a declarar que na reunião de ontem foi aventada a ideia do lançamento de novo empréstimo em dinheiro. Por sua vez, o Reichsbank também intervirá no mercado cambial para auxiliar os esforços do governo, com o mesmo intuito. O Reichstag já votou a lei que autoriza o governo a centuplicar o total do empréstimo forçado, cujas entradas obedecerão à cotação do marco. A questão das reparações LONDRES, 22 — O «Daily Mail» publica um editorial sobre a questão das reparações, cuja solução considera necessária para o combate à teoria germano-fila. Entende que a Alemanha se libertaria do caos se fosse forçada a pagar o que deve. Entendimento franco-britânico PARIS, 22 — Entrevistado pelo correspondente do «Petit Parisien» em Londres, o primeiro-ministro Stanley Baldwin declarou que esperava encontrar-se brevemente com Poincaré. Segundo o correspondente, a opinião pública inglesa começava a considerar oportuna a conferência entre os dois chefes de governo. Esse sentimento, ora, sobretudo, sensacional, depois da resposta franco-belga ao «memorandum» britânico. De outra parte o «Petit Parisien» assegura que o chefe do gabinete francês está disposto a aceitar as informações que lhe queiram ser prestadas pelo ministro inglês. Pedido de casamento VIENA, 22 — Consta que o rei Boris da Bulgária chegará brevemente a Bucareste, a fim de solicitar a mão da princesa Ileana, filha mais jovem do rei Fernando. ADIAMENTO ROMA, 22 — Anuncia-se que o Conselho Executivo da Liga das Nações adiou sua reunião para o dia 2 de julho, atendendo ao pedido do governo da Itália. Os telegramas continuam na segunda página.
  • Anúncio Juntai cupons para os pobres das Conferências de S. Vicente de Paulo
  • Nota social Capítulos e episódios históricos A um grande santo perguntou, um dia, uma irmã, o que era necessário para atingir a santidade: — Minha irmã, é preciso querer. A religiosa, julgando haver mal compreendido, repetiu a pergunta. Recebendo igual resposta, ficou atônita, e arriscou terceira interrogação idêntica. E o santo, com sua paciência inabalável, pela terceira vez, embora com maior vigor, confirmou: — Minha irmã, basta querer. • • A história dos primeiros cristãos registra fatos admiráveis do desapego às riquezas e aos bens transitórios deste mundo. Citemos um destes: Uma tarde, assentado à varanda do seu palácio, o mais belo e suntuoso de Roma, estava um casal de jovens e ilustres patrícios — Piniano e Melânia. De seus pés estendiam-se até ao mar as suas várias propriedades; jardins, lavouras, campos e moitas. E além do mar, na Gália, Espanha, África e Ásia havia outras fazendas com milhares de escravos a trabalharem para aumentar suas riquezas. Estavam calados, contemplando tudo aquilo. Ambos pensativos, pareciam combater interiormente para tomarem uma grande resolução, até que Melânia rompeu o silêncio dizendo: — Meu caro, todas estas riquezas do que nos têm servido até agora senão para nos causar inquietação e inúmeros cuidados? Os escravos são mais livres na estreiteza de sua tarefa e mais ricos na sua pobreza, servindo a Jesus Cristo. Virá o dia de juízo, quando de tudo isso teremos de dar contas rigorosas. Conhecemos o conselho do Salvador: Se quiseres ser perfeito, vende o que possuis e dá-o aos pobres; então terás um tesouro no Céu! Nada respondeu o generoso patrício, mas deitando um olhar entre compaixão e animador à sua jovem esposa, continuou a pensar. Melânia prosseguiu: — Melhor seria que nós nos embaraçássemos dessas riquezas e vivêssemos com pouco, segundo a perfeição cristã. Ao levantarem-se os dois, uma resolução heroica havia sido tomada. Distribuíram seus bens entre os pobres e escravos de suas terras; 8000 homens receberam assim a liberdade e propriedade para viver. Dessa maneira era que os ricos da antiguidade cristã entendiam e praticavam o apostolado em favor das massas populares.
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