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O Nordeste

Janeiro de 1923, página 40 · 36 trechos transcritos

Manchetes desta página

  • A Baviera não se separará. BERLIM, 11 – O ministro do Interior do governo bávaro, numa entrevista concedida ontem ao representante da United Press, declarou o seguinte: 'Engana-se muito quem pensa que a Baviera se separará da República.' Há, no entanto, o perigo de que a ocupação da Ruhr lance a Alemanha nas mãos dos anarquistas e comunistas de [...], caso em que a Baviera não aceitará leis afetadas de Moscou. Se Berlim passar à mão dos anarquistas, terá a morte da Alemanha. Não será a Baviera que se separará. A Baviera é leal ao país. Moção de apoio a Poincaré PARIS, 11 – A Câmara dos Deputados aprovou, esta tarde, uma moção de confiança em favor do governo, chefiado por Poincaré, por 478 votos contra 89. A Alemanha apelará para os Estados Unidos?
  • Declarações do chanceler alemão BERLIM, 12 – Falando, ontem, no Reichstag, sobre a atitude assumida pela Alemanha, declarou o chanceler Cuno que o governo não tinha adotado a respeito uma resolução definitiva, dependendo a sua maneira de proceder da conduta dos franceses.
  • A atitude do gabinete Inglês LONDRES, 11 – Segundo uma nota oficiosa, o gabinete reuniu-se hoje, mas não tomou decisão final que pudesse alterar a posição do governo quanto à política do Ruhr. A retirada das [...]
  • WASHINGTON, 11 – Consta que a Alemanha resolveu apelar, diretamente, para o governo dos Estados Unidos contra a ocupação do Ruhr pelos franceses. Diz-se que o embaixador alemão, nesta capital, Otto Wiedfeldt, apresentará amanhã uma nota nesse sentido ao ministro do Exterior, Hughes. Afirma-se que a embaixada alemã recebeu uma nota de Berlim, explicando detalhadamente a situação da Alemanha sobre a ocupação de Ruhr.
  • A desolação dos alemães BERLIM, 11 – Em sinal de luto pela ocupação de Essen, hoje, pelas tropas francesas, o pavilhão nacional será hasteado em funeral em todos os edifícios públicos da Alemanha. No próximo domingo, todos fecharão, e nas igrejas serão celebrados serviços fúnebres.
  • O orçamento sueco ESTOCOLMO, 11 – O orçamento para o ano corrente é avaliado somente em 737 milhões e 501 mil coroas, ao passo que o anterior se elevava a 930 milhões e 000 mil coroas.
  • Recepção na embaixada brasileira BRUXELAS, 11 – O ministro brasileiro nesta capital ofereceu hoje uma recepção ao governo belga, à alta sociedade e à colônia brasileira. Compareceram à recepção, que correu brilhantíssima, 700 pessoas.
  • Novo processo para a conservação de frutas WASHINGTON, 11 – O Ministério da Agricultura está estudando novos métodos para a conservação das frutas frescas, sem refrigeração. As experiências, se forem bem sucedidas, terão grande efeito na importação de frutas de países longínquos.
  • O caso do Rio RIO, 12 – Esteve, ontem, no Catete, em conferência com o Presidente da República, sobre o caso do Estado do Rio, o dr. Hermínio do Espírito Santo, presidente do Supremo Tribunal. Também conferenciou, a esse respeito, com o Presidente Bernardes, o ministro Pires e Albuquerque, procurador-geral da República.
  • As festas de S. Sebastião RIO, 12 – No próximo dia 20, serão levados a efeito os programas de solenidades em honra de S. Sebastião, padroeiro da Arquidiocese. Haverá novenas nos diversos templos da cidade.
  • O êxito da exportação de laranjas para a América RIO, 12 – A exportação de laranjas brasileiras para os Estados Unidos acaba de obter franco êxito. Com 22 dias de viagem, dos quais 17 no frigorífico, as laranjas [...] chegaram em tão boas condições que obtiveram cotação superior às de [...] Rico.
  • A oposição baiana RIO, 12 – Fala-se aqui que a oposição baiana, para a próxima sucessão do governo do Estado, lançará a candidatura do ministro da Agricultura, dr. Miguel [...]
  • Uma ação contra a União RIO, 12 – Ao inspetor das [...] remessas, o Ministério Público da República, no Ceará, relativo a uma ação movida contra a União por dr. Holanda Montenegro.
  • O general Clodoaldo Fonseca, chefe da seção [...] de [...] apresentou [...] às autoridades militares.
  • O novo diretor da censura RIO, 12 – Para substituir o dr. Augusto de Lima Filho, foi indicado para dirigir a censura do [...]
  • RIO, 12 – A oficialidade do 2º de Caçadores, aquartelado em Niterói, cumprimentou o dr. Aurelino Leal, por sua posse no cargo de interventor. O dr. Aurelino já nomeou os oficiais do Exército que vão servir na força policial do Estado.
  • Sobre o caso fluminense RIO, 12 – A força policial de Niterói regressou aos seus quartéis. O ofício do dr. Raul Fernandes ao Supremo será lido na sessão de amanhã.
  • O Supremo Tribunal trata do caso fluminense A discussão do ato da intervenção, em sessão secreta RIO, 14 – O Supremo Tribunal, logo que a sessão foi aberta, começou a tratar do caso do Estado do Rio, em face do decreto de intervenção. O ministro Hermenegildo Barros pediu que o caso não fosse discutido sem estarem presentes todos os membros. E assim foi. O procurador da República procedeu à leitura das informações sobre o caso, enviadas pelo ministro da Justiça, explicando o ato do Executivo, quando decretou a intervenção. Terminada essa leitura, declarou que a notícia do ofício do presidente do Supremo já era conhecida nas ruas desta capital e publicada pelos jornais, antes mesmo de ter ele conhecimento do fato e de chegar o referido ofício às mãos do juiz federal de Niterói. Em vista disso, de haver o presidente do Supremo deliberado resolver o caso ao seu critério, achava que a sua missão estava finda. Fez, ainda, algumas considerações a respeito e terminou afirmando que não havia, com o ato do governo, periclitado a justiça, nem sofrera o prestígio do Supremo. Ouvidas as referidas informações, o presidente sr. Hermínio do Espírito Santo declarou que ia fazer sessão secreta, desde que se ia apreciar um ato do presidente da República. O ministro Hermenegildo afirmou: 'Então falece a V. Excia. autoridade para tanto. Só o Tribunal poderá resolver sobre a sessão secreta, mais ninguém. Eu sou pela sessão pública.' Posto a votos o assunto, pronunciaram-se pela sessão pública os ministros Godofredo Cunha, [...]. Resolvida assim a sessão secreta, a sala foi imediatamente evacuada e começou a sessão justamente à 1 hora da tarde. A reunião durou duas horas. Todos os ministros trataram do assunto. Afinal, o sr. Guimarães Natal leu um protesto contra o ato do Executivo, decretando uma medida que contrariava uma decisão do Supremo. Posto a votos, o protesto foi rejeitado por oito votos contra cinco. Votaram a favor do protesto os srs. Guimarães Natal, Pedro Mibielli, Hermenegildo Barros, Leoni Ramos e Alfredo Pinto. Votaram contra: Hermínio do Espírito Santo, Viveiros de Castro, Pires e Albuquerque, André Cavalcanti, Pedro dos Santos, Edmundo Lins e Geminiano da França.
  • As providências tomadas pelo interventor RIO, 14 – Foram dispensados, ontem, todos os funcionários adidos ao gabinete do secretário-geral do Estado do Rio. O mesmo secretário-geral convocou uma reunião, ontem, em seu gabinete, aos diretores das diversas seções públicas do Estado, determinando as seguintes providências: Nos serviços públicos, será observada a maior economia, ficando proibida a admissão de pessoal novo e de material na realização de obras, sem prévia autorização da secretaria-geral. Os diretores devem apresentar, com a maior urgência, um relatório do estado dos diversos serviços, com a indicação das medidas necessárias à sua perfeita regularidade. O secretário despachará diretamente com os diretores, em dias previamente fixados, todos os papéis. O diretor da Fazenda deverá informar, em seu relatório, sobre a situação financeira no momento, sobre os compromissos da dívida fundada, que serão prontamente atendidos; sobre a arrecadação provável do 1º semestre desse ano, baseada na arrecadação dos três últimos exercícios; e sobre a despesa provável do 1º semestre. O dr. Aurelino Leal tomou providências no sentido de ser pago pontualmente, no dia 31 do corrente, o cupom da dívida pública do Estado, do empréstimo inglês. Devido às providências tomadas pelo interventor, as rendas públicas, nos últimos dias, têm acusado sensível aumento.
  • Moção de apoio BELO HORIZONTE, 12 – As [...] do Estado, recentemente empossadas, votaram uma moção de apoio e solidariedade aos drs. Artur Bernardes e Raul Soares.
  • Um cientista belga encantado com a nossa flora RIO, 10 – O professor Miimart, do Estado, recentemente empossado, [...] entrevistado pelos jornais, confessou a sensacional impressão que lhe causou a flora baiana, principalmente o cacto, classificando-a de superior à de qualquer parte do mundo. Na vila Bandeira de Melo, arrancaram, com raiz, um exemplar de cacto raríssimo, que o Museu de Nova York guarda como preciosidade.
  • Duas novas dioceses BELO HORIZONTE, 12 – Consta que serão criadas duas dioceses em Minas, uma em Ubá e outra em Juiz de Fora.
  • Morre um jesuíta notável RIO, 12 – Faleceu, na residência dos jesuítas, em Roehampton, o padre Wangham, que, em 1908, escandalizara Londres com as suas magistrais e violentas prédicas contra os costumes do tempo e a sociedade corrompida da [...]
  • Volta a funcionar o farol do Bacupari RIO, 12 – O superintendente da navegação, em aviso aos navegantes, comunicou que, a partir de 23 do corrente, serão restabelecidos os característicos da luz do farol do Bacupari, no Rio Grande do Norte. O aludido farol está com a máquina de rotação parada desde março do ano passado.
  • O ministro da Justiça e a bandeira [...] por intermédio do ministro da Justiça, fez presente ao couraçado 'Minas Gerais' uma bandeira fardada a seda, cuja confecção se iniciara quando a excelência era ainda presidente de seu Estado. Essa bandeira deu entrada, hoje, no gabinete do Ministério da Marinha e será entregue solenemente.
  • Interrupção do tráfego da Central do Brasil BELO HORIZONTE, 12 – Em vista das grandes temporais e pesadas chuvas que caíram, está interrompido o tráfego da 'Central do Brasil' entre o Rio e esta cidade, não tendo corrido, nestes dias, os rápidos noturnos. Entre as estações de Paty e Niemeyer, desabou um grande aterro. Os passageiros vão até Entre Rios, onde tomam os trens da 'Leopoldina', chegando à Central via Petrópolis, o que aconteceu ao ministro da Viação.
  • A renda da Central RIO, 12 – A L. F. C. do Brasil recolheu 2.087 contos ao Tesouro, saldo da renda arrecadada na [...]
  • Morre Constantino [...] – Noticia-se aqui a [...] de Constantino, da [...]
  • Faleceu um cientista RIO, 12 – Faleceu, hoje, em São Paulo, o conhecido cientista Júlio Pereira Barreto.

Anúncios, notas e expediente

  • Expediente O NORDESTE, Segunda-feira, 15 de Janeiro de 1923
  • Nota social ESTAMOS ENTENDIDOS Nabuco de Oridas O titular da aludida não tem respeito por 'Nixdade', pois [...]. A ocupação de Essen pelos franceses. As últimas notícias a respeito são atos, cumprindo-lhe, simplesmente, firmar o nome nos papéis emanados do governo. 'Oh, o do Presidente!' Não lhe compete aconselhar o Chefe do Estado nas questões de Direito Público, não é o inferior hierárquico da majestade. [...] de usar o pomposo título de Secretário dos Negócios Internos e Justiça e usufruir tronos vantajosos, áreas da doutrina do governo. Há, no entanto, o perigo de que a ocupação da Ruhr lance a Alemanha nas mãos dos anarquistas e comunistas de [...]. Nem deu prejuízo. Depois, subiu o partido conservador e lhes foi imposto o selo sobre as notas. E, afinal, foram revogadas as suas emissões. O articulista faz outras considerações. Lembra que Rui, no início da República, pôs em prática o sistema, que classifica de excelente; atribuindo o insucesso de então à fraqueza do governo, que não resistiu à pressão dos interessados e espectadores, à ignorância dos congressistas, à politicagem e à inveja, que conspiraram contra o grande ministro. Promete continuar a análise da questão. Seu respectivo órgão oficial, está muito bem feita a escolha, não resta dúvida. Não é lá tão grande e tão delirada a tarefa de sustentar, subida. Devemos, porém, um reparo à nota do 'Diário'. Manda que se chegue, em sua mui serena linguagem oficial, imparcial, para criticar os extravasamentos sobre a questão do 'Lhano'. Haveremos de. Haverá, então, de nossa parte, uma injustiça e um disparate. Ademais, mesmo que o novo simples executor das ordens do Presidente, seríamos, ainda, [...] sem alterar o decreto. Aliás, não censuramos em via alguma ao sr. Nabuco de Caldas, mas tão somente ao sr. [...] para o cargo de Justiça um moço muito bom, mas é muito moço e inteiramente estranho ao posto. Não temos, entretanto, receio algum em discutir a questão por mais tempo e o obsequiado do 'Diário' [...]. Tal é a tanta alegria, ao parecer, com a indicação do Secretário, é o caso de darmos parabéns pelo [...] pelo sr. Moreira [...] representar inato uma [...] do partido democrata. Entendidos.
  • Nota social Festival literário Foi, realmente, encantadora a hora literária que, a um reduzido número de espectadores, de bom gosto, proporcionou, ontem, às 11 horas, o festival literário em benefício de Jader de Carvalho. Aberta a sessão, o presidente da mesma deu a palavra ao dr. José Sombra, que, como se esperava, pronunciou bela oração, de frase perfeita e conceitos seguros, que impressionou vivamente o auditório. O dr. José Sombra fez a crítica do nosso meio intelectual, com o seu acanhamento e prevenções, que fazem com que se entibiem as energias dos que começam. Tratou, depois, propriamente, da personalidade literária do beneficiado, cujo talento exaltou; mas teve a franqueza de, estudando os versos do poeta, dizer-lhe a verdade quanto às produções que, pela imitação a Olavo Bilac, pecam pelo exagero do sensualismo. Em frases lapidares, o conferencista, cuja oração é uma joia finíssima, tratou ainda da tendência do perfilado para a espiritualização. Terminou apelando para Jader no sentido de que não ficasse nas suas impressões pagãs, mas, realmente, espiritualizasse os seus versos, elevando-os às formas mais belas da poesia universal. Seguiram-se recitativos de versos próprios e alheios por Oscar Carrilo Franco, Suineu Neto, Edgard Alencar e Francisco Sá. Eurico Pinto leu interessante trabalho humorístico de sua lavra, intitulado 'Bozó sem dados', que trouxe o auditório em constantes gargalhadas. Por fim, Jader recitou duas poesias de sua lavra: 'Sugestão de Pão' e 'Saudade'. Todos deixaram a 'Phoenix' com grata impressão do animado festival literário.
  • Nota social Recebemos da comissão central dos festejos ao deputado José Accioly a seguinte comunicação: 'A comissão abaixo assinada, incumbida de prestar condignas homenagens ao excelentíssimo senhor deputado dr. José Pompeu Pinto Accioly, por ocasião de seu regresso da capital da República, tendo incluído em seu programa de festejos um baile que se deveria realizar na próxima quinta-feira, no palacete em que funciona o Clube Iracema, se vê forçada a desistir deste seu intento, em virtude de instantes pedidos do homenageado, que, [...] sua não realização, encarecem-lhe, ao mesmo tempo, a aplicação do saldo da subscrição aberta para os referidos festejos em benefício de instituições de caridade. E, assim, acedendo ao desejo do ilustre parlamentar, e de acordo com a comissão escolhida para a organização dos convites para o aludido baile, deliberou encarregar o seu companheiro, sr. José Meneleu Filho, de distribuir do seguinte modo a quantia de Rs. 3.470$000, existente em seu poder: À Santa Casa de Misericórdia: 1.000$000 Ao Asilo de Mendicidade: 500$000 Ao Hospital de Alienados: 500$000 À Maternidade dr. João Moreira: 470$000 Total: Rs. 3.470$000 Rogando a V. A. a fineza de dar publicidade a esta sua deliberação, pelo que, desde já, se confessa agradecida, atenciosamente se subscreve. A Comissão Dr. Manuel Sátiro Desembargador Luís Gonzaga Dr. Carlos Livino de Carvalho José Meneleu Filho Alfredo Pontes Dr. José Pires de Carvalho Vicente Linhares Aldovrando Pinto'.
  • Anúncio Vendem-se nesta redação cautelas da grande Tombola do Centenário, em benefício do Patrimônio do 'Dispensário dos Pobres' e do 'Patronato das Operárias', mantidos pela 'Liga das Senhoras Católicas Brasileiras'.
  • Anúncio Um cupom de bonde vale um real. Guarde-o para os pobres de S. V. de Paulo.
  • Nota social RIO, 11 – O dr. Felício dos Santos, em artigo n'«A União» de hoje, defende a criação do banco emissor, respondendo às mais sérias objeções dos seus impugnadores. Contesta aos que dizem que o direito de criar a moeda metálica, de valor econômico, é restrito à percepção dos impostos ou de quaisquer pagamentos feitos pelo Tesouro, ficando livre aos particulares aceitar ou rejeitar a moeda fiduciária, emitida por este ou aquele instituto de crédito. Nota que o ministro Sousa Franco, da monarquia, já ensaiara a medida. Criaram-se, então, muitos bancos emissores, e nenhum faliu nem deu prejuízo. Depois, subiu o partido conservador e lhes foi imposto o selo sobre as notas. E, afinal, foram revogadas as suas emissões. O articulista faz outras considerações. Lembra que Rui, no início da República, pôs em prática o sistema, que classifica de excelente; atribuindo o insucesso de então à fraqueza do governo, que não resistiu à pressão dos interessados e espectadores, à ignorância dos congressistas, à politicagem e à inveja, que conspiraram contra o grande ministro. Promete continuar a análise da questão.
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